Carta do Canadá: Ofensa e hipocrisia

REUTERS/Rafael Marchante

REUTERS/Rafael Marchante

Encontro na blogosfera e nos jornais online referência ao cartaz da autoria do Bloco de Esquerda para festejar o ter sido aprovada a lei que autoriza casais do mesmo sexo a adoptar crianças. Vejo que Pedro Mota Soares, do CDS, ministro da Segurança Social no anterior governo, considera o cartaz “ofensa gratuita à sensibilidade de muitos portugueses”.  Registo, com apreço e respeito, que Marisa Matias, ligada ao Bloco de Esquerda, considera esse mesmo cartaz “um erro”. Antes de prosseguir clarifico já a minha posição: é, de facto, um erro e um acto de estupidez que vai funcionar como um tiro no próprio pé desse movimento político. Nem mais errado nem mais estúpido do que as piadolas, às vezes ordinárias, que certos humoristas de serviço ao regime, assim como uns apresentadores sem tino, fazem à volta da Igreja Católica e seus valores. O amor do público por esses (erradamente) tidos por humoristas não tem aumentado, pelo contrário. A mim só me apetece perguntar aos piadistas e ao BE: porque se metem só com a Igreja Católica? Não há mais religiões praticadas em Portugal? Será porque quem se mete com as outras religiões leva, e o Charlie Hebdo que o diga? Como reagiriam se as pessoas fizessem chacota dos familiares directos dos chefes do BE? É que se não perceberam ainda o tipo de relação que os cristãos têm com as figuras sagradas, então não sabem em que mundo andam nem em que país vivem. Portanto, eu acho lamentável esse cartaz e concordo com a Marisa Matias (que alem de ser decente, é uma mulher inteligente e vê longe). Não me regozijo com esta mancada do BE, até tenho pena que um movimento em que há gente nova com tanto valor tenha caído nesta tentação estúpida e inútil.

Depois vi o noticiário da RTP e de seguida, apareceu o SEXTA ÁS 9. Empolgante o caldinho Portugal-Angola, com um procurador preso e um vice-presidente a andar no arame, tendo por baixo uma rede de milhões. Vai ser lindo ver o enredo em que se meteu o anterior governo. Mas é cedo para se falar nisso.  A minha atenção ficou vidrada no apelo de uma família de cinco pessoas, que vive dum subsídio de 567 euros mensais, não tem direito a transporte gratuito para se deslocar aos hospitais de Coimbra, e há doenças de gravidade entre eles, não tem acesso a banco alimentar e não recebe respostas das instituições governamentais a que se dirige. Esta família vive em Vila de Rei, no centro do país. Faz parte da imensa e trágica falange da pobreza envergonhada. O chefe da família, Miguel Dinis da Fonseca, chorou pela primeira vez. Ontem comeram a última lata de salsichas. Os armários e frigorífico estão vazios. Esse homem, técnico na área da informática, sempre ganhou o suficiente para sustentar a família, para pagar impostos e descontos sociais, mas foi apanhado no rodado de uma doença incapacitante e de uma crise política que levou ao poder um bando de  incompetentes e de vassalos das ambições da Alemanha. Este ser humano tem vivido espezinhado por um estado que, para além da fome, não lhe tem proporcionado ter 50 euros para pagar a junta médica necessária para o processo de reforma.

Sinto-me profundamente ofendida por Mota Soares, Paulo Portas, Cristas, João Almeida, Nuno Magalhães, Meireles, Aguiar, Pires de Lima, Passos Coelho, Relvas, Maria Luís, Marco António, Montenegro, Telmo, Galriça  – e todos os senhoritos e senhoritas do PSD e do CDS que levaram o país a esta desgraça.  Sinto-me irremediavelmente ofendida por todos os Goebbels dessa direita má, cruel, egoísta, carreirísta e burra que se julga superior e imaculada por ir à missa ou por tirar do bolso um crucifixo em campanha eleitoral. Fere-me a hipocrisia dessa gente.

Se eu, que sou tão pecadora e desleixada, me sinto ofendida como cristã, nem quero imaginar como Cristo estará ofendido com estes crimes feitos em seu nome.

Não há volta a dar-lhe: ou nos juntamos e arregaçamos as mangas, indiferentes às provocações da corja, ou não teremos perdão.

Comments

  1. Ferpin says:

    Sou ateu mas tenho muito respeito por quem acredita em Deus. São pouco mais de meia dúzia de pessoas no mundo, mas merecem respeito.

