Maria de Lurdes, a mulher que está presa por ter chamado psicopata a Maria José Morgado

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Maria de Lurdes teve azar. Nasceu sem papas na língua e não hesitou quando, contra ela, foi cometida uma injustiça enorme por causa de uma bolsa de estudo. Acusou o ministro Manuel Maria Carrilho (esse mesmo!) e, no seguimento do processo, uma série de sectores da Justiça que, no seu entender, fazem parte de uma corja da pior espécie. A corja da Justiça.
Foi intimada a parar com esse palavreado, caso contrário ia presa. Não parou. Entre outros elogios, chamou psicopata a Maria José Morgado pela forma como sorriu para ela. A pena suspensa transformou-se em definitiva e, três anos depois e por mero acaso, acabou por ser detida e transportada até Tires.
E agora, temos alguém preso porque chamou psicopata a Maria José Morgado. Não matou ninguém. Não se deixou corromper. Não roubou um Banco. Nunca foi Dona Disto Tudo. Apenas chamou psicopata a Maria José Morgado.
Parece que Maria de Lurdes não pode sequer queixar-se ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, porque deixou passar o prazo. Foi presa por delito de opinião e ficará enclausurada durante três anos, como se fosse uma criminosa.
E como se esta choldra de país fosse uma Coreia do Norte qualquer…

Crato foi um zero

Meu Caro Paulo,

Tenho da vida uma visão muito humilde e procuro, em cada momento, pensar sobre a informação que me vai chegando. Obviamente, li os teus textos e, claro, condiciono a minha escrita à tua posição, na medida em que a considero. Mas, considerar, não significa concordar. E, pelo que já percebi discordo e muito sobre a tua defesa (posso também usar a palavra branqueamento?) da legislatura de Nuno Crato.

Eu, pelo contrário, não tenho dúvidas. Aliás, nunca tive.

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Obviamente, Maria de Lurdes Rodrigues chegou antes de Nuno Crato e isso é um facto histórico e indesmentível (digo eu, que percebo muito pouco disto): naquele tempo, o PS tinha condições para fazer o que fez porque tinha a concordância da direita, isto é, nunca o PSD poderia ter feito o que fez MLR porque o PS estaria contra. Lembro que em 2005 o PS só via “apoio” quando se virava para a direita, ou seja, o ataque de MLR à profissão foi do agrado do PSD e por isso foi possível de concretizar. E, quanto ao ataque de MLR aos Professores, já escrevi no post anterior.

Mas, se me permites, vou buscar alguns dos teus argumentos para subscrever a minha tese de que, para a Escola Pública, Nuno Crato teve uma prática muito menos progressista e onde o investimento na escola pública não existiu, antes pelo contrário. Ou seja, MLR teve uma prática diversa da minha (MUITO!), mas investiu na Escola Pública. NC tem uma prática oposta à minha (TOTALMENTE!) e desinvestiu na Escola Pública. Vamos aos factos: [Read more…]

Sócrates está de volta

A minha entrada na blogosfera foi feita por um blogue pessoal que nos anos quentes da luta dos professores contra a Ministra Maria de Lurdes teve um papel instrumental muito forte. Em setembro de 2008 resolvi acabar com o Diário de um Professor escrevendo:

The END
Boas,
car@s amig@s, car@s colegas,

o Diário de um Professor chegou ao fim!
São vários os motivos que me levam a deixar este espaço que ocupei durante três anos:
– um país de faz de conta em que a pior Ministra da Educação da nossa Democracia é vista como um
génio;
– um Primeiro que o foi antes de ser engenheiro…
– uma Democracia de faz de conta, onde a cidadania é vista como uma brincadeira
– uma pro fissão que o deixou de ser…
E claro, o desgaste, o tempo que um espaço como este também exige.

Quando decidi escrever isto tinha um percurso feito de oposição quase permanente a José Sócrates e às suas políticas para as carreiras dos funcionários públicos e em especial os professores. Os ataques feitos à profissão docente foram tão intensos que nem me atrevo a trazer para cima da mesa as decisões acertadas que foram tomadas em relação à Escola Pública. [Read more…]

Porque Macário não é o Porcalhão de Paris

O que é que eu penso de Macário Correia? ‘Gosto’ dele. Não é de agora. Se violou várias e sucessivas vezes o PDM local, é porque o PDM é histérico e fez queixinhas, pôs-se a gritar, mas só depois de tirar o máximo de proveito e rebolar-se com dois orgasmos ou três debaixo do roliço e nada macabro Macário. Tavira é suculenta. Eu compreendo. Não é por nada, mas bom será que esse autarca aprenda que as violações aos PDM têm consequências. Que actos ilegais perpetrados por ele e pelo resto da classe política também têm consequências. [risos] Aqui temos de rir e rir muito. Sim, haverá consequências. Mas poucas. Em pequeno e muito bem medidas dentro dos grandes princípios-banana portugueses e do infatigável faz-de-conta justiciário português, quando envolve detentores de largos milhões sabe-deus como. Portanto quase nada. Portanto, nada.

