Jorge Palma Ao Vivo No Eléctrico (Participação Especial de Sérgio Godinho)
27/09/2026 by Leave a Comment
O progresso da ortografia e o véu da ignorância
17/04/2019 by
A useful comparison here is with the problem of describing the sense of grammaticalness that we have for the sentences of our native language. In this case the aim is to characterize the ability to recognize well-formed sentences by formulating clearly expressed principles which make the same discriminations as the native speaker. This undertaking is known to require theoretical constructions that far outrun the ad hoc precepts of our explicit grammatical knowledge. A similar situation presumably holds in moral theory.
— John RawlsL’agent voudrait se mettre au vert
L’Opéra rêve de grand air
A Cambronne on a des mots
Et à Austerlitz c’est Waterloo
— Joe Dassin
***
Em recente debate com Steven Pinker, Paul Krugman teve a feliz ideia de lembrar o véu da ignorância, de John Rawls (cf. a partir de 24:15).
Debatia-se, então, o progresso da humanidade, note-se. Não se debatia o progresso da ortografia. O progresso da ortografia é assunto para os próximos parágrafos. Retomemos, então, neste nosso parágrafo, o véu da ignorância. O ponto de partida de Rawls é a possibilidade de se estabelecer um procedimento justo de tomada de decisão, de modo a que quaisquer princípios associados a este sejam também eles justos. No fim de contas, a ideia é anular efeitos de contingências concretas que constituam uma tentação para os decisores e os levem a explorar circunstâncias naturais e sociais em benefício próprio. Para esses efeitos serem anulados, um véu de ignorância deve impedir que os decisores saibam qual o lugar que ocupam na sociedade, qual a classe social a que pertencem, que estatuto social detêm, quanto vale a sua fortuna, quão inteligentes são, quanta força têm, etc.
Mudemos, abruptamente, de assunto.
Hoje é dia útil, portanto, não há novidades.
Efectivamente, no sítio do costume, além de adotante, temos união de fato:

De facto, ninguém ficará surpreendido, creio, com esse fato (sim, com esse fato):

Escrito isto, desejo-vos uma óptima Páscoa, com muitas amêndoas e pouco (se possível, nenhum) Diário da República.
Exactamente.
Até breve.
***
Em sonhos, é sabido, não se morre
26/01/2017 by

Há uma cabine pública no Japão cuja linha telefónica nunca foi ligada. Lá dentro há um telefone, isso sim, daqueles antigos, de disco, mas a cabine está inoperacional desde que ali foi posta, já lá vão uns anos. Isso não impede que milhares de pessoas (estima-se que mais de 10 mil) se tenham já deslocado ao lugar – na cidade costeira de Ōtsuchi – propositadamente para usá-la.
O homem que a construiu no jardim de casa chama-se Itaru Sasak. Também ele perdeu alguém muito próximo no grande sismo seguido de tsunami de 2011. Num único dia, 11 de Março de 2011, a cidade de Ōtsuchi perdeu mais de 1.400 pessoas, aproximadamente 10% da sua população. [Read more…]
Imperativo
11/12/2015 by

Paul Moakley for TIME [http://ti.me/1IK15Wa]
I’m addressing you.
Are you going to let our emotional life be run by Time Magazine?
I’m obsessed by Time Magazine.Levez-vous vite, orages désirés, qui devez emporter l’âme de René dans les espaces d’une autre vie !
***
Já aqui vimos que foi “o risco de ser considerado hiperativo [?]”. Ora, como é sabido, “ser acusado de hiperatividade [??]” e “ser considerado hiperativo [?]” não correspondem exactamente à mesma coisa, ainda por cima, entre aspas. Se não ouviram bem a entrevista (seja por terem problemas em identificar palavras “no meio de uma torrente”, seja por outro motivo qualquer), leiam o Aventar.
Sim, leiam o Aventar.
