FUTAventar: Sócrates, Manuela e os pequenos clubes

Nos últimos anos o Porto tem sido a equipa com mais vitórias – é verdade que contou sempre com a cooperação estratégica do órgão de soberania que arbitra os pontapés na xixa, mas ganhou. Agora, ao que parece com a protecção divina de Jesus, o BENFICA anda por aí a esmagar tudo o que mexe. É, há quem o escreva, um regresso ao passado.
Bem vistas as coisas temos um duelo Porto-Benfica. De um lado as risquinhas que nos últimos 4 anos nos governaram. Do outro, o passado à procura do futuro.
Entre ambos, os clubes pequenos. O Braga, o Sporting, o …
Estes não lutam pelo poder – combatem o golo útil. Querem estar, ser e contar para o totobola – é com eles que se decidem os campeonatos.
No fim, na hora de fazer as contas, Porto e Benfica vão ter que olhar para os mais pequenos. Aí vamos saber quem vai ser o ou a nosso (a) Primeiro – Ministro.
E olhem que este ano só o Campeão tem acesso à champions.

MMS – Eduardo Correia no Prós e Contras

O Presidente do MMS estará hoje no Prós e Contras. Eduardo Correia é professor no ISCTE, um empresário com sucesso e que achou que era seu dever contribuir para este país sem destino. Lançou mãos à obra e aí está, contra tudo, mas não desiste.

Ajudei-o na área da saúde, contribuindo modestamente, para fazer um retrato do que é a saúde hoje e o que, previsivelmente, vai ser no futuro. Reforcei a ideia que tenho, que o SNS tem que ser reforçado, que deve ser assumida uma articulação sem complexos com a privada. O grande ataque ao SNS está a ser apresentado na figura do Estado “pagante” e que não tem que ser “prestador” o que, a prazo, representaria o seu enfraquecimento e ,por último, a sua morte.

Nada que não se passe na Segurança Social onde as ambições são as mesmas, a privatização e consequente risco de os pensionistas acordarem um dia sem as suas reformas, nada que não tenha acontecido nesta crise nos USA. Com a saúde passa-se o mesmo, num país pobre e com tanta gente a viver mal, o SNS é um serviço de excelência no nivelamento das injustiças sociais.

Defende uma escola autónoma, entregue aos professores e alunos e a possibilidade de escolha.

É um Liberal com preocupações sociais, acredita no mérito e na sociedade civil, livres de um Estado que está em tudo, abafando a iniciativa dos cidadãos.

O sistema de ensino português é…

… uma espécie de jogo em que, durante 9 meses, professores e alunos vão desempenhando o seu papel e, no final, os alunos passam todos.

Esmifrando em directo na SIC…

Não sei se conhecem o verbo “esmifrar”. Esmifrar é “sacar” indecentemente, ou melhor, “aliviar” o parolo, ou ainda vender o Elevador da Glória.

Os Gatos estão a esmifrar os políticos, agarrando-os pelas barracas, obrigando-os a sorrirem e a dar umas gargalhadas com assuntos que só os irritam, mas tudo num contexto em que não podem irritar-se e em que têm que prestar-se ao papel distribuído, e desta feita quem distribui são os Gatos que aqui se tornam mais que ” mal cheirosos”.

A Clara de Sousa roubou-me o lugar no parqueamento, acha que a pode afastar ? Nem por sombras isso é uma boa oportunidade para a conhecer, fale com ela pode ser que a convença. Ora isto, é esmifrar, indecentemente, porque a resposta normal, seria : é pá, isso é uma bela oportunidade, é capaz de lhe dizer para me telefonar?

Aquilo de dizer, assim tão rapidamente, que a empresa fornecedora do “Magalhães” teve uns problemas com as Finanças é um “esmifranço” ( ao contribuinte) porque nos está a meter a mão no bolso, o que é “esmifrar” quem não se pode defender nem sequer estamos no lugar da Clara de Sousa. Enfim, valia de pouco mas sempre podíamos “esmifrá-la”.

Amanhã vão “esmifrar” a Manuela de Aljubarrota com os espanhóis ao barulho o que pode vir a ser um “esmifranço” do catano, não vá o Ricardo dizer ” fuck them” convencido que isto é uma forma de “esmifrar” os cubanos do contenente…

O negócio dos Livros escolares II

O Luís lançou o desafio e eu não podia deixar de vir esclarecer como tudo se processa.
De acordo com as regras e calendário definido pelo ME, cada escola, num determinado ano lectivo desenvolve um processo que leva à adopção de um manual para um bom par de anos. Por exemplo, na última escola onde trabalhei (4 anos) usei sempre os mesmos manuais – e este ano ainda vão continuar pelo 5ºano.
Nesse “momento” da escolha do manual cada grupo de docentes de uma determinada disciplina organiza o trabalho de modo a analisar a oferta existente – normalmente são analisados apenas os manuais que as editoras oferecem para análise. Não conheço casos em que os docentes comprem os manuais das próprias disciplinas.
Depois, com maior ou menor grau de análise o grupo de docentes escolhe um manual para trabalhar.
A partir daí, os pais compram e está feito.
Quanto às questões que o Luís levanta:
– os professores e as escolas não lucram NADA! Rigorosamente NADA com a escolha do manual A ou B da editora x ou y. Quando muito, a editora tem o cuidado de oferecer aos docentes o cd ou o livro de fichas anexo ao manual.
– nas editoras mais “poderosas” temos, cada professor, uma ficha de cliente – acesso grátis aos manuais das nossas disciplinas. Desconto para aquisição de manuais de outras disciplinas.
– brindes (tipo médicos) são completamente inexistentes. Uma agenda (coisa rara) ou uma caneta e pouco mais.

