Postal da Festa do Avante (único)


Não há Festa como esta?

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Quando era miúda e morava em Lisboa ia religiosamente à Festa do Avante. Era perto e dava para ir lá só umas horas, ver os concertos. Não me lembro de passar lá dias inteiros. E tinha boas memórias daquilo. Talvez porque não passei lá nunca dias inteiros. Há dois anos, talvez 25 anos depois da minha última ida ao Avante, voltei lá. Desde que estou em Aveiro confesso que nunca mais me ocorreu (ainda por cima a tão poucos dias de começar o 1º semestre e imediatamente depois das férias de verão) voltar lá.

No dia inteiro que passei na Festa do Avante há dois anos, choveu copiosamente. E lá fiquei eu, um dia inteiro, com os pés na lama, sem sítios para me abrigar, apenas um chapéuzito de chuva pequenino que, à cautela, levei comigo. Não foi uma boa experiência, confesso. Tenho um problema, talvez grave, gosto pouco de transpirar e menos ainda de me sujar. Talvez isso faça de mim uma ‘capitalista’, talvez apenas uma pessoa ‘da esquerda caviar’. Não interessa o que me chamem por causa deste meu problema grave. A verdade é que gosto pouco de me sujar, de sítios sujos, de transpirar e, exceção feita às manifestações, gosto pouco de grandes ajuntamentos. Também não sou comunista, quero dizer, comunista do PCP, e talvez isso ajude a que seja incapaz de compreender ‘o espírito’ daquilo. Principalmente, repito, a sujidade. Há dois anos, talvez por causa da chuva, não reparei tanto no lixo. Também não estava tanta gente como este ano. Como fui de boleia, não reparei igualmente no problema do estacionamento. Mas lembro-me bem da sujidade das casas de banho. Da água pelo chão, misturada com terra, das sanitas imundas, dos montes gigantes de papéis sujos. É preciso ser malabarista (e isso com um corpo funcionalmente diverso é bastante difícil, acreditem em mim) para se poder usar algumas daquelas casas de banho, naquelas condições. Se há dois anos foi fácil controlar a necessidade de ir à casa de banho… bebendo menos água, este ano isso foi impossível. Há dois anos ‘jurei para nunca mais’.

Mas, por contingências várias (e utilizar a palavra ‘contingência’ talvez explique já o ‘bom humor’ com que lá cheguei) este ano lá voltei. Não foi um dia inteiro, mas uma tarde inteira, até à noitinha. Arreliei-me logo na altura de estacionar a ‘torradeira’. Tenho uma deficiência na perna direita, como saberão quase todos os que me lêem e aqueles que me conhecem pessoalmente. Não ando de cadeira de rodas, mas conduzo um carro adaptado e tenho algumas (obviamente) dificuldades em caminhar longas distâncias. E tenho direito a estacionar em sítios para deficientes, com certeza. Mas na Festa do Avante e nas suas imediações os lugares para deficientes são escassos e, fora do ‘recinto’, aparentemente inexistentes. Para entrar no ‘recinto’ é preciso estar munido de um cartão que deve ser pedido com antecedência. Eu não tinha esse cartão e estacionei o carro em ‘cascos de rolha’. É verdade que, ainda que bastante longe para quem tenha alguns problemas de mobilidade, existem 8 lugares de estacionamento para deficientes dentro do ‘tal’ recinto… mas não sei quantos milhares de pessoas (comunistas e não comunistas) visitam a Festa do Avante, palpita-me que muitos… 8 lugares para centenas de milhares de pessoas? É que não são apenas os deficientes, são as pessoas mais idosas, a malta com os carrinhos de bebé, pessoas temporariamente incapacitadas… enfim, um monte de gente que pode sentir (e sente seguramente) dificuldades em chegar à Festa.

