Análise de reorganização curricular ou… (II)

Do maior despedimento alguma vez feito em Portugal!

Depois da análise ao 1ºciclo, vamos agora olhar para o segundo ciclo (5º e 6º): a proposta do MEC é tudo o que se esperava: péssima.

– Na área das Línguas (Português e Inglês) e dos Estudos Sociais (História e Geografia de Portugal) torna formal o que era uma realidade há muitos anos: o inglês é a única língua estrangeira no 2ºciclo. Nada de novo. De resto mantém 12 tempos de 45 minutos;

– Para matemática e Ciências ficam os 9 tempos ( 6 + 3), acabando o desdobramento em Ciências. É uma contradição que fica por explicar: dizem que vão continuar a apostar na experimentação e impedem o desdobramento que tornava essa prática possível?

– Nas expressões, Ed. Musical (2) e Ed. Física (3) ficam na mesma. Estou curioso por perceber o que vai acontecer ao Desporto Escolar. A proposta do Miguel é bem mais interessante e actual.

– Ainda nas Expressões, temos EVT, a galinha dos ovos de Ouro do Ministro da Educação, Vitor Gaspar. A disciplina de EVT tem 4 tempos por semana e é trabalhada, em sala de aula e ao mesmo tempo, por dois docentes. Na proposta do MEC a disciplina divide-se em duas, com 2 tempos cada, mas apenas com um professor dentro da sala. Ou seja, até agora eram necessários, por semana, 2 docentes, 4 horas cada. Com a proposta, temos 2 docentes, 2 tempos cada o que equivale a um corte de 50%. Metade dos Professores de EVT estarão a mais. Não é sugerida qualquer explicação para esta medida. Assim, por cada turma são 4h a menos, o que equivale a dizer que em cada 6 turmas, há um professor que é despedido!

– No segundo ciclo o MEC acaba ainda com o Estudo Acompanhado (2 a 3 tempos / semana / turma). Este espaço curricular não disciplinar era trabalhado por 2 professores, logo, por cada turma do 2º ciclo estamos a falar de 4 a 6 tempos a menos. Neste caso os docentes de Línguas e de Matemática são os mais afectados.

Por exemplo, numa escola com 10 turmas de 5º ano, temos 6h / semana (3 de línguas + 3 de matemática), são 60 horas a menos, quase 3 professores despedidos!

– Depois é sugerido uma espécie de Apoio ao Estudo que vai parar à componente não lectiva e que é só para alguns alunos. A oferta complementar, a definir pela escola poder ser uma forma de compensar o fim da Formação Cívica. A acontecer é uma boa notícia porque este espaço é importante para os alunos.

O que fica desta proposta é muito simplesmente um despedimento brutal de milhares de professores. Nada mais!

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