Das confusões

A notícia apareceu ontem, o falso padre foi condenado em Tribunal por 22 crimes de usurpação de funções.

Estranhei  fiz a pergunta e passei por ignorante já que toda a gente me respondeu com o artigo do código penal. O artigo que diz que há um crime de usurpação de funções quando  se “exerce  profissão ou pratica  acto próprio de uma profissão para a qual a lei exige título ou preenchimento de certas condições arrogando-se, expressa ou tacitamente, possuí-lo ou preenchê- las, quando o não possui ou as não preenche”.

A minha questão , simples, era só se alguém que se faz passar por padre pode ser acusado do crime de usurpação de funções, crime esse previsto e punido no Código Penal Português na forma como atrás indiquei. Ou seja, trocando agora por miúdos, a profissão de padre, se é que isso existe, é uma das tais em que a  lei exige título ou preenchimento de condições? E lei, entenda-se, é uma lei da república.
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Os 40 anos do 25 de Abril, três dias depois

Hoje soube que era avó. Bem, avó avó não é bem assim, o meu DNA ainda só se esticou uma geração mas avó de afecto ou avó porque ele teve um filho e ele é quase meu filho, ou assim uma coisa do género.

Às vezes puxam de um formulário qualquer e perguntam-me como é a minha família e eu começo a desenrolar enquanto antecipo as setas e os rasurados e os asteriscos e lá vou debitando que sou solteira, que tenho duas filhas, que as minhas filhas têm 3 irmãos, que cada irmão tem uma mãe diferente e as setas acumulam-se na folhinha e os asteriscos são em barda. Pedem-me para ir mais devagar enquanto tiram notas e riscam quadrados e viram a folha para poderem escrever o que na folha não permite ser escrito. Explico que conheço as outras mães todas, são minhas amigas, que as minhas filhas têm mais três irmãos e que se algum dia os irmãos estiveram todos juntos foi na nossa casa quando fizemos um Natal em Agosto, que o nosso lar somos nós três mais quem venha, até uma neta que não é neta mas fez das minhas filhas tias e dele pai portanto é neta sim senhores.

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Milagre

cravos de Abril

E depois de helicóptero ter passado pela Praça do Comércio e largado os cravos Cavaco vê Maria afastar-se de regaço cheio.
– Que levais aí, mulher?
– É pão, senhor, é pão.

As greves do nosso umbigo

Pari numa maternidade lisboeta em plena greve nacional de médicos. Era primeiro ministro Cavaco Silva de cognome O Palhaço, é da tradição portuguesa eles terem cognomes e se o Afonso II não se queixa e já lá vão uns anos desde que lhe chamam Gordo se este agora não gosta que se faça ainda mais de morto porque com o outro isso parece que resulta.

Naqueles tempos, nos do Palhaço e não nos do Gordo, apesar de estes também serem tempos do Palhaço o que diz muito dele mas muito mais de nós, pari eu e pariram muitas outras, pariram tantas, era primavera, deve ser isso, que não havia mãos a medir e os poucos médicos de serviço ou ao serviço não chegavam para tantas parideiras. E eu pari e ali fiquei, parida, e fiquei, e fiquei, e fiquei tanto que ia ficando para sempre e só não fiquei de vez porque a sepsis que entretanto foi ficando comigo levou duas traulitadas numa sala de operações para onde fui levada dois dias depois assim num rés vés campo de ourique.
Aquela greve prejudicou-me? Pois se calhar sim, se calhar a minha filha mais velha esteve em riscos de nunca ter sabido o que era palmada de mãe e o mundo quase perdeu a enorme vantagem de poder conhecer a minha filha mais nova e se de quando em vez penso neste zig que não foi zag só hoje me voltei a lembrar da puta da greve dos médicos que me ia dando cabo da vida no sentido, sim, nesse, mais literal de todos.
As minhas filhas já não têm aulas e a greve dos professores não afecta grandemente as nossas vidas e deve ser por isso, só pode ser, que concordo com ela e a aceito, tal como aceito todas as outras greves, sejam elas de quem forem e quando forem, mesmo que não concorde com as razões delas ou mesmo que esteja parida no meio delas. Não me prejudicam, nunca fui prejudicada por nenhuma, deve ser isso.

