Rui Rio 14% à frente de Elisa Ferreira

Como se previa, a campanha eleitoral de Rui Rio vai ser um passeio que vai culminar em novo mandato, provavelmente com maioria absoluta, à frente da Câmara Municipal do Porto. A última sondagem, da Marktest, dá 14% de vantagem ao actual Presidente.
Bem se pode desdobrar Elisa Ferreira em dezenas de cartazes, espalhados por tudo o que é canto na cidade. Bem pode vir falar do «dream team» que é a sua lista. Não adianta. O mais aconselhável, se calhar, é ir montando de novo a casa de Bruxelas.

Isto é que é uma máquina de propaganda bem oleada

É curioso que no Simplex a estratégia do chefe para o debate fosse conhecida antecipadamente: Ana Vidigal, conseguiu publicar às 21h 50m um boneco sobre benefícios fiscais e classe média. Repito, um boneco, o que não demora exactamente o mesmo tempo a montar que se leva a escrever uma frase.

Ou é mais rápida do que a própria sombra, ou já sabia.  E eu gosto muito do Lucky Luke, mas não confundo banda desenhada com a realidade.

Por falar em realidade, mesmo acima e no mesmo lugar RCP continua a confundi-la com os seus próprios desejos, fantasias e ilusões. Desconfio que ainda vai ser contratado para os Encontros Mágicos. Se o Luís de Matos dá por ele, não escapa.

Mas não deixa de ser engraçado ver como os socratistas cantam vitória apenas e só porque o chefe não foi esmagado. Já se contentam com pouco.

Actualização:

Nos nossos comentários em directo passou uma Rita com uma frase batida, e de resto descontextualizada. Sugeri-lhe que mudasse de canal, porque não parecia estar a ver o mesmo debate. Foi exagerado, entenderam os meus colegas e eu próprio o admiti. A Rita fugiu. Curiosamente aparece uma Rita Castilho noutra caixa de comentários (#97), assumindo-se com “uma Sócratica empedrenida.” Desconfio que nem tinha a televisão ligada.

Judite – um árbitro com muitos amarelos

O que foi mais estranho em todo este debate é que a arbitra tenha tido tanta influência no resultado da contenda.

Em primeiro não se ouviu uma pergunta sobre os casos que colocam Sócrates em xeque. Nada de Freeport, apesar das novas notícias, nada de TVI, apesar da celeuma, nada de “asfixia” apesar de Loução lançar uma mãozinha.

Os casos “pequeninos” como lhe chamou Sócrates que se contam por muitos milhões, foram rapidamente tratados com a extraordinária explicação que o ajuste directo é o que o governo achou como melhor para o Estado. Ninguem esperaria que dissesse que era a pior.

A venda de um terço da Galp é um dos negócios mais mal explicados de sempre, o próprio Amorim veio dizer que recebeu um telefonema do ministro Pinho quando andava a passear na praia, que nunca lhe passaria pela cabeça que lhe poderiam oferecer um negócio daqueles assim, sem mais.

A Judite não falou sequer na questão das ajudas financeiras aos bancos, os muitos milhões que o Estado lá meteu e de que ninguem sabe o paradeiro.

Na questão fiscal o Loução quiz dar uma borla ao Sócrates e não explicou como se complementa a proposta, por exemplo tirando os benefícios, que realmente favorecem os ricos, mas baixando a taxa do imposto.

Louçã quiz manter uma porta aberta e Sócrates aproveitou a boleia.

Manuela Ferreira Leite deve estar a sorrir lá em casa, o PS está onde ela o queria. Encostado ás barreiras da praça . Do lado da sombra!

LOUÇÃ 6 – SÓCRATES 3

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É SEMPRE A PERDER ATÉ UMA VITÓRIA FINAL, QUE NÃO SERÁ A DELE
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Caretas e mais caretas.
“E não mas faça essa cara que não vale a pena”.
O programa do BE lido ontem, deve ter feito dores de cabeça. As marcações e sublinhados que alguém lhe fez, fizeram jeito.
O adversário de Louçã é Sócrates, mas este não reconhece aquele como adversário.
Inteligente, Sócrates tenta entalar Louçã com o programa do BE. Louçã safa-se por pouco.
No resto do debate, Sócrates, nervoso, só se defende. A culpa de tudo o que de mau acontece em Portugal é de todos, da crise internacional, mas nunca dele. Não soube explorar devidamente as loucuras das propostas económicas e sociais do oponente.
Louçã ataca, sorri e marca pontos.
Aflito, muitas vezes o ainda nosso Primeiro e admirável Lider, o grande Irmão, olhava para a moderadora, na vã tentativa de que ela mandasse calar Louçã.
No fim, Louçã ajuda Sócrates no caso da d Manuela e da Madeira. À espera de uma coligaçãozinha?

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JM
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O debate José sócrates – Francisco Louçã minuto a minuto

debate socrates louçã

Aqui fica o debate de hoje visto pelos nossos autores e comentadores no espaço «Streaming» do blogue:

Boa noite, bem-vindos ao chat do Aventar sobre o debate entre José Sócrates e Francisco Louçã. O debate começa às 20h45.
Este é o vosso espaço de comentário.

20:36 [Comentário de ricardo]
Cá estamos para analisar o debate

20:36 [Comentário de ricardo]
Cá estamos.

20:39 [Comentário de João Cardoso]
Prognósticos só no fim do jogo, mas Sócrates trouxe o seu melhor sorriso, Louçã pareceu-me mais calmo. E neste jogo, o primeiro a passar-se perde

20:44 [Comentário de Luis Moreira]
O louçã vai lhe perguntar pela massas que meteu nos bancos…

20:47 Aventar: Começa o debate.

20:50 [Comentário de José]
Mornito, para começar.

20:52 João Cardoso: A palavra chave do ataque de Sócrates: revolucionário

20:53 José: a nave que faz de mesa é feia

20:57 João Cardoso: Primeiro engasganço da noite: é o peso dos contentores

20:59 João Cardoso: Aqueceu

21:01 Luis Moreira: 500 milhões não é nada e ajuste directo é o normal, desde que seja com o coelhone

21:04 João Cardoso: Hilariante…

21:06 Luis Moreira: A galp foi um assalto, no 1º ano sacaram 330 milhões…

21:10 ricardo: Então, o que é que perdi até agora?

