Orçamentos movediços

cameloMarco Faria

Como diria Abud Aba, o maior vendedor de pneus de bicicleta de Marraquexe, os portugueses têm muito amor e pouco dinheiro… Com que então o Orçamento do Estado para 2016 já mereceu 46 páginas de correções? O mais interessante é que o Orçamento prevê a “manutenção da carga fiscal em 2016” (ou uma subida, se acrescentarmos as contribuições sociais, corrigiu o economista e deputado independente eleito pelo PS, Paulo Trigo Pereira).
O Orçamento será outra vez corrigido no dia em que o ministro Mário Centeno nos tirar um subsídio lá para o Verão… Mas o prémio BAFTA vai para o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, que aprovou uma portaria ainda antes de o galo começar a cantar, e assim os combustíveis conhecem o maior aumento de impostos desde o ano do “bug” informático, 2000.
É justo o BAFTA para Rocha Andrade, quando as suas palavras são corroboradas pelo “draft” do Orçamento, que aponta para um novo futuro aumento de 4 a 5 cêntimos por litro. Tudo isto, dizia há dias o primeiro-ministro que foi ao Festival Berlim, se justifica em nome do princípio da neutralidade fiscal. Eu gosto muito dos princípios invocados por homens que optam por esvaziarem-nos os bolsos. Abud Aba é um marroquino sensato: os portugueses têm muito amor e pouco dinheiro… E Habib Selam, o ajudante de Abud Aba, diz que os orçamentos portugueses são como os desertos africanos: quanto mais se mexe, mais se asfixia o contribuinte, que cai desesperadamente nas areias movediças. Não há camelos que nos lhe valham desta aflição fiscal.

Comments

  1. Rui Silva says:

    O PS que criticava o aumento de impostos.Ao aumentar a carga fiscal mais uma vez , está no fundo a aprovar os aumentos do antigo governo. Se estava contra agora só tinha um caminho que era : baixar impostos. Ou seja criticava, porque estava na oposição , no poder e como governo socialista que é, cumpre a máxima: impostos sempre, até 100%, o Zé, em querendo alguma coisinha depois pede ao “Estado” aquilo que precisar. O “Estado” avalia se o Zé precisa e então concede ou não o pedido. Há regras , que é lá isso. Já agora cada um a gastar o dinheiro naquilo que lhe desse na Real Gana … Isto é cada um…

    cumps

    Rui Silva

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