Do lado dos pais e até das escolas, sim, concordo com o Luís, fazia sentido um bola se livros, até porque em boa parte deles não se escreve nada – poderíamos assim ter livros a circular de mão em mão com a poupança que isso poderia trazer.

Em síntese, tenho a certeza absoluta que a escolha dos manuais, é da nossa parte, Professores, completamente livre de interesses. Obviamente, isso não retira nada a uma questão que é real: trata-se de um grande negócio que poderia ser “atalhado” com uma bolsa social (organizada em cada escola) para distribuição de livros em 2ª mão.

Cartazes das Autárquicas (Monforte)

monforte-PSD
Jorge Capitão, PSD.
monforte-PS
Miguel Rasquinho, PS.

O que se lê…

Depois de ver alguns destes últimos debates, acho que sei quais os livros que andam a ler os candidatos a primeiro-ministro…

Mesinha de cabeceira de José Sócrates:

js

Mesinha de cabeceira (fabrico nacional) de Manuela Ferreira Leite:

Manuela Ferreira Leite

O negócio dos Livros escolas II

O Luís

Comentário a comentários sobre «Falando de democracia»

Desde o primeiro texto desta série que tenho vindo a pôr em causa o conceito de democracia que enforma o regime político em vigor em Portugal e noutros estados. Nesse primeiro texto («Enquanto não somos deuses»), socorria-me de Jean-Jacques Rousseau e depois fui pedindo outras ajudas. Seria ocioso repetir aqui toda a argumentação que fui expendendo ao longo de trinta textos (série de que, aliás, o próximo será o último), pois ninguém que tenha lido algumas dessas crónicas alimentará dúvidas quanto ao que penso sobre o tema. O que, obviamente, não signifique que concorde. E por que raio, haviam todos de concordar comigo? Esperar essa unanimidade de opiniões seria estulto da minha parte Porém, nem que seja eu o único a concordar com o que escrevo, tenho o direito de o expressar. O que não me coíbo de fazer, embora saiba que o que aqui escrevo não tem qualquer influência no regular funcionamento das «instituições democráticas». Era o que mais faltava.
Vem este intróito a propósito dos comentários que João Cruz tem vindo a fazer a «Rotativismo e “alternância democrática”», ontem publicado. Nesses comentários acusa-me de diversas felonias, a saber:
a) – acho que milhões de portugueses são manipuláveis débeis mentais o que
b) – no mínimo é paternalista e no máximo fantasioso;
c) – que o meu paternalismo é semelhante ao que anima as vanguardas revolucionárias.
Penso que nestes três pontos se sintetiza o ponto de partida para a argumentação com que João Cruz teve a amabilidade de contemplar um texto que apenas pretende chamar a atenção para um aspecto histórico e particular de um conceito de democracia com o qual, na plena posse dos meus direitos de cidadania, tenho vindo a manifestar o meu desacordo. Direitos que (vá lá!) João Cruz me concede porque, diz ele «A ICAR – Igreja Católica Apostólica Romana? – orienta para seu lado, outras vanguardas detentoras de outras verdades orientam para outro. Enfim, as democracias plurais como a nossa também têm a virtude de cada um poder puxar a brasa à sua sardinha». Não sabia que existiam democracias «não-plurais», mas adiante, o autor destes comentários concede magnanimamente a cada um o direito à sua utopia, que é como quem diz à sua loucura.
Num comentário a um post de Adão Cruz, em que este nosso amigo aprofunda a explicação que eu tentei dar nas respostas a João Cruz, fazendo-o da maneira clara e directa que lhe é peculiar, o João comenta – «Valha-nos os blogs de gente culta e esclarecida para abrir os olhos ao povo apoiante!». Nunca tinham, que eu saiba, chamado ao Aventar um «blog de gente culta e esclarecida». Registe-se o elogio.
Fique também registado que nunca me animou a intenção de fazer proselitismo, de esclarecer, de iluminar ou de ensinar seja quem for. Nem estou a querer criar um novo partido, nem uma nova vanguarda, nem uma nova igreja. Escrevo para mim próprio e para quem, eventualmente, esteja de acordo com alguma coisa do que digo. E também para os que não estão de acordo. A única pessoa que procuro esclarecer, é a mim mesmo. E já tenho tarefa que baste.
A minha argumentação foi sendo feita nos textos que compõem a série. Não vou repeti-la só porque um leitor da sua trigésima parte não a aceita. Nem lhe recomendo que a leia, não porque não a compreendesse, mas porque não a quereria compreender (direito que lhe assiste). Sem paternalismos, sem querer iluminá-lo ou conduzi-lo seja onde for, recomendo-lhe apenas que leia com atenção os seus comentários. Talvez neles descubra alguma daquela arrogância e pesporrência de quem chega a uma aldeia e pretende impor justiça a torto e a direito, de pôr as coisas no seu devido lugar. E, sobretudo, esclarecer os pobres aldeãos que sem a sua vinda continuariam na escuridão. Embora seja uma aldeia de gente culta e esclarecida.
Em suma, o João Cruz tem todo o direito a dar sua opinião e estou-lhe grato por ma ter dado. Não tem é o direito de ironizar, ou de colocar suspeições, sobre o direito que os outros têm às suas próprias opiniões (ou utopias, se quiser).
E sobre este tema, tenho dito.