Crónica de algumas adopções anunciadas
14/09/2015 by

Gabriel García Márquez, con un ejemplar de la primera edición de ‘Cien años de soledad’ sobre la cabeza. ©Colita (via El País) http://bit.ly/1iq0cqi
A partir de entonces ya no era consciente de lo que escribía, ni a quién le escribía a ciencia cierta, pero siguió escribiendo sin cuartel durante diecisiete años.
— Gabriel García Marquez, Crónica de una muerte anunciada
***
Os Tradutores Contra o Acordo Ortográfico indicam que o jornal Sol se juntou “à lista dos que contribuem para o caos ortográfico”. Efectivamente, no dia 6 de Setembro de 2015, a notícia da Lusa acerca de Gabriel García Marquez, além de ter contagiado, por exemplo, o Correio da Manhã e o Observador, afectou o jornal Sol — isto é, dois dias depois da data anunciada: “A partir de 4 de Setembro, todos os textos respeitarão o Acordo”.
Hoje, o caos ortográfico continua no sítio do costume — contudo, além dos habituais ‘fatos’, temos outro problema grave e o problema tem um nome: chama-se Fernando [Read more…]
Excepcionais: com pê, claro
17/01/2014 by
Neste texto de Daniel Oliveira, encontramos, no mesmo parágrafo, ‘excepcionais’ e ‘atual’.
Para quem ainda tiver dúvidas (apesar das bases: quer a teórica, quer a outra) acerca de escreventes da norma portuguesa europeia intuírem a função diacrítica de consoantes não pronunciadas, a recaída excepcionais de Daniel Oliveira – apesar da aparente destreza na supressão do ‘c’ de actual (com função, sim, embora não diacrítica) – poderá ajudar a perceber que a simplificação proposta pelos negociadores do Acordo Ortográfico de 1990 lhes toldou (fiquemos pelos aspectos técnicos – aqueles que me interessam – e não enveredemos pelo labirinto político) a dimensão leitura, indissociável, em leitores/escreventes experientes, da dimensão escrita.
Dito (ou escrito) de outro modo, ao grafar ‘excecionais’, um escrevente português terá a sensação de que o -cecionais dessa palavra, em vez do [-sɛsjuˈnai̯ʃ] pretendido, reflecte um [-sɨsjuˈnai̯ʃ] inexistente e, por isso, não abdica do ‘p’.
Sim, porque não é só no livro do Eduardo Guerra Carneiro e na canção do Sérgio Godinho que isto anda tudo ligado.
É evidente que tudo se complicará se Daniel Oliveira (ou qualquer falante de português europeu) tiver o hábito de ler textos em português do Brasil. Pois, claro, no Brasil, excepcion |-al, -ais continua a existir (ide ver ao Houaiss, ide, ide) e significa “em que há exceção”. Pois. Isto do AO90 não é tão simples como andaram por aí a dizer e, claro, não é bem a meia hora vaticinada pelo antecessor de Edviges Ferreira. Sim, é muito complicado. Mais vale acabar com este imbróglio, antes que seja demasiado tarde.
Desejo-vos um óptimo e excepcional fim-de-semana.
Post scriptum: Em discussão no edge.org: “what scientific idea is ready for retirement”? Vale a pena ir lá dar uma espreitadela.
Liberdade
25/04/2013 by
Esta canção é todo um programa e volto sempre a ela quando as coisas se confundem e o mundo parece perder o rumo.
Que sociedade queremos construir e para quem? Quem deve estar no centro das decisões políticas? Os políticos eleitos devem estar ao serviço de quê? Queremos, ou não, um mundo mais justo e inclusivo?
Porque a nossa liberdade não acaba na liberdade de expressão. Aí, ela apenas começa.
Por que vou ao 2 de Março
27/02/2013 by
Tenho lido alguns testemunhos de pessoas importantes, umas que admiro, outras nem por isso. Todas dizem das suas razões para estarem presentes na próxima grande manifestação.
Eu sou importante apenas na minha casa e no meu ambiente familiar e social (e às vezes nem aí), mas sinto necessidade de «botar» por escrito as minhas motivações. Esta postada será também publicada no blogue das minhas filhas, para que um dia elas possam perceber o que motiva a sua mãe.
