Manifesto pelo fim da Divisão na Carreira Docente

Car@ leitor@,
o povo Português votou e deixou uma mensagem muito claro: a divisão na carreira docente tem que terminar.

Nos Programas que cada um dos partidos apresentou às eleições podemos ler:

BE: “O Bloco de Esquerda compromete-se na defesa:da estabilidade profissional e contra a precarização; do fim da fractura entre professores de primeira e de segunda;”

CDS-PP: “O CDS entende que se deve caminhar para uma carreira docente em que se considere o trabalho desenvolvido ao longo de toda a carreira, que se desenvolva em estrutura única, mas que permita, por opção do professor, um percurso diferenciado em função de responsabilidades de direcção e de natureza administrativa, tendo em conta a necessária formação especializada para o exercício das mesmas.”

CDU: “Presente na luta pela defesa da dignificação da carreira docente, o PCP defende a revogação do Estatuto da Carreira Docente, tendo como prioridades: a revisão da estrutura da carreira docente eliminando a sua divisão em categorias.”

PS: “Acompanhar e avaliar a aplicação do Estatuto da Carreira Docente.”

PSD: “Reveremos o Estatuto da Carreira Docente, nomeadamente no respeitante ao regime de progressão na carreira, corrigindo as injustiças do modelo vigente e abolindo a divisão, nos termos actuais, na carreira docente.”

Podemos facilmente perceber que 3241444 Portugueses, que constituem 57,28% dos votantes, escolheram o fim da divisão da carreira docente.

Assim, apelo a todos os docentes que se envolvam de modo a garantir que esta escolha dos Portugueses seja efectivada. Todos e todas podem e devem juntar-se a este movimento que deverá incluir todos os agentes, sejam eles sindicatos, movimentos, bloggers e todos os que pretenderem terminar com a mais aberrante medida da governação educativa de José Sócrates e Maria de Lurdes.

O nosso APELO tem que ser concretizado no programa do novo governo ou em última análise através de uma iniciativa parlamentar, que simbolicamente deverá ser a primeira dos partidos que se vierem a constituir como a oposição ao novo Governo.

ETICA E EDUCAÇÃO – 2ª PARTE (1)

ETICA E EDUCAÇÃO – 2ª PARTE (1)

Considerações sobre Ética e Educação social

Mais uma vez lembro que não sou especialista em Educação. Sou apenas um cidadão que se preocupa, receptivo a todo o tipo de crítica.

Falei atrás das minhas poucas esperanças e muitas angústias pois não acredito muito nas capacidades reflexivas dos povos. Que diferente seria a humanidade se os povos fossem ensinados a reflectir! Que diferente seria a História se os povos tivessem sabido reflectir! O conhecimento reflexivamente aplicado altera a vida no bom sentido, obrigando os indivíduos, as instituições e as organizações políticas, sociais e económicas a reformular os seus conceitos e valores. Isto é extremamente importante no actual processo de globalização.
Se alguma eficácia esperamos das nossas intervenções e das nossas vidas, ela começa a surgir na consciência da indispensabilidade de um movimento de abrangência nacional e internacional que defenda a dignidade das pessoas e a qualidade de vida a que têm direito. A ética da educação social começa, antes de mais nada, pela profunda reflexão sobre as condutas humanas, que leve à criação de um amplo processo educativo capaz de fornecer critérios seguros para a reconstrução do tecido de uma sociedade esfacelada pela miséria, pela violência, pelo belicismo imperialista, pela corrupção, pela injustiça, pela impunidade e pelo individualismo.
Ao invés do pensamento de alguns intérpretes da pós-modernidade, penso que o altruísmo está na base do comportamento social. Só há sociedade humana e solidária na medida em que cada indivíduo consagra uma parte do seu tempo e das suas energias em tarefas de interesse colectivo. Este altruísmo, um tanto biológico na origem, constitui uma predisposição para a construção das bases do altruísmo consciente, racional e moralmente indissociável da vida. As normas éticas são uma necessidade natural das sociedades humanas, embora não haja uma ética única, absoluta e universalmente válida, mas códigos éticos que mudam com os homens e as situações. Se não nos consciencializarmos de que a educação é um direito de todos e não um optativo bem de consumo, volto a dizer, é ridículo pensar-se em qualquer ética, até porque o campo da educação é hoje disputado por muitos e diferentes interesses e contraditórias racionalidades políticas e pedagógicas, decorrentes do profundo enraizamento de muitos dos responsáveis no sistema e com ele comprometidos. (Continua)

                          (manel cruz)

(manel cruz)

A Educação e o novo Governo (A arrogância, meus senhores, acabou: Habituem-se!)

Afastada que está Maria de Lurdes Rodrigues para um recanto da nossa história (repare-se que ainda não foi eleita deputada, já que concorre pelo círculo da Emigração), é hora de começar a pensar no próximo Ministro da Educação e nas decisões que terá de tomar relativamente ao modelo da Avaliação de Desempenho dos professores e ao Estatuto da Carreira Docente.
Dizem por aí que será Isabel Alçada a próxima Ministra da Educação. Ou seja, uma aventura! Seja quem for, no entanto, desta vez não será o «quero, posso e mando» que foi apanágio deste ministério nos últimos 4 anos. Terá de ser revisto o modelo de avaliação (o CDS defende um modelo semelhante ao que existe nas escolas particulares) e terá de ser revisto profundamente o Estatuto da Carreira Docente (o CDS defende o fim da exótica divisão da carreira entre professor e professor titular).
Estes dois pontos são fundamentais para os professores, que deles não abdicarão. E desta vez, não há cá «perdi os professores mas ganhei a opinião pública». Desta vez, não há estado de graça que lhes valha. Não dou uns meses até que o actual modelo de avaliação esteja suspenso. Se o projecto for apresentado, quem será capaz de votar contra?
Querem falar connosco, falam baixinho. Isto agora pia fino. A arrogância, meus senhores, acabou: Habituem-se!
O que será que vai decidir Paulo Portas?

As autárquicas – O Beato

Aqui no Beato existe o Convento do Beato onde se fazem aquelas reuniões de gente que pensa de maneira igual mas que não são um partido. Este convento foi recuperado pela empresa – Nacional das massas e das bolachas – e tem dentro de si uma cripta de uma antiga Igreja, que desabou com o terramoto de 1755, e onde estão sepultados os membros da Família Menezes, uma das mais ricas e poderosas e onde serviu como criado o Luis de Camões.

Há um belo livro do Prof Hermano Saraiva ” A vida ignorada de Luis de Camões” em que esta cripta é central para apoiar a teoria desenvolvida por aquele académico, de que a lírica de Camões (há quem a considere mais importante que os Lusíadas) não é mais que a descrição da sua vida.

Nessa cripta lá está o túmulo do Marquez, e da Marqueza mãe, Violante de seu nome, muito mais nova que o Marquez e que teria sido amante de Camões. Descansa tambem naquele lugar o jovem Marquez Francisco de Menezes um dos jovens nobres que morreu no deserto de África ao lado de D. Sebastião.

Quem lá não se encontra é a filha mais nova Joana, que teria sido varrida da vida activa pela família depois de se ter envolvido com o poeta, o que determinou o desterro deste para o longínquo Macau.

À volta desta fábrica existe um os últimos bairros operários de famílias que durante gerações ali moraram e trabalharam, chamado Madre de Deus, onde mora o Presidente Eanes .Esta cripta foi transformada para dar lugar à primeira fábrica de panificação do país por alvará de D. Maria l.

Fazem parte do Beato , os bairros de Chelas, fundamental para o fogo de artifício, o bairro do Armador, fundamental para as imagens na televisão tipo farwest, a muito antiga e conhecida Picheleira, que é onde eu moro quando se trata de pagar impostos, e as Olaias que consta no meu cartão de visitas.

