Manifesto pelo fim da divisão na carreira II

Escrevi um dia depois das eleições legislativas que este era o momento de acabar com o Estatuto Maria de Lurdes.

 

E tal convicção resultar apenas de um facto que ainda ninguém me provou ser errado. Vejamos.

 

Os entendidos da economia e da gestão, os tais que quase levaram o planeta à falência cavalgando as ondas do capitalismo são os que dizem: "Não podem chegar todos ao topo da carreira".

Pergunta-se qual a razão que sustenta tal convicção. Respondem: dinheiro.

 

O.K.. Tudo bem. Se a argumentação se coloca aí, não há nada para dizer. Uma pessoa que suba na carreira ganha mais que uma outra que não suba. La Palice não diria melhor.

 

Permitam-me outra pergunta: mas, do ponto de vista do funcionamento da escola, o que é que isso acrescenta, em termos de qualidade?

 

Ah… pois…

 

 

Podemos ainda ver a coisa de outro modo – na tropa, o novo parque de diversões do Malhador mor do reino, há uma hierarquia porque há funções diferentes, há tarefas que não são iguais. Isto é, não fazem todos a mesma coisa.

Acredito que em boa parte das empresas privadas – não ignoro as que geridas pelos mestres da gestão vão à falência deixando empregados na miséria – também aconteça a necessidade de divergir funções, logo, funções diferentes, carreiras diferentes. Na boa.

 

Mas, no caso da docência, o que distingue a função no primeiro dia de aulas do último dia de uma carreira? Nada. A natureza funcional da tarefa é exactamente a mesma. Sem tirar, nem pôr: por isso é que temos novos e velhos, homens e mulheres, colocados "à sorte" em todas as escolas do país, porque a função profissional é reconhecida por todos. E sempre igual!

 

Diria que para função igual, carreira igual. Aqui reside a impossibilidade do tal Estatuto Maria de Lurdes.

Que, claro, nos obriga a questionar outras coisas, mas sobre essas escreverei mais tarde.

 

 

Comments


  1. Meu caro João Paulo, mesmo que ,por exemplo, dois professores, dêm a mesma aula, na mesma sala, com a mesma idade ,com os mesmos alunos, nunca fuzeram a mesma coisa. Sabes porquê? Porque tiveram resultados diferentes. É só isso que importa, e é isso que os professores sabem muito bem e, por isso, não querem.Dois escritores a escrever sobre o mesmo assunto, um vai ao Nobel outro ninguem lê. Dois artistas a pintar sobre o mesmo tema, o quadro de um vai  ser visto por milhões de pessoas, o outro fica numa qualquer cave. O que tu dizes comprova tudo o que eu defendo sobre a avaliação e a carreira dos professores.


  2. Não é a função, são os resultados. Percebes JP porque andam ligadas? Porque o Mário “alucinado” não deixa cair nenhuma delas? É que sem avaliação são todos iguais o que, nem sequer tu, acreditas.Achas mesmos que tendo a mesma função são todos iguais? Acreditas? É por isso que os professores não querem a avaliação, não é por mais nada! Os professores não são todos iguais! E , sem avaliação, só ganham os maus professores.

  3. maria monteiro says:

    claro que sem avaliação quem ganha são os maus professores e quem perde são todos os alunos que têm esses professores…


  4. Luis, estas a confundir avaliação de professores com a divisão da carreira entre professores e professores titulares. Os professores devem ser avaliados e os bons professores devem ser premiados relativamente aos maus. Mas isso nada tem a ver com a divisão da carreira. Porque, como diz o João Paulo, a função do professor é exactamente a mesma do princípio ao fim da carreira. Nos outros países, os professores são avaliados e não existe divisão da carreira. São avaliados na mesma. Mais: Portugal é o único país no mundo onde existe divisão na carreira entre professores e professores titlares. Será que Maria de Lurdes Rodrigues é uma iluminada e o resto do mundo uma incompetência? Defende a avaliação de professores – eu também defendo. Mas não defendas o indefensável, a divisão da carreira.


  5. Divisão da carreira entre titulares e não titulares? Isso resulta de quê? Do mérito? Então estou de acordo. Se resulta de outra qualquer coisa, então não concordo.


  6. Não, Luis, não depende do mérito. Os actuais titulares nunca foram avaliados e a sua passagem automática a titular, com nota administrativa de BOM para todos, dependeu basicamente da antiguidade e dos últimos anos de carreira. Os professores devem ser todos avaliados em igualdade de circunstâncias. E devem ascender ao escalão seguinte se o merecerem. E mesmo que cheguem à última categoria, serão tão professores como aqueles que estão no início da carreira.  


  7. Claro, Ricardo, isso é uma espécie de bomerang, só quando houver avaliação assente no mérito é que deixará de haver discricionaridades.

  8. maria monteiro says:

    Ricardo, não é só o Luís que confunde porque o que na generalidade as pessoas pensam é que os professores não querem ser avaliados


  9. Tens toda a razão, Luis. Mas isso tem a ver com a avaliação de professores. O Estatuto da Carreira Docente e a divisão entre professores e professores titulares é outro assunto completamente diferente.