Consequências para Macário, mas não para Isaltino. Consequências para Macário, mas não para Paulo Campos. Consequências para Macário, mas não para Maria de Lurdes Rodrigues. Consequências para Macário, mas não para o Mendonça ou para o Lino. Consequências para o Macário, mas não para Teixeira dos Santos, e muito menos para o Filho da Puta absoluto e supremo que depois de ter feito a sua merda moral nos palanques e conciliábulos do Poder enclavinhado com garra aquilina, laureia a pevide por Paris, largando a sua merda metabólica no sistema de drenagem local, a qual deslizará, lenta, até uma ETAR ou um afluente do Sena. [risos] [Read more…]

Esta avaliação dos Professores acabou. E agora?

“Mais do que celebrar o fim, temos de ousar um início. Antes que seja tarde demais.”

Com estas palavras, Matias Alves termina um artigo no Correio da Educação.

E são palavras que o Miguel subscreve (diz ele, erradamente, com menos competência).

Com ou sem publicação no Diário da República, com ou sem as frases sem sentido do PS, ESTA avaliação está morta! E está, com ela, morta a atitude ditatorial de Maria de Lurdes (por onde andas?) e de José Sócrates e dos seus boys. Perder a avaliação dos professores é para este gente uma derrota enorme. Triste sina esta de ser governado por quem é teimoso e incompetente para ao fim de seis anos de (des)governação conseguir implementar algo de significativo na educação. Recordo três coisas:

– gestão das escolas, divisão da carreira (titulares) e avaliação. De três, fica uma, talvez a mais importante, mas aquela a que os professores deram, de facto, menor atenção. Sócrates perdeu. Ponto final. Vamos mudar de página.

A Escola Pública exige uma avaliação. Sem dúvida. E tem que existir.

Ao olhar para os Censos ficamos com dúvidas no preenchimento – qual é o produto da minha actividade? O futuro!

E em nome desse futuro há coisas dos mercados e dos gestores que não fazem sentido aplicados a pessoas, nomeadamente a crianças.

O que devemos todos exigir é uma Escola avaliada e exigente. E, dentro dessa Escola, internamente é feita uma avaliação com consequências, claro, mas feita por quem conhece a realidade – ou será possível ter um modelo nacional, em que se avalia de igual modo um Professor numa escola de bairro ou numa aldeia do interior?

Vamos ao debate? Pela Escola Pública!

Os teste de Pisa 2009 – o mérito aos Magalhães


O sr. Primeiro veio, acompanhado do sr. Rodrigues e da Sra. Ministra, ontem a público apresentar os resultados obtidos pelos alunos Portugueses nos testes de PISA 2009 (OCDE).
Tirando a demagogia já notada por Mário Nogueira à comunicação social, ficam duas ou três notas interessantes:
– Sócrates quer ter como suas e da Senhora Ex-Ministra da Educação, as glórias dos resultados. Apetecia perguntar se não seriam eles também responsáveis pelos de 2006?
– Em função da resposta óbvia à pergunta anterior, poderíamos argumentar, mas a “sua” entrada no poder (2005) consegui ser tão eficaz que já produziu resultados em 2009? Mas… na Educação, os resultados não acontecem a médio, longo prazo?
– Se a única parte do Estatuto que entrou em vigor, foi a parte que corta a carreira dos professores; Se, da Avaliação, a única parte que entrou, foi a da confusão e a da burocracia, que diabo fizeram os seus governos para melhorar os resultados?
A verdade factual é esta: no auge da luta e da acção de rua dos Professores, foi possível obter os melhores resultados nestes testes. A prova que faltava para mostrar que a luta foi pela Escola Pública!

