Crato foi um zero

Meu Caro Paulo,

Tenho da vida uma visão muito humilde e procuro, em cada momento, pensar sobre a informação que me vai chegando. Obviamente, li os teus textos e, claro, condiciono a minha escrita à tua posição, na medida em que a considero. Mas, considerar, não significa concordar. E, pelo que já percebi discordo e muito sobre a tua defesa (posso também usar a palavra branqueamento?) da legislatura de Nuno Crato.

Eu, pelo contrário, não tenho dúvidas. Aliás, nunca tive.

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Obviamente, Maria de Lurdes Rodrigues chegou antes de Nuno Crato e isso é um facto histórico e indesmentível (digo eu, que percebo muito pouco disto): naquele tempo, o PS tinha condições para fazer o que fez porque tinha a concordância da direita, isto é, nunca o PSD poderia ter feito o que fez MLR porque o PS estaria contra. Lembro que em 2005 o PS só via “apoio” quando se virava para a direita, ou seja, o ataque de MLR à profissão foi do agrado do PSD e por isso foi possível de concretizar. E, quanto ao ataque de MLR aos Professores, já escrevi no post anterior.

Mas, se me permites, vou buscar alguns dos teus argumentos para subscrever a minha tese de que, para a Escola Pública, Nuno Crato teve uma prática muito menos progressista e onde o investimento na escola pública não existiu, antes pelo contrário. Ou seja, MLR teve uma prática diversa da minha (MUITO!), mas investiu na Escola Pública. NC tem uma prática oposta à minha (TOTALMENTE!) e desinvestiu na Escola Pública. Vamos aos factos:

  • Parque Escolar, Parque Informático, Escola a Tempo Inteiro e Novas Oportunidades, isto para citar ideias por ti apresentadas.

A Parque Escolar foi uma “festa” e houve exageros. Sim. Alguns, estamos agora a descobrir, podem até estar na esfera judicial. Mas, foi ou não investimento na Escola Pública? Há ou não uma parte muito importante do Parque Escolar que ficou renovado? Qual foi a alternativa de Nuno Crato à Parque Escolar.

Eu prefiro o projecto Parque Escolar a nada!

O investimento estratégico de Maria de Lurdes Rodrigues no parque informático foi monstruoso. Houve material informático, quer máquinas, quer software. Houve formação para professores. Houve os Magalhães, houve instalação de redes. Algo nunca visto e algo que nunca mais se viu.

Eu prefiro o investimento que foi feito ao nada de Nuno Crato.

Quanto à escola a tempo inteiro tenho um texto escrito sobre o que eu penso – temos uma posição divergente. Mas, repito, é ou não investimento na Escola Pública? É ou não colocar o público a “concorrer” naquela questão em concreto, com o privado?

E, as novas oportunidades?

Eu valorizo a aprendizagem ao longo da vida e creio que há também necessidade de um processo de certificação – são, naturalmente duas coisas diferentes. As Novas Oportunidades não clarificaram a diferença, provocaram confusão de conceitos e foram usadas como arma de arremesso. Mas, como processo de certificação, prefiro as NO a nada. E, portanto, NO ou nada? NO.

Admito que não seja preciso um luto. Perfeitamente. Mas, olhar criticamente para o passado é ou não uma medida preventiva em relação a erros futuros?

Não tenho visões dogmáticas sobre nada, nem ninguém – eu não sou da FNE, nada de confusões como a que tens feito ao, injustamente, colocar FNE e FENPROF no “mesmo saco”. Ao contrário dos dirigentes do PSD que andam pela FNE não digo sempre mal de tudo o que faz o PS, para estar calado quando se tratam de trapalhadas de direita. O que o Ministro fizer bem terá o meu aplauso, o que correr menos bem terá a minha crítica. Simples.

Repara, subscrevo o fim dos exames e por isso aplaudo. Mas, discordo da prioridade comunicacional que o Ministro deu às reuniões com os Directores. Se, o Ministro pensa que vai “perceber” a voz da realidade apenas pelos plenários com Directores, irá pelos maus caminhos que MLR trilhou.

Mas, sobre Crato, voltarei…

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Texto 1: Professores – vamos lá fazer o luto? Maria de Lurdes ou Crato?

Texto 2: Professores: O Luto (parte 2)

 

 

Comments


  1. Podias evitar uma falsidade evidente no início do teu texto. Eu não faço a “defesa” de Nuno Crato, que considero um continuador dde Maria de Lurdes Rodrigues.

    Embora tenha uma grande consideração por ti, é necessário esclarecer que a partir do momento em que li o que é uma mentira (e que tu sabes que o é), deixei de ler o resto e não vou sequer fazer qualquer réplica.


    • Mas, defesa no sentido que está escrito no teu post… Ora se dizes que discordas da ideia base, é porque pensas o contrário, não? Então não percebi… Obviamente, não queria, nem quero mentir.


  2. Considerei de forma pública, como muitos professores, que a escolha de Nuno Crato para MEC era uma decisão correcta, atendendo a algumas das suas posições anteriores.
    Ao fim de poucos meses, quando da apresentação da primeira proposta de OE do governo a que pertencia, declarei a minha desilusão, algo que está também publicamente documentado no meu antigo blogue.

    Há quem o tenha condenado à nascença. Não foi o meu caso. Daí a “defendê-lo” passados 4,5 anos é um enorme abuso, atendendo a tudo o que escrevi e disse, mesmo em medidas apoiadas por alguma esquerda ou que tiveram uma ausência de reacção imediata (prova de Inglês).
    Além disso, não defendi o entendimento sindical com Nuno Crato em 2014 que enterrou a chamada “greve ás avaliações”.

    Escrito isto, repito que é manifestamente falsa a forma como inicias o texto, porque há muito tempo que coloco NC como continuador da obra destrutiva de MLR, embora seja obrigado a reconhecer que ele nunca nos ofendeu perante a opinião pública da forma continuada e soez como ela o fez.