Um excendente de pobrezinhos na Comporta

Fotografia: Joaquim Norte Sousa@Expresso

Um excedente de 1,3 mil milhões nas contas do terceiro trimestre da Administração Pública é o mais recente conseguimento do CR7 do Eurogrupo, Mário Centeno. O resultado, revela o Expresso, é fruto de um crescimento de 5,4% da receita (que é como quem diz os nossos impostos mais umas taxinhas), superior aos 2,2% registados do lado da despesa (parcialmente cativada). Mas um tipo olha para aquilo e pensa “Porra, para quem está habituado e ver tudo no vermelho, um excedentezinho não é nada mau!”.

O que sucede? [Read more…]

Punheta de Bacalhau

Impostos, receita e despesa 1977-2013

 

A infografia original e o respectivo texto de análise podem ser consultados aqui.

Chanfana, com receita e tudo

Os entretenimentos 7 Maravilhas de qualquer coisa chegaram ao prato e colocaram  a minha região no topo, o que deve explicar alguma gordura que um tipo magro como já foi vai acumulando. Na secção carnes concorre o Leitão à Bairrada (o que dava uma conversa com pano para muitos aventais de cozinha) com a dobrada tripeira, e, milagre, o maior invento da nossa comidinha: a Chanfana.
Esqueçam a lenda das invasões napoleónicas, deixem sobretudo a ideia de que cabra não se come, observa-se. A Chanfana, usando o vinho, engenho e paciência, faz de uma carne pouco apetecível algo de chorar por mais. Muitos odiadores da simples ideia de se cruzarem com o simpático animal no prato já vi rendidos. Deixo-vos a receita: [Read more…]

Poupar 1000 milhões é fácil

Ricardo Rodrigues, o deputado dos gravadores, alinha com a posição do seu partido e diz que as propostas do PSD para o orçamento implicam uma "perda" (!) de receitas na ordem dos mil milhões de euros e pergunta onde se vai buscar esse dinheiro.

É simples:

  • não gastar 408 milhões em publicidade
  • usar os 400 milhões que afinal não vão para a Mota-Engil
  • poupar 200 milhões na iniciativa "Redes de Nova Geração"  do Plano Tecnológico (eu também quero um Porsche mas não tenho dinheiro)

E ainda sobram 8 milhões para termos o leite com chocolate com, no máximo, o mesmo IVA de uma garrafa de vinho tinto.

Simples, não é?

Onde cortar na despesa?

Portugal precisa de quem puxe pelo país Na passada sexta-feira ouvi o primeiro-ministro dizer em Nova Iorque que preferia uma redistribuição fiscal (leia-se aumento de impostos) a cortes na saúde, na educação e no estado social.

Esta declaração é fantástica. Em primeiro lugar diz-nos que os impostos irão aumentar e em segundo que só na citadas três áreas é que há espaço para cortes na despesa. Ficamos a saber que os governos civis não vão fechar, que a imensidão de institutos, fundações e empresas municipais que duplicam a administração pública continuarão como até aqui e que o patrocínio estatal de actividades comerciais como computadores, construção de estradas e demais obras públicas não será contido.

Recorre-se ao medo e fica tudo na mesma. Excepto para os tais 15% que contribuem para 85% da receita fiscal, que sentirão, uma vez mais, os impostos mais pesados e a carteira mais leve.

A memória é lixada

2010-02-02
Impostos não vão subir, garante José Sócrates

"Vamos fazer uma consolidação orçamental baseada na redução da despesa e não através de aumento de impostos, porque isso seria negativo para a economia portuguesa", declarou José Sócrates aos jornalistas, depois de confrontado com uma posição pública hoje assumida pelo governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio.

2010-05-10
Como tudo mudou em poucos meses

"Não há aumento de impostos, concentraremos os nossos esforços na contenção e na redução da despesa, seguindo uma política financeira de rigor".
– 27 de Janeiro

23.09.2010
Ministro das Finanças diz que tomará as "medidas necessárias" para cumprir défice
"Tomaremos as medidas indispensáveis para neutralizar estes factores de risco. Não podemos falhar esse objectivo, faremos o necessário para que o défice não ultrapasse os 7,3 por cento", disse hoje Teixeira dos Santos no Parlamento.
O ministro das Finanças defendeu mesmo que não será possível atingir o objectivo orçamental "sem receita adicional". E prometeu cortes significativos na despesa pública em todas as rubricas no próximo Orçamento do Estado.


Ministro diz que sem aumentar a receita "não vamos cumprir o défice"
No debate na Assembleia da República, o ministro das Finanças explicou que "não é possível atingirmos o nosso objectivo sem melhoria na receita. Sem ela não vamos alcançar o nosso objectivo".

A memória é lixada. Com a volatilidade das propostas políticas, faz todo o sentido perguntar para que queremos campanha eleitoral. Se é para fixar cartazes e lançar promessas vãs, mais vale apenas ir à urna de voto.

O chapéu dos impostos

o chapéu dos impostos

O certo é que a solução será sempre a mesma enquanto se puder aumentar a receita e não houver coragem para enfrentar os que tenham a perder com cortes na despesa. Especialmente quando um país inteiro vive à sombra do orçamento de estado.

Socialmente explosivo

Como vai ser quando as ajudas excepcionais forem retiradas?

 

Ou o país vai aguentar este nível de subsídios por mais quanto tempo ?

 

É certo que o nosso crescimento não é nenhum. O nosso crescimento potencial ( o que seria possível se todas os factores existentes estivessem em pleno) não ultrapassa os 1%. Ora, é dos livros, que só acima dos 2% a economia começa a criar emprego. Isto não acontecerá antes de dois ou três anos, poderá haver alguma retoma mas nada de significativo. Então se o déficite, já é o que é, como vamos sair desta? 

 

A despesa só diminuirá mexendo em quem já vive com muitas dificuldades, a receita só com aumento de impostos, o que é um garrote para a economia, mesmo os investimentos a serem agora lançados só ajudam daqui a um ou dois anos. Como se sai daqui?

 

Não se sai! Sócrates não fez nada para resolver a profunda crise em que Portugal está mergulhado há vários anos e que não tem nada a ver com  a crise internacional. É uma crise nossa, muito nossa e não desaparece por virtudes mágicas. Nada se fez nos últimos dez anos para renovar o tecido empresarial, orientá-lo para os bens transaccionáveis e exportáveis.

 

O país está no caminho do empobrecimento, o caminho é muito estreito e Sócrates, com a sua fixação nos grandes negócios e nas grandes empresas que operam unicamente no mercado interno, corre o risco de produzir tumultos sociais se aligeirar os subsídios de apoio social!

 

Mas vai pagá-los como ?