Não estejas triste, José !

jose_socrates-c400Vais ver que a vida é boa, há praias, gente, livrarias, discotecas, restaurantes e tempo para discutir as coisas sérias e importantes da nação. Não é preciso ter sempre razão, nem fazer de cada batalha, a última. A companhia dos filhos é uma benção e namorar é melhor que uma maratona.

Não acredites nos que te segredam que é preciso todos os dias apresentar uma esmola para os pensionistas ou dares um subsídio a quem tem filhos, todos se lembrarão sempre que o que destes ao Jorge Coelho nos contentores de Alcântara, sem concurso, representa muito mais do que todos esses subsídios. E, aqui para nós, é fácil governar assim, dar subsídios a um, ajustes directos a outro, um emprego milionário aquele outro, colocar o Lopes da Mota no Eurojust ou a tua madrinha de casamento, a pior presidente de câmara alguma vez parida pelo PS, em Bruxelas.

Dificil seria criar riqueza, ajudar os empreendedores a avançarem com os projectos, produzir bens e serviços exportáveis, substituir importações, melhorar a Justiça, o SNS, a Educação. Agora, dar subsídios eu próprio dou muito melhor que tu, não tenho que agradar a camaradas , não dependo dos carreiristas dos partidos, não quero renovar mandato nenhum. Estás a ver, à partida os meus subsídios eram mais justos que os teus, por isso, não fiques chateado, bem vistas as coisas há muito que não consegues ter uma só ideia para este país.

Dizes tu que o caminho seguido até aqui é para continuar! Ouviste-te bem, José? Este é o caminho dos que te abandonaram nas Europeias, dos que fugiram e já não voltam, dos que querem que descanses. Sabes, isto, mesmo para uma equipa de gente muito boa, é muito dificil, quanto mais para meia dúzia de homens de meia idade que nunca trabalharam, não têm mundo e nunca deitaram mãos a um projecto e tivessem criado um só posto de trabalho. Um só!

Estamos mais pobres mas a vida continua, incluindo para ti, José! Antes de ti houve muitos que julgavam que eram o “tal” !

PS culturalmente igual a 0,4%

É quanto vale para o PS a Cultura. No Orçamento do presente ano vale 0.4% do PIB e em 2008 valia 1%. Felizmente que já não vai poder decidir sozinho se não íamos ficar sem Cultura no Orçamento, grande medida para baixar a despesa do Estado.

É por isso que os nossos monumentos, Património Mundial, estão tão mal tratados, que os nossos teatros, como diz a Carla, são entregues a espectaculos mil vezes vistos, que não há apoio a jovens artistas .

Mas só para consultores estão lá inscritos 400 milhões, não vá faltar consultorias a dizer o que é preciso para convencer o pagode. Isto é de uma pobreza que mata, isto só pode vir de alguem que não lê um livro e que não vai a um museu, como é que se esquecem os nossos monumentos magnificos, velhos de séculos, é assim tão dificil perceber que podemos ter um turismo fluorescente só à volta do nosso património histórico? Que poderia pagar a manutenção e as melhorias nesta área em que somos tão ricos?

Por essa Europa fora, nas visitas ao património, tudo é de um profissionalismo que só pode emergir do grande amor que se tem pela Cultura do país, há uma política cultural que está bem presente nas organizações das visitas e dos espectaculos. Aqui a Cultura não só desapareceu do orçamento como o próprio ministro anda há muito desaparecido .

Agora temos uma política assaz curiosa. As empresas de construção civil são obrigadas a contribuir para a reabilitação do património. Como fazem? O custo fica logo no preço pago nas adjudicações ?

