O lobo e as lombrigas

“Premiei um escroque da pior espécie” – diz João Duque, referindo-se ao mesmíssimo Ricardo Salgado que, há não muito tempo, quase canonizou no discurso de elogio que lhe fez aquando do doutoramento “honoris causa” promovido pelo ISEG. Brioso, o ex-admirador e deputado Carlos Abreu Amorim, com aquela coragem dos cachorros pequenos entre as pernas do (novo) dono, citou esta frase, atirando-a à cara do visado em plena Comissão Parlamentar. Ricardo Salgado é, já poucos duvidam, o lobo mau desta história. E os lobos maus metem medo (designadamente aos coelhos), mesmo quando acossados. Mas depois há estas lombrigas, ténias, carraças, pulgas e outros parasitas do sistema, servidores de quem manda na hora e sempre prontos a mudar de hospedeiro. Estes, metem nojo

O arrependimento do antigo director o ISEG

premiei um escroque da pior espécie

As escolhas de João Duque

Enquanto João Duque escolhe entre pipocas e cinema, quer dizer, o filme passa-lhe pelas costas. Um espectáculo, quer dizer, o João Duque é um espectáculo.

João Duque podia ter aprendido português? podia, mas nesse caso sabia ler e escrever

Assim, é hoje claro que a televisão do curto prazo pouco terá haver com a televisão de massas do passado, o que obriga necessariamente a repensar a noção de serviço público.

P. 7 do Relatório do Grupo de Trabalho para a definição do conceito de serviço público de comunicação social

Não, não li o ralatório, este naco encontrado no Facebook alimentou-me.

João Duque, eu pago o meu almoço, vocês pagam o vosso, ok?

Ouvi-o num daqueles espaços publicitários nem por isso bem identificados da TSF uma coisa em forma disto:

– É como no restaurante, almoçámos, estava tudo bem, mas agora temos de pagar a conta. Se calhar alguns de nós têm de ficar uma hora a lavar pratos…

Não o conheço de lado nenhum, João Duque, nem você a mim para me mandar lavar pratos, e falando na dolorosa uma coisa fique bem clara: nunca ganhei um tostão no BPN, nunca joguei na bolsa, não tenho casa na Aldeia da Coelha, não fiz nenhuma Parceria Público Privada e nunca meti um pé na Madeira.

Logo, lava o João Duque os pratos, e sem luvas, lava os pratos com os que roubaram no BPN, os serventuários do Alberto João e os que se prostituíram entre os diversos governos e empresas, enquanto nos copulavam com  favores do estado.

Não há almoços grátis? pois não. Mas paga quem almoçou. Ou há moralidade ou tínhamos comido todos.

Anders Breivik não diria melhor

E há muita gente que acha que a economia de mercado é a pior coisa que pode haver e que gostaria de ver tudo isto implodir.
Fala de quem, concretamente?
Dos extremistas islâmicos, por exemplo, ou dos comunistas, que ainda os há.

Mas João Duque ainda não pegou na espingarda. Contenta-se com a descoberta que o vai conduzir ao Nobel da Economia:

Estou convencido que o Homem é o único animal que concede crédito. i

Renegociação da Dívida: surpresa?

Conjecturei em artigos anteriores que cada vez mais vozes se levantariam  defendendo uma renegociação da dívida portuguesa e que haveria, com o tempo, opiniões vindas de sítios e pessoas “surpreendentes”. A verdade é que não tem sido necessário esperar assim tanto tempo e começa a tornar-se óbvio para muitos.

Quanto a ser surpreendente, pronuncie-se o leitor: João Duque, Presidente do ISEG, conselheiro do líder do PSD e eventual ministro das finanças de Passos Coelho, admite já que Portugal vai ter de reestruturar a dívida.

Das duas uma: ou João Duque não quer ser Ministro das Finanças e afasta assim qualquer possibilidade de convite, ou começa a preparar o terreno. Se, ainda assim, for convidado, podemos adivinhar o que pensa Pedro Passos Coelho sobre o assunto.

