Jotinhas que nunca trabalharam

O colega aqui do quarto direito, atirou-se, no Forte Apache a um sindicalista que, segundo ele não trabalha desde 1979. Como li o texto um bocadinho depois da hora, ainda pensei que se tratava de um trocadilho sobre o espantoso currículo do Pedro Passos Coelho nas empresas dos amigos, isto é, na Jota do Ângelo Correia.

Li, depois, com mais atenção e percebi, com umas trocas de comentários, que a sátira era sobre uma questão bem mais delicada – a dificuldade de renovação do movimento sindical, algo comum a todas as estruturas coletivas da nossa sociedade.

O que me dizem os responsáveis da igreja, não é diferente do que se passa nas associações de pais, nos clubes, nos partidos e, claro, nos sindicatos.

As jotinhas dos Partidos (PS, PSD e CDS) são um fantástico mecanismo de promoção social – todos o sabem. Também sabemos todos e eu já o escrevi no Aventar, o que significa o movimento sindical para o PCP.

Mas, estas são duas dimensões apenas duma realidade bem mais complexa. Tem havido baixa rotatividade no mundo sindical? Se calhar.

Mas, nas outras organizações tem sido diferente? Ao nível local, quem manda no PS e no PSD não têm sido os mesmos desde sempre?

Respondem-me que, então estão bem uns para os outros, ou antes, estão mal uns para nós! Sim. Claro. E daí o problema!

A questão central é mesmo esta, porque é que as dimensões coletivas da nossa sociedade estão a falhar? E como é que se consegue dar a volta a isto?

Militantes com esquizofrenia deveriam pagar chamadas ao dobro do preço

Portugal vive há muito tempo um processo estranho de Esquizofrenia militante.

Algo muito comum ao nível dos clubes, mas também permanente nos partidos. Para os militantes que sofrem desta patologia, o que o seu partido faz no poder, está sempre certo. Já os da oposição estão sempre contra.

O mesmo é válido para os partidos que se limitam a dizer que não: o que defendem está sempre certo. O que os outros dizem está sempre errado.

Quando mudam de canto, trocam também de opinião e o que hoje era defensável, amanhã passa a ser uma parvoíce.

Calculo que isto além de ser completamente estúpido, traga despesas acrescidas em comunicações entre os militantes-trocadores-de-opinões.

Assim, seguindo o exemplo dos gagos no Brasil, sugiro que em Portugal seja taxada a dobrar qualquer conversa de alguém com esquizofrenia militante: com o preço agravado, pode ser que as conversas sejam em menor número e a troca de opiniões não aconteça com tanta rapidez. Ou então, alarga-se a limitação de mandatos e cada um dos trocadores de opiniões fica limitado a uma troca a cada quatro anos. Talvez duas se tiver ADSE ou algum talão de desconto.

 

Tomai e lembrai

Acabo de saber pelo telediário do Porto Canal numa reportagem em pleno Congresso do PS, que parece formoso e Seguro, que os militantes do PS andam muito esquecidos do seu hino: “A Internacional”.

Pois é, afinal não é só o queijo que faz mal à memória, o caviar também.

Assim sendo, ó “camarigueiros” – mistura de camarada, amigo e companheiro – aqui vai o vosso hino para mais tarde recordar, de preferência quando estiverem de novo no poder. É que  vocês são muito Esquerda antes do poder, mas depois tendem a guinar à Direita.

A diferença

Ainda não se sabe ao certo qual é o estado do país, e já Pedro Passos Coelho fala em aumentar impostos e tomar medidas. Desta vez, talvez só perca tempo a pedir desculpas aos militantes sociais-democratas por ter criado um embaraço ao partido à boca de eleições.

Mas, convenhamos, que aos olhos do PSD, o mal não estaria propriamente nas medidas previstas no PEC IV apresentado pelo Governo. O problema era uma questão de credibilidade. Assim foi a ideia defendida recentemente por Arnaut ao oitavo minuto do frente-a-frente com Bernardino Soares, na SIC Notícias.

Ou seja o mais provável é que iremos ser espremidos na mesma. A questão é que quem o vier a fazer terá mais credibilidade do que José Sócrates.

Ora, isso para nós, já é um grande alívio…

PS quer expulsar militantes


«PS quer expulsar 147 militantes do Partido no Porto»

«PS: Concelhia de Alandroal quer expulsar militante»

Rolhas há muitas, não há, seus palermas?