Nunca houve tantas obras como há um mês para cá. Arranjo de jardins, de ruas, lavagem e rega de árvores. E já apareceram uns tipos no Twister a mandarem uns Olás a querem parecer muito familiares, tu cá tu lá, mas isso acho que é devido à popularidade do Aventar…

O actual presidente é o Hugo Chambre, é do PS e tem 32 anos e está a candidatar-se novamente.

O REGRESSO DE MANUELA MOURA GUEDES?

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ONGOING COMPRA PARTE DA MÉDIA CAPITAL
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Trinta e cinco por cento da Média Capital vão passar a ser pertença da Ongoing.
TVI é pertença da Média Capital.
O marido da sra manda na Ongoing.
A sra foi afastada da TVI no início de Setembro, segundo as más línguas, por causa da pressão do sr Sócrates.
A sra regressa ao jornal de sexta-feira brevemente.
Vamos voltar a ter um programa anti José Sousa?
Bastou o desaparecimento da maioria absoluta do PS para se efectivar a compra.
Que jeitaço fez ao sr Pinto de Sousa este afastamento temporário. Será para pagar alguma coisita depois? Este afastamentozinho terá custos? MMG voltará a ser a mesma?
Esperam-se novos desenvolvimentos.

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O SR PRESIDENTE FALA AMANHÃ

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PRESIDENTE CAVACO SILVA VAI FALAR-NOS
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E vai dizer-nos o quê? Vem falar das escutas?
Sejam elas pretensas ou efectivas, pelo que se sabe, o sr Presidente está um pouco mal nas fotografias deste caso.
Se calhar, nada tem para nos dizer, e assim, pode acabar por atirar declarações sobre o assunto para depois das eleições autárquicas, e depois para mais tarde, e depois para antes do Natal e depois….
De qualquer forma, as explicações que há quem diga, o sr Presidente nos deve, já perderam a actualidade, pois que esvaziaram o balão. As legislativas já foram, o PS já foi ajudado e o PSD prejudicado, dizem os entendidos, e agora já não interessa muito.
De qualquer forma, a montanha que, dizem, é enorme, tem um ratico para parir.

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Manuela Moura Guedes regressa à TVI via OnGoing

Então é assim: no dia seguinte às Eleições Legislativas, e venham agora dizer que é coincidência, a OnGoing, de José Eduardo Moniz, compra ao Grupo Prisa, de Espanha, uma parte significativa da Media Capital, a proprietária da TVI.
Não tarda nada, estará José Eduardo Moniz de novo a mandar na TVI. E Manuela Moura Guedes de novo no ecrã a martirizar o minoritário primeiro-ministro por causa do Freeport.
Há coisas fantásticas, não há?

Cavaco vai falar ao país amanhã

Finamente, parece que Cavaco vai falar ao país acerca do caso das escutas.
Lembro-me daquela vez em que, a meio das férias, também decidiu falar ao país. Será que vai demitir o Governo? Será que tem cancro? O que será que vai dizer? Afonal, tratava-se do transcendente caso das escutas dos Açores.
Em relação à declaração de amanhã, já conhecemos o tema. Mas o que será que vai dizer Cavaco? Peço desde já sugestões aos nossos leitores. Mas cá para mim, há várias hipóteses:
– Vai dizer que desconfia há algum tempo da existência de escutas e que encarregou o seu «staff» de saber mais sobre o assunto. Infelizmente, nunca pensou que chegasse à imprensa e por isso demitiu Fernando Lima.
– Vai dizer que nunca desconfiou de escutas e que tudo, mesmo o mail, é pura invenção da imprensa. Afinal, nunca demitiu Fernando Lima.
– Vai dizer que fez tudo para beneficiar o PSD, porque é o seu Partido. Por isso, renuncia ao cargo.
– Vai dizer que fez tudo para beneficiar o PS, porque, vencendo o PS, torna-se mais fácil a sua reeleição. Por isso, renuncia ao cargo.
– Vai dar os parabéns a José Sócrates pela vitória de ontem.
– Vai dar os parabéns a Paulo Portas pela vitória de ontem.
– Vai escarnecer de José Sócrates por não ter alcançado a maioria absoluta.
– Vai pedir a demissão de Manuela Ferreira Leite.
– Vai anunciar que convidará Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas para formarem Governo.
– Vai suicidar-se em directo, ou, em alternativa, cortará a mão com que escreve, a direita.

UM COMENTÁRIO A TÍTULO DE POST ("PROVOCAÇÃO HONDURENHA)"

Desculpem meus amigos.
Sei tanto como vocês, se descermos ao pormenor. No entanto, tudo isto tresanda ao tradicional golpe fascista mais que redundante na America Latina, terra de senhores e de escravos. Sempre que haja situações, por mais democráticas que possam ser (Allende, Zelaya, Chavez, Morales, Ortega) em que se defendem democraticamente os escravos contra a prepotência dos senhores, tem de haver golpe (sempre que possível), a arma da burguesia dominadora, exploradora, desumana e terrificamente cruel e assassina.
É incrível, como seres pensantes que todos somos no Aventar, acreditemos na “democracia” de um golpe sujo e torpe como esta pinochetada, feito por gajos figadais inimigos de tudo o que é verdadeiramente democrático, carregados de ódio de classe, facínoras de alto cadastro, no intuito de preservar a pureza da “sua” Constituição. Quantas vezes foi a nossa Constituição grosseiramente violada ao virar da esquina, sempre no sentido de diminuir o seu potencial democrático, sem que nenhum reaccionário se lamentasse, antes pelo contrário, regozijando-se!
O que se passou nas Honduras, segundo li, foi uma espécie da fábula do lobo e do cordeiro. O que era preciso era um pretexto. Neste caso um reterendo, inválido para as Honduras e Venezuela mas válido para a Colômbia. Ainda que seja estranho em adultos bem formados, por vezes deixamo-nos enganar como crianças. Ou será que, no fundo, cada um de nós tem a “sua” democracia circunstancial?
Parece que a consulta popular seria feita no mesmo dia em que se deu o golpe de Estado e estava a cargo do Instituto Nacional de Estatística (INE). Não tinha caráter vinculativo, era opcional e colocava aos cidadãos hondurenhos a seguinte questão: “Concorda com a instalação de uma quarta urna nas eleições gerais para decidir sobre a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte?”[1] O Director do INE, Sergio Sánchez, assegurou que o Instituto estava facultado para fazer a consulta e que ela cai dentro das suas atribuições[28], embora tenha sido intimado pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) a explicar a tese da “quarta urna”. Apenas o TSE podia realizar este tipo de consulta.[29][30] O resultado positivo desta consulta daria origem a um projecto de lei a ser apresentado ao Congresso Nacional para a convocação da quarta urna.
Tudo se desenrolaria sem qualquer atropelo à ordem democrática. Pessoalmente não acredito que pudesse ser de outra forma.
Acham que havia razões, fosse qual fosse o país, para prender o supremo magistrado da nação, democraticamente eleito, por um tal crime?
O GOLPE DEU-SE, CAROS AMIGOS, POR MEDO DA DEMOCRACIA E NÃO PORQUE A DEMOCRACIA ESTIVESSE EM PERIGO.
Ou seremos tolos e ingénuos?

Rescaldo

Como sempre acontece nestas coisas da política, todos ganham. É sempre assim. Por isso mesmo, decidi assistir, sem som, ao espectáculo circense das televisões à volta das eleições legislativas. Um pouco à moda antiga, quando nas tascas se via um derby de futebol com o som desligado mas com a rádio aos berros para ser mais emotivo. Como não tenho rádio, assisti a tudo em silêncio. Curiosamente, não ouvindo nada do que os políticos têm para dizer (na realidade nunca dizem nada de novo), consegui “ver” mais do que o normal. Vi rostos fechados, olhares suspeitos e cautelosos, vi tiques e preocupações escondidas e vi pequenos indícios e sinais despercebidos que nunca teria reparado se o som estivesse ligado e estivesse distraído pelos normais gritos de vitória. E consegui ver algumas situações preocupantes. O que eu vi ontem, e em destaque, foi um José Sócrates bastante aborrecido (estava na cara) por “uma extraordinária vitória do PS”. Não era cansaço. Eu vi, era mesmo aborrecimento. O mesmo tipo de aborrecimento quando não se arruma logo o adversário numa partida de xadrez e apesar de ter o jogo ganho, ainda tem de se esperar novo movimento do adversário para definitivamente terminar o jogo. Neste enorme jogo de tabuleiro administrativo a que chama de política, as jogadas podem demorar bastante tempo a serem efectuadas e para quem está (mal) habituado a que tudo seja feito no instante, é um enorme aborrecimento ter de esperar.

