Quando um truque matou “Os Truques da Imprensa Portuguesa”


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Já uma vez escrevi no Aventar sobre a página “Os truques da imprensa portuguesa” e o serviço que a mesma estava (e ainda está) a prestar ao jornalismo português. Agora, por culpa de uma entrevista que os seus autores deram ao Expresso e que levou à violação do sigilo profissional por parte do Ricardo Costa, a página vai acabar por fechar. Será uma questão de tempo. Aqui fica o post que os autores da página escreveram sobre a questão da entrevista:

Dizer que a culpa é do pessoal dos Truques porque ao aceitarem a entrevista estavam mesmo a pedi-las é o mesmo que dizer que a culpa das violações é das adolescentes porque ao usarem mini-saias muito curtas e estão mesmo a pedi-las. Nós confiámos no jornalismo porque achamos que não há democracia sem confiança no jornalismo.
A nossa decisão não foi precipitada. Foi tomada em consciência, após uma longa discussão que pesou vários argumentos, e foi alvo de uma grande reflexão.
Se as nossas identidades caírem pela mão de terceiros, que caiam à custa de um truque. E que esse truque fique tão visível para todos, que ninguém possa ter dúvidas sobre como as coisas funcionam.

Entretanto, a página do Expresso no facebook já está a ser alvo da fúria dos seus seguidores, uma repetição do que aconteceu à do Turismo de Portugal. O Ricardo Costa não deu apenas um tiro no pé. Deu um tiro de bazuca no jornalismo português.

Comments

  1. MJoão says:

    O Ricardo Costa anda muito nervoso , por que será?

  2. Rui Naldinho says:

    Ricardo Costa vive um dilema. Não quer ser conotado com o irmão. Não por qualquer inimizade, eles são amigos mesmo, mas porque sabe que a direita o trucidaria no dia seguir. A partir daí, torna-se difícil o seu trabalho. Não querendo ser alaranjado, mas detestando ser confundido com o rosa, torna-se naturalmente amarelo, cor da icterícia.
    É claro que há muita gente dentro do jornalismo, que não está interessada em que as suas “fake news” sejam desmentidas.
    Nem que algumas das suas análises sociais, políticas e macro-económicas, sejam facilmente desmontadas, de tão básicas e enviesadas parecerem aos olhos do cidadão.
    Afinal, não se cria um Jornal com a intenção de informar e de formar pessoas, mesmo dando parcos lucros, mas antes para moldar a opinião do público dentro de uma certa lógica de manipulação de massas, segundo critérios ideológicos bem definidos.
    A internet e as próprias redes sociais são veículos de informação e do conhecimento num certo sentido. Sem regras bem definidas, de sentido libertário, que, tal como num processo revolucionário, transportam uma “amálgama de conteúdos” no seu caudal, umas vezes com mais lixo, outras vezes com águas mais límpidas e cristalinas. Mas é isso que faz delas um instrumento apetitoso, o de dar voz ao estúpido, ao ostracizado, ao desempregado, ao crente, ao doente, o revoltado, ou ao agitador (troll) e terem uma audiência enorme.
    Aqui no Aventar há vários aventadores, uns mais ligados à defesa da língua portuguesa, outros mais dados ao ambiente, outros ao desporto, outros às questões de género, e a maioria aos temas políticos e económicos, etc, …. uns mais à esquerda, outros à direita, alguns com direito a fúria coletiva, outros nem tanto, mas cada um esgrime os seus argumentos e suporta a crítica.
    Aqui as “fakes” são “desmentidas” no artigo seguinte por outro Aventador.
    Os jornais não querem isso. Sabem que estão a perder o seu público, grande parte dele a fugir para outras alternativas, os blogues, por exemplo. Os cidadãos lêm os jornais, desconfiam da “notícia”, acham aquilo pouco sério e verosímil, e como não os podem mandar à merda, fogem para as redes sociais a desmenti-los.
    Só isso!

  3. Paulo Marques says:

    Quem se mete com o capitalismo leva.

  4. Jornalismo português?
    Que jornalismo, onde está, quem são,o que escrevem?

Trackbacks

  1. […] ideia que fica é que são os Truques quem está a matar a imprensa portuguesa, não o contrário, Fernando. Aliás, o teu post refere isso, no final, quando afirmas que o irmão do Primeiro deu uma bazucada […]

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