O síndroma Egas Moniz

Sempre me inquietou aquela ilustração dos antigos livros de História em que o fidalgo, com a mulher e os filhos, descalços e de baraço ao pescoço, se davam à morte na frente do Rei de Leão e Castela.
Se o Afonso Henriques rasgou o memorando, desculpem, marimbou no acordo feito porque tinha mais que ser, se estavam sitiados e quase mortos de fome tinham de prometer qualquer coisinha e nessas alturas promete-se tudo e mais alguma coisa e quem nunca o fez pode-se dar por feliz, e entrou por Galiza adentro, ele lá sabia o que estava a fazer, e se até um antigo presidente da assembleia geral da ONU já disse que os acordos entre Estados, ou condados ou lá o que nós éramos, ou ainda somos, não têm de ser cumpridos porque, infelizmente, a maior parte deles nunca passa de letra de forma, não pode ser desonra para um homem de estado dar o dito por não dito mas se o Egas se sentiu incomodado então que fosse sozinho e deixasse a mulher e as crianças em paz.
Essa é a parte que me chateia, o gajo levou a mulher e os filhos para pagarem por um suposto erro dele e de certeza, ou quase, que não lhes pediu a opinião: Vamos lá que se eu estou lixado vocês vão estar comigo que o meu senhor vai ter de perceber que sou um homem de palavra e sacrifico os meus por ela sem levantar armas ou tentar defendê-los. [Read more…]

Timing errado

Até nisso somos uns tristes. Uma semana atrás e seria uma inspiração quase divina – sexta feira santa o Tribunal Constitucional matava o Governo, no sábado acontecia a visita ao sepulcro e no Domingo de Páscoa o Passos falava ao país.

Pequena dúvida semântica

As palavras “possibilidade” e “posse” vêm ambas do latim e têm ambas dois esses mas terminam por aí as semelhanças, não é?

A razão da minha dúvida? Eu passo a explicar: quando me querem vender a história de que vivemos acima das nossas possibilidades eu fico um bocadito baralhada e dou por mim a pensar que acima do possível fica o impossível e se é impossível estão a endrominar-me. Por outro lado reconheço que vivemos todos acima das nossas posses mas  isso não é só possível como é o que tem feito a economia mexer e os senhores que agora nos tentam levar ao castigo são os que mais perdem se ela pára…

Andam confundidos com os esses ou andam a querer confundir-me?

Só coisas que me apoquentam…

Dois em um e com BD e tudo

Percebo, finalmente, porque se referem sempre aos tais arruaceiros como “profissionais”. Pontaria, é só uma questão de pontaria. As pedras deles, pelo que parece, só acertaram na polícia enquanto que a polícia, bando de amadores, acertou em tudo o que mexia.

Todo o país viu? Não, senhor ministro. Uma pequena aldeia de Belém povoada por um irredutível freguês resiste ainda e sempre às ofensivas da comunicação social.

Egrégios avós

Em 1903 os avós dela mandaram colocar em duas das mais nobres pontes da cidade quatro estátuas de quatro grandes homens: James Cook, Cristovão Colombo, Vasco da Gama, Fernão Magalhães. Quatro gigantes, dois portugueses. Ou três, há quem o jure.
Em 1944 as estátuas de James Cook e Fernão Magalhães foram destruídas em nome de uma Europa que a Alemanha dos pais dela atacava.

Em 1954 na cidade dos quatro grandes homens nasceu Angela Merkel.
Hamburg. Foi por lá que a talvez doce Angelinha terá visto o primeiro português, um tal de Vasco da Gama que as gentes dela respeitavam e quiseram homenagear.
Não, não tinha cara de manso e era bom que a agora Senhora Merkel se lembrasse disso quando pensa nos netos dele.
PS (Conseguir pôr um PS no primeiro post é obra): O “bazert” lá de cima é Teresa aqui em baixo e um dia destes, tenho fé, irei vencer a teimosia do wordpress e conseguir que o Teresa passe lá para cima. Sim, dizem que agora eu também ando por aqui, bota abaixo um copo, bota aqui a assinatura, pronto, já está, não doeu nada, agora que tens a chave da casa desembaraça-te e é se queres. Quis. E, já agora, boa tarde. Se nos vamos voltar a ver convém que seja educadinha)
PS2: Se o post saiu torto e a fotografia de lado a responsabilidade é do jeropiga de ontem que a modos que tolheu a minha vontade de aprender a mexer neste bicho e a vontade deles de me ensinarem.