    Acho o cartaz uma coisa com piada se feita por um qualquer grupo de pessoas com humor, mas lamentável se tiver a chancela e o carimbo de um partido político que se queira responsável.
    Acresce que o BE é um partido que tem uma inegável preocupação com compreender a ofensa que os muçulmanos sentem com os desenhos de maomé que tantas mortes já provocaram. Chega a cair no ridículo, se não fosse uma forma de xenofobia, compreender comportamentos horrendos dos pobres muçulmanos radicais, que consideraria ao nível de hitler se fossem cometidos por ocidentais.

    Note-se ainda que acredito que muito poucos católicos acreditam em Deus. Só como exemplo, não acredito que o papa Bento acredite deus. Já o papa Francisco, pelo seu comportamento… Se calhar acredita em Deus.

    Se pedirem eu esclareço este meu raciocínio.

    • Fernando Cerdo says:

      Embora seja muito difícil de acreditar, é possível encontrar Cristãos até na Missa Dominical duma Igreja Católica.

    • Afonso Valverde says:

      Não precisas Ferpin. Clarinho como água cristalina. Deus revela-se em cada um de nós pela educação. Jesus, o Cristo é uma personagem que levou à prática extrema aquilo que considera ser o Amor. São Paulo, o Saulo, apenas criou a igreja. Admiro e sigo o exemplo de Cristo. Dois pais?! Apenas um pai e uma mãe como todos nós. Mistério sim há mistério também para formar a religião. Se tudo fosse provado estaríamos no mais perfeito dos mundos racionais. Não é assim…É a vida…

      • José Peralta says:

        Afonso Valverde

        “Apenas um pai e uma mãe como todos nós” ? “Mistério” ? O nascimento de uma criança, como o de TODA A HUMANIDADE, tem alguma coisa de mistério ? Se há “mistério”, é o facto de uma fecundação, gerar UMA VIDA !
        Mas todas as crianças nascerem com o “pecado original”, que depois as católicas (e porquê só “as católicas” ? …) “lavam” na pia baptismal ? Que “mistério” é esse ?

        Então, para não nascer com esse “pecado”, como se uma relação sexual de Maria com o seu legítimo marido, o carpinteiro José, fosse algo de “não natural, de sujo, de pecaminoso”, que não podia “conspurcar” o nascituro, logo veio o Espírito Santo fecundá-la, assim permanecendo ela virgem…mesmo após o parto !!!!

        E é assim “a prática extrema com que Cristo considera o Amor”, um dos sentimentos mais belos e generosos que podem unir um Homem e uma Mulher ?
        É assim, o “amor” por interposta personagem, seja ela o Espírito Santo ou, nos tempos modernos, um qualquer “112” ?

        É por esta e por outras razões que eu sou contra os dogmas, todos os dogmas, sobretudo os da Igreja Católica, que têm que se “aceitar pacificamente”, sem reflectirmos, sem nos interrogar-mos, sem os pôrmos em causa na época em que vivemos, a da informação global, do Séc XXI, dos avanços e descobertas da Ciência !

        Uma cortina de fumo ! Um atentado à Inteligência !

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Há assuntos relativamente aos quais, reconheço, não tenho uma opinião formada motivo pelo qual me abstenho de fazer comentários. Entre eles estão o aborto e as opiniões que envolvam a comunidade gay.
    Contudo no caso vertente que envolve o uso da imagem de Cristo, tenho uma opinião bem clara que passo a expressar.
    Começo por referir que sou Católico e portanto a opinião que agora emito, não é alicerçada na muitas vezes propalada má vontade contra o espírito religioso.

    1 – Não vejo qualquer problema no uso da imagem e nos respectivos dizeres. É aceite na comunidade cristã que Cristo tem, de facto dois pais. Relembrar tal facto, não me parece negativo ainda que associado a um outro facto que pode ser polémico. Como católico, repito, não vejo qualquer erro na aplicação.
    Reconheço a honestidade de Marisa Matias, mas entendo que a assunção do erro, é um verdadeiro tiro no pé.

    2 – É de um cinismo atroz ouvir os chamados representantes de Cristo na Terra referirem o que venho ouvindo naquela pronúncia sibilante que parece mais vir de uma serpente.
    Melhor fariam esses “vendilhões do Templo” se aplicassem na Terra o exemplo que Cristo nos e lhes deixou.
    Para a hipocrisia da grande parte dos membros da comunidade que agora esgrime a palavra valores, referindo-se à imagem de Cristo, relembro os verdadeiros crimes praticados hoje por membros dessa associação e que apenas o Papa, na sua pose frontal e moderna, tem a coragem de levantar. E esses sibilantes seres que tanto pretendem defender a imagem de Cristo, respondem com o silêncio. Onde estão os seus valores? Numa imagem?
    A imagem de Cristo é de todos e não propriedade de uma qualquer associação cuja grande maioria dos seus membros vive claramente em contraponto relativamente ao exemplo que Ele nos deixou. “Nacionalizar” a sua imagem tem um nome: Idolatria, exactamente aquilo que os preceitos religiosos condenam.