CAMPANHA COMEÇA CHEIA DE ATAQUES E CONTRA ATAQUES



ORA AGORA ATACO EU, ORA AGORA ATACAS TU, ORA VAI ELE DEFENDER-SE

campanha eleitoralA campanha começou.
Multiplicam-se os jantares, os comícios, as palestras, os discursos e as palavras.
Ninguém quer ficar atrás de ninguém nos ataques, nas criticas e nas boas defesas.
Cada um, pensa que é o melhor da sua rua e que as suas soluções são as melhores para Portugal.
O que mais facilidade tem em falar, fala pelos cotovelos e vem dizer que a sra que falou do CAV fez um ataque anti-democrático.
A sra, entretanto tinha dito que considerava a preocupação do ministro espanhol, normal, já que ela suspenderia o CAV, caso formasse governo.
Por causa das esquerdas, o líder comunista diz que o ainda nosso Primeiro não é tal coisa.
O líder dos deputados sentados mais à direita no Parlamento compara por sua vez, o líder dos que se sentam mais à esquerda, com Salazar, e ataca-o por causa dos impostos.
Este, o sr da esquerda das esquerdas, diz que as pessoas que votarem no ainda partido do governo, irão acordar no dia seguinte com uma valente ressaca, e acha-se tão importante, que diz também que a sua campanha é tão boa que já incomodou um País amigo de Portugal, Angola. Para além disso, neste partido, a menina Joana, não exclui ninguém de uma maioria de esquerda.
E isto é só no primeiro dia, e só nos cinco partidos com assento Parlamentar. E não disse nem metade do que se foi dizendo.
Pensem que ainda vamos ter duas semans inteirinhas destas coisas.
Será que há pachorra para tanto?
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O socialismo hoje. Uma social-democracia