Considerações e possíveis consequências.

O mais preocupante de tudo isto é mesmo aquela cara chateada com que Sócrates presenteou o País, apesar da tal “extraordinária vitória”. É um sinal óbvio de quem está a pensar que terá que passar por esta coisa chata das campanhas eleitorais para novas legislativas e provavelmente muito em breve. Mas também sinal da confiança numa nova maioria absoluta. Claramente, nasce aqui uma hegemonia do PS na política nacional. Se isso não era bem notório até hoje, por força do contrapeso PSD, é agora bem visível que se tornou em definitivo como o “partido português” por muitos e bons anos. Aliás, isso nota-se bem, por um lado, na aproximação fanática dos seus apoiantes ao partido e ao líder, como se nota, por outro, no aguerrido e ainda mais fanático ódio por parte dos opositores. Perante esta derrota (teve menos votos), o PS veio clamar uma “extraordinária vitória”. Perante esta derrota (menos pessoas estão de acordo com a forma de governar), o PS veio alertar que as políticas e a forma de fazer política será a mesma. Perante esta derrota (mais pessoas votaram noutros partidos), o PS veio lembrar que a governação futura depende da “oposição responsável”. Eu tiro as minhas ilações: contrariamente ao que se tem dito, o PS continua com as todas cartas e trunfos na mão, e ainda por cima, tem a chave da próxima (breve) maioria absoluta. “Não nos deixam governar” “O País precisa de estabilidade”. Não tenho dúvida nenhuma que estes serão os motes seguintes para pedir uma nova maioria absoluta e não é nada difícil de a conseguir. Notou-se que isso até seria possível já nestas eleições, houvesse um pouco mais de tempo de campanha. Alguns analistas e políticos apontam para que o governo não se aguente muito tempo e, digo eu, não se irá aguentar mesmo, pela simples razão que este cenário político não interessa a ninguém. Ninguém, leiam-se corporações e agentes económicos que querem continuar os seus negócios e não podem, nem gostam de negociar ou ficar à espera de decisões políticas ou ideológicas que podem importar às pessoas na generalidade, mas não importam rigorosamente nada a quem quer continuar a fazer obra e dinheiro… Como representante corporativo na política, ao PS é facílimo abrir um conflito político e “obrigar” os outros partidos a provocarem a queda do governo. Por alguma razão, as “tais” questões fracturantes foram completamente esquecidas da campanha. Serão as próximas armas de arremesso. Quanto mais não fosse, existe ainda o TGV para servir de alavanca e desestabilizar tudo sempre que for necessário. As medidas não-populares de aumentar impostos para combater (novamente) o défice, também estão neste lote. O argumento continuará a ser o mesmo. “Tudo isto é absolutamente necessário para a modernização do País e para o relançamento da Economia“. Já funcionou uma vez, porque não há-de funcionar novamente?. É apenas uma questão de escolher o melhor timing. A meu ver, José Sócrates e o PS têm todo o controlo político na mão e não fará qualquer aliança com mais nenhum partido. Principalmente porque não precisam, e mais importante que todos os argumentos, não querem. Já deu para perceber que “este” PS só funciona numa governação “orgulhosamente só”. E tem todos os factores a seu favor. Ninguém na oposição poderá ir contra as políticas do PS, porque serão sempre vistos (e apontados) como uma força desestabilizadora. Esta lógica já funcionou nesta campanha com o constante recurso ao “optimismo” em contraste à crítica do “rasgar, inverter e anular” do PSD. Existirá melhor argumento para usar nas futuras eleições? Terão os outros partidos algum argumento político novo contra o PS?

A contrastar com a hegemonia do PS, não será de ignorar a morte do PSD. Para todos aqueles que apelam constantemente ao fim da dualidade política e do “centrão”, este pode ser o pior cenário de todos. Um partido como o PSD, que em termos ideológicos já nada tem para oferecer num mundo dominado pelo corporativismo, morre lentamente. A liderança não existe. A continuidade é uma incógnita e só mesmo o futuro dirá se aparece um líder à altura para refazer todo o mal que tem sido feito. É ainda o reflexo de um “enorme” Cavaco que secou tudo à sua volta. Pode até ser o prenúncio do futuro do PS, mas neste momento é a realidade do PSD. O pior que podia ter acontecido ao PSD foi mesmo a re-eleição de Durão Barroso. Foi o adeus definitivo à política portuguesa e com ele um fechar de ciclo de líderes laranja que dificilmente aparecerá novamente. Aliás, a grande esperança (mais ou menos consensual) do PSD é Paulo Rangel. Está tudo dito. Com a saída pela porta pequena de Cavaco, já nem há notáveis visíveis, e o mais visível de todos, Alberto João, causa mais danos que outra coisa e as suas atitudes maníacas promovidas pelo irreal círculo fechado onde habita, falam por si só, e é obviamente uma carta fora do baralho. Não sei se a intenção de Cavaco (se é que a intenção foi dele) com esta questão das “escutas programadas” teve como propósito enfraquecer o PS ou o próprio PSD. Só o próprio Cavaco (se algum dia vier mesmo a  falar) pode esclarecer se queria minar a confiança pública no PS ou destruir o PSD para o aparecimento de um novo partido ajustado à realidade do século XXI, pois este PSD, como partido, definitivamente já não existe. A realidade é que Cavaco interveio e foi um acto de enorme e negativo significado para o partido laranja. Apenas o tempo lhe dará razão. Ou não. Neste momento, o PSD irá assistir novamente a uma tentativa de liderança que não reunirá, de certeza, consenso. O PSD é agora um animal ferido, raivoso com várias cabeças a atacarem-se mutuamente para controlarem o corpo esquelético dum outrora grande partido. Calha bem o próximo sufrágio, em que muitos, motivados pela antipatia ao PS virar-se-ão novamente para o PSD. A velha lógica do “centrão” ainda a funcionar. Mas conviria reflectir que uma eventual vitória (digo eu) será por demérito dos outros e não por méritos próprios, como aconteceu nas Europeias. No futuro imediato, o PSD irá definhar ainda mais, e por mais irónico que possa parecer irá depender do PS a sua continuidade como partido de equilíbrio do poder. Com esta forma de actuação do PS, o mais provável é que esmague ainda mais a já débil saúde do PSD.
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MAIS UMA VEZ, A VISITA DO PAPA