Uma vez lá, superados os muitos muitos metros de distância a que ficou o carro, senti-me aliviada por não usar cadeira de rodas. O cascalho que vai da estrada até às portas deve ser uma enorme dificuldade para quem assim se desloca. O mesmo para os carrinhos de bebé. Lá dentro, os espaços ‘relvados’ também são aos ‘altos e baixos’ e as mesmas dificuldades se prevêem para quem não tem um corpo absolutamente funcional. Era fácil solucionar isto, com passadiços de madeira, por exemplo. Não sei por que razão nenhuma das almas que planeia a Festa se lembra de uma coisa tão simples, que garanta verdadeiramente o acesso das pessoas (de todas as pessoas) a todos os espaços. A igualdade é também isto, ou não será? Dar condições para que todos os visitantes, independentemente da funcionalidade do seu corpo, possam usufruir dos espaços. No Pavilhão Central, em algumas exposições, uma cadeira de rodas não entra. Nem um carrinho de bebé. Na zona internacional será igualmente difícil para alguém naquelas condições circular…

Eu circulei, é verdade, mas pouco. Cheguei tarde e arreliada com a questão do estacionamento. Visitei poucos pavilhões e ‘zonas’ (Leiria, Lisboa, Alentejo, Porto, o Central, o 1º de Maio, a zona internacional). Fui pelo menos a 3 casas de banho diferentes e, verdade seja dita, 1 delas estava limpa. Das outras é melhor não falar. Tal como será melhor não falar da lixeira em que se tinha transformado o 1º de Maio, com garrafas e copos de plástico e de vidro espalhados por toda a parte, ainda que existissem muitos contentores por ali. Vazios, quase todos, claro. E o pó em todo o lado. Era impossível ficar dentro do pavilhão por mais de meia hora sem nos sentirmos completamente imundos. O pavilhão do Porto quando lá fui, à noitinha, pouco antes de sair da Festa, tinha tantos restos de comida em cima das mesas e do chão que nem vos sei explicar. Os ratos e outra bicharada devem ter gostado imenso do banquete, no entanto.

Saí da Festa, apesar dos amigos que encontrei e das pessoas com quem estive (a parte mesmo boa disto tudo) a ‘jurar que nunca mais’. Além de gostar pouco de ajuntamentos destes, de me sujar e de transpirar, como já disse, tenho pouca propensão para masoquista (enfim, depois disto é questionável, bem sei). Não é bem o meu género de coisa, o Avante. Se calhar, dirão os meus camaradas comunistas, é porque sou uma ‘pequeno burguesa de fachada socialista’, se calhar é só porque não tenho idade, nem paciência, nem vontade de voltar a ver o que vi este ano. Gosto de passear, é bem verdade, mas não gosto de determinadas paisagens. Por exemplo, não gosto de encontrar na zona internacional alguns ‘stands’, como o do MPLA. Envergonha-me. E não gosto que os camaradas comunistas de quem gosto não se ofendam com isso. Não vejam o mesmo que eu vejo. Não aceitem sequer bem as críticas que podem (e devem) ser feitas. Responder-me-ão alguns deles, que as críticas se fazem em privado e a quem devem ser feitas. Eu digo que se fazem quando se devem fazer. E temos esta dificuldade de entendimento aparentemente insolúvel.

Sei bem que a Festa do Avante tem muitos méritos. Tem principalmente o mérito de ser feita por voluntários, desde a montagem, à desmontagem, passando pela limpeza, pelos serviços, pela programação. Isso é bastante louvável. Isso e a música, o teatro, o cinema, as exposições. Sei bem que as coisas não se constroem num dia, mas a Festa tem já 40 anos ou mais. Algumas coisas deviam ser melhor pensadas e desenhadas. Alguns setores de voluntariado (o da limpeza, nitidamente) deviam ser reforçados. Um maior cuidado com os camaradas (e outros) deficientes devia ser mais visível, em todos os espaços da Festa. O comunismo é também isso, esse cuidado. Esse dar condições diferentes a quem diferente é, assegurando a verdadeira igualdade. E, creio, o comunismo deve incluir também a capacidade crítica e a melhoria constante. Não quero ofender os camaradas comunistas nem o seu ‘Festival de Verão’. Mas eu escrevo postais de sítios e este é um postal desse sítio onde, hoje, dia 5 de setembro, depois de um dia de descanso retemperador a ver o mar do Baleal, ‘juro que nunca mais’. Seguramente nunca mais um dia inteiro. Não há Festa como esta? Talvez não haja e isso, desculpem lá, camaradas, é, de muitas maneiras, bastante bom.

