Se dúvidas houvesse sobre o tipo de políticas deste Governo e a quem elas interessam…

A CIP quer maioria absoluta para o PS.

Que país?

 

“Se o governo estivesse mais liberto do peso da esquerda o país ganharia.” – António Saraiva, presidente da CIP (2018)

“A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor.” – Luís Montenegro, PSD (2014)

Ferraz da Costa: entre a mentira e a defesa da exploração

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Infografia via Jornal Económico

Para lá da recente palhaçada, aqui bem resumida pelo J Manuel Cordeiro, Pedro Ferraz da Costa tem um longo currículo na defesa da destruição dos direitos laborais, que vai de apelos ao aumento da carga laboral até à defesa da eliminação de feriados e dias de férias, passando pelo imposto sobre o património. Há um ano atrás, chegou mesmo a lamentar publicamente a saída da Troika de Portugal.

Em 1981, com apenas 34 anos, Ferraz da Costa sucedeu a António Vasco de Mello como segundo presidente da CIP, criada em 1974. Desde então, tem estado na linha da frente da defesa dos interesses do patronato português, algo que é perfeitamente legítimo. Contudo, para defender os interesses dos patrões portugueses, o que de resto não é uma tarefa particularmente difícil num país como o nosso, não é necessário mentir. Afinal de contas, o homem está do lado do dinheiro e daqueles que têm os políticos e o queijo na mão. [Read more…]

O predador que fala

Se eu fosse um desempregado a morrer de fome, tenho a certeza absoluta de que preferiria um emprego mal pago à morte por inanição, porque o mau, como é evidente, será sempre melhor do que o péssimo.

Não se pode condenar, portanto, o indivíduo que, diante das circunstâncias, opta por uma vida um pouco menos miserável, se é isso que a vida ou o país ou os dois têm para lhe oferecer.

Contudo, enquanto, num país, houver um único cidadão que esteja limitado a escolher entre a frigideira e o fogo, é o país que está a falhar. Se essa situação se multiplica, estamos a falar de um país falhado.

Há uns anos, escrevi sobre enfermeiras que trabalharam a troco de comida (houve quem chamasse a isso empreendedorismo); mais recentemente, espantei-me com o empreendedorismo da exploração de outros enfermeiros; pelo meio, comentei os elogios dirigidos a um menino muito empreendedor.

António Saraiva, ao defender que é preferível a precariedade ao desemprego, confirma o seu papel de macho alfa no bando de bestas quadradas que chamarão empreendedorismo ao acto de tentar encontrar comida no meio do lixo.

Um território dominado por predadores desta estirpe será sempre uma selva. Sociedade e civilização são conceitos diferentes.

Momento Lili Caneças

Segundo António Saraiva, da CIP, o mau é melhor que o péssimo.

Sugerir não ofende

É enternecedora, esta súbita indignação patronal quanto à reconhecidamente gravosa “medida TSU”. Não querendo prolongar o terrível sofrimento moral dos senhores da CIP, sugerimos que estes atribuam a prenda dos 7% aos seus próprios empregados. Por exemplo, aumentem-lhes os salários através de cupões de compras em supermercados da SONAE. Ofereçam-lhes vales-refeição no valor  agora subtraído, cheques de gasolina, passes sociais, cobertura de aquisição de manuais escolares, etc. Existe uma enorme lista de possibilidades a que poderão recorrer e ainda por cima ficarão por todos muito bem vistos.

A menos que já estejam a compreender as virtualidades da forma de organização maoísta do trabalho que tão bons proventos tem propiciado à plutocracia…

CGTP Pôs-se de Fora Para Assim Melhor “Defender” Os Trabalhadores

FOI-SE A MEIA-HORA, FORAM-SE DIAS DE FÉRIAS, FORAM-SE FERIADOS, FOI-SE A CGTP
O governo avançou, recuou, lateralizou, fez das tripas coração, e atingiu os seus objectivos. Ao fim de uma porrada de horas (foram dezassete, caramba) lá conseguiu um acordo tripartido com a CIP e a UGT. O sr Álvaro, nosso Ministro tu-cá-tu-lá, está satisfeito.
Foram-se dias de férias, acabaram-se alguns feriados, não se trabalha a tal meia-hora a mais, passa a ser mais fácil despedir os maus funcionários,
Como tem sido hábito ao longo de tantos anos de suposta democracia, a CGTP, pôs-se de fora das negociações logo ao princípio da reunião, defendendo assim os trabalhadores Portugueses da sua visão obsoleta das coisas do trabalho, não deixando no entanto de, no futuro, ir dizendo tudo o que lhe passar pela cabeça, incentivando por certo, os trabalhadores que ainda a ouvem, a lutarem contra o acordo, a fazerem greves, a não cumprirem com o acordado, no que terão o PCP e o BE a fazerem o coro necessário.
Já passava das três da manhã do dia de hoje, 17 de Janeiro de 2012, quando foram dadas por concluídas as negociações cujas conclusões não agradaram por completo seja a quem for. Foi o acordo possível para acalmar as hostes e promover uma paz social aceitável.
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A intolerância pica o ponto

Ainda a propósito de uma tarde de tolerância de ponto, referi o patrão dos patrões, António Simões, um homem que veio do grupo Mello esse grande beneficiário das parcerias público-privadas em particular na área da saúde. À porta do FMI não teve pejo em fazer queixinha, que não podia ser, era uma vergonha, devia estar tudo a trabalhar, etc. etc.

Apesar das críticas públicas à iniciativa do Governo, enquanto empresário António Saraiva foi ainda mais longe ao dar tolerância de ponto aos seus funcionários que ontem não trabalharam durante todo o dia. Confrontado pelo PÚBLICO, o patrão dos patrões acabou por confirmar que tinha dispensado todos os seus funcionários. “Dei tolerância de ponto, porque acabo por ter ganhos em termos energéticos e de transportes. Se não fosse assim, não teria dado”, justificou, para acrescentar: “A actividade privada fará de acordo com a avaliação empresarial; a actividade pública tem responsabilidades”.

São estes os nossos gestores de topo. É esta a coerência dos que vivem encostados ao estado, dele e dos seus funcionários tudo exigindo. Em troca, em média um terço das empresas portuguesas declara ter tido prejuízo, e dois terços não pagam IRC. É por causa desta gente que estamos como estamos. O resto são mentiras.

Salário mínimo: 25 euros é muito

Para o presidente dos patrões, 25 euros de aumento no salário mínimo, no próximo ano, é demasiado para as empresas. Diz que não podem suportar esse aumento.

Passando ao lado do aumento que o presidente da CIP vai receber em 2010, só apetece perguntar o que merece uma empresa que não consegue dar mais 5 contos por mês a um empregado. É uma fortuna? É?

É o eterno «O Patrão e Nós» que Fausto tão bem cantou em 1974. Isto só lá vai mesmo «à porrada no patrão».