Li algures que a vinda de Bento 16 a Fátima é uma boa notícia para os católicos e para os portugueses em geral. E, pelos vistos, para a Presidência da Republica, a qual embandeirou em arco a ponto de provocar risinhos de “reprovação”cardinalícia. Uma espécie de riso maroto de namorada embevecida. Dados os caminhos que leva, qualquer dia temos a Presidência da República a ir em peso a Fátima a pé. A quinta aterragem de um papa nesta santa pista que é Portugal é razão mais que nacional, internacional e universal!
Bento 16 foi o responsável, ainda como prefeito da congregação para a doutrina da fé, pelo fenomenal comentário teológico-científico da terceira parte do “segredo de Fátima”, do qual se inferia, após profundo estudo genético-sequencial e de filosofia balística que uma “mão maternal”desviaria a trajectória da bala que poderia matar João Paulo II. Colocadas imensas hipóteses interpretativas, restaram duas como mais viáveis, em termos de alternativa, na cabeça da virgem: Por que não encravar a pistola? Por que não fazer desmaiar o assassino? Ficou sem se compreender como foi escolhida aquela cujo risco a correr era o maior: actuar no último segundo! Mas enfim! Com tantas coisas mirabolantes acerca de aparições e revelações particulares e secretas, só faltava mais esta. Haverá, porventura, quem se consiga manter sério, sem rir, perante tal “revelação”- provocação? Os próprios monsenhores, donos e banqueiros do Vaticano, embarcarão em tal patranha, ou trata-se de uma beata anedota correndo nas suas conversas de claustro? Não posso acreditar que acreditem. Era como se me obrigassem a virar o cérebro do avesso.
Não sei se hei-de rir se hei-de chorar. Por um lado, ridicularizar e satirizar a mente humana a este ponto não me dá vontade de rir. A mente, a seiva do órgão mais nobre do ser humano, não pode ser ridicularizada e espezinhada desta forma! Perdido o respeito pela mente e pela razão, está tudo perdido. Por outro lado, dá-me vontade de chorar o facto de eu poder estar incluído nos “portugueses em geral”. E é que não me safo de maneira nenhuma. Eu sou, com efeito, um português em geral, embora em nada me interesse a Igreja católica em si mesma nem todas as palhaçadas com que se paramenta. Arranjem-me, pelo menos, a designação de um português em particular, uma excepção, o que quiserem que me liberte da generalização, mas não me enfiem no mesmo saco, não me ofendam, por favor!.
Não tenho rigorosamente nada a ver com a igreja nem com qualquer das suas irracionais e anedóticas imposições, mas como cidadão, não posso ficar ao lado dos fenómenos que afectam, positiva ou negativamente, a sociedade e a humanidade. Desde há muitos anos que me arrepia o paganismo, mas o paganismo que se fabricou na monumental trapaça de Fátima, em plena era da ciência da evidência é um escândalo e uma ofensa. A colossal impostura que se ergueu no nosso país, deixa-me acabrunhado sob o peso de tais escombros. Respeito tanto os ignorantes como os sábios, tanto os crentes como os descrentes, os cultos e os incultos, mas não tenho o mínimo respeito nem contemplação pela ignorância, pela incultura e pelo paganismo. Não sinto qualquer respeito pelo trabalho de quem quer que seja que se dedique, de uma maneira ou de outra, a cultivar a ignorância, a escamotear a verdade e a anular a razão. O maior crime que se pode cometer contra o Homem não é matá-lo mas tapar-lhe os olhos. Ao matar o Homem não se mata a ideia. Ao tapar-lhe os olhos mata-se o Homem e a ideia.

PSD: Mais uma derrota

Nas últimas 5 Eleições Legislativas, o PSD só ganhou uma, e mesmo assim à tangente e com um PS esfrangalhado. Desde 1995, já teve como líderes Fernando Nogueira, Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso, Santana Lopes, Marques Mendes, Luis Filipe Meneses e Manuela Ferreira Leite. Nenhum se impôs. O verdadeiro deserto provocado por Cavaco Silva, que durante 10 anos secou tudo à sua volta, é o responsável pelo actual estado daquele que já foi o maior Partido português.
Manuela Ferreira Leite é a última vítima. Neste caso concreto, foi também vítima dela própria. Desde o primeiro dia, não parou de falar da Verdade e da sua Política de Verdade. Como se fosse a única pessoa séria no país. E quem conhece o seu percurso político sabe que ela só é séria quando não se ri. Começou na constituição das listas e foi por aí fora.
A derrota de ontem foi ainda maior do que a de 2005. É certo que teve mais votos e elegeu mais deputados. Mas manteve-se nos 29%. E em 2005, como se lembram, o PSD vinha de um Governo caótico e Santana Lopes estava completamente desacreditado como primeiro-ministro. Com um PSD minimamente competente, o PSD tinha vencido estas eleições.
Neste momento, os barões já estão a movimentar-se para fazer o funeral de Manuela Ferreira Leite depois das Autárquicas. Resta agora saber quem será o próximo líder.
Candidatos? Tentar não custa: Pedro Passos Coelho, Rui Rio, Paulo Rangel, Santana Lopes, Luís Filipe Menses, Marques Mendes, Marcelo Rebelo de Sousa ou Marco António, sendo que este apela ao fim do cavaquismo. Quanto ao ferreiraleitismo, uma «reprise» do cavaquismo, parece que nunca existiu.
Um daqueles nomes será certamente o próximo Presidente do PSD. Um Presidente que tanto pode arder na Oposição durante 4 anos como, mais provável, pode ser chamado a governar já nos próximos dois anos.

PARA DAR CONHECIMENTO

Religião: Ateístas condenam «politização» da visita papal por parte de Cavaco Silva
28 de Setembro de 2009, 07:30

Lisboa, 28 Set (Lusa) – A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) considerou que o anúncio da visita do Papa a Portugal feito pela Presidência da República antes das eleições legislativas constituiu “uma politização inadmissível daquilo que é apenas matéria de crença pessoal”.

Em comunicado, a AAP sublinha que o anúncio feito por Cavaco Silva ocorreu “contra a vontade da própria Conferência Episcopal”, com quem terá concordado fazê-lo em conjunto e após as eleições legislativas.

“A visita de um papa católico é assunto da Igreja católica e não matéria do Estado português”, assinala a AAP. “Num Estado laico o Papa é apenas um líder religioso. Que o cidadão Cavaco Silva se regozije é um direito; que o chefe de Estado de um país laico exulte com a visita do seu líder espiritual é uma interferência nefasta da política na religião, e vice-versa.”

viva a suíça !

Roman Polanski and Sharon Tatea suíça em um belo país. o próprio nome «s-u-í-ç-a» é belo. a suíça é o mais limpo país do mundo. a suíça tem bancos. a suíça tem os bancos mais limpos do mundo. a suíça tem neve. a neve na suíça é branca. os suíços são poliglotas. enquanto as salas e os países têm cantos, a bela suíça tem cantões. a suíça é íntegra. a suíça é neutral. durante a segunda grande guerra, a suíça nunca albergou espiões nazis. a suíça nunca toma partido. a suíça tem emigração portuguesa que trata de limpar o país. se os portugueses de portugal cospem no chão, os portugueses da suíça limpam os escarradores dourados dos suíços. a suíça já bateu o pé à grande frança num europeu de futebol. a suíça não tem mar. a suíça é um in-shore. eu nunca gostei da suíça porque não tenho bom gosto. quem tem bom gosto não pode deixar de gostar da suíça. a suíça tem queijos. a suíça tem chocolates. a suíça só faz bem ao mundo e se por acaso faz mal é só ao colesterol. os suíços são os melhores europeus de que há memória. tudo isto já sabíamos. apenas não sabíamos que os suíços têm um sistema judicial que funciona e que está atento a toda e qualquer injustiça universal. qual baltazar garzón qual quê  ? a suíça acabou finalmente de prender o grande pedófilo franco-polaco roman polanski. três décadas depois de abusar da norte-americana samantha geimer e de ter fugido dos estados unidos da américa, a suíça apanhou-o. foi simples. o isco foi a pretensa homenagem ao abjecto realizador no festival de cinema de zurique. ora o ingénuo homem lá aterrou na suíça e deitaram-lhe as mãos. agora querem extraditá-lo para que a justiça se faça. a velha europa está escandalizada. também a polónia, a pátria de joão paulo II. três décadas passadas samantha geimer já perdoou ao senhor e gostaria de viver em paz. a suíça não. justiça é justiça. a suíça não perdoa a um realizador demente que expõe todas as suas perversões pessoais em «repulsa», «faca na água», «a semente do diabo» (uuiiii!!!) ou «o inquilino» – onde o referido esquizofrénico se veste de mulher e pinta os lábios (de mulher!!!!). a suíça diz e muito bem: a arte não é desculpa para perversidades ! a suíça não se impressiona com «pianistas» ! viva a suíça !