    3 – Exactamente pelos mesmo motivos, do fascista Pedro Mota Soares não se esperaria outra postura. Também ele alinha pela hipocrisia e cinismo da maioria da classe eclesiástica. Basta ver como um Ministro da Segurança Social governou durante quatro anos, praticando diariamente o oposto ao exemplo da Entidade que pretende defender.
    O homenzito tinha que aparecer, desta vez não a lamber a mão de um qualquer padre, nem entrar nalgum palácio de lambreta, mas na sua verdadeira capa de fascista que nunca separou a política e a sociedade da Igreja, pretendendo sair de cena como sempre saiu ou seja, de Audi A8.
    Pode um fascista que durante tantos anos fez da insensibilidade a arma da sua governação, falar agora de sensibilidade? Pode, mas é, como sempre, pura hipocrisia e cinismo.

    4 – A Igreja Católica e a sua colagem ao poder trouxe-lhe, por tal facto, imensos estigmas dos quais se não liberta, pela excessiva inércia do Sistema. E é pena, pois isso faz esquecer todo o trabalho em prol da Sociedade, em termos de construção de edifícios Sociais, em termos de Educação e em termos de protecção que nasceram com a construção da nossa Nacionalidade.
    Esses valores deixaram de ser defendidos há muitos séculos pela promiscuidade absoluta e pela vida faustosa que caracteriza a vida das cúpulas da entidade religiosa.
    Desde o Liberalismo que se assiste a uma queda no vazio da Instituição que, reconheço, muito fez pelo País, mas que nunca se conseguiu separar do poder.
    Será a parte negativa do lado humano, mas eles têm responsabilidades que não podem alijar.

    5 – Nos períodos mais negros da escravidão deste povo a Igreja sempre se colou ao poder, esquecendo as pessoas.
    No período de quatro anos em que a riqueza dos portugueses foi depredada, onde muitas crianças foram vítimas da fome pelas atitudes anti-sociais de um governo, muito raramente se ouviu um membro da Igreja Portuguesa tecer críticas à situação. Faltam espíritos esclarecidos como os de D. Januário Torgal Ferreira ou do Papa Francisco neste Mundo em que vivemos.
    Do mesmo modo, quando a maior riqueza nacional – a Juventude – é forçada a emigrar não só pelas condições que o país , mais interessado em proteger um sistema financeiro podre e corrupto, a que se associa a desfaçatez do convite formulado por um irresponsável elevado a 1º ministro, praticamente nunca as vozes da Igreja se levantaram contra tal crime que vai deixar marcas.
    Eis que agora, numa clara acção mesteiral, saem a terreiro invocando valores, exactamente aquilo de que perderam a noção.

    A Igreja ainda não percebeu que neste Mundo, quem não avança, regride.

    • José Peralta says:

      Ernesto Martins Vaz Ribeiro
      Cumprimento-o e felicito-o pelo seu excelente, esclarecido e, para “alguns”, demolidor texto !

      Só um pequeno desacordo, quando escreve : “1 – Não vejo qualquer problema no uso da imagem e nos respectivos dizeres”.

      Ao contrário de si, sou, há muitos anos agnóstico, depois de, na infância, por influência materna, ter professado a Religião Católica, que abandonei ao atingir a adolescência e, mais tarde, tomar consciência dos “valores” atraiçoados sem pudor pela Igreja Católica, em Portugal como no Mundo, como tão bem o senhor, demonstra no seu texto !

      No caso em apreço, eu, que não sendo activista, mas só simpatizante, convictamente votei no BE e em Marisa Matias, fiquei revoltado com o “cartaz”, (já o fiz saber aos responsáveis do Partido ) mas não “ofendido” por ele ostentar a figura de Cristo !

      Porquê ? Porque acho uma garotice provocatória, inútil, desnecessária e gratuita, vinda de alguns, quiçá imprudentes infantilóides do Partido. E porque uma maioria parlamentar para a qual contribuí com o meu voto, no momento crucial, decisivo que vivemos, do que menos precisa é de acções levianas que criem cisões e divisionismos, e do que mais necessita, é de uma efectiva consolidação !

      Além do mais, foi um belo “presente” aos canalhas como o(s) abjecto(s) motas soares, que muito bem cita, entre outros, que esfregam as mãos de contentes com o “servicinho” proporcionado pelo “cartaz”, aproveitando “vender os seus valores”, mas tentando esconder como os traíram ! É o caso dessa besta desumanizada, que diz muito se orgulhar (ele e a corja a que pertence !) das “cantinas sociais”, a nova sopa dos pobres para onde remeteu parte da destruída classe média e toda a restante pobreza, com o cortejo de horrores da fome de crianças, do desemprego exponencial, famílias desestabilizadas, idosos desprotegidos que têm que “escolher” entre o pão ou o medicamento, emigração forçada, etc. etc.

