Ontem vi um grupo morto…

O texto foi escrito pela Maria João, uma guerreira como há poucas.

A Anabela já trouxe o texto para a blogosfera, mas não resisto a partilhar o que vai na alma da Professora Maria João:

“Na apresentação dos manuais da […], onde estavam cerca de 200 professores de EVT, respirava-se desespero, desânimo e pessimismo. Eu, nos meus 41 anos, deveria ser das mais novas, mas todos tínhamos o mesmo cheiro: a depressão, a stress psicológico, a Burnout (palavra tão na moda…). [Read more…]

Análise de reorganização curricular ou… (II)

Do maior despedimento alguma vez feito em Portugal!

Depois da análise ao 1ºciclo, vamos agora olhar para o segundo ciclo (5º e 6º): a proposta do MEC é tudo o que se esperava: péssima.

– Na área das Línguas (Português e Inglês) e dos Estudos Sociais (História e Geografia de Portugal) torna formal o que era uma realidade há muitos anos: o inglês é a única língua estrangeira no 2ºciclo. Nada de novo. De resto mantém 12 tempos de 45 minutos;

– Para matemática e Ciências ficam os 9 tempos ( 6 + 3), acabando o desdobramento em Ciências. É uma contradição que fica por explicar: dizem que vão continuar a apostar na experimentação e impedem o desdobramento que tornava essa prática possível? [Read more…]

Contra a destruição da Educação Visual e Tecnológica

A grave crise económica e financeira que existe no plano nacional e internacional, tem servido de justificação para se avançar com as mais diversas reformas, nos mais diversos sectores de atividade.

Não se percebe porque é que Educação Visual e Tecnológica (EVT), uma disciplina de sucesso, que se formou há mais de vinte anos, resultando da junção das disciplinas de Educação Visual e de Trabalhos Manuais, esteja prestes a ser destruída por razões meramente orçamentais, para dar lugar a qualquer coisa que, embora possa lembrar as suas origens, em nada se lhe vai assemelhar, por força da tremenda redução da carga horária, da redução da componente humana e da criação de uma terceira variante (TIC).

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São necessários mais professores, estúpidos!

Se é certo que defendo que é a solidariedade que deve presidir à actuação do Estado e que, portanto, me faz muita confusão que se fale em despedimentos como se as pessoas fossem objectos que se podem pôr no lixo, não me custa, igualmente, reconhecer que o Estado não tem a obrigação de garantir emprego a qualquer cidadão. Assim, é óbvio que o Ministério da Educação não tem de ser visto como uma agência de emprego que ofereça colocação a todos os que queiram ser professores.

É, então, fundamental que se analisem as necessidades das escolas, para que se possa saber quantos professores são, efectivamente, necessários. Não será admissível outro critério, sob pena de se estar a pôr em risco aquilo que verdadeiramente interessa: a educação dos jovens. Na pior das hipóteses, e aceitando que estamos em crise, poder-se-ão discutir medidas transitórias decorrentes de uma austeridade que, pelo menos, a Chanceler da Alemanha considera imperativa, mas isso é outra questão.

Desde 2005, têm sido tomadas várias medidas que tiveram como reflexo o aumento do desemprego entre os professores. Esse processo iniciou-se com Maria de Lurdes Rodrigues e prossegue com o actual ministro, afectando milhares de docentes que não têm conseguido entrar nos quadros, apesar de darem aulas, por vezes, há mais de dez anos. Também com a actual equipa, mantém-se um discurso de omissão relativo a esse problema, sendo sinal disso a não resposta do Secretário de Estado João Casanova de Almeida, ao dizer que os professores do quadro não seriam afectados pela revisão curricular, depois de lhe ter sido perguntado quais seriam os efeitos dessa mesma revisão sobre os professores contratados. [Read more…]

Consulta pública: revisão da estrutura curricular

O Ministério da Educação apresentou, hoje, a proposta de revisão curricular para os Segundo e Terceiro Ciclos e para o Ensino Secundário. O documento pode ser consultado aqui. A consulta pública decorrerá até 31 de Janeiro de 2012.

Para que essa consulta tenha início com acesso a informação relevante, consultar os blogues do Paulo Guinote e do Arlindo pode ser um bom início de conversa. No fim de tudo, estarão, muito provavelmente, cortes e desemprego disfarçados de alegados ganhos pedagógicos e embrulhados na ladainha do “fazer mais com menos”.

A nova imagem do site do ME é muito EVT…

Há ironias e ironias.
O Ministério da Educação, o tal que muda, muda, muda… sempre para pior, resolveu mudar de imagem.

Obviamente, o ME é livre de recorrer ao botox. Se até a Lili Caneças o faz…

A ironia está na imagem da página da Associação de Professores de EVT.

Para um Ministério que quer acabar com a disciplina, até nem está mal…

Dois professores em E.V.T. – acabar ou não?

O currículo do Ensino Básico, contempla a disciplina de Educação Visual e Tecnológica.
São, normalmente, 4 tempos de 45 minutos por semana e o programa contempla várias dimensões, podendo, de forma simplista, escrever-se que se trata de uma disciplina de carácter artístico na área da plástica, da expressão visual, algo do tipo desenho ou trabalhos manuais, para uma linguagem mais antiga.
É, claro, uma disciplina central na área da educação artística e a sua metodologia sempre foi suportada no desenvolvimento de projectos – é uma área onde os alunos aplicam conceitos, procedimentos e metodologias essencialmente práticas.
A Associação de Professores da Disciplina já manifestou TOTAL recusa da proposta do governo: a disciplina de EVT passará, segundo o documento, a ser leccionada apenas por um professor.
E, na minha perspectiva, a medida carece de fundamento pedagógico: a metodologia da disciplina exige mais que um professor porque a sua dimensão prática exige um acompanhamento muito próximo de um docente. E essa exigência deriva da necessidade de garantir um trabalho de qualidade, mas, acima de tudo, para garantir a segurança. Ter um grupo de 28 alunos com facas, martelos, serras, chaves, pregos, metais ou outro tipo de ferramentas nas mãos pode ser muito perigoso – será que depois os professores serão também responsabilizados como aconteceu com um docente de Educação Física?
Pelo que escrevi no post anterior estou convencido que esta medida vai mesmo avançar. E pergunta-se: o que vai acontecer aos professores sem colocação?
Tenho cá um palpite que vão ficar responsáveis pelas AEC’s.
É um palpite.