O socialismo (1) hoje. Uma social-democracia

É-me quase impossível começar um pequeno comentário sobre o sistema socialista de gerir os bens sem começar por uma definição. A definição é a citação do meu mais recente livro acabado a 19 de Setembro: A religião é o ópio do povo (2), escrito especialmente para o IV Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia (APA), fundada por mim e outros em Abril de 1989.
O socialismo de hoje é bem diferente do analisado no livro citado. O socialismo de ontem era de várias espécies. Tinha nascido com a Revolução Francesa, a queda da Monarquia Absoluta como forma de Governo com um sistema de propriedade em que todo pertencia à coroa reinante, que a entregava ou aos seus familiares, seus parentes mais chegados, ou a agricultores que sabiam lavrar a terra e criar animais, sempre a pagar com grande parte do produto a quem lhes cedesse esses meios de produção. Por outras palavras, nem gestão socialista dos bens existia até ao dia em que o Conde Henry de Saint-Simon começara a partilhar os lucros das suas indústrias, com os seus operários. Era o denominado socialismo utópico (3).
O socialismo utópico influenciou uma série de intelectuais, especialmente académicos e pessoas de fé. Entre eles, o pai de Karl Marx, Hirschel Marx, advogado hebraico, antes da sua conversação ao cristianismo por conveniência, baptizado na Igreja à qual servia, em conjunto com os seus dois filhos, Karl Heirich de 6 anos e Sophie de 10, e sua irmã mais velha, em 1824. O pai e o filho eram membros de um clube de leitores, ao qual assistia também o professor Ludwig Gall, que tinha estudado Saint-Simon e debateu as suas ideias com o pai e o fliho. Aos 15 anos, Marx, além de cristão, era um Saintsimoniano político. O socialismo de Saint-Simon prosperou e Marx e os seus amigos, especialmente o irmão da sua namorada, a Baronesa Johanna von Westphalen, Edgard, passaram a ser socialistas utópicos.
Ao longo dos seus estudos universitário em Bona e Berlim, Marx não ficou nada satisfeito com o denominado socialismo utópico e começou com o seu amigo Friedrich Engels e a sua mulher a entender que a economia era a ciência que governava o mundo. Calada e silenciosa, a Baronesa, já nesses tempos Jenny Marx ouvia os debates dos amigos, juntava os papéis nos quais eles gatafunhavam ideias sobre a propriedade, os salários, o operariado, a propriedade dos meios de produção, conceitos criados por eles e, sem dizer nada, bem criada e educada como era essa aristocrata mulher, em Janeiro de 1848, redigiu só o denominado nesse tempo O Manifesto do Parido Comunista, publicado pela primeira vez em 21 de Fevereiro de 1848 a pedido da Liga dos Comunistas de Marseille que começa logo com esta frase: Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo.
Todas as potências da velha Europa unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo: o papa e o czar, Metternich (4) e Guizot (5) , os radicais da França e os policiais da Alemanha. Que partido de oposição não foi acusado de comunista pelos seus adversários no poder? Que partido de oposição, por sua vez, não lançou aos seus adversários de direita ou de esquerda a pecha infamante de comunista? O documento que revolucionara ao mundo, de apenas 21 páginas, é um ataque contra a burguesia que explorava ao povo (6)
Duas conclusões decorrem desses factos:
1a. O comunismo já é reconhecido como força por todas as potências da Europa;
2.a. É tempo de os comunistas exporem, à face ao mundo inteiro, seu modo de ver, os seus fins e as suas tendências, opondo um manifesto do próprio partido à lenda do espectro do comunismo”.
Este era o socialismo do Século XIX. O de Saint – Simon foi uma base apenas, como as ideias do britânico George Owen e outros, todo analisado no meu livro já publicado.
O texto parte de uma ideia que Jeny Marx bem conhecia: de uma análise histórica, distinguindo as várias formas de opressão social durante os séculos, e situando a burguesia moderna como nova classe opressora. Não deixa, porém, de o citar seu grande papel revolucionário, tendo destruído o poder monárquico e religioso, valorizando a liberdade económica extremamente competitiva e um aspecto monetário frio em detrimento das relações pessoais e sociais, assim tratando o operário como uma simples peça de trabalho (7).
Eis porque o socialismo de hoje não pode ser como os de os Marx e Engels. A análise é contra a propriedade privada e as relações abusivas da burguesia contra o povo explorado. É bem certo que o socialismo em Portugal nasceu como um movimento socialista marxista, mas no decorrer do tempo, o materialismo histórico tem desaparecido por causa do capitalismo, como Marx tinha previsto nos seus textos, foi em frente e ultrapassou as ideias da Revolução Francesa e os princípios do Direitos do homem redigidos por Jefferson durante a Independência do hoje Estados Unidos, enquanto que os princípios dos Direitos do Homem e do Cidadão, do Abade Sieyès, retirados do texto de Jefferson, foram ultrapassados também pela ascensão da burguesia para o grupo explorador.
Apenas fica a ideia de Afirmam sobre o proletariado: “Sua luta contra a burguesia começa com sua própria existência”. O operariado, tomando consciência de sua situação, tende a organizar-se e a lutar contra a opressão, e ao tomar conhecimento do contexto social e histórico onde está inserido, especifica o seu objectivo de luta. A sua organização é ainda maior, pois toma um carácter transnacional, já que a subjugação ao capital despojou-o de qualquer nacionalismo. Outro ponto que legitima a justiça na vitória do proletariado seria a de que este, após vencida a luta de classes, não poderia legitimar o seu poder sob forma de opressão, pois defende exactamente o interesse da grande maioria: a abolição da propriedade. (“Os proletários nada têm de seu para salvaguardar”).
Este sonho dos Marx e Engels, analisados por mim no livro que estou a editar «Capítulo 4: As pretensões da família Marx», parece ficar sintetizada nesta frase: no quarto capítulo fecha com as principais ideias do Manifesto, com destaque na questão da propriedade privada e motivando a união entre os operários. Acentua a união transnacional, em detrimento do nacionalismo esbanjado pelas nações, como manifestado na célebre frase: “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”
O socialismo português, estudado no meu livro «Para sempre tricinso. Allende e Eu Tinta da China», no prelo, tem argumentos suficientes para definir que o PS foi criado no estrangeiro e que entre os seus princípios estava o materialismo histórico não apenas como forma de análises, mas como princípio. O XIII Congresso do PS de 2007, diz: 1. Partido Socialista é a organização política dos cidadãos portugueses e dos outros cidadãos residentes em Portugal que defendem inequivocamente a democracia e procuram no socialismo democrático a solução dos problemas nacionais e a resposta às exigências sociopolíticas do mundo contemporâneo.
O Partido Socialista considera-se herdeiro e representante do grande movimento social e político que, a partir dos meados do século XIX, conduziu a luta por sociedades mais justas e solidárias. Essa luta, desenvolvida na frente ideológica, sindical e política, foi determinante para a fundação e a consolidação das democracias contemporâneas e para a consagração e a efectivação dos direitos sociais.
Em Portugal, o pensamento e a acção socialista também remontam à segunda metade do século XIX. O ideal do socialismo democrático passou, desde então, por várias crises, mas nunca deixou de estar presente na sociedade portuguesa. A raiz do PS está indissoluvelmente ligada a esta matriz original.
Na sua forma actual de partido, o PS foi fundado em 1973, através da transformação da Acção Socialista Portuguesa, que havia sido criada em 1964. Nas
ce
u e cresceu na luta contra o fascismo e pela instauração da democracia. A sua história identifica-se com a resistência à ditadura e a construção de uma democracia pluralista e socialmente avançada. Para o PS, a liberdade foi sempre o elemento essencial do combate por uma sociedade mais solidária, justa e fraterna, mais igualitária e coesa; e o pluralismo das ideias e das opiniões foi sempre a marca característica, não só do seu funcionamento e da sua acção como partido, como também do projecto que concebe para a organização política e social de Portugal e da União Europeia
. (8)
A Acção Socialista Portuguesa foi fundada em Genebra por Mário Soares, Manuel Tito de Morais e Francisco Ramos da Costa, em Novembro de 1964. Representando um novo esforço de estruturação do movimento socialista, o certo é que não logrou estabelecer as bases de implantação a que aspirava, conciliando dificilmente os instrumentos de luta na clandestinidade com as poucas possibilidades de intervenção legal permitidas pelo regime salazarista.
A ASP iniciou a publicação do Portugal Socialista em Maio de 1967, estabelecendo também numerosos contactos com partidos e organizações internacionais, sendo formalmente admitida na Internacional Socialista em 1972.
Foi o embrião do futuro Partido Socialista (9).
O Partido Socialista na Europa sempre fugiu da análise materialista. Orientou os seus militantes contra a ditadura, o colonialismo e em prol do sindicalismo democrata. O Partido Socialista português teve uma excisão, até ao ponto de se organizar em 1964 o Movimento Marxista-Leninista Português.
Marx nunca passou por Portugal, apesar de que a seguir ao 25 de Abril, bem como antes, todos os partidos de esquerda estavam unidos para derrubar a ditadura. O marxismo passou pela mão de Álvaro Cunhal e de Rui D’Espinay (10).
Portugal e Espanha exploravam colónias, e operários de países altamente rurais. Em relação ao Chile, a tentativa de materialismo histórico democrata, já sabemos a história. Allende declarou o PS Chileno como materialista histórico, mas nunca leninista: eram outras sociedades e outros tempos. O Leninismo faleceu com Lenine e ficou apagado. O materialismo histórico tem sido a luta dialéctica para se libertar da opressão burguesa.
Fica, o resto da história, para os meus livros e outros textos deste bloge. Apenas comentar que o PS de hoje não anda de mãos dadas, mas também não se trata mal com o PSD.