(PS – aos camaradas comunistas de quem gosto muito, deixo um abraço e um beijo. Gosto de vocês por causa dos vossos ideais também. E se voltei à Festa foi também por causa disso. Antes de me ‘desamigarem’* lembrem-se disso, vá. Se a Festa fosse do Bloco de Esquerda e houvesse o mesmo tipo de críticas a ser apontadas, como bem sabem, eu seria a primeira a apontá-las).
(*o postal foi publicado primeiro no facebook, dia 5 de setembro)

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Já tentou a Universidade de Verão do PSD? Perfumes devem ser mais que muitos. Lama, também não há e “esquerda caviar” também lá tem exemplos.
    Sinceramente, não me leve a mal, embora reconheça a justiça das suas críticas.
    Também não estou aqui a defender a Festa do Avante onde fui, ao longo da minha já longa existência, uma vez e chegou.
    Reconheço que ali, numa zona onde as condições não abundam como na Festa do Pontal ou na Universidade do Verão do PSD, há um esforço enorme de uma franja da população que deveria, na minha opinião merecer um outro tipo de abordagem.

    • não levo a mal não. E evidentemente nunca experimentei ir à Universidade de Verão do PSD… não sou assim tão masoquista. A festa do avante tem mais de 40 anos… e os seus planeadores e organizadores é que deveriam ter outra abordagem, sobretudo ao nível da acessibilidade. De resto, reconheço os méritos da festa… esses que aponta e outros…

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Agradeço a sua compreensão. Sabe, tenho conhecimento do empenho de muita gente naquela festa e respeito muito aquele esforço. Foi isso que me levou a escrever. De resto, acho que tem razão no aspecto que foca ou seja, que os responsáveis deveriam repensar as coisas. Cumprimentos.

    • eu também conheço muitos comunistas e gosto bastante deles… por isso mesmo, acho importante dizer-lhes (e disse a muitos) o que penso (ou o que pensei este ano) da sua festa. Se o ‘postal’ ajudar de alguma forma a repensar certas coisas, será bom, senão… paciência. Cumprimentos também para si.

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Com certeza que vai servir, porque está muito bem escrito, embora com uma dose de mordacidade bem elevada🙂.
    E faço votos, tal como a Elisabete Figueiredo que seja seguido.

  4. anónimo says:

    Só lá vai quem gosta das causas e princípios que ali se defendem, se promovem e se festejam.
    Ninguém é obrigado a ir.
    Quem tiver nojo, quem receie sujar os pergaminhos, mais vale ir às outras festas, ao virar da esquina, à direita.

    • Só lá vai quem pode, seria mais adequado dizer, se leu o texto. Se o leu e se reteve apenas o ‘receio de sujar os pregaminhos’ é porque leu mal, eventualmente. E claro, como quase sempre ‘quem critica uma iniciativa do PCP’ é porque é de direita… típico. Eu não sou de direita. Tenho é olhos na cara.