21:12 Luis Moreira: os certificados de aforro perderam os incentivos e os PPR receberam -nos. É ou não uma politica fiscal socialista?

21:12 João Cardoso: Perdeste um primeiro-ministro a ler os sublinhados que lhe fizeram no programa do BE

21:14 ricardo: Olha a Judite, cortou a palavra ao senhor engenheiro

21:15 João Cardoso: O engenheiro já se vingou

21:16 João Cardoso: E ainda lhe bate

21:17 [Comentário de Atributos – José Magalhães]
Cheguei à pouco…. mas gosto do louça. O engenheiro só se defende…. mais ou menos bem

21:18 João Cardoso: “esa proposta muda todo o nosso sistema fiscal” – Sócrates finalmente percebeu

21:19 Atributos – José Magalhães: O ainda nosso Primeiro está tão suave

21:19 ricardo: Um radicalismo sem par, diz ele

21:19 Atributos – José Magalhães: Louça bate com um sorriso

21:20 Atributos – José Magalhãe: O eng defende-se e retrai-se

21:20 João Cardoso: Pois, quem foi da JSD, não se meta com os telhados do vizinho

21:21 ricardo: Sim, diz ele condescendente quando a Judite os chama à atenção.

21:21 João Cardoso: talvez a nossa principal questão

21:23 ricardo: mas não diz que aumentou o prazo para ter acesso ao subsídio de desemprego.

21:24 ricardo: Louçã dá-lhe razão ironicamente

21:25 João Cardoso: O homem está nervoso

21:25 ricardo: um bom primeiro-ministro estaria a injectar o dinheiro no combate à pobreza. e não me faça essa cara!

21:25 Atributos – José Magalhães: O engenheiro parece estar a perder o combate

21:27 Luis Moreira: há mais de um ano que deveria ter feito isso,O TGV dá emprego daqui a 4 anos…

21:27 [Comentário de Rita]
Sócrates no seu melhor: político moderado e realista. Louça passa por Trotskista….

21:28 Luis Moreira: Nunca apostou nas PMEs

21:28 Luis Moreira: moderado? deu 300 milhões ao Amorim

21:29 João Cardoso: Ó Rita, o debate é na RTP1, mude lá de canal

21:30 Rita: Não gostam de opiniões diversas ou isto é só para os que gostam de bater no Sócrates? Então boa noite, mudo de canal sim.

21:30 José: Rita não leve a mal

21:31 José: Esta malta gosta da diversidade.

21:31 João Cardoso: As minhas desculpas, só tentei ajudá-la

21:32 José: gostam é de humor

21:33 Luis Moreira: agarrem as camas, porra! ainda não estão pagas…

21:34 ricardo: em vez de aproveitar para atacar o sócrates, ajuda-o com a Madeira

21:34 Atributos – José Magalhãe: Socrates 4 – Louçã 6

21:34 João Cardoso: Quer ela dizer que foi o primeiro debate com debate

21:35 Luis Moreira: isso é para os juntar no mesmo saco…o sócrates nunca lhe passou pela cabeça que ia falar nos negócios do jorge Coelho

21:35 João Cardoso: Esta ideia peregrina de ter lido o programa do BE ontem, deve-lhe ter dado uma noite mal dormida

21:37 João Cardoso: E logo a seguir o anuncio a uma medida do governo. Quanto é que pagámos por isto?

E acabou o debate.

O debate Francisco Louçã – José Sócrates. «E não me faça essa cara que não vale a pena»

O primeiro-ministro portou-se melhor do que eu previa e o máximo que conseguiu foi fazer caretas a Francisco Louçã.
«E não me faça essa cara que não vale a pena».
A frase retrata todo o debate e representa a clara vitória de Francisco Louçã perante um primeiro-ministro nervoso e entalado por quatro anos de governação falhada. Sempre com um sorriso nos lábios, Louçã atacou forte e marcou pontos em todos os temas. Quanto a José Sócrates, foi-se defendendo e pouco mais. Como sempre, a culpa é da crise internacional. Como se os seus três primeiros anos de Governo tivessem sido muito bons! Engasgou-se com os contentores da Liscont e o ajuste directo de 100 milhões de contos é perfeitamente normal…
Só o final, com Francisco Louçã a dar uma mãozinha a José Sócrates por causa de Manuela Ferreira Leite e da Madeira, é que não percebi. Venham as eleições… e as coligações!

Agora é que é: a crise acabou. Sou eu que digo

O anúncio, feito de forma entusiasta, por Manuel Pinho há mais de um ano, foi prematuro. A crise não tinha acabado. Mas agora acabou. É o que garanto, de fonte segura: eu próprio.

Os pilotos da TAP agendaram uma greve, alegando um “descontentamento insustentável”. Uma classe de trabalhores muito bem remunerados, que laboram numa empresa cujo único accionista é o Estado português – empresa que foi salva e resalva pelos impostos que todos nós pagamos, incluindo os tais pilotos –, acaba de convocar uma greve.

tap

Querem salários mais elevados. Todos queremos. Acontece que a empresa em causa tem dívidas muito elevadas e já teria fechado as portas não fosse subsidiada pelos portugueses. Com muito dinheiro.

Os pilotos da TAP são profissionais bem pagos, que não podem trabalhar horas a mais. Tem responsabilidades elevadas, claro, mas também as tem um motorista de autocarro e precisa de mais de três meses para ganhar aquilo que um piloto aufere em início de carreira.

Fazem greve porque podem. Quem, se calhar, deveria avançar para a greve, não pode. É a diferença.

Assim, só me resta uma conclusão: ânimo que a crise acabou.