Não sei se elas serão como eu, tão críticas do que se passa em seu redor, tão revoltadas com o que está errado ou se, pelo contrário, serão seres amorfos, conformados com o que sucede. Não sei se elas serão de esquerda ou de direita. Não sei se elas se envolverão na sociedade lutando para que o mundo seja melhor. Mas sei que tudo farei/ que tudo faço para que elas sejam pessoas esclarecidas. Para que tenham na base da sua educação princípios de amor ao próximo, de solidariedade, de dignidade própria e de todos os seres vivos, de liberdade. [Read more…]
Anda tudo doido? Parte II
31/01/2013 by
E não é que uma criança de 7 anos foi algemada e levada para a esquadra da polícia nos States? Este criminoso da pior espécie assestou umas murraças noutro miúdo e roubou-lhe cinco dólares.
Nem imagino o que fariam ao Gaspar… Ah, não, ao Gaspar e aos amigos de Gaspar não fariam nada. Eles não são do Bronx. São mais da Quinta Avenida…
É tão bom uma amizade assim!
A propósito de cães e luta de classes
15/01/2013 by
Milito no partido dos gatos desde pequenino. O cão, cão, segue o dono como seguiria o líder na matilha. Há o cão inventado pelo homem para ser assassino, o cão que pastoreia, o cão que guarda, o cão que morde pouco, mas o cão, cão, lambe sempre o dono.
O gato, animal de território pouco dado a bandos, conheceu a mãe, livrou-se dos irmãos, e tem domesticamente perante quem o alimenta o trato estritamente necessário para a sua sobrevivência. Sei segredos, gatos que salvam vidas, mas os meus defuntos não entram aqui.
Por via de uma família que mantinha um cão de matar entalado entre uma varanda e uma cozinha, assunto que naturalmente rebentou na morte de uma criança, anda por aí tanto latido que ensurdece. A esquerda divide-se, a direita devota de uma pomba estúpida, citando o sábio Caeiro, resfolega e puxa para a tourada, uma arca de noé em formato babel.
Tola carnificina de palavras. Mas recordo que os animais, sendo todos iguais são uns um pouco diferentes de outros, adoro um cão, raivoso, este do Sérgio Godinho, que tão bem o explica. E esta é para ti, Raquel Varela, essa do Hitler enferma de uma pequena descontextualização histórico-zoológica: os animais irracionais, legitimamente, defendem-se uns aos outros, não obrigando com isso os racionais a desprezá-los; e depois tens no teu título um erro gramático, não é o cão de Hitler, é sempre o cão do Hitler. Faz uma certa diferença.
As dúvidas do Gaspar
16/09/2012 by
Quem sou eu? –disse eu
só que ninguém respondeu, ninguém
mas o que foi que me deu
para estar hoje assim?Estou aqui, se estou
mas para onde é que eu vou, quem sou?
Toda a gente sabe mais ou menos quem éPassam carros, passa gente
vão para algum lugar é certo
vão para trás ou vão para a frente
vão para longe ou vão para perto
vão para algum lugar é certo, vão
Por isso o povo todo junto pouco a pouco se faz muito
23/06/2012 by
Do CD Junta Corações – Festas do S. João do Porto. Faixa 12 – É nosso o S. João. Letra e música de Sérgio Godinho.
25 Poemas de Abril (XXII)
24/04/2012 by
Maré Alta
Aprende a nadar, companheiro
aprende a nadar, companheiro
Que a maré se vai levantar
que a maré se vai levantar
Que a liberdade está a passar por aqui
que a liberdade está a passar por aqui
que a liberdade está a passar por aqui
Maré alta
Maré alta
Maré alta
25 Poemas de Abril (XII)
19/04/2012 by
De Coração e Raça
“Sou português de coração e raça
Não há talvez maior fortuna e graça”
Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
fechados numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha
Agora vamos é ser
donos do nosso trabalhar
em vez de andar para alugar
com escritos na camisa
e o dinheiro que desliza
do salário para a despesa
compro cama vendo mesa
deito contas à pobreza [Read more…]
Hoje dá na net: Sempre Abril (Gala de homenagem a Zeca Afonso)
23/02/2012 by
Gala de homenagem a Zeca Afonso, co-produzida pola TVG (Televisão da Galiza) e a RTP.