      E como se isto não bastasse, lá vem a “zelosa” conferência episcopal da Igreja Católica, (alguma dela com sotainas, possívelmente com mais buracos que um passador…), clamando contra o “insulto a todos os crentes”, e aproveitando a onda ! Uma Igreja, em que muitos dos seus “profissionais” pelo Mundo (e alguns em Portugal…), cometem, como é do conhecimento público, um dos crimes mais horrendos, como é o da pedofilia, os quais, que se saiba, continuam impunes, tentando ao transe “a santa madre”, escondê-los, transferindo-os de paróquia, de diocese, de região ou até de país! E é essa Igreja que tem o refinado topete, o acabado descaramento de vir esgrimir contra “a afronta a todos os crentes”, sempre acompanhada pela costumada corte de falsas carpideiras políticas e outras !

      Reitero os meus cumprimentos e felicitações.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Caro José Peralta.
        Começo por agradecer as suas simpáticas palavras.
        Mas sem dúvida que cometi um erro que o caro José Peralta aborda na sua muito esclarecida crónica. No ponto 1 ao escrever “Não vejo qualquer problema no uso da imagem e nos respectivos dizeres” deveria, em boa verdade ter terminado com algo como …” embora reconheça que se impunha cautela” já que a interpretação do que é a religião cobre um larguíssimo espectro que vai desde a compreensão, às atitudes talibãs seja de alguns crentes, seja dos detractores.
        Por isso só tenho a agradecer-lhe a sua correctíssima chamada de atenção.
        De resto, todas as suas considerações são perfeitamente justas e sobretudo de uma enorme lucidez.
        A sua frase que retenho “… alguma dela (Igreja Católica) com sotainas, possivelmente com mais buracos que um passador…” é um hino à realidade da Igreja. Com sua licença será frase que me apraz utilizar em determinados debates em que participo.

        Relativamente aos (maus) exemplos que a Igreja nos vai dando, tento separar o lado humano do outro lado. Penso nos exemplos que vieram de cima e não dos que os descendentes dos Bórgias e Médicis nos vão pregando.
        Assim, vou apreciando este Papa pelas posições que toma, sobretudo pela coragem em tocar num Sistema com uma terrível inércia e uma doentia esclerose múltipla.

        Uma vez mais, os meus agradecimentos pela sua correcção e a minha admiração pelo modo como expôs a sua opinião.
        Cumprimentos.

        • José Peralta says:

          Ernesto Martins Vaz Ribeiro

          Muito obrigado pelas sua palavras !
          Confesso que ao escrever a “tal” frase, a das sotainas esburacadas, automáticamente me lembrei, por acaso, não dos Médici, mas dos Bórgias e da “Santa” Inquisição, da devassidão e dos crimes sem perdão, cometidos em nome de Deus, e do Catolicismo !

          E não ignoro e muito respeito os sacerdotes (e/ou freiras) que, sincera e honestamente convictos das suas Religião e Missão, as põem, muitas vezes com risco da própria vida, ao serviço dos pobres e oprimidos ! Ou um cardeal como o brasileiro D. Hélder da Câmara, ou o “nosso” D. Januário Torgal Ferreira, sem “papas” na língua, citado por si, alvo de ataques verbais ou impressos, provindos da viscosidade pústulenta de certa gentalha que se sente visada !

          Também a nova imagem de um Papa como Francisco me “aquece” alguma esperança ! E não foi por acaso, (mera especulação minha…) que ele se recusou, sobretudo a dormir no Vaticano ! Tem uma residência própria, rodeou-se de assessores (poucos), da sua confiança ! Porque sabe, deve certamente saber, que o Palácio é um antro de escorpiões, agarrados às suas mordomias, prebendas, vícios e corrupção !
          Muitos temem pela sua vida, dada a liberdade a que se arrisca, quando em acções públicas !
          E lembrar-se-à ele, certamente, ( como não ?) do “Papa do sorriso” João Paulo I, saudável e ainda algo jovem aquando do início do seu pontificado, “morrendo” um mês depois, de causas que se desconhecem, porque… os Papas, “não podem” ser autopsiados !
          Tinha recusado a tradição de ser “carregado” em liteira, e ameaçava acabar com “privilégios” que abundavam no Vaticano. Após a sua morte, também o escândalo do Banco Ambrosiano, o pretenso suicídio do seu administrador, e a associação ao Banco do Vaticano , retratados no famoso filme “O Padrinho III” ! Esta sequência de acontecimentos foi só…coincidência ?

