A fatura dos assessores

Screen Shot 2016-02-11 at 15.17.12

Leio no Jornal Económico, por sinal um jornal a trabalhar em condições muito difíceis – com vários meses de salários em atraso e numa situação terrível de indefinição porque o proprietário, a famosa Ongoing, não tem dinheiro para uma reestruturação e espera desesperadamente vender o título-, que o Governador do Banco de Portugal contratou mais um assessor financeiro para vender o Novo Banco. Desta vez contratou o alemão Deutsch Bank.

Mas quantos assessores são necessários para o Banco de Portugal, que tem funcionários competentes nos seus quadros, vender o Novo Banco? E quanto vai custar toda essa “assessoria”? Assim por alto identifico:

  1. Sérgio Monteiro, contratado pelo Banco de Portugal para vender o Novo Banco. Segundo o supervisor bancário, que abordou o assunto em resposta a um conjunto de questões apresentadas por Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, a contratação de Sérgio Monteiro visou coordenar e gerir a resolução do BES e a venda do Novo Banco, tendo esta sido a solução para responder à “particular urgência” do dossiê “atenta a necessidade de acompanhamento da elaboração pelo Novo Banco do plano de reestruturação” que devia ser fechado até ao final de 2015. Valor do contrato (12 meses): 304,8 mil euros + IVA;
  2. BNP Paribas, contratado pelo Banco de Portugal para assessorar a venda do Novo Banco por ajuste direto no valor de 15 milhões de euros + IVA.
  3. TC Capital, contratada pelo Banco de Portugal para assessorar a venda do Novo Banco. Valor do contrato: 800 mil euros + 500 mil euros de prémio = 1,3 milhões de euros + IVA.
  4. Sociedade de Advogados Vieira de Almeida, contratada pelo Banco de Portugal para assessorar a venda do Novo Banco, num contrato em pacote por 3 anos no valor de 1,5 milhões de euros + IVA.

 

Quanto é no total? Eh pá, como dizia o outro, é fazer as contas. Só espero que o valor da eventual venda chegue para pagar todas as ASSESSORIAS e respetivos PRÉMIOS DE SUCESSO. Já sabemos que isso é tudo NEGÓCIO PRIVADO. Só será PÚBLICO se sobrar algo para PAGAR, pois aí entra de novo o contribuinte para assegurar os prejuízos. A regra é: lucros privados, prejuízos públicos.

Siga a FESTA.

Aditamento: ia a descer no elevador e perguntam-me quase em sussurro: Porque razão não é o próprio gabinete do Governador do Banco de Portugal, coordenado por ele mesmo, a vender o Novo Banco? Não tem competência? Faltam-lhe contactos?

Uma chatice estes elevadores, fazem perguntas pertinentes 🙂

Comments


  1. Uma vergonha

Trackbacks


  1. […] O Novo Banco, revela o Expresso, recebeu propostas simbólicas. Fantástico! Tenho de enviar os meus parabéns aos excelentes assessores: […]


  2. […] O Novo Banco, revela o Expresso, recebeu propostas simbólicas. Fantástico! Tenho de enviar os meus parabéns aos excelentes assessores: […]


  3. […] O acréscimo de despesa para o OE seria residual, visto que não seriam 5000 novos professores, mas apenas a passagem aos quadros de 5000 docentes contratados. Num cálculo grosseiro, isto significaria um investimento anual de 50 milhões de euros, ou seja, menos do que foi investido, em média (14 milhões de euros) nas obras de quatro escolas intervencionadas pela Parque Escolar. E nem falo dos milhões investidos apenas para oferecer o Novo Branco a potenciais “compradores”. […]