Contos proibidos – Memórias de um PS desconhecido. «Bastava olhar para ele [Mário Soares] para ver que nada tinha que ver com o socialismo da classe operária»

(continuação daqui)

Desde o lançamento da ASP que os socialistas portugueses encontravam imensas dificuldades em ser reconhecidos em termos de igualdade pelos seus congéneres europeus e o acolhimento político e logístico aos dirigentes portugueses – com excepção da ocasional foto protocolar em reuniões internacionais – estava longe de ser solidário e, muito menos, caloroso. Enquanto exilado, o líder do movimento socialista português
nunca seria recebido oficialmente, nunca participaria em nenhuma conferência de imprensa conjunta, em nenhuma conferência de líderes ou reunião bilateral pública com nenhum dos dirigentes da Internacional Socialista. Não há registo de declarações conjuntas de Soares com nenhum dos «amigos» acima mencionados e não se conhece um único acto conjunto, nem sequer um simples almoço, que revele aquela intimidade.
À excepção de Mitterrand, jamais conseguiria encontrar nos escritos de Palme, Kreisky, Brandt ou Wilson, nem tão-pouco nas suas biografias, uma única referência ao líder português comprovativa daquela autoproclamada amizade. E estes são os exemplos da família socialista. Em contraste, por exemplo, Felipe González, apesar de pertencente a uma geração mais jovem, é frequentemente referenciado por todos eles. No seu livro de memórias, o ex-chanceler alemão e presidente da Internacional Socialista, Willy Brandt, diz mesmo que «com o jovem Felipe González [sentiu] uma forte ligação desde o princípio». A situação de desconsideração pelo nosso esforço, enquanto dirigentes políticos no exílio, era tal que Mário Soares chegaria a ter mesmo momentos de desespero com os seus «anfitriões» do Partido Socialista Francês que, apesar de estar na oposição e ser, na cena internacional, um partido relativamente insignificante, raramente o recebia e só em casos excepcionais se encontrava com o então secretário das relações internacionais, Robert Pontillon. E, apoio material, nem vê-lo! Por outro lado, como já se disse, para além da foto ou aperto de mão protocolares, os contactos do líder português faziam-se de uma posição humilde e algo humilhante com funcionários dos partidos da Internacional ou, como grande conquista, com os secretários das relações internacionais desses partidos. Estes exemplos de falta de solidariedade eram generalizados, mas para isso é evidente que contribuía o conhecimento dos partidos «estabelecidos» da exiguidade da nossa influência na sociedade portuguesa, que contrastava, no tamanho, com o radicalismo à francesa dos dirigentes da Acção Socialista.
Os socialistas europeus tinham a sensação de que o recém-nascido movimento socialista português era uma criação artificial pequeno-burguesa ou, como diria mais tarde o conhecido e radical ex-ministro britânico, Tony Benn, referindo-se ao líder do PS, «bastava olhar para ele para ver que nada tinha que ver com o socialismo da classe operária».
As dificuldades eram tais, que os poucos financiamentos teriam que ser
arrancados quase à força. Perante um pedido de ajuda para o núcleo da Acção Socialista que acabara de ser constituído em Londres, o primeiro núcleo devidamente organizado no exílio, o Partido Trabalhista respondia lamentar, mas não estar «em posição de poder contribuir para a manutenção duma sede. Contudo, se conseguirem obter um espaço talvez possamos contribuir com uma máquina de escrever, estantes, secretárias, etc., de que nós próprios já não necessitemos».
No mesmo ano, Bernt Carlsson, secretário internacional do partido irmão da Suécia escrevia a Mário Soares em Paris: «que a direcção [do PSD sueco] considerou o o seu pedido de ajuda financeira de 15 de Outubro, 1971. Foi decidido dar uma contribuição de 10000 coroas suecas»,tendo, após novo pedido de Mário Soares, no ano seguinte, o referido funcionário anunciado uma nova «contribuição de 10000 coroas suecas».
Mesmo assim esta fonte, que tendo em conta os valores cambiais da altura, e as contribuições dos outros partidos, era extremamente solidária, parece ter secado. Manuel Tito de Morais escrever-me-ia em Novembro de 1973, pedindo-me para «ir a Estocolmo falar ao Carlsson. Ficou de se encontrar [com ele] aqui em Roma mas não deu sinal de vida, depois de ter recusado a ajuda material que lhe pedíramos. Devias
vê-lo e falar também ao Schori, não para pedir nada mas para manter o contacto, falar nos nossos assuntos e veres se descobres a razão do afastamento que se verifica».
Estávamos assim bem longe do tempo em que bastava pegar no telefone e falar com o Brandt, o Palme ou o Kresiky. E, se as quantias que o PSD sueco enviava para Paris a Mário Soares eram generosas em relação ao tamanho da ASP e das nossas expectativas, elas eram, na realidade, insignificantes se comparadas com o financiamentosueco a outras organizações consideradas importantes. A título de comparação, bastaria dizer que na altura o apoio financeiro da Suécia à luta da FRELIMO era 7500 vezes superior ao enviado a Mário Soares, para Paris. Após divulgação pelo The Times de Londres, a 10 de Julho de 1973, do massacre de Wiriyamu relatado pelo padre católico Adrian Hastings, o ministro sueco dos Negócios Estrangeiros do governo de Olof Palme, Krister Wickman, anunciaria que o aumento da ajuda sueca à FRELIMO seria aumentado de 3 para 5 milhões de coroas. O malogrado ex-primeiro-ministro da Suécia tinha, aos 22 anos e enquanto secretário da União de Estudantes Suecos, promovido uma colecta a favor de bolsas de estudos para estudantes africanos. Um dos primeiros a serem beneficiados, já no ano de 1949, fora exactamente o fundador da FRELIMO, Eduardo Mondlane, de quem Palme viria a tomar-se grande amigo.

O pior ministro da lavoura de sempre

O Jaime Silva consegue juntar os grandes agricultores com os pequenos lavradores. Este burocrata de Bruxelas, de onde nunca deveria ter saído, nem sequer consegue pagar o que deve aos agricultores, até agora apenas pagou 10% dos subsídios já concedidos.

Não contente em ver a agricultura nacional ser paulatinamente substituída pelos nabos de Espanha e os tremoços da Roménia, passando pelos espargos da China e a fruta da América do Sul (a fruta, senhores, com este sol…) desperdiçou 840 milhões de euros que não foram investidos e portanto devolvidos a Bruxelas, onde deverá estar à espera de grandes encómios por ter defendido tão bem o orçamento da UE!

É necessário fazer uma exaustiva auditoria aos subsídios concedidos à agricultura e pescas durante todos estes anos, 10 000 milhões de euros (segundo percebi Jerónimo) para se perceber como conseguimos acabar com os nossos produtos do campo e do mar. Deve ser muito instrutivo!

Entretanto, uma proposta dos “Jovens Agricultores” no sentido de ser criada a figura do “Empresário agrícola” o que permitia que o agricultor se dedicasse à exploração florestal, ao turismo rural e outras actividades conexas com o campo, não obtém resposta do governo, apesar das inúmeras reuniões mantidas . Deve ser o Simplex a funcionar com estes socialistas já se sabe que se não lhes trouxer proveito nada avança, eles é que sabem, eles é que têm, eles é que comem, eles é que distribuem, eles é que…

Não é possível exterminá-los já dia 27?