ass: anarquista duval

Eleições Autárquicas no Aventar

autarquicas
Despachadas que estão as Eleições Legislativas, o Aventar vira-se a partir de amanhã para as Eleições Autárquicas. Vão ser dias intensos e o ritmo de postagem febril. Se não vierem ao blogue duas vezes por dia, caríssimos leitores, estão tramados. Só estou a avisar!
A partir de amanhã, teremos notícias de todos os cantos do país. De Bragança a Faro. Para isso, contamos convosco. Queremos saber o que se passa na vossa terra e quais são as expectativas para o sufrágio do dia 11 de Outubro. A nível do vosso distrito, do vosso concelho e até mesmo da vossa freguesia. Enviem que nós, como sempre, publicaremos.
E tal como ontem todos ganharam, no dia 11 todos os que participarem poderão também dizer que ganharam. Em termos de blogues, não há dúvidas de que o Aventar foi o grande vencedor da noite. Que assim seja também nos próximos 15 dias.
Na barra lateral do blogue, já está o «link» para as Autárquicas. Se clicarem, poderão ler desde já tudo o que fomos escrevendo nos últimos meses osbre as próximas eleições. Aproveitem, que eleições, agora, só… em 2010?

Provocação Hondurenha

Admitamos que um dia destes próximos, o Sócrates perante a evidência de ter que negociar com gajos que ,na sua opinião, não sabem nada de nada, só atrapalham, arranja “uma notícia” num dos nossos jornais e lança a ideia que o país assim não aguenta é preciso um referendo para ver se o povo, o bom povo, aceita ou não que ele, Sócrates, possa renovar a maioria absoluta sem ir a eleições.

Admitamos tambem que uma ideia semelhante possa ser alimentada por Cavaco, ele é tão melhor que os outros que basta um referendo para o ” melhor” ficar na Presidência até vender a bomba de gasolina em Boliqueime.

Esta proposta é inconstituicional e os partidos na Assembleia da República não aprovaram por 2/3 dos deputados. Mesmo assim, os homens providênciais seguem em frente e dirigem-se ao “bom povo” que, desesperado com o desemprego, sai à rua a gritar e a agitar bandeiras.

As Forças Armadas como garante último da Constituição não são obrigadas a intervir para garantir o cumprimento rigoroso da Constituição?

O Tribunal Constituicional não tem o dever de vetar o referendo?

Transponham lá isto para as Honduras e expliquem-me bem explicadinho que eu ando baralhado!

PS. João, desculpa lá, eu aprecio muito os teus postes e esses e-mails desesperados vindos da clandestinidade das Honduras, mas a verdade é que não percebo mesmo!

O melhor é rir…para não chorar.

Uma das melhores postas sobre as legislativas foi ESTA.

PS: Uma vitória pobre, mas uma vitória

O PS perdeu 500 mil votos em relação a 2005. Perdeu quase 10% de eleitorado. Perdeu 25 Deputados. Nunca um primeiro-ministro reeleito, como aconteceu com José Sócrates, ficara abaixo dos resultados do primeiro mandato. Nem Guterres.
Apesar de tudo isto, o PS foi o Partido mais votado. E como tal, ganhou as eleições e vai voltar a formar Governo. Ninguém pode retirar-lhe a vitória, como tentou fazer Francisco Louçã. Acresce dizer que, mais do que uma vitória do PS, foi uma vitória de José Sócrates. Hoje em dia, o PS é José Sócrates, nada mais. Em redor, um vazio de opiniões e de personalidades. O primeiro-ministro secou tudo em seu redor e, se por enquanto a situação é boa para o Partido, no futuro não o será. Cavaco fez o mesmo ao PSD e, 14 anos depois, ainda o Partido «sofre na pele» o deserto que foi criado.
Apesar de ter vencido, não se pode falar, como já escrevi, de uma vitória extraordinária. Extraordinário era se o PS tivesse repetido a maioria absoluta. É que, no futebol, tanto faz ganhar o Campeonato com 1 ponto de avanço ou com 20. O que interessa é ser campeão. Na política, não é exactamente a mesma coisa governar com maioria absoluta ou governar com maioria relativa e poder vir a ficar refém de um Partido como o CDS.
Por isso, ou o PS faz acordos para conseguir que as suas propostas passem. Ou, não o querendo, provoca deliberadamente eleições antecipadas. Para tentar uma nova maioria absoluta.

Contados os votos, pescam-se as pérolas

Apanhei algumas, deve haver mais, mas como não ganhei as eleições tenho de ir trabalhar. É a vida (como diz alguém mais abaixo).

Aritméticas:

Perdeu 8,5%. Perdeu 24 deputados. Perdeu, perdeu, perdeu. Poderá festejar, com legitimidade, já que foi o partido mais votado. Mas chamar a isto uma vitória extraordinária é que é uma coisa extraordinária. Basta dizer isto: José Sócrates teve um resultado pior do que Ferro Rodrigues, quando este perdeu as eleições acabado de chegar à liderança.

(…)

E nisso o BE pode queixar-se de algum azar: com mais 700 votos em Lisboa, Setúbal e Porto o BE elegeria 19 deputados, suficiente para a maioria e mais próximos da sua votação real. Mas é a vida.

Daniel Oliveira, Arrastão

Os resultados explicados ao povo:

o PS ganhou o campeonato à justa, na última jornada. o PSD desceu e não vai às competições europeias, BE e o CDS vão à Taça Europa e a CDU desceu de divisão

José Freitas, Aventar em versão chat

Lucidez, de esquerda:

O que nos deixa com a constatação habitual: o sistema político-partidário português não está divido entre direita e esquerda, mas entre direita, PS e esquerda «radical». A última está, por acordo tácito mútuo e nunca escrito, excluída do poder. (Tem a ver com o 25 de Novembro, como tentei explicar há uns tempos.) Mas isso significa que a esquerda, como um todo, fica coxa. Ou melhor, a divisão funcional não é, realmente, entre esquerda e direita. E não foi por mais de um milhão de eleitores ter votado à esquerda do PS que deixará de ser assim. E portanto, a política real, as decisões que realmente contam, continuarão a ser negociadas no pseudo-centro que não o é, ali entre o PS e a direita.

Nota a reter: como eu apontei, em campanha houve mais ataques da esquerda «radical» ao PS do que da esquerda «radical» à direita. E mais ataques do PS ao BE do que do PS ao CDS. O resultado está à vista, com uma subida do partido mais poupado às críticas, o CDS. Continuai assim. O bloqueio da esquerda portuguesa está para durar.

Ricardo Alves, Esquerda Republicana

Sai uma pastilha Godard para a mesa do canto que o cliente está com azia:

Ele, Louçã, devia ter aprendido com Godard, Jean-Luc, que, já agora, não sei se é um cineasta de cabeceira de Louçã como é meu (permita-se-me que o diga). O BE perde estas eleições. O BE fracassou, porque não impediu a direita dura de Portas de ficar em terceiro lugar, nem impediu Sócrates de cantar vitória.

Carlos Vidal, 5dias, sublinhado na fonte

Bem visto:

Mas nem tudo é mau para o BE. Note-se que, perante a actual composição do Parlamento, o BE não terá de ‘sujar’ as mãos nesta próxima legislatura, e não será acusado de ‘estar ao lado do PS’. Talvez não fosse aquilo que ambicionavam os líderes bloquistas, mas a médio/longo prazo terá talvez sido o melhor que poderia acontecer ao BE, que ganha tempo para crescer sem arriscar a perda do seu eleitorado de ‘ruptura’ e ‘protesto’.

Alexandre Homem Cristo, Aparelho de Estado do Expresso

Perde-se tudo menos a boa vontade:

Apesar do resultado, começo por dar os parabéns a Manuela Ferreira Leite. Há um ano, pegou num partido em estado comatoso, com uma liderança alienígena e sondagens à volta dos 20%, e trouxe-o até aqui. Contra tudo e contra todos, sendo tudo e todos um dos governos mais demagógicos da história da democracia portuguesa, uma comunicação social adversa e a permanente oposição interna, levou o PSD a ganhar as europeias e a discutir as legislativas palmo a palmo. Agora que se afiam as facas longas, fica a minha homenagem.