  5. Luis Manata says:

    Pois claro Elisabete. Grande lata a de criticar a festa do Avante. Então não sabe que não se pode criticar as iniciativas do PCP. Se eles tivessem oportunidade de censurar, esse postal não veria a luz do dia. Hoje é mais difícil criticar e tomar algum tipo de atitudes, que no tempo da ditadura. É que nesse tempo era sim ou sopas (a favor ou contra) e agora estamos sempre tramados. Se criticamos seja o que for, organizado seja por que partido for, sofreremos consequências, pois numa qualquer Câmara Municipal, Junta de Freguesia, repartição, ou seja lá o que for, haverá um correligionário que pertencerá ao movimento político do qual criticámos algum evento que nos fará a “vida negra”. E no final é exactamente como lhe aconteceu: critica a festa do Avante e passa a ser de direita, critica a festa do PSD e passa a ser uma perigosa comunista, e por aí em diante. Está bem mais difícil, está. Desconfio que na política o que interessa é correr com o corrupto para colocar outro corrupto (de cor diferente). è um pouco como aqueles que são contra as cunhas, para os outros, porque se for para eles próprios ou seus amigos, tudo bem, venham lá as cunhas. Deve ser por isso que eu estou sempre tramado, pois sou contra as cunhas (mesmo as que me oferecem) e tenho a mania de criticar quando acho que tenho razão, independentemente da cor política por detrás de quem ou do quê eu faço a critica.
    Abraço amigo. Força.

    • bom… lata tenho de sobra! E neste caso concreto ninguém me fará a ‘vida negra’ para além de criticarem a minha crítica (o que, pronto, é legítimo). Quanto ao resto, reconheço-lhe algumas razões, mas é uma discussão que (assim de repente) foge um bocadinho ao âmbito deste postal). Obrigada pelo abraço. Retribuo.

    • Manuel Silva says:

      Caro Luís:
      E vão dois.
      Subscrevo tudo o que disse.
      E procedo na vida como diz que faz.

  6. Tiago Brazão says:

    Talvez poupasse metade do texto se referisse que a Festa do Avante! 2016 proporciona de forma gratuita um veículo adaptado para pessoas com dificuldades motoras que parte de Lisboa (ida-volta) e entra no recinto e as pessoas podem sair em plena Praça da Paz (ponto central da Festa do Avante!).

    Se calhar o problema não é um alegado desleixo… é mesmo a soberba de falar sem procurar conhecer antes, ou a vaidade de de querer partilhar um veículo com pessoas que gostam de sentir o cheiro da terra.

    Conheço uma pessoa com problemas de cansaço crónico, que solicitou à Direcção da Festa que este veículo o pudesse ir buscar a um sítio específico e levá-lo até de Lisboa. E assim foi feito.

    E por isso, o conteúdo deste escrito, além de mais uma tentativa de denegrir o PCP, escondendo motivações ideológicas para falar de um alegado desprezo do PCP, é para lá de asqueroso e é bem relevador do sentindo de justiça de quem o escreveu.

    • Por acaso informei-me antes, sim senhor e sabia da existência desse transporte. Mas… por acaso também julgo ter direito (e não vaidade) de poder conduzir o meu próprio veículo até à festa e encontrar locais adequados de estacionamento, a que também tenho direito (como muitas outras pessoas deficientes têm). Quanto mais não seja, porque naquele dia me dava mais jeito levar o carro (como a muitas outras pessoas, deficientes ou não). Não tenho qualquer soberba em relação aos comunistas e ao comunismo (muito ao contrário de sobranceria… tenho respeito e amizade por uma boa parte ds comunistas e, veja bem, simpatizo até com a ideologia) procuro, tal como disse, informação, mas também sei ver o que está mal, o que não foi pensado e deveria ter sido… exatamente porque as pessoas são diferentes. Já a sua sobranceria e arrogância relativamente a quem ousa criticar uma iniciativa do pcp são, como direi… visíveis (e muito previsíveis)? Estou de consciência mais que tranquila com o meu sentido de justiça, como sempre estive, e não tenho qualquer motivação ideológica (ou de outra natureza) para ‘denegrir’ o PCP… aliás acho que o senhor e outros ‘comunistas’ como o senhor fazem lindamente esse trabalho sozinhos. Bem haja, portanto, pelo seu comentário.

      • Tiago Brazão says:

        Só me referi ao facto de em tão brilhante texto não ter encontrado uma linha para esse “pequeno pormenor”. E por isso disse que “podia ter poupado metade do texto”.

