PAN, um corpo estranho num ecossistema de previsibilidade

O representante do partido PAN - Pessoas Animais e Natureza, André Silva, à chegada para uma audiência com o Presidente da República de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, no decorrer do ciclo de audiências aos partidos políticos com assento parlamentar no Palácio de Belém, em Lisboa, 21 de outubro de 2015. ANDRÉ KOSTERS/LUSA

André Silva, deputado eleito pelo PAN, não tem tarefa fácil. Por ser só um, terá, imagino eu, que estar presente em todas as comissões parlamentares em que o PAN pretenda (e puder?) dar a sua opinião ou questionar o executivo. Para além disso, notícias sobre o PAN são praticamente inexistentes na comunicação social. Sim, eu sei, a imprensa é um negócio e está no seu direito de privilegiar as audiências em detrimento da informação. Apesar dos códigos deontológicos e tal. Mas nos jornais portugueses, mais rápido apanham uma grande reportagem sobre a Ana Malhoa do que uma qualquer notícia sobre o PAN. No próprio Google, o so-called fórum da democracia moderna, se escrever André Silva, a primeira página de resultados é toda dedicada a outro André Silva, o jogador do FC Porto. Não é nada fácil ser o PAN.

Um destes dias, depois de uma dessas reuniões relacionadas com o orçamento de Estado, responsáveis dos diferentes partidos prestavam declarações à imprensa. PSD e CDS-PP não gostam, PS gosta, BE, PCP E PEV dizem que podia ser melhor mas que não é mau. Depois surge André Silva e o jornalista pede-lhe uma declaração. O deputado do PAN diz que vai analisar. Curioso que ainda haja quem analise antes de dar uma opinião sobre um assunto sério. Não digo que os outros sejam todos uns preguiçosos, mas a verdade é que, dos partidos tradicionais que constituem o Parlamento, conseguimos antecipar mais ou menos qual será a sua posição. Desse corpo estranho neste ecossistema de previsibilidade que é deputado do PAN, não sabemos muito bem o que esperar. Refrescante.

Foto: André Kosters/Lusa@Rádio Renascença

 

Comments

  1. Konigvs says:

    De facto eu estou à espera que o PAN venha exigir a defesa do mosquito transmissor do vírus da moda caso apareça por cá e até agora nada!
    Os mosquitos também são animais. Devem ser recolhidos e tratados em hospitais criados para o efeito. Os mosquitos devem ter personalidade jurídica, tal como todos os animais, tal como está nos folhetos que andaram a distribuir em campanha para as legislativas.
    Quando é que o PAN se vem insurgir contra essa incrível carnificina, essa autêntica barbárie de gasear milhões e milhões de mosquitos inocentes? Os judeus são mais importantes que os mosquitos? Não! Então que se defendam os mosquitos já!
    Mais. Estou à espera que o PAN venha exigir a retirada de todos os inseticidas do mercado, não por serem nocivos aos humanos, mas em defesa das melgas que não têm culpa de ter de se alimentar de sangue humano!

    PAN: Quando o P deveria ser de partido e não de Pessoas. E quando defender algo meritório acaba por cair no absoluto ridículo.