(1) Socialismo refere-se a qualquer uma das várias teorias de organização económica advogando a propriedade pública ou colectiva e administração dos meios de produção e distribuição de bens e de uma sociedade caracterizada pela igualdade de oportunidades/meios para todos os indivíduos com um método mais igualitário de compensação. O Socialismo moderno surgiu no final do século XVIII tendo origem na classe intelectual e nos movimentos políticos da classe trabalhadora que criticavam os efeitos da industrialização e da sociedade sobre a propriedade privada. Karl Marx afirmava que o socialismo seria alcançado através da luta de classes e de uma revolução do proletariado, tornando-se a fase de transição do capitalismo para o comunismo. A ideia é minha, retirada do livro que escrevo: Marx, um devoto luterano, com as palavras do texto que escrevo e de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Socialismo
(2) Iturra, Raúl, Setembro de 2009: A religião é o ópio do povo Pode-se ler em: https://repositorio.iscte.pt/handle/10071/1522
(3) Claude-Henri de Rouvroy, Conde de Saint-Simon, (Paris, 17 de Outubro de 1760 — Paris, 19 de Maio de 1825), foi um filósofo e economista francês, um dos fundadores do socialismo moderno e teórico do socialismo utópico. Para este autor, Saint-Simon, o avanço da ciência determinava a mudança político-social, além da moral e da religião. É considerado o precursor do Socialismo, pois, no futuro, a sociedade seria basicamente formada por cientistas e industriais. O pensamento Saint-simoniano pode ser visto nas obras de 1807 a 1821, com o lema: “a cada um segundo sua capacidade, a cada capacidade segundo seu trabalho”. Em um dos seus primeiros livros, Lettres d’un habitant de Genève à ses contemporains, publicado em 1803, ele propõe que os cientistas tomem o lugar dos padres para conduzir a era Moderna. A violência da guerra napoleónica leva-o a se abrigar no Cristianismo, e de uma base Cristã construir as bases para uma sociedade socialista. Previu a industrialização da Europa e sugere uma união entre as nações para acabar com as guerras.
Quando Saint-Simon falou sobre a nova sociedade, imaginou uma imensa fábrica, na qual substituiria a exploração do homem pelo homem para uma administração colectiva. Assim, a propriedade privada não caberia mais nesse novo sistema industrial. Vale notar que existiria uma pequena desigualdade e a sociedade seria perfeita depois de reformar o Cristianismo. Ainda disse que o homem não é apenas algo passivo na História, pois sempre procura alterar o meio social no qual esta inserido. Essas alterações são importantes para que a sociedade seja desmembrada, quando esta sociedade funciona dentro das normas que a ela correspondam, pois não é possível colocar uma regra de uma sociedade em outra.

(4) Klemens Wenzel Lothar Nepomuk von Metternich, príncipe de Metternich-Winneburg-Beilstein, (Coblença, 15 de maio de 1773 — Viena, 11 de junho de 1859) foi um diplomata e estadista do Império Austríaco.
Após a queda de Napoleão, apoiou vigorosamente a restauração da dinastia dos Bourbon em França, e foi um dos mais distintos apoiantes da reconquista absolutista em Portugal, por D. Miguel, opondo-se vivamente ao governo liberalista, após o retorno deste ao poder português. Presidiu o Congresso de Viena, tendo influenciado profundamente as decisões tomadas neste.

(5) François Pierre Guillaume Guizot (n. 4 de Outubro de 1787, Nîmes – f. 12 de Setembro de 1874 ) foi um político francês. Ocupou o cargo de primeiro-ministro da França, entre 19 de Setembro de 1847 a 23 de Fevereiro de 1848. Se Guizot é referido no Manifesto, deve-se a coincidência de datas entre a redacção do Manifesto e a chefia da burguesia pelo Primeiro-ministro da França, que era Guizot.