Pedro Picoito, Jamais

Chá das Cinco:

Em credibilidade distinguiram-se Medeiros Ferreira, Francisco José Viegas, Pedro Picoito e Eduardo Pitta, exemplos de inteligência, estilo e boa educação. Perdeu Fernanda Câncio, a prova de que o poder, se nem sempre corrompe, torna os seres humanos malcriados.

Luis M. Jorge, Vida Breve

O MEU PAÍS PARECE ESTAR DOENTE

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NÃO PARECE OUVIR, NÃO PARECE VER, ESTÁ ALHEADO DA VIDA
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A doença alastra no meu País.
Ontem, embora enfermos, todos fomos chamados a votar.
Uns foram e outros não.
Não somos muitos, mas em cada cem de nós, só sessenta o foram fazer.
Cada um votou no partido que mais lhe conveio. Uns por convicção, outros por castigo, e outros ainda porque sempre o fizeram assim.
No fim, chegamos à conclusão de que a maior parte dos que foram votar, querem mais do mesmo.
Não lhes interessou o que sofreram durante os últimos quatro anos e meio. Ou se calhar nem notaram.
Não lhes interessou o que outros sofreram, ou nem deram por isso.
Não lhes interessou o que dizem que de mal foi feito, ou o que dizem que de mal vão fazer. Ou porventura entendem que não é verdade.
A única coisa com que se importaram, foi o retirar aos mandantes a possibilidade de fazerem tudo sem lhes perguntarem mais nada, e assim deram uma forçazita a alguns outros.
Mas também quiseram dizer mais uma coisa. Que não acreditam muito em senhoras muito bem educadas e finas, mas que não demonstram capacidade para liderar um País, nem em senhores, professores e tudo, que só querem destruir para mais tarde se elevarem do caos, ou nos outros que por aqui andam há tempo de mais a dizer mais do mesmo, contra tudo e contra todos. Antes, mal por mal, o mesmo dos últimos anos, com a possibilidade de um outro temperar o esquerdismo que lhes é inato.
Mas a ser assim, estamos todos doentes. Escolher o mal, embora conhecido, em vez de um mal desconhecido, é sensato, mas demonstra a incapacidade que temos de, de entre todos nós, encontrarmos alguém com real capacidade de nos levar para bom caminho. Que este que trilhamos nos últimos anos, não é bom, antes pelo contrário.
O País está doente, e não se projectam melhorias nos anos mais próximos. Alguns de nós temos azia, outros febres altas, e outros ainda doenças terminais. Nada que, no entretanto, umas pastilhinhas, únicos remédios a dar aos Portugueses no momento, não possam fazer efeito. Ah, e também umas grandes doses de paciência e esperança.
A nossa obrigação é dar, pelo menos durante um tempo razoável, o benefício da dúvida a este governo que agora aí vem, para verificarmos se, com uma maioria pequena, e tendo de arranjar muletas, recupera o caminho certo para Portugal. E depois, se o não fizer, não esperar pelo fim da legislatura para o despedir.

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JM
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A máquina do tempo: a vitória de Sócrates e os perigos de um chavismo em Portugal

Sócrates e o PS ganharam. Uma vitória do embuste? Sem dúvida. Mas se Manuela Ferreira Leite e o PSD ganhassem, além de mudarmos de rostos na montra da governação, o que mais ganharíamos? Na minha opinião, nada. E, podendo ser acusado novamente de paternalismo por não concordar com o resultado de eleições que deixam nos últimos lugares os dois partidos mais de esquerda, penso que os portugueses gostam mais de mentiras agradáveis do que de verdades duras. Em todo o caso, parece-me um fenómeno curioso este que, abrangendo largos sectores de opinião, se traduz no ódio a José Sócrates. É que, o ódio, tal como o amor, é um sentimento profundo que devemos dedicar a quem o merece. Sei que não podemos controlar, por mero exercício da vontade ou por imperativo racional, os impulsos do coração, às vezes dedicamos estes sentimentos – o amor principalmente – a quem os não merece. Mas não deixemos deslizar o tema para a telenovela. Na minha opinião, Sócrates não merece ser odiado, é demasiado medíocre para tal. Muito menos amado, naturalmente. Mas já aqui neste blogue, um aventador o comparou ao Hugo Chávez. Caramba, que elogioso para Sócrates!

Mas será que com esta vitória de Sócrates, corremos o risco de ter aqui um regime populista, caudilhista?

Com todos as demagogias e autoritarismos, Chávez, mais do que Sócrates, é um ser humano mais autêntico, digno de ser odiado e amado. Quanto ao chavismo e aos seus excessos, devemos lembrar que ele é presidente de um país sul-americano, onde um regime autoritário não significa o mesmo que significaria na Europa. – o desnível social entre pobres e ricos é de tal forma escandaloso que só uma mão de ferro pode tentar manter a justiça. A democracia representativa é um regime em que as «liberdades» sufocam por vezes a Liberdade e os «direitos» submergem o Direito. Sobretudo, uma democracia desenhada para a Europa, em circunstâncias históricas, sociais e culturais muito específicas (e mesmo assim funciona aqui no continente da forma que sabemos). Não é um modelo aplicável em todas as latitudes e em todas as situações.
A democracia é um sistema justo, igualitário e que promove a inteira liberdade de expressão. É um ideal límpido pelo qual muitos cidadãos morreram. Mas não é uma verdade incontestável nem um sistema que possa ser aplicado em todas as circunstâncias. Numa sociedade de estrutura tribal, por exemplo, a democracia não faz sequer sentido. E teremos nós, democratas europeus ou americanos, o direito de erradicar, por exemplo, o tribalismo para impor a democracia? Tanto como o escuteiro que, para praticar a boa acção diária, obrigou a velhinha a atravessar a estrada contra sua vontade. Penso que este desejo de impor o que achamos bom para nós aos outros, tem sido, desde há muitos séculos, o erro recorrente de europeus e de norte-americanos.