        Não ousei nada (parece que quem tece uma mera crítica ao seu texto é carregado de adjectivos… mas isso passa-me ao lado), apenas alertei os leitores do artigo para a mentira que está subjacente.

        Se não gostou problema seu, para a próxima seja mais honesta e não atire para a lama o enorme esforço de milhares de pessoas.

        De críticas vive a Festa do Avante! anualmente. E muito do que hoje existe naquele espaço é resultado da atenção perante essas opiniões construtivas. Por exemplo, existe hoje um serviço de apoio a bebés e crianças que não existe em mais festa nenhuma em Portugal.

        O objectivo do texto não era que me respondesse, basta ler o seu texto e perceber que o que a move não é melhorar a Festa do Avante!, é simplesmente procurar diminuir a sua importância e características únicas através da mentira grosseira.

        Para a próxima, se quiser ser honesta diga o que sabe e não apenas aquilo que lhe dá jeito para ofender o trabalho dos outros.

        Sobre me apelidar de comunista com aspas ou sem aspas, sem fazer a mínima ideia do meu pensamento, da minha vida, de absolutamente nada… é um truque de retórica que eu eu leio e coloco no caixote do lixo, está muito para lá da minha forma de debater.

        Só é possível melhorar algo ouvindo críticas. Só é possível andar de cabeça erguida se metermos no lixo, o que é lixo. É este o caso e por mim obviamente que me fico por aqui.

        Uma das mais belas características de democracia é que as pessoas movidas exclusivamente pelo ódio podem ser confortavelmente ignoradas (depois de reposta a verdade).

        Em relação a este texto, será o caso.

        E sim, é óbvio que a Festa do Avante! continua a ter um longo caminho a percorrer no que toca às questões da mobilidade. Como em muitas outras matérias aliás.

        Com o passar dos anos é evidente que muito foi feito e tenho a convicção de que muito ainda será feito.

        Mas como a Festa do Avante! é feita por pessoas sérias (não tenho dúvidas disso) é meu desejo que também tenha a dignidade de apenas ouvir também pessoas sérias e ignorarem o resto.

        • mentira grosseira? nada do que relato é mentira, e mais: até falo nos 8 lugares de estacionamento para deficientes e tudo. Uso muitos adjetivos a escrever, é verdade, em todos os textos (e são muitos) que escrevo. É uma forma de escrever como outra qualquer. E se ler bem, o esforço dessas pessoas sérias, está reconhecido no texto. Não sou anti-comunista, nem primária, nem secundária. Falei da minha experiência enquanto pessoa deficiente que visitou num dia determinado a Festa do Avante. Gosto de usar adjetivos para descrever as minhas experiências. As boas e as menos boas e as más. Não me diga que odeio o PCP, esse é um argumento absolutamente desonesto. Não há nada no meu texto que indique tal ódio, nem na minha vida pública e privada.

          • Tiago Brazão says:

            Na minha concepção de vida ser honesto passa por apresentar os nossos argumentos sem varrer para debaixo do tapete o que não dá jeito dizer para convencer os outros da nossa verdade.

            Por isso é óbvio que não foi honesta a escrever este artigo. Partindo da minha concepção de honestidade e não da sua.

            Não falo por outras milhares e milhares de pessoas que visitam a Festa. Falo apenas por mim: eu compreendo perfeitamente porque é que não gosta da Festa do Avante!.

            E essas suas razões são precisamente os que me levam a gostar tanto dela.

            Sei que no próximo ano as condições para as pessoas com mobilidade reduzida serão certamente melhores. Estará longe de tudo o que é preciso fazer. Mas será um passo em frente na direcção certa.

            Ficarei muito feliz com isso.

            E você? Irá escrever um novo post ou vai tudo para debaixo do tapete?

            Só é pena que seja preciso esperar um ano. Mas sabe, os comunistas sem aspas tem memória, muito boa memória.

            Cá estaremos para ver.

