ETICA E EDUCAÇÃO (8)

ETICA E EDUCAÇÃO (8)
Binómio Ética-Educação
De qualquer forma é-me difícil não considerar, desde já, como virtudes, hábitos de diligência, seriedade, sinceridade, lealdade, competência, responsabilidade, coragem, perseverança, altruísmo, disponibilidade e solidariedade. Quero dizer-vos, no entanto, que há virtudes estabelecidas que podem não o ser. A tão propalada tolerância, que parece um termo eticamente atraente, pode ser uma palavra injusta, já que quem tolera se pode sobrepor, verticalmente, ao que é tolerado, em presunção de superioridade. A tolerância não é mais do que uma virtude passiva se não aceitar o outro e a diferença. Na democracia dialógica as relações são ordenadas pelo diálogo e não pela posição. Á cultura da tolerância, onde muitas vezes a ética se confunde com egocentrismo disfarçado, penso que devemos contrapor a cultura da diferença e da diversidade, altruísta, policêntrica e horizontal, esta sim, uma virtude activa. A diferença sou eu próprio, a diferença é cada um de nós.
Também não sou a favor do consenso pelo consenso, especialmente quando este significa o acordo acima de tudo, a subalternização da diferença, o patamar acima das consciências, a posição acomodatícia, a hipocrisia, a cobardia, o marasmo, a desistência, a segurança dos inseguros, a roda desdentada que rola bem mas nada produz. Exigir o consenso pode significar não deixar o outro falar, fechar o espaço para o diferente, acabar com o diálogo onde ele devia começar. Nas entranhas do consenso pode a liberdade exalar o seu último suspiro. Sou dos que pensam que a ética, podendo não ser incompatível com o consenso, está na luta, na discussão e no direito de ser minoria. (continua)

                            (manel cruz)

(manel cruz)

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