Breve manifesto da insubordinação dos mansos

Paciência e sensatez em nome da estabilidade, da segurança, de um futuro longínquo e inconcretizável? Esqueçam. Ardamos de impaciência e furor, esventremos as paredes que nos aprisionam, arranquemos as tábuas do soalho, e contemplemos com gosto todo o caos que gerámos. Cansados de ser bons meninos? Fartos de contemporizar, engolir em seco, fazer de conta que não ouviram? A nossa hora chegou. Vamos escolher o caminho mais incerto, refutar os argumentos envenenados de hipocrisia, pronunciar com clareza e, desfrutando desse prazer sensual de proferir cada sílaba com volúpia, dizer tudo o que queremos e o que rejeitamos, o que daremos com gosto e o que não aceitaremos. Não faremos o que se espera de nós, não aceitaremos o sacrifício em nome do bem comum, não faremos o razoável, o sensato, o equilibrado. Não seremos poupados, comedidos, subordinados. Tragaremos de uma vez a míngua de ar que nos reservam e ousaremos escancarar as janelas que devem manter-se encerradas. Não calaremos as perguntas. Não aceitaremos as respostas incompletas, desviantes, sonsas. Não pactuaremos com silêncios cúmplices. Ofereceremos a verdade que exigimos. Olharemos de frente o rosto da angústia e encheremos de sentido o vazio. Saberemos de memória as sílabas do amor e expulsaremos o medo dos seus recantos sombrios. E começaremos hoje mesmo.

Recordando João Vieira


Uma das consequências de se viver durante muito tempo é assistir-se à partida de muita gente, familiares, amigos, conhecidos. Ontem, estava a almoçar e a ver televisão (um mau hábito), e fui surpreendido com a notícia da morte do pintor João Vieira. Não se pode dizer que fôssemos amigos; tampouco inimigos. Digamos que nos conhecíamos e nas poucas vezes em que nos víamos tínhamos uma relação cordial. Sentia uma grande admiração pela grande qualidade da sua pintura. Tenho uma serigrafia do João em minha casa e, na última vez em que falei com ele – num restaurante de que foi proprietário em Azeitão – levantei a hipótese de lhe comprar um quadro. O problema eram dois, disse-lhe eu – ele ser um artista muito cotado e eu não ser rico. Estava com a minha mulher e com um casal amigo, o António e a Célia Gomes Marques (sendo o António, por via do teatro, mais íntimo do João do que eu). Rimo-nos e o João Vieira logo disse que se havia de encontrar uma solução. Coisa que nunca aconteceu nem acontecerá, visto que o João nos deixou.
Em Março, no Dia Mundial da Poesia, estive em Vila Real, a convite do Grémio Literário, para, com o Eurico de Figueiredo, animar um debate sobre o Movimento Setentrião no qual nos anos 60 participei. Já não ia à cidade há uns anos e um dos anfitriões, o Elísio Amaral Neves, andou a mostrar-me as novidades que o burgo tinha para exibir – muitas e nem todas boas – entre elas, e entre as melhores, estão os vitrais que o João Vieira criou para a Igreja de São Domingos ou Sé Catedral. Confesso que a minha primeira reacção foi negativa – a pintura do João incrustada num monumento gótico acordou o reaccionário que há em mim. Pareceram-me duas coisas isoladamente muito belas, mas separadas por cinco séculos, criando uma relação anacrónica que me chocou. Mas fui caindo em mim e o tipo mais desempoeirado, que também cá mora às vezes, levou a melhor. A beleza é intemporal. Os vitrais do João estão muito bem na Sé de Vila Real.

Uma das imagens que guardo da juventude do João (e da minha, claro) é estarmos os dois no Café Gelo, numa manhã de domingo ainda cedo, em que ainda ninguém aparecera (mas eu morava perto e ele tinha o ateliê mesmo por cima) a falar sobre a música popular brasileira, trauteando canções e de repente o João sai-se a cantar muito bem o «É doce morrer no mar», do grande Dorival Caymmi. O Herberto e o Forte que entretanto chegaram não o interromperam e ele pôde chegar ao fim da canção. Um dote do João que talvez poucos conheçam – cantava bem.
Enfim, o João Vieira deixou-nos. E, com ele, um dos maiores pintores portugueses desta atribulada época.
Escutemos Dori Caymmi cantando a linda balada criada por seu pai.

Pode MFL ir à Madeira desdizer Jaime Gama?

Quando foi preciso “amaciar” o Alberto João os socialistas não tiveram grandes pruridos. Mandaram lá o Jaime Gama e este não esteve com meias. Um estadista, o homem que tirou a Madeira da pobreza, o político que mais eleições ganhou, o senhor das ilhas e das autonomias.

O que é tudo ou quase tudo verdade diga-se de passagem. Esqueceu-se da asfixia democrática mas isso era porque Jaime Gama sabia o que vinha aí com Sócrates. Vá de não falar em coisas tristes o homem até está em casa dele, não há como sermos todos amigos.

Enquanto Gama fazia o trabalho de “maquina compressora” o Sócrates preparava a receita, retirou-lhe parte do orçamento, chamou-lhe tudo, andou anos sem pôr os pés na Ilha, com um absoluto desprezo pelo Alberto João. Enquanto isto, em relação ao César dos Açores, era só meiguices a ponto de estragar o relacionamento com o Presidente da República com o triste e anticonstituicional estatuto.

Agora choram lágrimas de crocodilo porque a Manuela Ferreira Leite foi lá confirmar o que o Jaime Gama dissera alto e bom som. Que é só campanha!

Campanha é, mas só aprendeu com os socialistas. Afinal quem é a Presidente do PSD para desdizer o Presidente da Assembleia da República?

PS : sou mau como as cobras…

FREEPORTGATE

AINDA E SEMPRE. NÃO PARA NEM ACABA.