Coisinhas boas

Aparentemente, Maria de Lurdes Rodrigues escreveu um livro. Eu não sei se vou comprar o dito (sendo que parece que é um bocado carote) até porque tenho para ler um sobre Thomas More, a “História concisa de Inglaterra” do Travelyan que ainda aqui anda, o da Alison Weir (não perguntem, tenho cá em casa e tenho que ler), dois do Guy, e depois planeio mandar encomendar a triologia sobre a História de Inglaterra do S. Schama e o Tudor England do John Guy e tenho ainda um Dickens no meio mais dois do Orwell sem falar no Erasmus. Aliás, por falar no “Elogio da Loucura”, parece-me que este livro da Maria de Lurdes tem muito que se lhe diga. Não li por isso não posso comentar, mas posso certamente dizer que a apresentação foi no mínimo hilariante. Vi um Sócrates todo sorridente a dizer que este livro não era de maneira nenhuma uma forma da ex-ministra se tentar justificar. Isto nem me tinha passado pela cabeça mas agora que o PM falou disso é razão para suspeitar. Isabel Alçada coitadinha, nem vista nem achada naquilo tudo, lá apareceu fazendo um esforço enorme para esconder a sua expressão: vocês não me metam nesta ramboiada que eu não tive nada a ver com o que ela fez. A melhor parte foi o Dr. Mário Soares a dizer que Maria de Lurdes tinha um plano para a educação do país. Podia ser discutível, disse ele, como “são todos os planos” mas ao menos tinha o plano, alguma coisa planeada. Isto para não dizer claramente que era mau. Nem o Mário Soares conseguiu disfarçar. E quando o Mário Soares não consegue disfarçar é porque as coisas estão más.
Tenho curiosidade em ler o livro porque, tal como diz o Paulo Guinote, aprecio ficção histórica apesar de ter a vaga ideia de que isto vai ser um novo Wolf Hall mas com menos utilização do pronome “ele”.

Os professores vão ter saudades da Maria de Lurdes

Um assessor da Ministra da Educação não esteve com meias e colocou um gravador a gravar as conversas informais dos jornalistas que esperavam no hall do ministério. Isto é tão bizarro que não pode ser uma gaffe, estilo foi um jota que está aqui pela primeira vez.

 

Isto faz parte do "marcar o território", nós tambem sabemos como se faz, vocês podem estar convencidos que estão imunes ao vosso próprio veneno mas se calhar vão beber do mesmo, aliás, foi mesmo isso que o tal assessor disse quando interprelado pelos jornalistas.

 

Estou a ver os sindicatos a levarem com uma gravação de uma reunião a dizerem que "se não fosse termos que controlar a turba assinávamos já.", isto está cada vez mais bonito, porque há gente que está convencida que pode ser uma espécie de ilha, cheia de coisas boas enquanto à volta, nadam os tubarões esfomeados.

 

Volta Maria de Lurdes que estás perdoada!

Recado ao Ricardo, João Paulo e outros professores do Aventar

Como sabem cá o "je" frequenta lugares selectos onde se encontram pessoas selectas com quem se têm conversas selectas. Se não sabiam deviam saber e como tal, tudo o que vem aí a seguir não é da minha responsabilidade.

 

Poie é, hoje estive à conversa com a Dra Maria de Lurdes Rodrigues. Ela na mesa dela e eu na minha, mas ao lado um do outro. Ela não falou para mim e eu tambem não falava para ela, mas ouvíamos o que eu estava a dizer aos meus amigos conservadores (todos querem que os professores deêm ao pedal para chegarem ao topo) e eu ouvia o que ela estava a dizer aos seus amigos.

 

E às tantas estavamos num estranho diálogo, tendo como fundo a bela parede que está coberta pela arte de Keil do Amaral.( quem não sabe onde é, fica por aqui, porque se nunca bebeu um café a olhar para aquela maravilha, bem, estamos conversados) eu a falar para os meus colegas mas a responder ao que a ex-ministra dizia aos (dela) colegas de mesa.

 

Os meus amigos diziam tão mal dos professores que ela às tantas já olhava para a nossa mesa a ver se a ideia era mesmo estragar-lhe o fim de tarde, ou se teria ali encontrado os únicos apoiantes da "sua" avaliação. Uma das minhas amigas, até é professora, e dizia que não, a profissão é do pior, ter que aturar meninos que não têm educação nenhuma, etc e tal, o habitual, e os outros todos a dizerem que isso são os ossos do ofício…

 

Bem, adiante que é preciso ir ao que interessa. , e o que é que interessa, perguntam vocês, o que interessa é que eu às tantas com este meu feitio de comerciante, antevi logo ali melhorar as audiências do Aventar e vá de dizer alto e bom som que aqui escrevem alguns dos mais empernidos anti-Prof Lurdes , escrevem coisas que eu nem me atrevia a repetir tal era a falta de bom senso que grassa por este blogue, no que à Educação se refere.

 

Com nomes! Por isso não é de estranhar que entre os nossos leitores alguem esteja muito atento ao que hoje aqui se escreve. E esta história do "calendário" não abona em nada os "nossos" professores…