Acrescente-se ainda Nouriel Roubini, um dos economistas a quem se fez orelhas moucas sobre o estado da economia e sobre as consequências do excesso de liberalismo e que previu, por exemplo, a crise financeira de 2007.

Eis a lista, em crescimento:

PCP

BE

Boaventura Sousa Santos

António Nogueira Leite, dirigente do PSD, economista

Thomas Mayer, economista-chefe do Deutsche Bank [Read more…]

O centrão das contradições

PS e PSD têm demonstrado ser uma e a mesma coisa, em termos de resultados finais para os portugueses: falta ou consciente propósito de ignorar uma visão estratégica, depauperamento do tecido económico do País, os resultados da ilusão de vida fácil à custa do crédito barato e, para remate final, a cedência dogmática às reivindicações de poderosas corporações (advogados, médicos, juízes, pilotos da TAP e outras a que a ordem alfabética me conduziria).

Hoje, como quase diariamente, foi mais uma jornada de contradições e demagogias. Exemplos:

  1.  O pin…cel Catroga diz que “a sua geração nos últimos 15 anos só fez porcaria”  -15 ou 30 anos Dr. Catroga? V.Exa. não se lembra de o governo que integrou, como Ministro das Finanças cavaquista, ter dado carta branca  ao colega Mira para, em desrespeito pelo interesse nacional,  retalhar a alienar a CUF/Quimigal segundo interesses adversos  ao País? Nem sequer se dignaram ouvir accionistas privados; a Sociedade Nacional de Sabões Lda. que detinha 34% da Sonadel foi uma entre vários;
  2. António Nogueira Leite, ex-secretário de Estado de Guterres (1999-2000, XIV Governo Constitucional),  ao Jornal de Negócios  sobre os 20% a atribuir aos comandantes da TAP, pela privatização, diz “Nesta matéria, no PSD responde o seu presidente”. Assim, tal qual, como o “Lavar de mãos de Pilatos”.
  3. O Prof. João Duque – e que Prof., senhores! – afirma: “A taxa de 6% não é nada má”, No mesmo jornal, e em simultâneo, Nogueira Leite assevera: “As taxas de juros que Portugal vai pagar à UE são muitíssimo difíceis” – a divergência seria despicienda se ambos não fossem conselheiros de Passos Coelho para a área da ‘Economia e Finanças’. Enfim…

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Jornal Expresso: as contas do Prof. João Duque

O actual ISEG, antes a velhinha escola de ‘económicas’ do Quelhas, em Lisboa, também sofre efeitos da erosão do tempo. É uma fatalidade da sociedade portuguesa, fazendo emergir, em vários quadrantes, gente de valor mediano, para não dizer medíocre. Reproduzo contas da EDP, para sustentar as ideias adiante expressas.

Como exemplo, lembro que, entre os notáveis históricos do ISEG, se contam os Professores Mira Fernandes, Bento de Jesus Caraça, Jacinto Nunes e muitos, muitos outros, entre os quais, o actual Presidente Cavaco Silva.

Nos tempos correntes, ao que parece em consonância com a ampla degenerescência nacional, a histórica escola é dirigida pelo Prof. João Duque, assíduo comentador da SIC Notícias e colunista do ‘Expresso’, suplemento de Economia.

Na edição do passado Sábado, o Prof. Duque subscreve, no referido suplemento e destaque na 1.ªpágina do “Expresso”, o artigo ‘Ele Mexe com a Inveja’. Do princípio ao fim, o texto é bastante infeliz; começa por uma confissão de inveja do autor e termina a concluir que, afinal, os prémios do Mexia foram um benefício para os cofres públicos. Brilhante!

A incoerência só pode ter duas causas: ou fruto de incapacidade de análise, ou mera manobra escatológica destinada a influenciar a opinião pública.  

Argumenta João Duque que, com o pagamento dos prémios a Mexia, o Estado arrecada uma receita em sede IRS – e eventualmente em contribuições para a Segurança Social – maior do que a verba que arrecadaria se não houvesse lugar aos prémios em causa; ou seja, as receitas excedem o IRC sobre o eventual lucro tributável, não descontado dos ditos prémios.

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