Em 1º lugar… sobreviver

Na Irlanda ainda não há resultados. A esta hora estão distribuídos 72 dos 158 lugares. As sondagens à boca das urnas diziam (entre parêntesis os resultados de 2011): Fine Gael – 24,8% (36,1%), Labour – 7,1% (19,4%), Sinn Fein – 16% (9,9%), Fianna Fail – 21,1% (17,4%). O que se nota aqui é uma grande perda de votos da coligação no poder. O 1º partido perde 11% (volta para muito perto do resultado que tinha tido na eleição anterior a 2011, cerca de 27%), mas ganha as eleições. Apesar disso, aparentemente sabe ler os resultados e diz, com toda a humildade, perdemos e a coligação no poder não se vai reeditar.

Em Portugal, comparações de percentagens à parte (é ridículo comparar países diferentes, com formas de eleição diferentes), o PSD teve um dos piores resultados de sempre. Enquadrado numa coligação teve 38%, o que dá para o PSD o quê? 28%? E 10% para CDS? (não sei os detalhes exatos do acordo de coligação). No entanto, apesar disso, a PàF não assume a derrota, afirma que obteve uma grande vitória, e quis impor uma solução em que os outros partidos, maioritários no parlamento, apoiavam a solução “ganhadora” (lol). A única comparação que vejo possível é: na Irlanda são realistas, humildes, e sabem ler resultados eleitorais. Em Portugal algo de muito estranho aconteceu a 4 de Outubro. O PSD, de cabeça perdida, ficou lá preso, foi incapaz de formar/negociar uma maioria parlamentar de apoio a um Governo (o que é incompreensível, a menos para permitir a sobrevivência de alguns), não sabe o que anda a fazer e depois da lenda-lenga da “ilegitimidade” de um Governo com maioria parlamentar (que apelida de “geringonça”), joga tudo na queda desse Governo e em novas eleições, comportando-se como Governo sombra no exílio. Para quê, se não percebeu nada do que aconteceu a 4 de Outubro, nem no que lhe deu origem, e, consequentemente, não pode aspirar a algo melhor? E como pode uma área política insistir nesta estratégia suicida, sabendo que ela os afastou do poder apesar de terem obtido mais votos que o 2º classificado (PS)? A resposta é, aparentemente, para garantir a sobrevivência de alguns. Mas, o PSD não era o partido que, como dizia Francisco Sá Carneiro, colocava em “1º lugar o país, a democracia e liberdade, e só depois o partido e a circunstância pessoal de cada um”?

Pois…

Comments

  1. Martinhopm says:

    Mas a gente do PàF não é nada parva, bem pelo contrário. Percebe muito bem a derrota de 4 de Outubro. Mas quer, à viva força, continuar no ‘poleiro’ para continua a beneficiar amigos, familiares, correligionários, alta finança e grandes grupos económicos. Não sei se o rapaz Passos Coelho foi ou não aconselhado pelo ‘padrinho’ Ângelo. Mas esta rapaz proclamava que «A nossa preocupação não é levar para o governo amigos, colegas ou parentes, mas sim os mais competentes». Você viu?