Le Tour de France


Rui Naldinho
Le Tour 2017

Le Tour 2017

Um evento digno de uma peregrinação!

Declaração de interesses: Sou um maluco pelo ciclismo. Se vejo na televisão como a maioria dos aficionados, por vezes adormeço. Mas aquilo é como as telenovelas. Dez minutos de sesta e toca a ver o resto da prova. Se estou na disposição de ir ver ao vivo, faço como todos os crentes. Torno-me numa espécie de peregrino, mochila às costas, e espero pacientemente que desfilem as minhas divindades.

No passado dia 18 de Outubro foi apresentado em Paris, no Palácio dos Congressos, o “LE TOUR 2017.” A Volta a França é o maior evento desportivo anual do mundo em termos de impacto mediático. Note-se que outras grandes competições como o Mundial de Futebol e os Jogos Olímpicos, não são anuais, mas sim quadrienais. Logo, não são comparáveis.

A audiência mundial do Tour via televisão é de 3,5 mil milhões de pessoas, todo os anos. Sendo óbvio que neste número muita gente está aqui repetida, pois a prova dura 23 dias. Não deixa de ser um número fabuloso. (A população mundial era de 7 mil milhões de pessoas em 2011.)

A prova é transmitida para mais de 190 países em direto. A partir de 2017, o canal FRANCE 1 transmitirá a prova integralmente, etapa a etapa. Nunca tinha acontecido antes.
123 Canais de televisão cobrem o evento.
4.700 Horas de cobertura televisiva todos os anos. Obvio que para o ano este número será batido.
2.000 Jornalistas de dezenas de nacionalidades vão para o TOUR todos os anos.
1.200 Quartos de hotel são utilizados pelas equipas em prova.
12 Milhões de pessoas saíram as ruas para assistirem de perto ao Tour de France.
O Tour gerou um lucro de 145 milhões de euros no total para a economia das cidades por onde passou. E gerou cerca de 45 milhões de euros em retorno de marketing.

As provas de ciclismo dentro das diversas modalidades desportivas são a forma mais eficaz e rentável de promover a economia e o turismo de um determinado pais ou região. Alia-se o marketing de produtos diversos que patrocinam o evento desportivo ao próprio marketing turístico das vilas e cidades, parques temáticos, parques naturais, transformando a própria prova numa feira internacional à escala mundial.

A centralidade da França na Europa é um dos fatores determinantes para o sucesso desta prova. Italianos e Espanhóis tentam aproximar-se da grandeza do Tour, investindo forte nas suas competições, o GIRO e a VUELTA, mas dificilmente atingirão os números mágicos do TOUR.

Se nos dermos conta que mais de 100.000 pessoas se deslocam dos Países Baixos, para as bermas das estradas francesas por onde passa o Tour, eles são grandes aficionados do ciclismo, concluiremos que estamos perante um fenómeno desportivo sem paralelo na modalidade.

Alpe d’Huez – Placa com o nome de Joaquim Agostinho

Já tive a oportunidade de assistir ao vivo a algumas destas etapas de montanha, com especial incidência nos Alpes, onde o mítico Joaquim Agostinho ganhou uma etapa, no ano de 1979.

Por motivos óbvios Portugal nunca conseguiria organizar uma prova desta dimensão. Mas era bom recordar que a VOLTA A PORTUGAL em bicicleta, outrora foi a 4.ª prova do ranking mundial de competições de estrada da UCI.

Atualmente a nossa VOLTA é uma prova apenas para recordar esses velhos tempos, estilo passeio dos tristes ao fim de semana à tarde, e, muito longe do período em que muitos jovens ciclistas nacionais e estrangeiros que por aqui passaram, se tornaram mais tarde grandes campeões.
O mês de Agosto, período no qual decorre a nossa VOLTA talvez não seja o mais indicado para o internacionalizar, dado estar encravado entre o TOUR e a VUELTA.

O mês de Abril, antes ou depois das férias da Páscoa seria a melhor altura do ano para termos as grandes estrelas do ciclismo em Portugal, numa prova velocipédica que ultrapassasse em tempo e distância quilométrica a Volta ao Algarve. Admito que fossem apenas dez dias, como é atualmente, mas percorrendo o território de norte a sul, de preferência em regiões mais interiores, menos expostas à chuva e ao vento.

Tal como o Rali de Portugal, ex TAP, ex VINHO do PORTO, outro grande evento desportivo nacional e promocional do nosso turismo que foi decaindo até se tornar numa prova mediana, para não dizer mesmo irrelevante. É pena!

Há dias, um reputado economista dizia num fórum aberto aos ouvintes, que a nossa falta de recursos energéticos, a nossa posição geográfica periférica, e a nossa demografia foram determinantes para o nosso atraso, aliado a uma política de desenvolvimento industrial geradora de pouca riqueza. A única componente que ainda determinamos é o custo da mão de obra.

Era bom que no Turismo de Portugal, as entidades oficiais e empresariais pensassem de uma outra forma, dando um novo impulso à VOLTA A PORTUGAL em bicicleta, cativando gente que queira vir aqui gastar “as suas parcas poupanças”, disfrutando do melhor que lhes pudermos vender, durante a primavera. Não basta inundar o pais de festivais de música no Verão, que sendo bem vindos, especialmente para as cervejeiras, tornam o nosso panorama de eventos um pouco repetitivo.

Uma boa competição de ciclismo, com projeção internacional faz toda a diferença.

Comments

  1. Luís says:

    Já somos dois.
    Concordo que a Vuelta ou o Giro não terão hipóteses de ultrapassar o Tour, mas que são muito mais emocionantes, são.
    Etapas curtas, finais complicados a seguir a pronunciadas descidas ou em pequenos “puertos” ou então etapas de montanha míticas, com ataques fracassados, recuperações e tudo a que temos direito como aficionados.
    Este ano a Vuelta teve etapas fantásticas onde se viu de tudo, ataques de longe a mudar a classificação, recuperações incríveis no contra relógio, muitos “miúdos” a revelarem-se e outros mais “graúdos” a reaparecerem.
    Na Vuelta deste ano as minhas sestas duraram pouco.

  2. Rui Naldinho says:

    Não podia estar mais de acordo. O Giro e a Vuelta não tendo o impacto mediático do Tour são provas com mais emoção e competitividade.
    As razões são sobejamente conhecidas.

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