Afinal sempre é verdade que houve luvas pagas. Confirmação feita pela polícia Inglesa. E houve dinheiros escondidos, de cor azul, a passear pelos paraísos fiscais, e quem fazia a distribuição pelos interessados, teria sido o sr Smith.
De qualquer forma continua tudo assim. Há os que receberam mas negam. Há os que não receberam, mas não desdenhariam de o ter feito. O certo é que as libras desapareceram, depois de se transformarem em euros. E ainda está tudo legal. E estará ainda por muito tempo. O Freeport e os envolvidos, sejam eles arguidos ou não, não serão beliscados. A não ser que caiam entretanto em desgraça, ou sejam “peixe miúdo” e sem interesse.
Parece que vai haver mais três arguidos, mas ainda não se pode saber quem são. Ainda é cedo!
Tudo vai ter de esperar mais uns dias. As eleições estão aí à porta e até não interessa muito que se saibam estas coisas até esse dia. Já nem vinte dias faltam. Podemos esperar, não nos custa nada. no fim, e de uma forma ou de outra, esta montanha irá parir um ratico, pequeno e enfezado.

FUCK THEM!

INSULTOS EM INGLÊS

Só para quem entende línguas.
Alberto João, mais uma vez sem meias palavras, “insulta” os “imbecis” e os “medíocres” que se preocupam com ninharias, havendo tanta coisa importante para discutir em Portugal.
Não estou preocupado com estes insultos, pois na sua maioria, muitos desses imbecis e medíocres merecem mesmo que os mandem f…..
Podemos fazer isso no próximo dia 27.
JM

POEMAS ESTORICÔNTICOS

Meu amigo Dostoievsky

Meu amigo Dostoievsky nada temos a ver aparentemente um com o outro a não ser o nosso encontro pelos meus dezoito anos. Apetece-me chorar ao recordar as noites em que à luz de um foco olho de boi debaixo dos lençóis – para que minha mãe não visse – eu invadia os teus livros numa das maiores e mais deliciosas aventuras da minha vida. Ainda hoje me são familiares o rosto de Sónia e a figura de Raskolnikov luz mítica e mística dos que têm coisas em comum orientando-se na direcção do símbolo e do mundo sem forma. Da mesma forma que te marcaram Balzac Schiller Victor Hugo e Goethe tu imprimiste em mim a sensação que te fez desmaiar perante a beleza de Seniavina na casa dos Wielgorsky e eu não sou homossexual meu caro Dostoievsky. Perante a beleza eu não sei ao certo onde pára o sexo se no esperma de Úrano derramado no mar se na poesia da Morte em Veneza. Não é a realidade física que interessa ao simbólico mas o significado do sexo na imaginação. A dualidade do ser funde-se na tensão interna de quem ama e a união sexual não é mais do que o apaziguamento da tensão interior. Nunca te concebi humano sobretudo depois dessa manhã de rosto de pedra e gelo em que viveste o mais trágico minuto da tua vida. Um vento glacial varreu-me a fronte ao ouvir o teu nome na chamada para a morte: -Akcharumov! -Shaposhnikov! -Dostoievsky! Hoje depois de ter amado tanto aceito a tua epilepsia como o estigma mais marcante da pureza da condição humana e passei a considerar-te meu irmão para o resto da vida. Por isso me senti prisioneiro quando entrei na fortaleza de S. Pedro e S. Paulo por isso chorei na Praça Semenovsky onde viveste uma vida inteira em dois minutos de morte. Era como se fosse eu o condenado! Também chorei quando reencontraste Suslova apenas pelo que sofreste ao ver que o amor não se repete. A noite e o vazio estão na origem cosmológica do mundo e o amor é uma criança que cresce… e deixa de ser criança. Amor e morte quando descobertos acordam e fogem. Para escrever bem é preciso sofrer disseste um dia ao jovem Merejkovsky quando a vida confundia as chamas do teu inferno com relâmpagos de visionário. Sofrer pode ser apenas sorrir… frente a toda a utopia palpável não paranóica nem delirante. Foi a mim que o disseste meu caro amigo foi a mim que o disseste na tarde cinzenta da tua morte na hora da hemorragia que te vitimou. Até hoje ainda não te agradeci. Perdoa não ter acompanhado o teu féretro mas nessa altura eu não existia… ou será que te acompanho ainda hoje neste pesado caminho do fim?

O G20 : o prémio já cá canta

Os poderosos juram que nada será igual no sistema financeiro internacional, que os objectivos a curto prazo e os respectivos prémios para os gestores nunca, mas nunca mais serão os mesmos.

Vamos ter um sistema financeiro muito mais regulado, com os “veículos” muito mais estruturados e muito menos “voláteis”.

Isto vai lá, para já estão a falar “no quanto” o que quer dizer que os prémios continuam, já cá cantam, é só uma questão de montante. A ver pelas grandes empresas portuguesas, que baixaram as remunerações dos administradores em 3.7% ,isto é mesmo a sério.

Entretanto vejam a grande conclusão que merece todas as esperanças “quanto à melhor forma de acabar com os excessos na banca, é um tema adiado para novo encontro, no fim do mês” está a mesmo a ver-se que a vontade é mais que muita, isto vai ficar como sempre esteve, agora até com mais “savoir fair”, depois desta experiência tão traumatizante para quem ficou sem a massa (que não foram os ditos cujos).

Podemos pois estar à espera porque eles tambem estão, que isto saia do buraco para que tudo fique na mesma. A verdade é que estes meninos e meninas ( a partir de agora que temos duas “estrelas” como aventadoras vou sempre referir-me às “meninas”) ficaram com os milhões e quem pagou a factura foi o Zé povinho (povic, em polaco) com as “ajudas” que nunca mais voltam, e os prejuízos nacionalizados nossos, tudo pago com o dinheiro dos contribuintes e de quem trabalha!

