Os 49 mil professores que pensaram que eram excelentes

são uma boa opção para leccionar nas turmas mais complicadas das escolas mais especiais. Parece-me óbvio – se são assim tão bons, devem ser eles a trabalhar nas escolas TEIP, por exemplo.

Isto parece-me tão interessante que estou tentar a apresentar esta proposta à senhora Ministra. Estou certo que os senhores professores e as senhoras professoras que tão rapidamentente espetaram a faca na classe estão absolutamente disponíveis para abraçar a causa. É que além de serem instrumentos nas mãos do Sócrates são certamente os melhores. Alguém tem dúvidas?

Dos sindicatos dos professores vêm maus prenúncios…

Há uma guerra dura que se vem travando nos últimos anos entre os Sindicatos dos professores e o Ministério da Educação. Às vezes é necessário partir muita pedra e haver baixas de ambos os lados para que o bom senso volte.

 

Parece ser o caso. Hoje há vitórias da Educação ( não do ministério) formidáveis e que terão um importante impacto na qualidade do ensino. Atrevo-me a lembrar os concursos de colocação de professores por quatro anos, terminando com o circo anual, de queixas e queixinhas, de professores com as malas às costas e de alunos a conhecerem novo professor.

 

A avaliação que já ninguem contesta, com um modelo discutido e aceite por todos, mas com consequências na carreira, o que quer dizer que a progressão na carreira deixará de ser automática. O estatuto do professor que vai ser discutido e melhorado, já contando com as recentes contribuições.

 

Mas quando se ouve falar os representantes dos Sindicatos a sensação que fica é que nem tudo foi, ainda, devidamente, digerido. Se pensarem que as vitórias foram da Escola, a digestão será mais fácil. 

 

Acabar com a divisão entre professores titulares e não titulares parece consensual.  Não estou tão certo quanto a uma avaliação, por objectivos, mensuráveis, com consequências na carreira e no vencimento ; numa gestão da escola autónoma com pontes de coordenação com as forças autarquicas  e com os movimentos dos pais ; alargar e aprofundar a autonomia das escolas a partir dos Rankings existentes há vários anos;  considerar que os professores avaliados pelo modelo actual não possam ser prejudicados;

 

Enfim, que as reticências aqui e ali afloradas, não sejam mais que um  teste, inculcando as ideias no universo de professores, como uma vacina que vai alastrando…

Os professores avaliados não podem ser prejudicados

Arranjem uma solução transitória até entrada em vigor do novo modelo de avaliação mas os professores avaliados não podem ser prejudicados. Cumpriram com o que as escolas lhes indicou.

 

Muito menos os professores com notas de excelente e de bom. Ainda compreendo que quem está pouco satisfeito com a nota que obteve ou que não foi avaliado, não veja a nota ter consequências na sua carreira, mas os que trabalharam para a avaliação não podem ser prejudicados.

 

Felizmente que hoje já se fala em novo modelo não se colocando em causa a avaliação, mas espero que o novo modelo não seja o do PCP que quer "avaliar as escolas, não os professores" o que quer dizer que os professores continuam a ser avaliados todos como excelentes e subirem todos ao topo da carreira.

 

O PCP o que propõe é uma avaliação sem consequências, o igualitarismo, todos iguais, "para função igual, salário igual" quando o que se pretende "é trabalho igual, salário igual" o que é bem diferente, leva em conta a produtividade do professor.

 

Claro, que o Mário "alucinado" já anda aí a fazer ameaças, ou é como os sindicatos querem ou vamos para a luta.

40 mil não são 150 mil

Diz o sr. Primeiro que a avaliação não pode ser suspensa porque temos que respeitar o trabalhos dos Professores e das Escolas, nomeadamente dos quarenta e tal mil professores que já foram avaliados.

Isto leva-me a uma pergunta retórica: então os outros cento e dez mil afinal não foram avaliados?

A avaliação é necessária e é possível

Era fatal como o destino que a avaliação dos professores se croncretizasse, pode e deve ser melhorada , até porque é um processo  próactivo,  mas é muito necessária para a melhoria das escolas.

 

A argumentação dos professores sempre foi muito pobre e na parte final já só se agarrava aos professores "titulares" e à, para si impossibilidade, de se fixarem objectivos justos e mensuráveis, esquecendo que ali ao lado as escolas privadas já o fazem há imenso tempo.

 

A avaliação, desde que negociada e aceite por todos, permite que todos os professores saibam o que a escola espera do seu trabalho, e assim pôr todos a remar na mesma direcção. Depois leva ao envolvimento de todos nos processos e objectivos reconhecidos e aceites, como os mais importantes, os problemas passam a ser do grupo e depois da escola.