          Quanto à minha correcção, é resultante da sua ! Como podia ser de outra maneira ?

          (Infelizmente, não a posso ter com toda a gente, e às vezes, até mais vezes do que quereria, também tenho “linguagem de estrebaria”…e sei usá-la !)

          Os meus cumprimentos

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            De facto, como bem diz, por estas colunas e páginas sociais temos de fazer um esforço de contenção verbal sob pena de desvirtuarmos os raciocínios e, tal como o quadro do BE, deixar a porta aberta para que alguém se agarre à destruição da ideia em vez do debate, no fundo o que se pretende.
            As ideias podem ser diferentes, mas é da discussão do respeito posta nesta, que se alinham conceitos e muitas vezes se revêem.
            Os desmandos da Igreja que tão bem foca provam apenas que o Homem tem ainda um caminho muito grande a percorrer antes de chegar à Divindade.
            E o preocupante é que ele (Homem) pensa que é uma Divindade).Esta, sendo real ou virtual, não deixa de ser um objectivo e seria bom que o Homem o perseguisse em vez de o esmagar a cada passo.
            Preocupa-me esta sociedade que transforma todos os valores numa moeda, que busca a vitória pela vitória a qualquer custo e que não dá oportunidade ao contraditório. Uma curiosa democracia … mas vamos esperando e vamos vendo.
            Um abraço e obrigado pela tão interessante troca de opiniões.. Continuaremos seguramente a encontrarmo-nos nestas páginas.

  3. Suloza Guedez says:

    Ele TEM dois pais, o Jesus. O absurdo é que gente com cabeça acredite nisto. O espírito santo… que ninguém viu. O José… que ninguém viu. E por aí fora. É a sua superstição que insulta a sua inteligência, não é o bloco de esquerda. Eles têm razão em gozar com estas crenças medievais.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Suloza Guedes.
      Tive todo o cuidado de me afirmar como crente e não vê em nada do que escrevo o que quer que seja contra quem não pensa como eu.
      A Democracia reside na aceitação da crença dos outros com responsabilidade. Entendo que a sua redacção nada tem a ver com a questão de fundo.
      E depois do que escreveu vir falar de inteligência, tomando como certas as suas convicções ignorando as dos outros, não me parece que fique muito bem.
      Cumprimentos.

      • Suloza Guedez says:

        Não estais habituados a ser criticados pela vossa absurda religião. Não tem qualquer base científica. Isso de que deus existe é uma balela, com todas as letras. Existe em que senso? Como se manifesta? Fala? Faz coisas? Está documentado? Há muito que temos o método científico para provar coisas. Mas os religiosos não compreendem que não conseguem provar coisa nenhuma? Acreditam num livro velho?
        Não se sinta insultado – olhe para a sua crença com espírito crítico. Eu afirmo – Deus não existe. Não há forma de provar que existe. Existe tanto como o monstro do esparguete gigante. E portanto, se não acha que merece ser gozado, habitue-se. Esta “religião”, como as outras, é uma coisa velha e sem sentido. Deuses que são o pai e o filho ao mesmo tempo, e morrem e renascem, e santos que fazem milagres, e tudo o mais. Mas quais milagres? Onde viu alguém um “milagre”? Estamos ainda à espera de ver o primeiro.
        E portanto – não há lugar num mundo moderno e científico para estas crenças da treta. E quem goza com elas, faz bem. Eu desafio quem quiser para provar que esse Deus, ou outra qualquer entidade qualquer “sobrenatural”, existem. Como os fantasmas, os zombies, os belzebus, e a fusão a frio. Se quiser, eu declaro aqui a minha crença no belzebu-besouro, temível deus arqui-sumario, que tinha duas mães e sete irmãs-tias. Faça por favor um poster a gozar com ele, e já verá o quanto me ofende!
        Está na hora do ateísmo arrumar de uma vez com estes aldrabões da igreja e as suas crenças da treta.

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Meu caro Soluza Guedes.
          Depois de ler o seu escrito, concluo que o caro Soluza Guedes é um perfeito milagre daqueles que dispõe da ciência infusa e que toma como certas e únicas as suas convicções.
          Bem haja.
          Agora que o presidente Cavaco se vai embora, precisamos de gente com o espírito cavaquista – ou seja, nunca se engana e raramente tem dúvidas – para além de decidido, que decreta e os outros que se calem.
          Excelente exercício democrático.
          Não vou entrar nessa discussão da existência ou não de Deus para que quer manifestamente empurrar-me.
          Sou uma pessoa simples demais para ter as suas certezas.
          Mas fico entusiasticamente à espera que na sua infinita iluminação e ciência, o caro Soluza Guedes me prove que Deus não existe.
          Declare a crença no que entender que não verá da minha parte qualquer crítica, pois sou uma pessoa de espírito aberto e democrático. A tal democracia que aceita as convicções de cada um, algo que me quer parecer que o caro Soluza Guedes ainda não entendeu. Tal como Cavaco.
          Cumprimentos.

