Mariana Mortágua e a arte da demolição


Chega a ser comovente, o semblante de Maria Luís Albuquerque no final da intervenção demolidora da Mariana Mortágua, que recordou a inicialmente sorridente ex-ministra que o governo que integrou falhou sucessivamente todas as metas a que se propôs. Que mais não fez do que um exercício de subserviência face ao poder quase-absoluto de Bruxelas. Que o pensamento político e económico do PSD não passa de um reflexo das exigências de Bruxelas. Porque não existe. O PSD obedece. 

Vieram-me a memória as palavras do saudoso João José Cardoso, que numa das suas derradeiras postas escreveu o seguinte:

A explicação da Mariana Mortágua é clara e simples, e obviamente que tem razão. Mas não é isso, ou só isso: há quem tenha nascido com este talento natural para a política, inspire confiança nas pessoas comuns, chamem-lhe empatia ou carisma. Uns têm, outros bem tentam mas não. O BE teve a sorte de mal se afastou da direcção quem tinha chegar a Mariana. Se calhar não é só sorte. Seja o que for, só precisam de arrumar os egos na prateleira e dar espaço a quem tem.

Dá gosto assistir às intervenções de Mariana Mortágua no Parlamento. E que dores de cabeça que a deputada do BE causa ao regime. Que o diga o super-CEO Bava.

Comments

  1. É o que dá atirar pedras ao edifício de vidro em construção do vizinho quando se expõe a sua vidraça a um magote de amigos deste que são bons atiradores de pedras.😉

  2. Sim. Mas esta fuga (não votação) do PCP e BE à condenação do Pacto de estabilidade do PS não fica nada bem aos 2 partidos anti/capitalistas.

    • Eu acho que é à Direita que falta um plano B, relativamente ao modo de fazer oposição. Porque primeiro diziam a toda a hotaque isto era um “Primeiro-Ministro, vírgula” e uma “Geringonça”, que não resistiriam nem sequer à votação do 1º OE em Fevereiro, que este governo ia ser uma risota, que não haveria sustentação, que os Partidos da Esquerda nunca jamais se iriam conseguir entender, ou aprovar leis do Governo. Agora desdizem-se e queixam-se que os Partidos da Esquerda deviam ser mais de esquerda e mais anti-capitalistas (!) – ou seja, queixam-se de que se estão a entender.

      Atenção, eu acho de facto que eles deviam ser mais anti-capitalistas, mas quanto à estratégia da Direita estamos conversados: não existe estratégia nenhuma; ela não é senão uma sucessão de truques, como esta votação revela (ou tal como a histeria hipócrita com os vôos no Falcon, e outras situações “relevantes”).

  3. A Luísa vai fazer queixinhas em Bildeberg.

  4. Ana A. says:

    É um gosto mesmo! Sempre que a oiço fico com aquela aquela agradável sensação, de que ela me tirou as palavras da boca e foi muito mais além do que eu poderia dizer. Bravo, Mariana e que a Força esteja contigo!

  5. Não gosto de “esganizadas” …

  6. j. manuel cordeiro says:

    Grande baile. E ri-se de quê, a representante da Arrow no parlamento português? De nós, claro.

    • Ana Moreno says:

      Carisma mas não só, pelo menos tão importante quanto isso é a competência técnica que demonstra nas discussões e que pôs no papel no livro Privataria. Acho que é essa competência que compunge a representante da Arrow.

  7. Rui Silva says:

    <

  8. Joao Pedro says:

    Até que enfim encontro um representante em quem votar. Com convicção!

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