 

Um aluno problemático não o é para o professor, é-o para a escola, não só porque exige compromissos e tarefas que não estão ao alcance do professor, enqunto entidade individual, mas tambem porque os meios da escola são muito superiores à resolução ou enquadramento do problema.

 

Por outro lado, ninguem como os professores sabe exactamente quem é bom professor e quem tem mérito, é só preciso que esse conhecimento seja estruturado, seja natural e não visto como algo de "mau companheirismo", e que o seu merecimento seja comparativamente avaliado e recompensado.

 

Tenho-me batido desde há muito pela avaliação dos professores, toda a minha vida profissional foi avaliada, uma vezes melhor outras pior, é um processo exigente e de todos os dias, mas quem trabalha e quem obtém resultados tem o direito de ver reconhecido o mérito do seu empenhamento.

 

Oxalá a enorme massa dos professores que querem uma escola melhor, saiba tapar os ouvidos a quem precisa da contestação para ter poder e sobreviver.

 

 

Isabel Alçada e as verdades elementares

O Prof. santana Castilho, com quem muito frequentemente estou em desacordo, vem hoje no Público, com algumas verdades incómodas.

 

Mas antes, despacha a ministra com uns mimos que não lembram o diabo. Não sabe escrever, concordâncias e tal, isto dirigido a quem foi a Presidente do Plano Nacional de Leitura. Depois nem sequer lhe concede o benefício da dúvida, a ministra nos últimos três dias só disse baboseiras de si mesma e do governo anterior.

 

Não se conhece uma ideia de Isabel Alçada para a Educação, Sócrates pensará por ela, cínica, sublinhou a sua muita confiança no novo governo (palavra escrita.) Melosa e sorridente…

 

Mas o melhor estava reservado para os professores: "para suspender tacticamente um modelo de desempenho que já não existe, reforçaremos estrategicamente um poder que se instala sob a nossa ingenuidade"

 

E o Mário "alucinado" com aquele ar de vencedor…

Mudar ou não a porta

A propósito do que aí pode vir sobre avaliação, lembrei-me do problema ou paradoxo, se preferirem, de Monty Hall.

 

Do PS uma posição do tipo, desculpem lá qualquer coisinha.

Do BE e do PC – acaba-se com isto!

Do PP, venha agora a solução do Privado.

Do PSD, nem chove, nem sai de cima.

 

É por isso que recorro ao Monty Hall:

 

O jogo consiste no seguinte:

 

Monty Hall (o apresentador) apresentava 3 portas aos concorrentes, sabendo que atrás de uma delas está um carro (prémio bom) e que as outras têm prêmios de pouco valor.

Na 1ª etapa o concorrente escolhe uma porta (que ainda não é aberta);

De seguida Monty abre uma das outras duas portas que o concorrente não escolheu, sabendo à partida que o carro não se encontra aí;

Agora com duas portas apenas para escolher — pois uma delas já se viu, na 2ª etapa, que não tinha o prêmio — e sabendo que o carro está atrás de uma delas, o concorrente tem que se decidir se permanece com a porta que escolheu no início do jogo e abre-a ou se muda para a outra porta que ainda está fechada para então a abrir.

Qual é a estratégia mais lógica? Ficar com a porta escolhida inicialmente ou mudar de porta? Com qual das duas portas ainda fechadas o concorrente tem mais probabilidades de ganhar? Porquê?

 

Antes de continuarem, escolham uma opção.

Escolheu? Então pode continuar:

 

 

Para saberes mais podes consultar a Wikipédia.

Episódio do Numb3rs em que explicam este paradoxo:

 

 

Podem ainda ver outra animação:

http://www.youtube.com/watch?v=mhlc7peGlGg

 

 

Manifesto pelo fim da divisão na carreira V

A divisão na carreira docente só pode ter um "mérito" – impedir que todos cheguem ao topo e com isso tornar menor a despesa. Se for isso, não concordando, percebo a ideia – assumam que é por isso e não porque querem melhorar a Escola Pública.

Com divisões artificiais não resolvemos nada. E, claro, Luís, não chegam todos a Director de Serviço. Mas ajuda-me a perceber:

 

– a função de um Director de serviço é diferente da função de um médico? Essa(s) função não poderia ser desempenhada por um outro qualquer médico, durante um mandato e depois seria outro, etc…  Repito a questão: são funções diferentes? Justificam carreiras diferentes? Ou são apenas funções que podem ser desempenhadas por qualquer médico?

 

Na escola existe um Director – outro erro deste governo. Talvez o maior.

