“Eu quero ficar sozinho”

José Mário Branco fala, canta e escreve a minha língua nativa.
Nada contra Dylan, tudo pelo lusofonia. Prémio Camões já ontem, já.

“O menino é mal criado, o menino é ‘pequeno burguês’, o menino pertence a uma classe sem futuro histórico… Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos!”

Afinal, PPC tem razão

Tenho que dar o braço o a torcer. Tantas vezes digo mal do nosso Pedro Coelho e, afinal, ele até tem razão. Vi nas notícias que cada vez mais famílias jantam juntas por não terem dinheiro para fazer refeições fora de casa.
Ao contrário do que eu constantemente digo, este senhor é um visionário. Ele sabe bem o que faz. Com a sua sábia acção, junta as famílias em torno da mesa de jantar. Não percebi se se tratava da mesa da sala ou da mesa da cozinha. [Read more…]

Mudar de Vida

Apoie este filme sobre José Mário Branco, aqui.

O Porto inteiro a bater no coração


Do CD Junta Corações – Festas de S. João do Porto. Faixa 1 – S. João do Porto. Letra de João Lóio, música de José Mário Branco.

Um bom copito dá força a qualquer morcão


Do CD Junta Corações – Festas do S. João do Porto. Faixa 8 – Todos à Rua. Letra de João Lóio, música de José Mário Branco.

FMI: a culpa é VOSSA

Nesta pausa de Maio em que o trabalho aparece entre o Vítor e o Jesus porque o Mortimore e o Meirim já eram, apetece lembrar o FMI de José Mário Branco, na altura com 37 anos! Uma idade que me diz muito!

Porque o respeitinho é muito lindo:

Também está disponível a segunda parte: [Read more…]

25 Poemas de Abril (XIV)


Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
Mais um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma de uma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência [Read more…]

O youtube, a televisão indiana, os direitos de autor, Charles Chaplin, uma tv indiana e eu

O ano passado fiz esta montagem vídeo para o 1º de Maio, um mashup, ou seja: misturei imagens e música a partir de duas obras que não são minhas.

Uma, o filme Tempos Modernos, é do domínio público. A outra, a Engrenagem do José Mário Branco (que afirmou ser “filosoficamente contra o próprio conceito de direito de autor em qualquer arte”, como de resto sendo o grande artista e pessoa inteligente e civilizada que é não podia deixar de ser), numa versão dos Corpo Diplomático, feita em 1979 e que não está disponível no mercado.

Uns dias atrás recebo um mail do youtube: alguém tinha reclamado direitos de autor sobre o vídeo. E quem? a Amrita TV, uma televisão indiana por satélite, cabo e ip. [Read more…]

Hoje dá na net: A Cena do Ódio e FMI

Também porque hoje é dia, duas obras mestras da poesia portuguesa do século XX, quase gémeas nas duas pontas do século, e no meu gostar as máximas do seu tempo.
A Cena do Ódio de José de Almada Negreiros, genialmente teatralizada por Mário Viegas recriando a apresentação pública original.
Depois do corte o FMI de José Mário Branco, e os versos completos de ambos os poemas.

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blogger convidado – Carlos Rebelo

1979 – FMI por José Mario Branco

E tu fizeste como a avestruz, enfiaste a cabeça na areia, “não é nada comigo…não é nada comigo”, não é?! e os da frente que se lixem, e é por isso que a tua solução é não Ver, é não Ouvir, é não querer Ver, é não querer Entender nada…

Não há Português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho?! todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade?! (…) A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é verdade?! Quer-se dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular… [Read more…]

E hoje é 1º de Maio

Engrenagem, canção de José Mário Branco, lado B de um single dos Corpo Diplomático. Mashup com Tempos Modernos de Charlie Chaplin

Do FMI, o José Mário Branco fala por mim

Anteontem aconteceu no hipermercado, ontem no ‘Prós e Contras’, hoje no café. Não há lugar em que não ouça discutir a vinda do FMI para Portugal.

FMI para a esquerda, FMI para a direita, começo, de facto, a esgotar a paciência; e logo eu,  espoliado em 1983, de parte do 14.º mês; como, aliás, milhões de portugueses. Ao ouvir falar do FMI, sou assaltado por um ataque de psoríase que me coço da cabeça aos pés. Basta pensar que os ricos continuarão muito ricos e  eu serei condenado a medidas de austeridade. À semelhança de não sei quantos milhões de concidadãos.

Falar ou escrever sobre o FMI, mesmo antes da chegada, é para mim penoso. Nada melhor que recorrer a terceiros. E, neste caso, escolhi José Mário Branco (JMB) para se pronunciar no meu lugar. Sim, do FMI, melhor do que ninguém, JMB fala por mim. Quem não se satisfaça apenas com ‘parte1’, poderá ver e ouvir a ‘parte 2’ aqui.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Ref: E se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

Sons de Abril: José Mário Branco – FMI

2ª parte

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No 25 de Novembro, eis algo que felizmente já não existe em Portugal

Três Cantos no Coliseu: Fez-se História

Fez-se História no Coliseu do Porto, ontem à noite, e eu estive lá…

José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto começaram pelas canções actuais (de destacar, de José Mário Branco, o Onofre, a palavra portuguesa para o botão On/Off), e, com o decorrer do espectáculo, foram desfiando os êxitos mais antigos – aqueles que, como sempre, motivam mais o público.

José Mário Branco falou: «Estou tão contente. Podem continuar a contar connosco para cantar… e para o resto». Sérgio Godinho, depois das «4 Quadras Soltas», soltou o maior aplauso da noite: «Zeca Afonso não devia estar ausente esta noite». Isto depois de dizer com a ironia do costume, a propósito de «O Charlatão», que felizemente é uma espécie que hoje em dia já não existe em Portugal. Fausto, com o «low profile» que o caracteriza, pôs milhares de pessoas a cantar a sua Rosalinda.

Foi um espectáculo belíssimo. Cada um cantou as suas canções e as canções dos outros dois. E as canções dos outros que cantavam, parece que se apropriavam delas num instante e que toda a vida tinham sido suas.

A certa altura, José Mário Branco disse que iriam dizer e cantar naquela noite o que andavam a dizer há 40 anos. E foi isso mesmo. Sobretudo isso: um espectáculo de memórias, de recordações. De alguém faz parte das nossas vidas. Crescemos ao som das músicas deles.

É como dizia Sérgio Godinho: só faltou mesmo o Zeca!