Olha para o BPP, o BPN e o BCP , todos gaiteiros e azeiteiros…

PS: quanto aqueles palavrões de economês é a ver se pega …

A formidável derrota de Maria de Lurdes Rodrigues: Balanço de um mandato (1.º semestre de 2006)

(continuação daqui)

Poucos meses depois, chegava a proposta do novo Estatuto da Carreira Docente (ECD) que, caso único no mundo!, propunha a divisão dos docentes em dois escalões: professores e professores titulares. Sabendo-se que o conteúdo funcional da carreira docente é exactamente o mesmo do princípio ao fim, percebe-se melhor que só pode ser completamente obtusa a pessoa que congemina uma solução luminosa como esta. Para que conste, foi João Freire, sociólogo do ISCTE e o criador do monstro, o ideólogo da patifaria. Patifaria ainda maior porque lançada cuidadosamente no final do ano lectivo e muito perto das férias dos professores e das eleições da FENPROF.
Num «post» intitulado «Estatuto da Escravidão Docente», em 30 de Maio, Paulo Guinote considerava a proposta «a afronta derradeira desta Ministra aos docentes», mal sabendo que a procissão ainda ia no adro. Os diversos graus de penalização dos professores, a relação entre resultados dos alunos / resultados dos professores, a criação de um sistema hierárquico entre os próprios docentes ou o «emaranhado burocrático» em que se iria tornar o processo avaliativo eram algumas das incongruências apontadas nesse «post». Já para não falar, como é óbvio, dos ajustes de contas que começarão em algumas escolas entre aqueles que conseguirão chegar a titulares e os que não o conseguirão. Um verdadeiro «ano das facas longas», que vai tornar o clima em algumas escolas verdadeiramente insuportável.
Entramos no mês de Junho de 2006 e «A Educação do Meu Umbigo» começa a tornar-se no fenómeno que é hoje. Paulo Guinote, que iniciara a sua aventura em 30 de Novembro de 2005 e que até aí se limitra a meia dúzia de «posts», ou menos, por mês, começa a ser cada vez mais regular, porque os ataques aos professores começam também a ser mais regulares.
Ninguém consegue enganar toda a gente durante todo o tempo, mas, neste momento, Maria de Lurdes Rodrigues vive o seu «momento dourado», pois consegue enganar a maior parte das pessoas e manter-se como a corajosa ministra perante a opinião pública e a comunicação social. Quando é grande o salto, é grande a queda, e não há-de faltar muito para que, de intrépida e corajosa, passe a ser arrogante e mentirosa. E para que, mesmo no seio do PS, passe de trunfo a incómodo. De peso-pesado do Governo a simples peso. Quem diria, nesses tempos áureos, que dois anos depois não passaria de um cadáver poítico!
A entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues à RTP 2 e à Rádio Renascença, nos inícios de Junho, foi demonstrativa da forma como a comunicação social protegia a ministra e não a confrontava perante as evidentes contradições. Através de um conjunto de gráficos falaciosos, demagógicos e que não tiveram contraditório, atirava-se para a opinião pública a ideia de que o Ministério gastava cada vez mais dinheiro e que os resultados não apareciam por culpa dos professores, que faltavam muito. «A Ministra de Rosto Humano» foi outro exemplo significativo da bem oleada máquina de propaganda na Educação.
Entretanto, Paulo Guinote vai anunciando o livro de um ex-dirigente da Inspecção-Geral das Escolas de Inglaterra, que fazia perguntas assustadoras como estas: «Porque é que um quarto de crianças de 11 anos passam para a Escola Secundária [em Portugal 3º ciclo] incapazes de ler?»; «Porque foram gastos milhões do dinheiro dos contribuintes em iniciativas que têm afundado os professores num pântano de papelada e burocracia e desnecessária?» Ou seja, exactamente o mesmo que se estava a passar em Portugal.
Mas o Ministério da Educação não parava. Chegara a vez dos concursos. Destruindo um sistema de colocação de professores razoavelmente incólume a vigarices, Maria de Lurdes Rodrigues passava para as escolas a responsabilidade de contratarem directamente os professores. Abria assim a porta para as cunhas, o compadrio, a corrupção. Conheço tantos casos de professores que foram colocados em escolas através de cunhas!
Entretanto, a inefável Ministra manda repetir os exames nacionais de 12.º ano de Física e Química, apenas porque os resultados foram negativos. Passando ao lado da injustiça que foi praticada para com os alunos da 2.ª chamada, que só tiveram uma oportunidade, é impossível não pensar que, com este tipo de medidas, é muito fácil abrir a boca toda para dizer que se diminuiu para metade o insucesso escolar. Claro! Aprovando alunos com 8 e 9 negativas, repetindo exames que correm mal e por aí fora.
Chegaram as férias. O ano seguinte iria assistir à intensificação da luta dos professores. Chegara a altura de endurecer o processo de luta. E os professores não se fizeram rogados.

O debate José Sócrates – Francisco Louçã de logo à noite vai dar «porrada de criar bicho»

Caros leitores,

Logo à noite, a partir das 20.30 horas, todos para o chat do Aventar, prontos para comentar as incidências – antes, durante e depois – do debate entre Francisco Louçã e José Sócrates. Encontrarão a caixa de chat, dentro em breve, na barra lateral direita do blogue. Será que Sócrates vai vencer um adversário habitualmente combativo? Será que Louçã vai fazer Sócrates perder a cabeça? Será que o primeiro-ministro vai mudar as regras do debate e fazer «gato sapato» da jornalista como da última vez? Será que vão acabar os dois à estaladona? Tudo dúvidas para esclarecer logo à noite. Aqui, no chat do Aventar.
Entretanto, se alguém me souber indicar o paradeiro do Jugular no Blogómetro, agradecia muito. É que eu olho, olho e nada vejo. Devo andar a precisar de óculos. Mas dos normais, porque «óculos de Penafiel» são mais a especialidade desses nossos grandes amigos de blogosfera.

Muito perto de

cartaz-cds-pp

Dei ontem de caras com este cartaz (o photoshop aplicado a Paulo Portas é de origem, não mexi em nada).

Este muito perto  levou-me a fazer umas continhas. Nas legislativas de 2005 o CDS-PP ficou em 4º lugar, tendo apenas o PS e o PSD eleito deputados, como sucede desde há muitos anos.

Utilizando um simulador eleitoral, os resultados foram os seguintes:

coimbra-2005

Ou seja: o PS ficou muito perto de eleger outro deputado, o BE ficou perto de eleger um deputado, e a partir daí as distâncias aumentam.

Devo dizer que ficaria muito, mas mesmo muito satisfeito se no dia 27 BE, CDS e CDU elegem-se um deputado cada por Coimbra. Primeiro porque sou amigo de 2 desses candidatos e voto num deles, segundo porque o  candidato do CDS sempre é de Coimbra, e não um qualquer paraquedista como é o caso da srª da Saúde que este ano, encabeça a lista do PS,  e mais importante que tudo, desejo que o bloco central encolha o máximo possível na próxima Assembleia da República, arrumando com o estafado argumento do voto útil.

Agora daí ao muito perto de, ainda vai uma boa distância.