Existe um Director – é a ele e à equipa por si escolhida que compete "gerir" a escola. De resto, trata-se de dar aulas. Trata-se de desenvolver um trabalho solitário que tem que ser suportado por uma ENORME dimensão colectiva.

Como distinguimos uma e outra: o que é meu e resulta da minha competência, ou da falta dela e o que é dos "outros colegas"?

Uma pergunta simples, caro Leitor@: o que é um bom professor?

Será que não fará mais sentido pensar estas coisas todas ao nível da organização? O que é que faz uma boa escola?

Qual é a diferença entre os grande colégios e as escolas públicas?

Manifesto pelo fim da divisão na carreira IV ou o cavalo que não quer beber

E estamos de volta com a questão do Luís: Trabalho Igual, salário igual?

 

Ponto de ordem à mesa: quando digo que na profissão docente não faz sentido a divisão porque o conteúdo funcional da profissão é sempre o mesmo, estou a pensar no conjunto de tarefas que cada trabalhador tem que fazer e não na sua qualidade. Isto é, estou a pensar nas aulas que um professor tem que dar e não na sua qualidade. Isso fica para a avaliação.

 

Sou da opinião que a trabalho igual deve corresponder salário igual e aqui distingo trabalho de função – sou (imaginem como sou ultrapassado) da opinião que uma mulher tem o direito a ganhar tanto como um homem, desde que execute as funções com o mesmo nível de qualidade de um homem. Imaginem só.

 

Portanto, levando isto para o campo da docência, se fosse possível medir a produtividade (já lá vamos) então sim, o dinheiro deverá ser a resposta à qualidade desse trabalho – estou de acordo com isso: os melhores ganham mais, os menos bons ganham menos. Os maus são colocados fora porque com a vida das nossas crianças não se pode facilitar.

 

Mas, há aqui uma dúvida que não consigo esclarecer: como se mede a "tal" produtividade num professor?

Pelas notas dos alunos? Pelo número de horas que trabalha acima do horário estabelecido (outra modernidade)? Pelos alunos que passa? Pelos pais que recebe? Pelos exames que faz para mostrar que ainda sabe umas coisas?

E só para ajudar à confusão, imaginem a minha turma do 5ºano: somos 9 professores a trabalhar com eles – vamos imaginar que famílias, sociedade, etc.., não influenciam em nada o processo educativo: onde é que termina o meu trabalho, a minha influência e começa a de outro professor?

 

Freinet

Dizia o Freinet que não se pode dar água a um cavalo que não tem sede – como quer o meu caro Luís avaliar a minha produtividade se eu tiver um aluno que simplesmente não quer aprender?

 

Manifesto pelo fim da divisão na carreira II

Escrevi um dia depois das eleições legislativas que este era o momento de acabar com o Estatuto Maria de Lurdes.

 

E tal convicção resultar apenas de um facto que ainda ninguém me provou ser errado. Vejamos.

 

Os entendidos da economia e da gestão, os tais que quase levaram o planeta à falência cavalgando as ondas do capitalismo são os que dizem: "Não podem chegar todos ao topo da carreira".

Pergunta-se qual a razão que sustenta tal convicção. Respondem: dinheiro.

 

O.K.. Tudo bem. Se a argumentação se coloca aí, não há nada para dizer. Uma pessoa que suba na carreira ganha mais que uma outra que não suba. La Palice não diria melhor.

 

Permitam-me outra pergunta: mas, do ponto de vista do funcionamento da escola, o que é que isso acrescenta, em termos de qualidade?

 

Ah… pois…

 

 

Podemos ainda ver a coisa de outro modo – na tropa, o novo parque de diversões do Malhador mor do reino, há uma hierarquia porque há funções diferentes, há tarefas que não são iguais. Isto é, não fazem todos a mesma coisa.

Acredito que em boa parte das empresas privadas – não ignoro as que geridas pelos mestres da gestão vão à falência deixando empregados na miséria – também aconteça a necessidade de divergir funções, logo, funções diferentes, carreiras diferentes. Na boa.

 

Mas, no caso da docência, o que distingue a função no primeiro dia de aulas do último dia de uma carreira? Nada. A natureza funcional da tarefa é exactamente a mesma. Sem tirar, nem pôr: por isso é que temos novos e velhos, homens e mulheres, colocados "à sorte" em todas as escolas do país, porque a função profissional é reconhecida por todos. E sempre igual!

 

Diria que para função igual, carreira igual. Aqui reside a impossibilidade do tal Estatuto Maria de Lurdes.

Que, claro, nos obriga a questionar outras coisas, mas sobre essas escreverei mais tarde.