Manifesto pelo fim da divisão na carreira IV ou o cavalo que não quer beber

E estamos de volta com a questão do Luís: Trabalho Igual, salário igual?

 

Ponto de ordem à mesa: quando digo que na profissão docente não faz sentido a divisão porque o conteúdo funcional da profissão é sempre o mesmo, estou a pensar no conjunto de tarefas que cada trabalhador tem que fazer e não na sua qualidade. Isto é, estou a pensar nas aulas que um professor tem que dar e não na sua qualidade. Isso fica para a avaliação.

 

Sou da opinião que a trabalho igual deve corresponder salário igual e aqui distingo trabalho de função – sou (imaginem como sou ultrapassado) da opinião que uma mulher tem o direito a ganhar tanto como um homem, desde que execute as funções com o mesmo nível de qualidade de um homem. Imaginem só.

 

Portanto, levando isto para o campo da docência, se fosse possível medir a produtividade (já lá vamos) então sim, o dinheiro deverá ser a resposta à qualidade desse trabalho – estou de acordo com isso: os melhores ganham mais, os menos bons ganham menos. Os maus são colocados fora porque com a vida das nossas crianças não se pode facilitar.

 

Mas, há aqui uma dúvida que não consigo esclarecer: como se mede a "tal" produtividade num professor?

Pelas notas dos alunos? Pelo número de horas que trabalha acima do horário estabelecido (outra modernidade)? Pelos alunos que passa? Pelos pais que recebe? Pelos exames que faz para mostrar que ainda sabe umas coisas?

E só para ajudar à confusão, imaginem a minha turma do 5ºano: somos 9 professores a trabalhar com eles – vamos imaginar que famílias, sociedade, etc.., não influenciam em nada o processo educativo: onde é que termina o meu trabalho, a minha influência e começa a de outro professor?

 

Freinet

Dizia o Freinet que não se pode dar água a um cavalo que não tem sede – como quer o meu caro Luís avaliar a minha produtividade se eu tiver um aluno que simplesmente não quer aprender?

 

Comments


  1. Porque a questão é sempre colocada em termos de “um lado estão uns do outro estão outros, e em guerra aberta”.A avaliação é um processo contínuo, próactivo, em que os problemas vão sendo analisados pelo conjunto dos orgãos da escola, do grupo de professores de uma determinada disciplina. Se um aluno, não quer estudar, esse problema passa a ser da escola.João paulo, cada professor, sempre que entra de manhã numa escola sabe quais são os seus objectivos. Ao toque da campainha vai para uma sala de aulas, dá uma determinada matéria. O que é preciso é saber se são esses os objectivos que a escola pretende? O professor está preparado? Obtém resultados?Participa no trabalho de conjunto da escola e do seu grupo? E depois avaliar em comparação com os outros colegas.Num hospital, todos os dias o universo de doentes muda, as patologias são sempre diferentes, não há comparação com uma escola onde o universo de alunos é sempre o mesmo, a matéria a dar conhecida. Achas que os hospitais não são avaliados e os médicos chegam todos a directores de serviço?