          • Suloza Guedez says:

            Parece que está tudo ao contrário. A religião é dogma, a ciência é dúvida, e não o contrário. Em ciência, toda a hipótese é refutável. Na religião, todo o dogma é irrefutável.

            Quanto a crença e realidade. A sua crença é real, mas aquilo em que crê é hipotético. Eu não critico a sua crença – pode acreditar no que quiser. Mas critico a ideia na qual crê – a de que existe um deus. Porque declarar “existe um deus” é que é arrogante. Existe o monstro do espaguete voador.

            Quando as pessoas são educadas na religião, são educadas para “acreditar” em coisas para as quais não há provas. É-lhes dito “não questiones, não raciocines – acredita”.
            Esta é a mais perversa das educações, porque ensina a desligar a razão em certos temas. É muito conveniente a quem ensina, é o princípio da propaganda. Há uma razão porque as religiões querem “converter” as crianças antes que elas possam pensar, e sobretudo antes que tenham formado um espírito crítico que imponha, a cada nova ideia, o filtro da razão. Posso-lhe assegurar que aquilo em que acredita, e para a qual não tem quaisquer provas, ou pior, para o qual usa um livro velho como prova – não tem qualquer lógica. Eu vivi na Ásia, onde há muita gente que de cristianismo não percebe nada. Tente explicar o que é isso da “ressurreição” a quem nunca foi educado no cristianismo, e verá a figura que faz. Tente explicar que acredita que há 2000 anos houve um tipo a fazer uns milagres, e é verdade porque está num livro, e que o pai dele que ninguém viu é um deus que também ninguém viu. Já pensou na total inverosimilhança de uma entidade que “tudo sabe e tudo vê”? que tudo “criou”? Tenha em conta que há milhares de milhões de galáxias, com duração de milhares de milhões de anos. Acha provável que uma criatura qualquer tudo saiba de todo o universo? E se o seu livro toda a verdade revela, porque não revela a verdade do universo, e em vez disso usa a linguagem e conhecimentos do neolítico, e descreve paraísos, arcas de noé e outras coisas? Não tem vergonha de acreditar nisso? Ou só acredita de vez em quando? Ou acredita, mas só nalgumas coisas mas não noutras.
            O discurso da religião ou da verdade está velho, cansa, está ultrapassado. Vivemos num mundo em que a dúvida é a base do pensamento científico, e da filosofia. Aceitamos o princípio da falsificação. É o contrário de pregar, de acreditar, e “evangelizar”, e é o contrário da arrogância da religião.
            Estamos a falar de ideias, e de quais são válidas e quais são falsas. O senhor pode acreditar em ideias que acha verdadeiras, mas isso no nosso mundo atual não basta. Não tem como provar que o seu deus existe ou é verdadeiro. Como já referi, é tanto verdadeiro como o Grã-Jardel, monstro poliglota e multi-sexo. Se tanto sabe e tanto vê, muito pouco fala.

        • José Peralta says:

          Suloza Guedez

          Tenho conhecido pessoas, até muito próximas, que não sendo tão taxativas e afirmativas sobre as Religiões, também estão delas afastadas ! Eu próprio sou agnóstico, o que não é o mesmo que ateu !
          Também sei, como escrevi acima, da corrupção, da venalidade, da canalhice, até dos crimes nefandos,horrendos que, em nome de Deus ou dos Deuses, têm sido cometidos, ao longo de Séculos e Séculos de História !
          Algumas dessas pessoas, felizmente poucas, que conheço, tendo elas próprias ou familiares, um grave, gravíssimo problema de saúde, e não tendo mais a que se “agarrarem”, mais como uma ténue esperança, se voltam para a Religião, pedindo um derradeiro milagre !
          Espero, sinceramente espero, que nunca se passe o mesmo consigo, e que não “prove” o desespero de, em última instância, ter de invocar Deus ou os Deuses !
          Eu, nunca digo “desta àgua nunca beberei” !…

  4. Ana Moreno says:

    Acho muito lamentável que não discrimine entre Goebbels e os atuais políticos europeus. Se calhar enganou-se e queria dizer Schäuble. E enfim, ofendida também não me parece o sentimento mais apropriado, se calhar também se enganou e queria dizer indignada. Eu também.