    • Manuel Silva says:

      Senhor Tiago:
      O seu comentário nem precisa de grandes considerações.
      Comenta-se a ele próprio.
      Olhem-se ao espelho (no PCP), usam a linguagem mais desbragada, violenta mesmo, contra os outros mas não suportam a mínima crítica.
      Mesmo que feita com as inúmeras ressalvas com que a Elisabete o faz.
      Quem não vos conhecer que vos compre.
      Apregoam vinho mas vendem vinagre.
      Por isso começaram com mais de 700 mil votos na 1.ª eleição para a Constituinte, em 1975, e estão com pouco mais de 400 mil, na últma de 2015.
      E isto depois de 40 anos de luta e de tanta conquista, vitória e realização.
      Enxerguem-se, senão qualquer dia já nem a totalidade dos membros do Comité Central vota em vocês.

  7. anónimo says:

    Não há pior cego do que quem não quer ver.
    Quem vai à Festa, e não consegue ver mais do que a lama, os ratos e o piso dos acessos, deve ser cego e surdo.
    Para esses deficientes, o melhor é ir às outras festas, sem lama, sem ratos, estacionamento na garagem, passadeiras escarlates, serviço de bar, e sanitários de mármore.

    • caríssimo/a anónimo/a não foi só isso que vi na Festa e os méritos da mesma estão, penso eu, pelo menos os méritos que lhe reconheço, bem expressos no texto. E essa ideia de que os ‘deficientes’ (deve ter-se esquecido das aspas, mas até lhe calhou bem assim) devem ir a outras festas…já a ouvi de outros camaradas seus. Falo de um problema de saúde pública (a falta de limpeza) e de um problema de equidade e inclusão (a questão da acessibilidade dentro do recinto e a ausência de estacionamento). E quanto ao provérbio que usa, respondo-lhe com um frase de um Camarada seu, por acaso prémio Nobel da literatura, que por acaso também muito aprecio… ‘se podes olhar, vê. Se podes ver, repara’. É essa falta de reparo que eu critico. O que teria percebido perfeitamente, se lesse o texto com atenção e sem preconceitos. É que eu, ao contrário do que possa pensar o/a camarada anónimo/a não tenho preconceitos relativamente ao comunismo, aos comunistas e à Festa do Avante.

  8. A.Silva says:

    Tanta, mas tanta, tanta, dor de cotovelo.

    Ahahahahah.

    • Obviamente. Dor de Cotovelo. Claro. Sabe Sr. A. da SIlva, aos 15 anos queria inscrever-me no PCP. Bastou-me contactar (por via desse desejo) com alguns camaradas, durante alguns dias, para perceber que eu não duraria 10 segundos nesse partido. No máximo seria expulsa. Ou, mais certamente, sairia pelo meu próprio pé. Várias décadas mais tarde, penso, nesta matéria, exatamente o mesmo. Tenho a mania de dizer o que penso, onde me apetece. É uma outra deficiência grave de que padeço e para a qual o PCP não está também devidamente preparado.

      • A.Silva says:

        Mas ó minha cara, tem todo o direito de se manifestar. Cá por mim, compreendo perfeitamente que a dor de cotovelo é horrível, horrível e como tal deve desabafar à vontade, sempre alivia.

        E claro que os comunistas não dizem o que pensam, aliás nem pensam, são máquinas com chips, programados, horríveis…

        Não tire as palas, nem deixe os preconceitos que vai longe, vai.

        Passe bem e cuidado não apanhe muito pó.

        • Muito obrigada pela elevação do seu comentário. Acho tanto que os militantes do PCP são máquinas com chips que até vivo com um, veja lá bem. Para além dos muitos amigos que tenho no PCP. Quanto a tirar as palas dos olhos, devolvo-lhe o conselho, com todo o respeito.

  9. Não sei explicar porquê mas só fui à primeira festa na tapada da Ajuda em Lisboa e nunca calhou ir ao Seixal ; talvez fosse por ter a companhia do casal Luis Barreto/Estrelita que na altura morávamos juntos em Carcavelos.