Veja-se o caso do Iraque. Uma aliança internacional foi lá impor a democracia e derrubar um tirano – resultado: num país onde um déspota, a par da tirania, impunha ordem e alguma paz social, existe desde a «libertação» uma guerra em que morreram e continuam a morrer milhares de pessoas, um país em ruínas, um caos social e político. Não competiria aos iraquianos derrubar o tirano e implantar a democracia, se fosse essa a sua vontade? A chamada «Europa civilizada», sempre defendeu que o que castelhanos e portugueses fizeram durante os Descobrimentos e a Colonização foi errado e mesmo criminoso – impor a fé cristã pela espada (e foi!). O mesmo não se poderá dizer daquilo que europeus e norte-americanos estão a fazer pelo mundo fora, impondo a democracia como modelo único da governação dos povos?
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Não estou a defender Chávez, estou apenas a tentar compreender o fenómeno dos regimes autoritários da América Latina. Como se explica que nas principais cidades de uma Venezuela cheia de recursos naturais, existam chabolas miseráveis a pouca distância de condomínios luxuosos? Explica-se pela exploração desenfreada, pela incontrolada acumulação de riqueza por parte de pequenos sectores da população. Explica-se porque há uma fera à solta chamada capitalismo. Quem reclama por mais liberdade? Os habitantes das chabolas? Não. Intelectuais e terra-tenentes, a gente dos bairros ricos, os fazendeiros. Os mesmos que em épocas recentes apoiaram caudilhismos de sinal oposto e que agora se converteram à democracia. Nestas condições, o que será preferível, o chavismo, com todas as suas prepotências, ou a «democracia» colombiana, com ligações do presidente Álvaro Uribe aos cartéis de narcotráfico ou a «democracia» argentina e a fortuna que o corrupto casal presidencial Kirchner acumulou?
Um ex-ministro de Salazar disse-me uma vez uma coisa muito certa – por vezes os povos têm de escolher entre o pão e a liberdade. Ele estava a defender a política de Salazar, mas o princípio vale para outras situações. Aos que na Venezuela nada têm, para que lhes serve a liberdade de expressão? Que lhes importa que Chávez impeça as televisões de transmitir este ou aquele programa ou mesmo que feche uma estação de televisão? Para quem tem fome, o que é uma série de desenhos animados, por mais de culto que seja para quem come todos os dias, comparada com um bom pão de quilo, com meia dúzia de ovos ou com um pacote de leite? Na verdade, os povos da América Latina são postos frequentemente entre o dilema de escolher entre o pão e a liberdade. Quando lhes aparece um caudilho ou um demagogo, recebem-no em delírio. Foi assim com o justicialismo de Perón e com o marxismo de Fidel. É assim com a demagogia populista de Chávez.
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Voltando à vaca fria, ou seja à nossa política actual – Sócrates não tem perfil de caudilho, é mais um «político profissional», com tudo o que de negativo isso significa – mente as vezes que forem preciso, promete e só cumpre se puder (o que significa que nunca cumpre). Podemos ir-lhe lançando em rosto a sua condição de «socialista». Sem quaisquer resultados, é verdade, porque o descaramento de Sócrates é inesgotável e será capaz de nos responder com o ar mais sério do mundo – «Então, camaradas, querem medidas mais socialistas do que as minhas?» O título do livro de contos que Irene Lisboa publicou em 1955, «Uma mão cheia de nada Outra de coisa nenhuma», continua a caracterizar com rigor aquilo que estes candidatos do «bloco central», chamem-se eles José ou Manuela, nos trazem. Zero.
Em todo o caso, com todos os seus problemas, Portugal não se situa na América Latina, a classe média, no sentido lato, é maioritária – o que tem dado a vitória ao «bloco central» – o chavismo aqui estaria condenado ao fracasso, pois 20% da população a viver abaixo do limiar da pobreza não constitui uma base social de apoio suficiente para implementar um regime caudilhista. E os 80% que, uns melhor outros pior, comem todos os dias, estão-se marimbando para o facto de dois milhões de pessoas sobreviverem sabe-se lá como – e vão votando ao sabor de interesses corporativos, da crença em promessas, da simpatia que este ou aquele candidato emanam. E vão vendo o futebol, bebendo umas bejecas, mandando umas bocas, votando em gente que, de uma maneira geral, não presta… Temer que com Sócrates venha o chavismo é o mesmo que temer que com Manuela regressasse o salazarismo – são temores, tremendismos sem grande sentido. Na União Europeia seria inconcebível um caudilho, seria politicamente incorrecto. Temos problemas que bastem mesmo sem lhes acrescentarmos ficções catastrofistas. Era tempo de acordarmos para a nossa realidade e de começarmos a construir alternativas que excluam a possibilidade de sermos governados por políticos mentirosos e que servem de manto a mil e uma corrupção, (desde que politicamente correctas) deixando dois milhões de concidadãos nossos a viver na sarjeta.

Isto é uma utopia, já se vê, porque verdadeiramente realistas são os qua
se
37 % que votaram em Sócrates e os 29% que votaram em Manuela. Porém, em democracia, temos direito às nossas utopias. Valha-nos isso. Se nos tirassem essa possibilidade, os hospícios para doentes mentais estariam superlotados.

um pouco de boa disposição

Tanta política deixa uma pessoa carrancuda… com excepção de Berlusconi e da conhecida família “bronzeada” Obama.

Impressões definitivas da noite eleitoral: Vencedores e vencidos

Logo a seguir às 20 horas, deixei aqui as primeiras impressões relativamente aos resultados das eleições. Agora que já temos todos os dados em cima da mesa, parece que nem tudo foi como se previa:

– O PS ganhou as eleições, foi o Partido mais votado e vai continuar a ser Governo. No entanto, ninguém venha dizer que foi uma vitória extraordinária, porque não foi. Perdeu 500 mil votos relativamente a 2005, perdeu 25 deputados e perdeu a maioria absoluta. A política não é bem como o futebol, em que tanto faz ganhar o Campeonato com 1 ponto ou com 20 pontos de avanço. Na política, não é bem assim. O certo é que vai ter muitas dificuldades a governar, enquanto que até agora pôs e dispôs à sua vontade.

– O PSD saiu claramente derrotado, porque não alcançou o único resultado que lhe servia – ganhar as eleições. Apesar de ter conseguido mais votos e ter eleito mais deputados, Manuela Ferreira Leite consegue fazer pouco melhor do que Santana Lopes em 2005 – com a «piquena» diferença de que em 2005 Santana Lopes vinha fragilizado por ter sido primeiro-ministro e Manuela Ferreira Leite vinha embalada com a vitória nas Europeias.

– O CDS acabou por ficar em 3.º lugar, tendo conseguido a vitória mais retumbante da noite. Foi o único Partido que alcançou e até superou todos os seus objectivos. Pobre país este, em que o Partido cuja maior bandeira é o fim do Rendimento Mínimo consegue estes resultados. Seja como for, neste momento será Paulo Portas a condicionar os destinos da governação. Com os deputados do CDS, Sócrates aprova todas as medidas que quiser, até porque ideologicamente estão mais próximos do que Sócrates em relação aos Partidos de Esquerda. Só que o primeiro-ministro terá de pagar bem caro para conseguir esse apoio.

– O Bloco de Esquerda conseguiu uma grande vitória, com um aumento significativo do número de deputados e do número de votos. No entanto, é uma vitória que sabe a muito pouco. Ao ficar em 4.º lugar e ao ver o CDS com os deputados suficientes para fazer maioria com o PS, vê o seu papel na conjuntura eleitoral francamente diminuído. Delirante foi a opinião de Francisco Louçã de que fora uma clamorosa derrota da Direita – afinal, o PS ganhou as eleições, o PSD subiu um pouco a votação e o CDS, esse sim, teve uma vitória extraordinária. Onde está a derrota da Direita? Gostei da referência à Ministra da Educação e, aí, esteve muito bem.

– A CDU não perdeu de forma tão clamorosa como previra inicialmente. Conseguiu mais 30 mil votos do que em em 2005 e elegeu mais um deputado. Ficou em último lugar, é certo, e por isso não concretizou os seus objectivos, mas minimizou danos. No fundo, em termos práticos, influenciará os destinos da governação tanto como o Bloco de Esquerda.

Numa nota final, reparei que, à excepção de Manuela Ferreira Leite, nenhum dos líderes dos Partidos deu os Parabéns a José Sócrates pela vitória nas eleições. Ficou-lhes mal. Quanto a Sócrates, para além dos exageros da «vitória extraordinária», tinha de mostrar o seu sentido de Estado, já no final do discurso, ao atacar fortemente Francisco Louçã numa noite que, pelo que ele disse, até devia ter sido de festa.

O PAÍS VAI FICAR DIFÍCIL DE GOVERNAR

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QUEM SE QUER ALIAR AO PS?
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PS VENCE MAS NÃO CONVENCE. O PAÍS NÃO FICOU TRANQUILO.
ANA GOMES BEM QUE PODERIA SER MANDADA CALAR.
QUEM SE ALIAR COM O PS CORRE O RISCO DE SE QUEIMAR.
SÓ CDS TEM CONDIÇÕES. OU BE E CDU JUNTOS.
CDS EM CONDIÇÕES DE IMPOR A SUA VISÃO DO PAÍS.
CDS ELEGE UM DEPUTADO NA MADEIRA.
DERROTA ESTRONDOSA DO PSD. DOS QUINHENTOS MIL VOTOS PERDIDOS PELO PS, SÓ CAPTOU UMA RIDÍCULA FATIA. FERREIRA LEITE NÃO SAI.
VITÓRIA AGRADÁVEL DO BE.
DERROTA VITORIOSA DA CDU.
MRPP O MAIOR DOS MAIS PEQUENOS, NÃO ATINGE 1%, MAS PASSA A RECEBER SUBVENÇÃO DO ESTADO.
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VAMOS TER MAIS DO MESMO, DURANTE MAIS QUATRO ANOS, A NÃO SER QUE A INGOVERNABILIDADE DO PAÍS FORCE A ELEIÇÕES MAIS CEDO.
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ESTOU CANSADO DESTAS ELEIÇÕES.
VAMOS REPETIR?