  5. Cláudio Silva says:

    “A mim só me apetece perguntar aos piadistas e ao BE: porque se metem só com a Igreja Católica? Não há mais religiões praticadas em Portugal?”
    Há, de facto, há mais religiões praticadas em Portugal, a diferença é que as restantes não usufruem dos privilégios da igreja católica, não se imiscuem em questões politicas como a igreja católica. Gostava de ver tanta indignação quando surgem, repetidamente, casos de pedofilia na igreja católica. Gostava de ter visto o mesmo apetite voraz quando em plena proliferação da SIDA a igreja católica desaconselhou o uso de preservativo.

    “Será porque quem se mete com as outras religiões leva, e o Charlie Hebdo que o diga?”
    Claro o Charlie Hebdo que o diga, fazemos assim, sugerimos a criação de uma “comité” para avaliar as liberdades individuais! Quando quisermos dizer alguma coisa, o “comité” delibera! A liberdade de um individuo, ao contrario do chavão, não acaba quando começa a do próximo, a liberdade individual não se restringe à opinião alheia mas à consciência de cada um. Mas estamos a falar da igreja católica certo?

    O mais curioso é que de facto Jesus, se realmente existiu e de acordo com a Bíblia, tinha dois pais. Não podemos aferir quanto da biografia que nos é apresentada é verdade pois é uma transcrição de biografias de outras divindades que proliferavam no mediterrâneo, mas é o que lá consta.

    “O amor do público por esses (erradamente) tidos por humoristas não tem aumentado, pelo contrário.”
    Por favor, escreva um texto onde nos elucide a todos sobre o que é um humorista, sobre quem pode ser considerado um humorista e o que lhe é permitido.

    Do texto conclui-se que quem vive como eu, vive bem, quem não vive…o Charlie Hebdo que o diga.
    O culminar da suprema coerência é, num texto em que fala da igreja católica, terminar a falar em Gobbels, que terá dito um dia, Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade.

  6. Zé Tuga says:

    Espero que se tenha indignado na mesma medida quando o Sócrates foi pedir a intervenção estrangeira, porque já não havia guita…

    • José Peralta says:

      E eu espero que, mais tarde ou mais cedo, perceba que o “argumento Sócrates”, depois da destruição que estes canalhas aldrabões provocaram a Portugal , já foi chão que deu uvas ! (Ai o Sócrates é era “pinóquio” ?)
      Nem os deputados do PSD e CDS, que na A. R. constantemente o invocam, para fazer a costumada cortina de fumo, percebem isso ! E SABEM-NO !!!! Mas como aldrabões compulsivos…FINGEM QUE NÃO…

  7. José Peralta says:

    Cara FLEITÃO (Escrevo o seu nome com Maiúsculas, porque com minúsculas, escrevo os nomes que abaixo refere ( e que transcrevo pedindo vénia pelo “copy past” ! ) porque as acho mais consentâneas com a “estatura” moral e política dessa corja ) ).

    “Sinto-me profundamente ofendida por Mota Soares, Paulo Portas, Cristas, João Almeida, Nuno Magalhães, Meireles, Aguiar, Pires de Lima, Passos Coelho, Relvas, Maria Luís, Marco António, Montenegro, Telmo, Galriça – e todos os senhoritos e senhoritas do PSD e do CDS que levaram o país a esta desgraça. Sinto-me irremediavelmente ofendida por todos os Goebbels dessa direita má, cruel, egoísta, carreirísta e burra que se julga superior e imaculada por ir à missa ou por tirar do bolso um crucifixo em campanha eleitoral. Fere-me a hipocrisia dessa gente”.

    Transcrevi, para abreviar razões, e para lhe dizer o quanto aprecio e estou de acordo não só com este texto, mas com outros que também já comentei (pensando que o F do seu nome era masculino) !

  8. Fernando Cerdo says:

    O verdadeiro Catolicismo é, para mim, a Religião da Loja Maçónica P2, do Papa polaco “infiltra” da CIA, do Banco Ambrosiano, do Marcinkus, do Roberto Calvi e do Michele Sindona, da Opus Dei, do Cônego Melo ou do Padre Cunha e não o Catolicismo avermelhado do D. Helder Câmara ou do Papa Francisco que até se reuniu recentemente em Havana Cuba com o Patriarca Ortodoxo Kiril apaniguado do tirano Soviético Vladimir Putin, para discutir a situação dos Cristãos Árabes (existem Cristãos Árabes ??eu pensava que eles eram todos terroristas Muslâmicos!) mortos pelos “Freedom Fighters” que estão a libertar a Síria do Bashar al Assad!