  10. Briosa says:

    Excerto de uma de muitas das notas de imprensa da Festa do “Avante!”:
    Também para as pessoas com mobilidade reduzida há um serviço especial que lhes permite visitar a Festa, com percursos a partir de Lisboa, nomeadamente da Praça de Londres, Seixal e Almada (consultar a página da Festa na Internet).

    É ainda possível solicitar esse meio de transporte para as
    imediações da Festa. Todas as questões relacionadas com este serviço, desde o esclarecimento de dúvidas a marcações, poderão ser colocadas através do contacto – 915 382 905, mas também dos contactos gerais da Festa. Junto do Campo do Amora Futebol Clube funciona um estacionamento automóvel específico.

    Informações que foram igualmente disponibilizadas em: http://festadoavante.pcp.pt/2016/como-chegar/

    • Louvável essa inciativa, Briosa. Por acaso antes de ir consultei o site que menciona à procura de estacionamento para deficientes e nem uma informação lá está sobre isso. Tem razão, há lugares de estacionamento junto do Campo do Amora Futebol Clube. São exatamente, porque os contei, OITO. Como refiro no texto e como já disse em resposta ao Tiago Brazão ali atrás, por um lado, 8 lugares para centenas de milhares de pessoas que visitam a festa (das quais várias dezenas devem ter algum problema, pelo menos de mobilidade, já para não falar noutras ‘desfuncionalidades’ físicas, digamos assim) é manifestamente pouco. Por outro lado, eu como deficiente (e como qualquer outro cidadão) posso querer ir (ou dar-me mais jeito, como foi o caso, porque estava a dormir longe de Lisboa) à Festa no meu próprio carro e, lá chegada, ter lugares de estacionamento adequados à minha condição. Não é ‘passadeira vermelha’ ou ‘garagem privativa’, é um direito consagrado na legislação, que eu e todos os cidadãos deficientes com grau de incapacidade superior a 60% possuímos e que deve ser acautelado e respeitado. O que é que não se entende a este respeito?. Mais ainda, o texto visa(va) chamar a atenção para problemas que existem na Festa, sobretudo nesta matéria das acessibilidades. O recinto não prevê de forma adequada a visita de cidadãos funcionalmente diversos, seja a sua diversidade física ou visual (por exemplo, não há nas exposições ou nos placards, informações em Braille). Se dizer isto faz de mim uma perigosa anti-comunista, seja. Não é o que sou, mas lendo os comentários, alguns bastante ofensivos, que me foram dirigidos por causa destas críticas, posso sempre tornar-me numa.

  11. ana maria ferreira de almeida says:

    Com todo o respeito.
    Porque ainda bem que vivo num País livre e Democrático. Registando algumas “criticas” como sugestões a melhorar o espaço da GRANDE FESTA DO AVANTE que este ano fez 40 ANOS!

    Não gostei nada da parte onde refere que a festa tem mais de 40 anos, está desatenta ou então goza.

    Se chove tem lama, se faz calor transpira e está sujo.
    Não estou a perceber muito bem.
    Quer Sol na Eira e Chuva no Nabal?
    Se não gosta de pó, de se sujar , também continuo sem perceber.

    Festa sem pó não é Festa!

    As casas de banho: são utilizadas por todas as pessoas que lá entram, e tal como em nossa casa “devemos deixar limpo”. Parece-me que o defeito não é da falta de limpeza, nem do pessoal dos Serviços.

    Quanto à limpeza, desculpe que lhe diga mas ou não tivemos na mesma FESTA, ou efetivamente passou por lá na mesma altura em que estavam milhares de pessoas a circular, não será muito conveniente andar a limpar nos meio dos visitantes da FESTA!
    No entanto quem visita e está na Festa também deve deitar o lixo no lixo, deveria ter regressado no dia seguinte para efetivamente poder escrever sobre o assunto.

    Como é que podia não existir filas para as casas de banho, ou estas estarem menos limpas?, com os milhares de visitantes que a 40ª FESTA DO AVANTE TEVE ESTE ANO?

