Timor, um lugar onde

«tudo ainda não aconteceu».

Liberdade de expressão

Alô, alô, Pedro Rosa Mendes.

Salazar nunca morrerá

Acredito, intimamente, que isto de se ser democrata não está inscrito no ADN de nenhum animal e que, portanto, a solidariedade, o respeito pelo outro, a aceitação da opinião contrária faz parte do treino para que o homem seja diferente do resto dos animais. Dentro de cada um de nós, está o lobo do homem que pode chamar-se Salazar ou Hitler, mas que é sempre o mesmo animal.

Ser democrata é, portanto, uma aprendizagem e um homem será tanto mais humano quanto mais democrata conseguir ser. Julgo que não será muito arriscado dizer que foi a Europa que inventou a democracia e que a levou a patamares inimagináveis há menos de cem anos. É a mesma Europa que, comandada pelo instinto ditatorial, castiga jornalistas da TVI por divulgarem uma conversa sinistra entre um empregado português e o seu patrão, conversa essa que deveria ser do domínio público, porque diz respeito ao público.

Em Portugal, os homenzinhos que detêm poder não conseguem chegar a ser lobos, ficando-se pelo pior que há nas raposas, verdadeiros pilha-galinhas da liberdade de expressão, como se pode deduzir das decisões tomadas na RDP porque um cronista resolveu exprimir aquilo que pensa, atitude condenável pelos pequenos salazares que infestam administrações e chefias.

Censura, grita ele. Pois, pois…

Afinal……parece que a história está mal contada e o Pedro Rosa Mendes da Antena 1 já era um velho conhecido de Angola

A última crónica de Pedro Rosa Mendes na Antena 1

Versão remisturada. Tem uma explicação, para lá da solidariedade óbvia de qualquer democrata com este atentado relvista à pluralidade de opiniões que não cabe no que eles pensam ser o bem da sua nação.

Chama-se espírito Rádio Universidade de Coimbra, hoje possivelmente a última rádio livre em Portugal, onde conheci o Pedro e algumas vezes nos entretivemos com estas coisas de usar a voz e a música para contar que a verdade é um veneno.

Entretanto tenho reparado que a direita, à falta de argumentos, pergunta a alguns dos que se revoltam agora onde estavam o ano passado. Eu sei onde estava e onde exactamente esses não estiveram, e por aqui escrevi sobre outras censuras, mas não deixo de deixar uma ressalva: ao contrário de Mário Crespo e Manuela Moura Guedes, o Pedro Rosa Mendes é mesmo jornalista.

(feito com José Mário Branco, uma recolha de David Fanshawe no Uganda e Area)

RDP e Angola – Relvas silencia vozes corajosas

O João José Cardoso já denunciou, aqui e aqui, a decisão do governo português, através do Torquemada de Tomar, Miguel Relvas, de silenciar vozes incómodas para  negócios entre Portugal e Angola – o desassombro de Raquel Freire e Pedro Rosa Mendes custou-lhes o afastamento da RDP.

Conheço Angola. Sem nunca ter sido residente, obrigações profissionais levaram-me àquele país mais de uma dezena de vezes por ano. Durante duas décadas. Tenho longas histórias dos meandros dos negócios locais, grandes e pequenos, assim como de homens do poder.

Estabeleci também relações de amizade com angolanos honestos que, hoje como ontem, não puderam ou quiseram enveredar por negócios espúrios, geradores de fortunas tão céleres quanto ilegítimas. Esses amigos, no fundo, são gente sensível à pobreza extrema de milhares e milhares de compatriotas – crianças, mulheres, idosos e jovens estropiados da guerra. Uma multidão de vítimas ainda submetidas a vidas bem duras em ‘musseques’, lá para os lados de Viana e de outras zonas afastadas da ‘sala de visitas’ que é a renovada baixa luandense.

O jornalista Rafael Marques, citado por Pedro Rosa Mendes, é este homem. Em finais do último ano, teve a coragem de fazer uma queixa-crime contra diversos generais angolanos: o poderoso ‘Kopelika’, Vaal da Silva, Armando Cruz Neto, Adriano Mckenzie e os reservistas João Matos, Luís Faceira e António Faceira. França Ndalu (além do mais, representante da De Beers em Angola) também foi citado. O processo inclui crimes de assassinato e mutilações.

[Read more…]

Pedro Rosa Mendes, agora é ouvir a crónica de que eles não gostaram

Já se pode escutar sem ir à página da Antena 1. Sobre esta manifestação de amizade com o governo de Angola continuo a não dizer mais nada do que não disse quando se confirmou.

Pedro Rosa Mendes, a Antena 1 e mais 4 cronistas por tabela

António Granado, Gonçalo Cadilhe, Rita Matos, Raquel Freire e Pedro Rosa Mendes faziam a crónica Este Tempo na Antena 1. Agora já não fazem. Isto não tem nenhuma relação de causalidade com esta crónica do Pedro Rosa Mendes que desmonta a farsa relvista da RTP em Angola, ao serviço da nação, com a omnipresença desse expoente do servilismo conhecido por Fátima Campos Ferreira.

Vou indignar-me? dizer que é censura? chamar nomes ao Relvas? dantes dizia-se que uma imagem vale mais que mil palavras, velhos tempos. Hoje um vídeo pode-me poupar um milhão:

(obrigado pelo vídeo Dario, estou-te a dever uma)