Já agora, se esse meu desejo se concretizasse, e supondo um resultado PS 4 deputados, PSD 3, o meu distrito evitava ser representado no parlamento pelo sr. Nuno Encarnação, que o pai Carlos lá conseguiu meter nas listas, e pela sra. Maria Antónia Almeida Santos, idem idem, aspas aspas. Uma vitória da República, portanto.

BI-QUADRA DO DIA

Criam cofres bem escondidos

A que chamam off shores

Não te deixes S. João

Embarcar em tais amores.

 

São ratos e ratazanas

Porcos e outros que tais

São tão sujos estes gajos

Mais porcos do que animais.

“Fuck them” é mais terno que “eles que se fodam”

Os Clã é que a sabem toda. Há uns anos, em Problema de Expressão, já avisavam que “a língua inglesa fica sempre bem / e nunca atraiçoa ninguém”. Por exemplo, o “i love you” serve para dizer que se ama alguém. Mas também serve para dizer que se adora ou gosta de alguém. Deixa no ar uma certa ambiguidade que pode ser útil.

Quando temos um qualquer pressentimento, apresentamos sempre uma certa dificuldade em utilizar as palavras certas. Pressinto isto, desconfio daquilo. Complicado, não? Em inglês, um simples “i have a feeling” resolve tudo. É fácil e de apreensão imediata.

Enfim, haverá mais exemplos mas escuso de vos maçar com isto. O que agora importa sublinhar é a capacidade da língua inglesa de simplificar o que em português pode ser mais complexo.

Haja Alberto João Jardim para o confirmar. Digam lá que “fuck them” não é muito mais elegante – diria mesmo, terno -, que “eles que se fodam”?

Debates: Sócrates – Louça

Tenho assistido com alguma atenção aos debates entre os principais líderes partidários. Irrita-me solenemente o formato conservador em que se desenrolam – parecem duas entrevistas a decorrer em paralelo, mas enfim… coisas modernas.
A nota mais surpreendente até ao momento vai para o ar apagado e abatido do Jerónimo de Sousa – se os camaradas da festa sem igual se atiraram ao ar com o ar meigo, quase camaradiano, no debate com o Sócrates, o debate com o Portas não trouxe nada de novo para os mais esperançados.
O Paulo Portas mantém o registo de sempre, com um discurso fluente, mas não “matou” o Sócrates como poderia e deveria ter feito.
Assim, resta o jogo de hoje – uma espécie de acesso à Liga dos Campeões: não porque o BE possa aceder à vitória, mas porque Sócrates precisa de estar em grande nível hoje para poder sonhar com a vitória. Louça tem essa responsabilidade, a de ser a voz de todos os que de uma maneira ou de outra, por causa da Ministra (essa pérola que lá bem no fundo do buraco continua a dar palpites infelizes) ou da crise, contam que Sócrates possa ouvir o que ainda não ouviu.
E por mim até pode ser quebrando as regras!

Um Grande Espectáculo na Maia:

Podem ver mais vídeos e fotos AQUI

Foi Sábado passado, durante o 1º Festival Internacional de Aeromodelismo da Maia. Um sucesso!

Ainda o esquecimento

Continuação daqui

Sem as bases históricas correctas e uma extensa pesquisa (seria preciso regressar a tempos até anteriores à 1.ª Guerra Mundial), é difícil perceber como uma única pessoa, um artista frustrado, conseguiu montar um esquema maléfico, de tal modo aliciante ao ponto de levar consigo milhões de seguidores numa rota de colisão com a própria Humanidade, deixando uma marca tão profunda e duradoura no Mundo Moderno, atingindo proporções à escala planetária e que ainda hoje é sentida. Tudo parece sempre centrado numa única pessoa, Hitler, que juntamente com um punhado maléfico de controladores, conseguiu fazer uma lavagem cerebral a uma nação inteira com único objectivo de aniquilar judeus.

Na realidade, ao longo dos tempos, uma visão “holywoodesca” da situação, contribui com uma perspectiva muito redutora, extremamente centrada no conflito armado (talvez até em demasia e ainda assim não totalmente reveladora), deixando quase sempre de parte o enfoque sobre os pilares que sustentaram uma ideologia que teve tanto de perverso como de eficaz.

Não resisto a deixar mais alguns excertos do prefácio de “A Deportação”. Faço-o por várias razões. Tão ou mais importante que o conflito militar e as batalhas, os horrores da guerra e o sangue derramado, é também tudo o que lhe serviu de base, o sofrimento civil e os pilares que permitiram que uma mentalidade tão deturpada pudesse nascer e fortalecer-se ao ponto de ter, obrigatoriamente, que se expandir para fora do seu próprio território e acima de tudo, de ter poder para o fazer. Também, porque noto as incríveis semelhanças, ainda que para já mais ténues, entre tempos tão distantes como os que precederam a  2.ª Guerra Mundial e os de hoje em dia, nomeadamente depressão económica, aproveitamento político duma situação social instável, desemprego crescente e propaganda. Costuma-se dizer que a História se repete. Fico na dúvida se serão apenas reminiscências de um passado que já se tornou longínquo ou raízes de um qualquer futuro próximo.

Excertos de “A Deportação”, 1970

“A origem de todo este mal encontra-se em Hitler. Mas Hitler não estava só. A derrota tinha momentaneamente desarmado os Senhores da Guerra sem ter reduzido as suas ambições nem despertado os seus escrúpulos. Impacientes e vigilantes, eles aguardavam. Por Senhores da Guerra não devemos apenas entender o alto comando mortificado, mas também aqueles que vivem da guerra e da preparação para ela, o grande capital e a grande indústria, o “Herren Klub” de Hugenberg, os Krupp, os Thyssen e os outros.”

(…)

“Sem poder sobre o povo, tinham de agir por interposta pessoa. Um aventureiro demagogo começava então a fazer-se ouvir. Disfarçada com umas pinceladas de “socialismo” e o pretexto de servir os interesses e a honra da raça germânica, a doutrina que ele pregava era a mesma deles. Mas deram-lhe ouvidos. Tinha a audiência que lhes faltava. Eles tinham o dinheiro que fazia falta a Hitler. Ao apoiarem a sua empresa, pensavam que esse agitador se tornaria um instrumento dócil nas suas mãos. O “socialismo”, para ele, mais não era do que uma palavra de apresentação de que nem ele nem os outros faziam o menor caso. Não foi inteiramente assim que as coisas se passaram. Guindado ao Poder pelo seu ascendente popular e pelos Senhores da Guerra, Hitler instalou-se nele. Mas que importava, se eles tinham tudo a ganhar com isso? Já tinham fornecido os estandartes e as botas envernizadas; passaram a fornecer também as armas e depois os tanques e os aviões. Era Hitler que reinava, mas quem prosperava eram eles. O mais seguro poder é o que permanece invisível: Hitler caiu e eles sobreviveram.”

