RDP e Angola – Relvas silencia vozes corajosas

O João José Cardoso já denunciou, aqui e aqui, a decisão do governo português, através do Torquemada de Tomar, Miguel Relvas, de silenciar vozes incómodas para  negócios entre Portugal e Angola – o desassombro de Raquel Freire e Pedro Rosa Mendes custou-lhes o afastamento da RDP.

Conheço Angola. Sem nunca ter sido residente, obrigações profissionais levaram-me àquele país mais de uma dezena de vezes por ano. Durante duas décadas. Tenho longas histórias dos meandros dos negócios locais, grandes e pequenos, assim como de homens do poder.

Estabeleci também relações de amizade com angolanos honestos que, hoje como ontem, não puderam ou quiseram enveredar por negócios espúrios, geradores de fortunas tão céleres quanto ilegítimas. Esses amigos, no fundo, são gente sensível à pobreza extrema de milhares e milhares de compatriotas – crianças, mulheres, idosos e jovens estropiados da guerra. Uma multidão de vítimas ainda submetidas a vidas bem duras em ‘musseques’, lá para os lados de Viana e de outras zonas afastadas da ‘sala de visitas’ que é a renovada baixa luandense.

O jornalista Rafael Marques, citado por Pedro Rosa Mendes, é este homem. Em finais do último ano, teve a coragem de fazer uma queixa-crime contra diversos generais angolanos: o poderoso ‘Kopelika’, Vaal da Silva, Armando Cruz Neto, Adriano Mckenzie e os reservistas João Matos, Luís Faceira e António Faceira. França Ndalu (além do mais, representante da De Beers em Angola) também foi citado. O processo inclui crimes de assassinato e mutilações.

Na RDP, ao contrário dessa jornalista de plasticina Fátima Campos Ferreira na RTP1, houve alguém que ousou falar verdade. Miguel Relvas, que é, de facto, um ministro de negócios em serviço nos PALOP’S – Angola, Brasil e Moçambique, em particular –envergou o uniforme e galões de um César Moreira Baptista dos tempos modernos e decretou o silêncio, na RDP, de quem, com desassombro, ousou falar verdade; casos de Raquel Freire e Pedro Rosa Mendes.

O esquema dos negócios com Angola é causa de excitação e pesporrência de homens do poder, nos dois países. As acções de Miguel Relvas e estas declarações do ministro da economia de Angola podem mascarar facetas de relações que nunca se conhecem em toda a extensão. O Álvaro esteve presente na reunião com o ministro Abraão, mas limitou-se a acenar afirmativamente com a cabeça. Fez o papel que no governo lhe atribuíram: pode dizer tudo, desde que seja “YES!”.

Comments


  1. Se para não chatear o “querido líder” de Angola, Pedro Miguel Passos Relvas Coelho não tem tempo (nem tomates, nem coluna vertebral) para falar dos angolanos, porque carga de chuva deveria a assalariada Fátima Campos Ferreira, ainda mais com o patrão ali ao lado, ter esses atributos?

    http://altohama.blogspot.com/2012/01/cartilha-do-reino-portugues-so-permite.html

    Um jornalista fez uma crónica, na Antena 1, a criticar duramente Angola e o pornográfico programa da RTP Prós e Contras que o primeiro-ministro Miguel Relvas transmitiu a partir de Luanda. A RDP, que parece que não gostou, vai acabar com o espaço de opinião em causa e, na passada, corta o pio ao inconveniente jornalista.
    Eu já estava informado de que é perigoso afrontar o regime de José Eduardo dos Santos, só não imaginava, ingénuo como sou, que o longo braço vingador do presidente angolano chegasse cá tão longe. Põe-te a pau, amigo Orlando Castro!

    http://patriciaguinevere.blogspot.com/2012/01/quem-se-mete-com-angola.html

  2. retornado says:

    Que o Rafael Marques fale e até se reproduza o que ele diz tudo bem.

    Agora um portuga emitir opinião sobre governos angolanos ou personalidades, só se falar em quimbundo ganguela ou umbundo..

    Se não cale-se.

  3. Carlos Fonseca says:

    Retornado,
    Apreciei a lógica. Há sempre um ‘Bertrand Russell’ que nos sai ao caminho,

  4. Fernando Carretas says:

    Neste Sitio tudo é possivel.
    Somos um Estado sem substantivos apenas adjetivos
    governados por gente de má fama,mas os piores são o povo essa gentalha que só pensa no futebol que vota por moda ignorantes por convição,sabios da má lingua e invejosos por
    religião.

  5. marai celeste ramos says:

    O português anda muito estragado e imagine-se quando o brasilês for a “lingua” oficial e definitivamente imposta, com reguadas e tudo – Deus me livre

  6. retornado says:

    Carlos Fonseca, tentei mas não consegui ver a semelhança de um retornado de tamancos com um lord inglês

  7. gasparzinhofantas says:

    “retornado”…de quê?
    Retorno da inteligência, talvez se possa aquilatar da estupidez…ou da ignorância…ou da má-fé!

    Arranja ma Vida, pá! Toma Prozac…

  8. gasparzinhofantas says:

    Quanto à substância da coisa:
    Espanta (ou talvez não) o silêncio estrondoso do PCP nestas “questões” angolanas, como podres acarinhados por uma redoma de…vidro, onde cabe, também, a Coreia do Norte actual, bem como a Sérvia do Milosevic, com a ajuda patética do João Soares.
    Pobres dos pobres portugueses que têem na Voz do farol o seu único vagido.
    Quanto ao resto, a “nação”, já não lhe resta salvação nenhuma: o povo não presta para nada, excepto para ser mandado e fazer parte dos mais baixos ranks da tropa Yank.
    É a vida…

  9. tiago says:

    Entretanto há outro “Querido Líder” que renasceu das cinzas.

    http://paisinutil.blogspot.com/2012/01/o-querido-lider.html

    É o perigo de quem não se dá com a democracia. Corta a voz aos vivos e faz renascer os mortos.

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