Silvia Alberto co-apresenta, com o galego Carlos Blanco, o espectáculo que assinala a Revolução dos Cravos e presta homenagem a Zeca Afonso. “Sempre Abril”, assim se designa a gala realizada no Paço da Cultura de Pontevedra, conta com as participações de Sérgio Godinho, Dulce Pontes, Vitorino, Janita Salomé, João Afonso, Zeca Medeiros, Tito Paris, Luís Pastor, Trexadura, Victor Coyote, Xico de Carino e o grupo Faltriqueira.
Veja depois do corte a ligação para os outros vídeos sobre José Afonso: [Read more…]
Sérgio Godinho, quarenta anos de canções
26/11/2011 by
Sérgio Godinho comemora, por agora, quarenta anos de canções. A 16 deste mês foi assim no Coliseu do Porto
Ontem foi a vez do Coliseu de Lisboa. Um concerto fantástico – transmitido pela RDP para todo o mundo, procurem o podcast – a mostrar porque há tantas canções de Sérgio Godinho nas nossas vidas.
O elixir
01/05/2011 by
Depois de um certo almoço, ontem, alguns comensais, incluindo eu, devem sentir mais ou menos isto que a letra descreve. Um brinde a eles.
Sons de Abril: Sérgio Godinho – Eh meu irmão
14/04/2010 by
«Eh meu irmão (Ou mais uma canção do medo)» faz parte do LP «Pré-Histórias», editado em 1972, ainda nos tempos do Antigo Regime (ops!). Foi o seu segundo trabalho. Passada a fase de Abril, Sérgio Godinho continua a ser um símbolo da intervenção da música na sociedade e – opinião pessoal – o mais importante escritor de canções da actualidade.
Letra completa:
Eh, meu irmão, que é que tens
que tremes como um chouriço?
Eh, meu irmão que é que tens,
parece que viste um bicho!
Um bicho vi, sim senhor,
enroscou-se a mim e pediu-me amor
tinha corpo de mulher
cabelo encaracolado
beijou-me, apagou as luzes
e eu então gritei!
Ai, um bicho! [Read more…]
Três Cantos no Coliseu: Fez-se História
01/11/2009 by
Fez-se História no Coliseu do Porto, ontem à noite, e eu estive lá…
José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto começaram pelas canções actuais (de destacar, de José Mário Branco, o Onofre, a palavra portuguesa para o botão On/Off), e, com o decorrer do espectáculo, foram desfiando os êxitos mais antigos – aqueles que, como sempre, motivam mais o público.
José Mário Branco falou: «Estou tão contente. Podem continuar a contar connosco para cantar… e para o resto». Sérgio Godinho, depois das «4 Quadras Soltas», soltou o maior aplauso da noite: «Zeca Afonso não devia estar ausente esta noite». Isto depois de dizer com a ironia do costume, a propósito de «O Charlatão», que felizemente é uma espécie que hoje em dia já não existe em Portugal. Fausto, com o «low profile» que o caracteriza, pôs milhares de pessoas a cantar a sua Rosalinda.
Foi um espectáculo belíssimo. Cada um cantou as suas canções e as canções dos outros dois. E as canções dos outros que cantavam, parece que se apropriavam delas num instante e que toda a vida tinham sido suas.
A certa altura, José Mário Branco disse que iriam dizer e cantar naquela noite o que andavam a dizer há 40 anos. E foi isso mesmo. Sobretudo isso: um espectáculo de memórias, de recordações. De alguém faz parte das nossas vidas. Crescemos ao som das músicas deles.
É como dizia Sérgio Godinho: só faltou mesmo o Zeca!









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