    E quanto ás acessibilidades e espaços, A FESTA DO AVANTE está ao longo destes 40 anos em TRANSFORMAÇÃO E CONSTRUÇÃO!

    Realmente se não gostou, e continua sem gostar, para quê insistir?

  12. Paiva says:

    A Feta do Avante tem já 40 anos, sendo que desde a compra da Quinta da Atalaia e mais recentemente da Quinta do Cabo (para a qual contribuíste), é possível fazer melhoramentos ano após ano, que nos espaços anteriores não se podia. Dos milhares que visitam a Festa todos os anos há diversas experiências, umas boas e outras menos boas. O que apontas como factores negativos, deve ser visto no sentido de ajudar, a resolver os inúmeros problemas que a Festa ainda hoje tem, visto que continua em crescente renovação. E estão apontados os problemas que levantas para dizer a quem de direito, para se estudar a melhor maneira de resolver a situação, algumas porém de difícil resolução, outras nem tanto. E espero bem que voltes a ir para apontar outros problemas que às vezes passam ao lado de muitos cidadãos, como os aspectos da mobilidade. E que o próximo postal tenha um conteúdo diferente, é sinal que as infraestruturas estão melhores. Como disse uma vez o anterior director do Avante!, o “Zé” Casanova,”ainda temos muito que fazer na Festa” e isso deve-se a centenas de milhares que a visitam e contribuem para o seu melhoria ano após ano, e também para os milhares que ajudam a construir ao longo das já, 40 edições da Festa.

    • ainda bem que vês as coisas assim. e é verdade que contribuí para a compra do novo espaço, tão anti-comunista primária que sou…. mas não voltarei, quase de certeza. depois das reações às críticas que fiz, prefiro dar-me com gente mais plural, como eu mesma gosto de ser e como quem me conhece bem sabe que sou. Como o João, um gajo com muito mais mau feitio que eu, mas justo e digno e com a espinha dorsal direitinha (e há poucos gajos destes), no dia em que fui à marcha do povo, vê lá bem, no rodapé deste texto: https://aventar.eu/2015/06/07/eleicoes-e-fraudes-na-comunicacao-social/

      O resto… são coisas de que não gosto. Nem nunca gostarei. E já não tenho idade para me forçar a coisa nenhuma, ou para me expor voluntáriamente a ambientes hostis (como se constata) de mais que uma maneira.

  13. Tiago Brazão, ser honesto é ter uma experiência e escrever sobre a experiência que se teve (enfim, se se quiser escrever, como foi o meu caso). Não pus nenhum argumento para debaixo do tapete, simplesmente não utilizei esse meio de transporte. Não creio que tenha lido bem o meu texto. Se gosta da festa porque esta não apresenta condições para os deficientes, então olhe, parabéns. Se para o ano houver mais condições, ficarei contente. Não escreverei porque não conto voltar lá. Como já disse aí noutro comentário, eu gosto de visitar ambientes menos hostis, de várias maneiras. Depois de ler certos comentários ao que escrevi, desculpe, mas voltar lá para quê? Para ter de conviver no mesmo espaço com quem os escreveu? Sabe, eu por acaso contribuí (não sendo comunista, do PCP, quero dizer) para a compra do novo terreno, a Quinta do Cabo. E sabe, tenho participado em muitas iniciativas do seu partido. Mas lamentavelmente, ainda que continue a reconhecer o que o PCP faz de bom (e também o que faz de mau) não me parece que vá contribuir ou participar mais no que quer que seja organizado pelo seu partido. Quando se faz uma crítica (ou várias) é porque denegrimos o partido. Não se fazem críticas por fazer, sem a experiência concreta das coisas, ou eu pelo menos não as faço. Agora por se fazerem críticas ser apelidada de desonesta, asquerosa, sobranceira, anti-comunista, de direita, etc… acho que revela mais sobre muitos militantes do PCP, do que sobre mim.

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