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JM
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Equações políticas

Se Sócrates não conseguir formar governo maioritário e não conseguir, mínimamente, encontrar apoios para as sua políticas, poderá ser um forte incentivo para que o arco político mexa.

Os quinhentos mil votos que já mostraram poder sair do PS, com Alegre e mostrando-se volante como agora nas legislativas e nas Europeias, junta-se ao BE. Temos um PSOE à portuguesa com 1. 200.000 votos.

Ficavam no PS os restantes 700 000 votos acrescidos dos sociais democratas que ainda votam no PSD e que andam à volta dos 500 000 votos. Temos outro partido, este social democrata, com 1 200 000 votos.

À direita teríamos 1 000 000 votos com os liberais que ficam no PSD e os sociais democratas do CDS/PP.

O PCP vai continuar só e bem porque não quer sofrer o “abraço de urso”.

Eu acredito que é isto, em termos de votação, que já está a contecer embora os partidos ainda não estejam interessados e assobiem para o lado, mas mais tarde ou cedo vão ter que se adaptar. A abstenção, cada vez maior, está aí para mostrar que alguma coisa tem que mexer para que os quadros sociais e politicos se harmonizem.

Como é que isto se faz? Houve uma tentativa gorada com Alegre e o BE que deixaram o PCP de fora, o que mostra bem que foi muito sério para muita gente. A agressividade de Louçã para Sócrates é outro sintoma em como ele se revê num PS que não é este. As presidenciais vão colocar a questão em cima da mesa? Não sei, julgo que essa questão prévia está tratada entre Alegre e Sócrates.

No PSD ainda é mais fácil, tal é a fractura hoje existente entre Sociais Democratas e Liberais. Aqui é muito possível que apareça um Partido Liberal, a partir das reuniões do Beato e dos gestores que já não precisam de trabalhar mas que gostariam de experimentar o poder de Estado.

Estamos à beira do fim do “CENTRÃO” dos negócios, das empresas públicas monopolistas e dos grupos privados que fazem lucros fabulosos à sombra do Estado?

Haverá ainda esperança para este país e para este povo que não consegue sair da miséria?

Freeport, Portucale, a mesma luta

Para começar cumprimento os vencedores, sem dúvida PSócrates e CDS, e noutro campeonato, o das subidas, o Bloco de Esquerda, e rogo-me uma praga por ter publicado as minhas previsões ultra-optimistas, o que se estava mesmo a ver que ia dar azar.

PS e CDS ganharam porque formam maioria, são partidos que precisam de governar como de caviar para a boca precisam as suas gentes, a vida está cara, compete-lhes formar governo.

Existe uma vaga hipótese de não o fazerem: a de Sócrates perceber que esse caminho tem outro destino traçado; mas mesmo que o perceba duvido que o faça. É uma oportunidade única de lançar o PSD na agonia, e nestas coisas ao escorpião está reservado ser a necessidade de aguilhoar mais forte que qualquer vontade.

E depois há as carreiras, os cargos, as prebendas, os enfeites, as construtoras, os bancos, a boa e velha burguesia que lá ganhou outra vez.

Resta-me a consolação de pela primeira vez na vida ter votado num candidato que foi eleito, e de o distrito de Coimbra ter também pela primeira vez (que me lembre) um bom deputado no parlamento.

Espero agora reencontrar a minha ex-camarada Ana Gomes, e muitos outros, na oposição, e continuar optimista: um passo atrás para dar dois passos em frente é do pouco leninismo que ainda consumo.

Paulo Portas dará um óptimo e musculado ministro da Justiça, empenhado na resolução da investigação de uns processos, e na desinvestigação de outros. No final ainda vai levar mais fotocópias para casa.

Dos derrotados não me apetece falar hoje, mas num cenário destes tenho uma enorme curiosidade em ver como encara Miguel Vale de Almeida o sucesso da causa que abraçou. Não é por nada mas um governo social-democrata-cristão e o casamento civil para homossexuais não enlaça muito bem. Pode ser que consiga o casamento pela igreja, afinal temos o sr. Ratzinger, a passear por cá em Maio. Promete.

Honduras: estado de sítio

Mais uma notícia fresca, através de Fabricio Estrada. Com a gravidade de poder ser das últimas que envia.

En decreto ejecutivo, el Congreso Nacional aprobó anoche la suspensión de las garantías constitucionales de libre asociación, libre emisión del pensamiento y libre circulación para los próximos 45 días.

A la vez, ordenó legalmente el cierre de todo canal de televisión, transmisión radial o prensa escrita que ofenda las dispocisiones del gobierno golpista dirigido por el dictador Roberto Micheletti Bain.

Las Fuerzas Armadas tienen via libre para reprimir a discresión cualquier incumplimiento de este Estado de Sitio.

Hace un par de días la Comisión Nacional de Telecomunicaciones intentó intervenir a RDS-H (Sistema de redes de Honduras que permite la opinión via internet a través de 96 listas bajo su administración). Es muy probable que también sea intervenida y requisadas sus listas, por lo que estaríamos completamente aislados y nuestros IP dentro de Honduras localizados.

Tal como espero que Lula continue a dignificar a democracia e o seu país, quando esta notícia chegar aos nossos jornais não espero que deixem de veicular as mentiras e imbecilidades sobre o referendo com que acusam o presidente Zelaya de se querer perpetuar no poder (coisa que não referem em relação a Uribe e a sua democrática Colômbia), em particular o tablóide DN, nem aguardo que os socratistas que defenderam o golpe de estado se retratem. Há gente que não tem emenda.

As próximas Legislativas são em 2011

Quem o acaba de dizer, na SIC-Notícias, é Ricardo Costa, acrescentando que vão ser dois anos de grande agitação.
Como disse antes, penso que há fortes probabilidades de haver de novo eleições, com queda do Governo, entre 27 de Março e Setembro de 2010. Nos primeiros seis meses, a Assembleia da República não pode ser dissolvida. Nos últimos 6 meses do Presidente da República, também não. Assim, resta esse período entre Março e Setembro. É que depois disso, torna-se complicado. Eleições presidenciais, Cavaco reeleito e 2013 à porta.
Claro que José Sócrates pode optar por fazer acordos com o CDS. Mas não duvidem: Paulo Portas vai vender caro, muito caro, um eventual apoio às políticas do Governo.

(re)pense a esquerda em campo !

… e como muitos de nós pesamos as almas da(s) derrota(s) da(s) esquerda(s) – como bem definiu o joão paulo na sua entrada «a esquerda perdeu» – re(pensemo-las) em campo com intervenientes de valor porque, neste país, a bola contará sempre mais que a política !

ass. anarquista duval

… e que tenhamos todos um santo dia.

 

Legislativas no Aventar:

Foi um dia especial, numa noite em grande: pela primeira vez mais de 3000 visitas num só dia e mais de 6000 page views! O chat das legislativas foi um must e lideramos, sem espinhas, a blogosfera avançando com as previsões das televisões com 2 horas de antecedência e, requintes de malvadez, às 19h30 já estava no Aventar uma média das três que seriam apresentadas às 20h (todos dentro do intervalo de resultado final).

Por isso mesmo, quem acompanhou o Aventar soube primeiro. Os blogger responderam em massa – foram mais de 1500 a visitar esta tasca após as 18h! Para um blogue que ainda não completou seis meses de vida, é obra!!!

Obrigado a todos!