  9. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Caro Suloza Guedez
    Eu não sou evangelizador para percorrer caminhos e tentar incutir nas pessoas o meu pensamento. Sou fundamentalmente uma pessoa que acredita na democracia e respeita a crença de cada um.
    O Senhor é que afirma que … ” declarar que “existe um deus” é que é arrogante”. Não entro por aí e apenas retomo o caminho que aqui iniciei: sou católico. Não ouviu do meu lado absolutamente mais nada.
    A arrogância vem inteirinha do seu lado quando faz a apologia ao ateísmo, do modo que o faz.
    As minhas crenças são muito minhas e merecem o mesmo respeito da sua não crença. Princípios democráticos, se ntende o significado desta palavra.
    O Senhor vem para estas páginas numa clara postura de superioridade moral e intelectual – que não é verdadeira, como se verifica de imediato – utilizando os argumentos da não crença e brandindo-os como se fossem uma verdade absoluta,
    verdadeiramente um dono da ciência infusa, à Cavaco.
    Continuo à espera das suas provas e olhe que já andei pela Ásia e pela América e ainda assim, não deixo de pensar pela minha cabeça.
    Não tenho que explicar nada a ninguém, muito menos a quem tem outras crenças que respeito. Posso falar de crenças, mas nunca me verá discuti-las.
    Não perca pois tempo, porque a esses argumentos não sou permeável pelas razões que já lhe confiei: tenho sentido democrático que chegue ao contrário de si que demonstra em tudo o que aqui escreveu, uma intolerância verdadeiramente doentia.
    Cumprimentos.

    • Suloza Guedez says:

      Eu não acredito no Thor, nem no Apolo, nem no Odin, nem no Alá e também não acredito no seu.
      O senhor não acredita no Thor, nem no Apolo, nem no Odim, nem no Alá, mas acredita no seu.
      É a única diferença.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Já agora meu caro Suloza Guedes, Alá e a divindade que diz ser “minha”, são uma e a mesma entidade.
        Continua a revelar a sua postura de anti, o que não quadra de todo com a desejada tolerância.
        Confesso-lhe que sou um estudioso da História, pelo que conheço muito bem as divindades que aponta. E já agora a “minha” Igreja trata-as como deuses pagãos, numa superioridade crítica que em nada é diferente daquela que aqui o Suloza Guedez vem emitindo.
        As divindades que refere, Odin, Thor, Apolo e outros, representaram para os seus povos o que Deus representa para mim: um princípio e uma direcção apoiada em regras. Eu sou um defensor das regras e considerando que as definidas se encaixam no meu modo de vida, acredito-me e tudo faço para as cumprir.
        Os autóctones da América do Norte (vulgo Índios) chamavam Deus à água, à neve, à montanha, ao vento e mesmo aos animais de que dependiam. É apenas um sinal de respeito pela vida e pela sua continuidade.
        Defendo este conceito que Deus pode ser tudo o que quisermos, desde que a direcção e as regras associadas sejam coerentes e respeitem a Sociedade.
        Estes, são os meus princípios e conduzo a vida no sentido de ser uma pessoa respeitada, do mesmo modo que respeito os outros.
        Quanto aos que não respeitam, é uma opção que não merecerá jamais da minha parte, a menor crítica.
        Cumprimentos.

        • Suloza Guedes says:

          O problema não é consigo. É com todos os que fazem a “educação religiosa” das crianças. É melhor ensiná-las a perguntar, duvidar, investigar, criticar do que a crer, acreditar e obedecer a “regras” que nada têm de certo ou verdadeiro. A ideia de ensinar a uma criança que se está escrito neste livro é verdade e se está naquele é mentira é uma coisa medieval. Perigosa. Este é o problema. Sem ensino religioso, as religiões desaparecem em duas gerações, e o mundo fica melhor. As igrejas sabem, e por isso a catequese. Já imaginou se a catequese começasse para quem quisesse aos 18anos?

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Caro Soluza Guedes:
            E se se começasse aos 18 anos a perguntar se se acredita nos Bancos e nos governos? E quem não acreditasse, passaria a guardar o dinheiro debaixo do colchão (outro tipo de ladrões agradeceria) e a renegar simplesmente a política.
            Meu pai ensinou-me, até aos 18 anos, os princípios da vida social onde entra justamente a religião, o ensino e a prática democrática. A partir dessa idade nunca mais interferiu nas minhas escolhas..
            Todos temos uma cabeça e sabemos fazer opções. É algo a que temos direito sobretudo quando somos maiores.
            Até lá há princípios básicos de convivência que são passados sob a forma de educação cívica, política e religiosa. E esses seguem trâmites normais que nos ajudarão a fazer uma escolha. A Sociedade, como sabe, tem regras ainda que nem todos alinhemos por elas.
            Há algum mal nisto?
            Queria que as pessoas escolhessem aos 18 anos uma opção – religiosa, por exemplo – se nada tivessem ouvido falar e discutir até essa idade?
            Por isso compreenderemos por exemplo que seus pais possam ser, possivelmente, crentes e o meu caro amigo não é. É uma escolha com a qual ninguém tem que ver.
            Cumprimentos.