Da institucionalização da cunha


Tema sempre actual, sobre o qual tive já a oportunidade de mandar a minha posta, e que ressurge agora sob a forma deste interessante cartaz. Do lado esquerdo, muito bem atribuído, podemos ver esse grande camarada que é Paulo Núncio, um indivíduo a quem a cunha institucional não é alheia, merecendo o lugar que ocupa no cartaz pela sua vasta experiência em áreas como a isenção e a evasão fiscal, bem como noutros regimes de excepção, sejam eles listas VIP das Finanças ou simples favores (cunhas, se preferirem) a ministros colegas de governo, que permitiram a amigos desses ministros escapar a pagamentos avultados ao fisco. No que toca a institucionalizar a cunha, Paulo Núncio tem um percurso que fala por si.

Do lado direito, mesmo à direita, encontramos Assunção Cristas, uma radical do amor, imortalizada pela sua fé inabalável na vinda da chuva quando não chove e é preciso, o que é engraçado porque na semana passada parecia Verão e esta semana chove que se farta cá para cima, apesar de não ser preciso. Nem por estar para chegar Sua Santidade, indivíduo que muito prezo e que merecia mais do nosso clima. Regressando a Assunção Cristas e à institucionalização da cunha, o que é que se passou mesmo na Parque Expo? Amigos e colegas de partido presenteados com boas cadeiras e avenças milionárias numa empresa que era para fechar até ao final de 2013 e que, vá-se lá saber porquê, continua a laborar? Milhões em ajustes directos para empresas às quais esses amigos e colegas e partidos estão ou estiveram ligados? Será institucionalização da cunha ou apenas falta de vergonha na cara?

Chegados ao centro do cartaz, eis que nos deparamos com um dos grandes mestres da política portuguesa. Um homem que aterrorizou Cavaco e outros políticos com um jornal arrebatador e que deu ao país uma das mais rebuscadas – e tão actual – ilustrações da vida partidária portuguesa. Eurocéptico quando tal serviu os seus interesses, europeísta quando o poder espreitou, governou um pequeno partido, enquanto quis e de forma absoluta, conseguindo através dele chegar ao governo, por duas vezes, ocupando pastas de relevo, posicionando tropas de forma estratégica, ganhando terreno ao principal partido da segunda coligação que integrou, com uma manobra que ficará para a história, até que a esquerda se uniu e a festa acabou. Porém, e porque é de longe mais sabido que Passos Coelho, Portas entregou o partido à colega Cristas e seguiu a carreira que os políticos sabidos gostam de seguir, sendo hoje consultor da Mota-Engil. Será que regressa? Com Portas nunca se sabe, tudo pode acontecer. Mas falávamos de quê? Da institucionalização da cunha? Perdoem-me, perdi-me na imensidão do vasto currículo do irrevogável. De institucionalização de cunhas acho que o homem não percebe grande coisa. O ideal seria mesmo remeter para Jacinto Leite Capelo Rego, consta que o tipo percebe da coisa. Disso e de luvas.

Fotomontagem via Uma Página Numa Rede Social

 

Comments

  1. JgMenos says:

    Todo o lixo e toda a má-língua que se lhe ponha em cima não resolve o essencial:
    ser admitido na função pública porque já lá trabalha precariamente e se tem a bênção necessária.
    Admite-se precariamente um tosco e …já lá mora pr’á sempre!!
    Reforma do Estado, concursos, provas de admissão, habilitações… tudo pelo cano, que a palavra de ordem é recrutar clientela.

    • José Peralta says:

      Ó “menos” ! Explica cá à gente, porque, “se já lá trabalham precàriamente”, e alguns há anos, não será porque fazem “lá” falta ?

      E como é que tens a “lata” de, aprioristicamente, vires aqui bolsar sobre falta de “habilitações” de quem, precária mas EFECTIVAMENTE, cumpre há anos as suas tarefas, horários, etc., sem direito a concursos, a classificações, a promoções, a férias ou cuidados de saúde e, ainda por cima…paga impostos ?

      Ou o réptil tosco e imbecil que és, é tão estúpido que nem uma porta ondulada e…cega ?

      Não sei porquê, mas sempre que aqui vens, parece instalar-se um cheiro nauseabundo…característico !

      Não estarás já em “putrefacção” como o teu dono ? Toma cuidado que… “isso” pega-se !

    • A bênção necessária tende a vir do teu dono e amigos, JgMenos. Na volta és um dos Boys que a caranguejola usou para enxamear a Segurança Social. Ou será que só serves para troll?

  2. José Fontes says:

    Olharapo JgMenos,
    Depois de teres cumprido a missão que o teu domo Passos te reservou, já picaste o ponto no Ladrões de Bicicletas (com o nick José), vieste agora picar aqui no Aventar.
    Vão já à São Caetano à Lapa pedir a compensação: o osso para passares o resto do dia enroscado no tapete a roê-lo.

  3. José Fontes says:

    Correcção ao meu comentário anterior: «dono Passos»
    e
    «Vai à São Caetano»

Trackbacks

  1. […] e sem aquela noção do ridículo que caracteriza episódios como ao do radicalismo do amor, da institucionalização da cunha ou do “tau-tau” que levaremos da UE se não nos portarmos bem. Palavras para quê? É […]

  2. […] e irresponsabilidade, cara líder do CDS-PP, são declarações patéticas como esta, é o universo de cunhas e clientelas que orbitam em torno do seu partido, é esse discurso leviano que faz nos bairros […]

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