O Governo é oposição

A estratégia comunicacional do Governo consiste em retirar espaço à oposição defendendo várias posições contrárias ao mesmo tempo. Ao princípio, talvez por mau funcionamento da máquina partidária ou por disfunção psiquiátrica, esse papel cabia unicamente a Passos Coelho, o que chegou a trazer alguns problemas à integridade física do primeiro-ministro, porque é muito difícil separar o agredido do agressor quando são a mesma pessoa. A última vez que se assistiu a um fenómeno semelhante remonta à primeira metade do século XX, quando Álvaro de Campos escrevia cartas à namorada de Fernando Pessoa.

A nova estratégia começou a ser testada com as polémicas “piegas” e “se és professor, emigra” e ganhou consistência aquando da recente e aparente confusão relativa à reposição adiada dos subsídios de férias e de Natal: primeiro, Vítor Gaspar garantiu que voltariam em 2013; depois, Passos Coelho afirmou que talvez voltassem em 2015; finalmente, Vítor Gaspar, opondo-se a si mesmo, garantiu que já tinha afirmado o mesmo que Passos Coelho.

Mais recentemente, numa entrevista ao Die Welt, Passos Coelho exprime dúvidas sobre o regresso de Portugal aos mercados, dúvidas desfeitas, um dia depois, por Miguel Relvas. A qualquer momento, Carlos Abreu Amorim virá a público afirmar que ambas as declarações foram lidas fora do contexto e maldosamente interpretadas por membros da oposição, ou seja, do governo.

Pessoalmente, talvez contaminado por tanta indecisão, vivo numa dúvida cuja enunciação é antiga: hei-de mandá-los à merda ou para a merda?

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    Disfunção psiquiátrica ou disfunção “eréctil” ???

  2. Fernando says:

    Eles estão loucos!
    Mas não é coisa exclusivamente nacional. O ministro espanhol da economia diz que Espanha vai sair da crise sem a “ajuda” externa!

    Déjà vu…

  3. maria celeste ramos says:

    A loucura virou demência e como uma gripe, como a deste inverno, a mononucliose, tornou-se mais grave e contagiosa com o “capacete” deste céu que era sempre azul mesmo em dias de inverno chuvoso, e fechou em “capacete” que contaminou os que não têm culpa nenhuma de ter adoecido por causa “deles” e continuam doentes (por causa deles) e acbo de ouvir o aumento, este ano, não apenas do número de acidentes de viação mas, pior, do número de SUICÍDIOS – Eu nem imaginaria, porque a imprensa não fala nisso, que tantos portugueses tinham caído em tal grau de desespero, o que me provoca grande tristeza pois que sou solidária com os meus conterrâneos que sofrem, não por incapacidades “igauis às de toda a gente”, mas pelas provocadas pelos que pensam que têm o direito de destinar o DESTINO de cada um de nós – esse limite da PERVERSÂO dos que andam por aí que matam a terra e os animais à mingua de água que não querem fornecer a quem não tem e dela depende a sua vida e dos seus animais mas, pior, que matam a “alma” dos que a têm mais frágil e não vêem saida para a própria luta pela vida – Já tenho muitos anos de vida como já disse e venho de muito longe de outros tempos pol+iticos, mas a falta de memória é mais do que bastante para afirmar que nunca vi nada assim, de desprezo total e programado, pela vida de viver, mesmo que hoje em que se celebra a PAIXÃO de Cristo seja, pelo menos, o dia também da Ressurreição, em que alguns, mesmo que apenas simbolicamente, já não conseguem acreditar – e ontem foi mostrado com tanta intensidade, na Procissão do Senhor dos Passos, em Braga – que Deus nos ajude porque se não for o Céu, e cada um de nós a si mesmo, o INFERNO foi decretado como se a malvadez humana, local e europeia, tenha varrido o último reduto do Humanismo – Acredito que desta ESCURIDÂO (hoje sou eu que uso muias maiúsculas) há-de nascer alguma luz – mesmo que eu já a não veja, mas ninguém impede de sentir o que escrevo – aleluia digo eu que há dezenas de anos deixei as práticas ortodoxas da minha religião nacional

  4. antonio oliveira says:

    Tanto faz !

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