(6) Pode-se ler em: http://ateus.net/ebooks/geral/marx_manifesto_comunista.pdf

(7) Retirado do meu livro antes citado, que pode ser lido com esta ligação na ligação da nota 2 deste texto.

(8) Texto completo em: http://www.ps.pt/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=30&Itemid=39

(9) História completa em: http://www.ps.pt/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=29&Itemid=38

(10) História completa em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&rlz=1W1ADBR_en&q=ac%C3%A7%C3%A3o+socialista+portuguesa+marxismo&btnG=Pesquisar&meta= Como na Espanha, eram países que tinham outros problemas longínquos da luta da Primeira Internacional presidida por Marx, e dos problemas da América Latina.

POEMAS DO SER E NÃO SER

Tu vens
eu acredito que vens
neste céu de cabelos soltos
e seios ao vento
nesta fome de corpo e pensamento.
Tu vens
eu sei que vens
é hora de vires
nesta vespertina voragem de felicidade
neste céu da cor da angústia.
Tu vens
construir a Primavera
em teu vestido branco de espuma
dominar meu indómito cabelo
com jogos simples dos teus dedos.
Eu quero acreditar que tu vens
pegar docemente nas minhas mãos cegas
e delas fazer uma flor de acácia
com que amacias os lábios
e abres o cofre dos teus seios de fogo.
Tu vens
eu sei
por isso sou feliz no meu silêncio.

                             (adão cruz)

(adão cruz)

Afinal, quem é que manda?

Eu acho que se percebe muito bem quem é que tem as rédeas na mão.

Eu até acho, que se calhar, mais vale começar é a votar para os Conselhos de Administração da Nestlé, Monsanto, PetroChina, Exxon Mobil,  General Motors, EDP, Sonae, Brisa, Portugal Telecom, Galp, etc, etc, etc…

O negócio dos livros escolares

Sem 200,00 euros não se compram os livros necessários para o filhote poder estudar. Se tiver mais que um começa a ser um drama para a maioria das famílias. A “bolsa do livro” era uma ideia estupenda para ajudar estas famílas, mas parece que se mudam todos os anos para que o negócio não acabe.

Esta conversa de que estão todos muito preocupados com as famílias cai à primeira análise. E que a “escola obrigatória” é uma medida de grande alcance, e é, assim se completasse com uma política tão simples de implementar, como seja reunir as condições para que os livros não pesem nas bolsas dos mais pobres.

No meio de tantas medidas de apoio, diárias, nunca se discutiu esta tão importante. E que o livro perdure por “n” anos escolares por forma a servir a mais que um aluno e que possa ser gratuíto.

Nada! O negócio é mais importante o que envolve muita gente interessada. Desde os livros escolhidos e quem os escolhe, a quem os edita, a quem os distribui e vende.

É, no mínimo, estranho que ninguem, ligado ao meio escolar não se indigne com esta situação .

Algum professor poderá explicar este negócio anual de milhões ?

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No site da IFFHS!

Arte, beijos e propaganda

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Suposta obra de arte, propaganda reaccionária, uma droga, uma coisa, são alguns dos epítetos com que é mimoseada  esta pintura, exposta na capital colombiana por ocasião da IV Temporada de Artes de Bogotá.

Não consegui localizar o nome do autor, mas o trabalho tem a sua graça: intitulado “¿Por qué no te callas?, numa legenda em círilico, transcreve o célebre beijo entre os ditadores Leonid Brezhnev e Erich Honecker, dado em 1979 num acto público na Alemanha então dita democrática, para os democraticamente eleitos presidentes do Equador e da Venezuela. Em fundo identifico outros dirigentes das emergentes correntes da esquerda bolivariana.

Brezhnev-Honecker

Vamos por partes: sem querer aprofundar o assunto, arte e propaganda, ou arte e ideologia, são irmãs gémeas e siamesas. Vivemos com isso há milhares de anos, e ainda bem. Único critério aceitável para tal: a liberdade de expressão.

Enquanto continuarem a representar os seus povos sendo por eles democraticamente eleitos tenho a maior das considerações pelos presidentes ora retratados, muito mais por Rafael Correa que pelo militar Chavez, é claro, um tudo nada populistas de mais para o meu gosto, é certo, e não os coloco no mesmo saco dos criminosos que realmente se oscularam numa das piores ditaduras do séc. XX.

Já nas críticas  ao quadro encontro homofobia e machismo serôdio q. b., e patetice em abundância. Quem escreve isto:

Por exemplo: uma coisa que diz chamar-se «Fundação Coração Verde» acaba de organizar uma coisa a que chamou «IV Temporada de Arte de Bogotá» e que consta de uma coisa a que chamam «exposição de artes plásticas».

devia ter feito o trabalho de casa, e lido isto:

La cultura China, como invitada especial al evento inaugural de la IV Temporada de Arte de Bogotá, FORMARTE 2009, gracias a la gestión de la Embajada de la República Popular China, se presentará en todo su esplendor, con milenarias expresiones artísticas de oriente, interpretadas por el “Folk Music Group of Tiajin Song & Dance Theatre, las cuales transportarán a los asistentes a los diversos escenarios chinos.

