Como tramar hipócritas, homofóbicos e palermas, por Adolfo Mesquita Nunes

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Fotografia: Orlando Almeida/Global Imagens@JN

À parte do mau estar que a revelação causou entre a ala salazarista e ultraconservadora do CDS-PP, para não falar nos seus aliados naturais como a Igreja Católica ou a Opus Dei, a saída do armário de Adolfo Mesquita Nunes, um dos mais promissores e competentes quadros dos democratas-cristãos, deixou uma série de conhecidos hipócritas, homofóbicos e palermas muito atrapalhados. E isso é sempre bonito de se ver.

Quem se lembra da entrevista da secretária de Estado Graça Fonseca, que em Agosto passado assumiu a sua homossexualidade numa entrevista ao Diário de Notícias? Lembram-se das reacções reaccionárias dos paladinos da moral, dos bons costumes e do conservadorismo labrego? Não? Pesquisem no Google, visitem os blogues e os pseudo-jornais da nossa alt-right ou procurem na sarjeta do neofascismo lusitano e rapidamente encontrarão a resposta. [Read more…]

Secretário de Estado do Turismo assume integrar um governo a prazo

Adolfo Mesquita Nunes, secretario de estado do turismo, Lx.

É um daqueles episódios caricatos que, não fossem os intrometidos dos jornalistas, não teria passado de um momento de confraternização entre o hoje reconduzido Secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, e o deputado socialista João Galamba. Mas, lá está, a RTP apanhou-o a jeito e a declaração fica para a história, com uma nota de honra e coragem para o centrista, que teve a capacidade de assumir que o governo hoje empossado não passa de uma mera formalidade e que se encontra literalmente a prazo. Isto, claro, caso o PS pretenda sobreviver enquanto partido. Porque se depois de todos os esforços para despachar este governo de volta para a São Caetano à Lapa e para o Caldas se lembrasse agora de recuar, suspeito que assistiríamos ao nascimento do PASOK português.

Voltando à frase do dia, disse Mesquita Nunes ao colega Galamba:

Daqui a 15 dias és tu que subirás esta escadaria.

Fonte do CDS ainda tentou dar a volta ao contexto e convencer os jornalistas de que se tratava de uma pergunta e não de uma afirmação. Em todo o caso, pergunta ou afirmação, a intervenção de Adolfo Mesquita Nunes é muito clara e ilustrativa do sentimento que se vive entre os membros do novo governo: a sua situação é precária e a queda do governo uma questão de dias. Haja alguém com consciência no meio de tantos contadores de contos para crianças.

Partido Comunista, conservador e reaccionário

Ao votar contra as propostas do Bloco de Esquerda e de «Os Verdes», seu parceiro de coligação, o Partido Comunista mostrou ser, ao nível dos costumes, um Partido conservador e reaccionário que em nada se distingue do CDS ou do PSD.
Pior: existindo liberdade de voto em todas as Bancadas, 9 deputados do PSD votaram a favor dos projectos e até um deputado do CDS, Adolfo Mesquita Nunes, o fez. O Partido Comunista foi o único que conseguiu o pleno – todos os Deputados votaram contra. Ou porque realmente concordam com o que votaram ou porque, no fundo, não houve liberdade de voto.
Não sei o que será pior. Mas sei que, no que toca a estas matérias, deixo de poder considerar o PCP um Partido de Esquerda, ao contrário dos deputados da Direita que votaram a favor. Acreditem que tenho pena.