Exacto Fernando Samuel, a coisa inclui os seus queridos camaradas chineses. Não quer ir dar-lhes um beijo na boca?

Carolina Patrocínio votou PS com 17 anos?

Esta jovem, de boquinha fechadinha até tem alguma piada, mas com o ar a circular pelas cordas vocais, perde o encanto. Além disso tem demasiado ar a circular junto ao neurónio.
E desta vez a questão surge no Arrastão.

cpjs

Vejamos.
A menina nasceu a 27 de Maio 1987. Fazendo uma conta simples, podemos ver que em 1997 fez 10 anos. Continuando… 11 em 98, 12 em 99… 18 em 2005. Ok. Parece tudo certo…
Um detalhe: a querida fez anos em Maio e as eleições foram a 20 de Fevereiro.

Pergunta-se:
“Desde que idade vota? Votou sempre no Partido Socialista?”
Responde:
“Desde os dezoito anos, ou seja, desde 2005. Para as legislativas votei sempre PS.”
A conclusão é sempre a mesma: basta saber fazer contas!

O País dos Doutores:

Hoje dei de caras com um cartaz da CDU na minha freguesia cujo nome da candidata surgia da seguinte forma: “Dr.ª. fulana de tal”. Olhei segunda e terceira vez e imediatamente pensei: “está dado o mote para a minha próxima posta no Aventar”.

O meu Pai, farmacêutico de formação e profissão, tinha por hábito advertir algumas pessoas que o interpelavam por “Senhor Doutor” do facto de não ser esse o seu nome de baptismo. Logo de seguida, ironicamente, explicava o processo de baptismo, etc e tal. Foi com ele que aprendi a não gostar dessa “cagança” tão portuguesa. Mais tarde, quando a idade começou a avançar, comecei a ser tratado em determinados locais pelo mesmo “Senhor Doutor” e lá começava eu a explicar que não era, que não tinha ainda acabado o curso e mesmo que o tivesse, etc e tal. Ao ponto de ter deixado de ser cliente de um determinado restaurante da Maia por causa disso – o fulano, dono do dito, começou a tratar-me por doutor, após lhe dizer que não o era, passei a ser engenheiro e a seguir, arquitecto! Após terminar a licenciatura, começou novamente o massacre. Numa primeira fase expliquei que “Doutor” era o meu médico, depois anunciei que não passava receitas e, por fim, desisti tendo como resultado começar a ficar farto.

Neste país de “doutores” e muito respeitinho, a maralha péla-se por ser tratada pelo “Dr.” e nem vos digo a quantidade de vezes que recebo mails, sobretudo de trabalho, cuja assinatura surge como “fulano de tal, Dr.”, assim mesmo, sem tirar nem pôr, pondo a nu os complexos de inferioridade que habitam no mais estranho dos seres. Mais engraçado e cómico é verificar o deleite de certos não licenciados quando tratados por “Dr.”. Não desmentem a coisa, antes pelo contrário, mesmo quando na presença de conhecedores de tal lapso. Recentemente, numa reunião, assisti a uma cena do género. O sujeito da referência impávido e sereno, até engrossou um pouco a voz adaptando-a ao que julga ser o timbre mais correcto para a qualidade em causa. Após a dita, em pleno elevador, o autor do lapso virou-se para mim, afirmando: “eu sei que o tipo não é doutor mas foi pelo prazer de o ver todo emproado e pelo gozo do caricato da situação”. Nem pestanejei tal a surpresa.

Neste país da “cagança com toda a pujança” já espero tudo mas confesso a minha surpresa ao ver num cartaz da CDU, do partido auto-intitulado “do Povo”, a referência ao título académico. O que diria o saudoso “Zé Barbeiro”, o verdadeiro comunista da Areosa, ao ver uma camarada sua tão preocupada em passar receitas…

NÃO CONHEÇO O AUTOR

Há um primeiro-ministro que mente,
Mente de corpo e alma, completa/mente.
E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele, mente sincera/mente,
Mas que mente, sobretudo, impune/mente…
Indecente/mente.
E mente tão nacional/mente,
Que acha que mentindo história afora,
Nos vai enganar eterna/mente.

Cinema Gay em Lisboa

O 13º Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa, que decorre de 18 a 26 de Setembro no Cinema São Jorge, tem 96 filmes programados e abre com a exibição de “morrer como um homem”, de João pedro Rodeigues, presente em Cannes, na edição deste ano.

O Blogue 69…

Depois de termos conseguido atingir o Top 100 dos blogues nacionais e de sermos, actualmente, o 69º blogue nacional em visitas diárias (um número que nos deve servir de reflexão), já somos o 20º blogue nacional entre os blogues “mais” políticos. Tudo em menos de um ano.

É obra!

Obrigado aos leitores do Aventar.