(…)

“Em 1929, escrevia Hitler no Angriff, de Goebbels: “Quando a propaganda impregnou de uma ideia um povo inteiro, bastará um punhado de homens para a organização poder extrair disso as consequências desejadas”. Quatro anos mais tarde, ao ser chamado ao Poder pelo velho marechal Hinderburg, ele não tardou a mostrar a que é que chamava “um povo inteiro” e o que é que entendia por “uma ideia”: um povo inteiro subjugado à mais feroz das tiranias em nome de uma ideia que não passava de uma impostura estúpida e sedutora. O pangermanismo sempre fez receita. A propaganda tinha cumprido bem a sua tarefa. Não era já de um punhado de homens que o Führer dispunha, mas de centenas de milhares ébrios de orgulho, carregados de ódio, mentalmente fanatizados pelo mito da superioridade da “Raça dos Senhores”, e aos quais tudo era prometido, tal como tudo era permitido. Todos os que vegetavam, todos os que a inveja roía, todos os que se viam num desemprego sem esperança, todos os que não comiam o suficiente, e também todos os cobardes que preferiam matar a sujeitar-se a morrer, toda essa gente sem distinção, infelizes misturados com a escória, era convidada para a grande carniça. Os jovens sentiam-se objecto dos seus particulares cuidados. Ele definia-os assim: “Uma juventude fortemente activa, dominadora, brutal, eis o que desejo. Quero ver no seu olhar aquela centelha de orgulho e de independência que transparece nos olhos dos animais selvagens. Não quero nenhum adestramento intelectual. Para os meus jovens, o conhecimento constitui uma ruína.”

(…)

“A solidariedade era uma das formas da Resistência [nos campos de concentração]. Até aos últimos meses da guerra era praticamente impossível preparar uma verdadeira revolta armada. Não só o estado de esgotamento físico e moral dos deportados não permitia que se encarasse a hipóteses de um levantamento, mas também a delação que grassava, praticada abundantemente por todos os indivíduos duvidosos de que falei, misturados na multidão dos outros, tornava difícil a menor combinação. Tanto mais que certos detidos, que não eram dos tais cadastrados duvidosos, mas que eram fracos de espírito, se submetiam à “lei” dos campos em vez de lhe oporem uma recusa total; acreditavam esses que, ao denunciar o “delinquente” ou o suspeito, realizavam uma espécie de acto cívico, que, de resto, logo era recompensado com uma ração melhorada ou uma isenção do serviço de faxina.”

(…)

“Apesar da quase impossibilidade de se estabelecer qualquer combinação, de se organizar, de encontrar armas, 1944 e 1945 assistiram, no entanto, a verdadeiras revoltas, as primeiras das quais foram, que eu saiba, as dos campos judeus de Treblinka, em Agosto de 1943, de Sobibor, em Outubro de 1943, do Sonderkommando de Auschwitz, em Outubro de 1944, e de Mauthausen, em Fevereiro de 1945. Revoltas selvaticamente reprimidas, mas que provam a inabalável recusa de submeter-se, recusa transformada em acção, que não foi inútil, uma vez que era possível combater sem esperança de vencer.”

(…)

“Não há que perdoar àqueles que não são culpados. Seria grave injustiça fazer recair sobre o povo alemão, como um todo, a responsabilidade moral de um mal cujo nascimento, nas condições históricas em que se debatia, ele não discerniu. Quando mediu o perigo, já era demasiado tarde para lhe deter o crescimento, tendo sido ele a primeira vítima, ainda que muitos dos seus filhos tenham começado por se mostrar os sustentáculos de uma tal situação, para dela virem depois a sofrer, por sua vez, as mortais consequências. Mas quantos, no resto do mundo, se mostraram mais clarividentes, mesmo já com a guerra à porta? Seria ainda injusto atribuir aos jovens alemães de hoje a culpa de alguns dos seus pais, crimes de uns, cegueira de outros, esquecendo todos aqueles (e inúmeros são…) que sofreram e pereceram sob o terror e todos os que resistiram em condições ainda piores do que as que nós conhecemos. Uma tal maldição seria nada menos do que um genocídio moral, uma forma in
si
diosa de racismo, e a aplicação do princípio, detestável entre todos, da responsabilidade colectiva, um dos mais odiosos fundamentos do “direito” hitleriano.”

(…)

“Quem não vê, hoje, que a impunidade e o esquecimento fazem ainda fermentar certos espíritos nostálgicos de uma ditadura restaurada de que eles seriam os chefes todo-poderosos. E que, ao dirigirem-se de novo aos frustrados, aos descontentes, aos jovens mal informados do que aconteceu, eles encontram uma audiência iludida? E isto não apenas na Alemanha, mas por toda a parte onde o ódio troa ou a violência mina.”

Contos proibidos: Memórias de um PS desconhecido – Mário Soares e Samora Machel

(continuação daqui)

Em circunstâncias que descreverei noutros capítulos, eu teria a grande honra de conhecer em 1983 o então presidente de Moçambique, Samora Machel. Era injustamente conhecido em Portugal pelas «anedotas» racistas que o transformavam sempre
no «intérprete vítima», ignorando totalmente os seus grandes dotes humanos. Acontece que Samora Machel gostava de contar ele mesmo «histórias» sobre os portugueses e às vezes, com grande sentido de Jair play, transformava-se a si próprio na «vítima»da anedota. Uma noite, numa conversa que teve comigo em Maputo, satisfaria a minha curiosidade sobre pormenores da transição dizendo-me, meio a sério meio a brincar, que, quando assumiu o poder pela primeira vez, uma das suas primeiras medidas foi só sair à rua com pelo menos o dobro dos motards da escolta policial que o antigo governador colonial utilizava. Para a população – diria perante o meu ar de divertido espanto – era um sinal de que o novo presidente moçambicano era duas vezes mais importante que o ex-governador colonial! Ora vem esta maravilhosa história a propósito da imagem que, no nosso país, se «vendeu» com êxito à empobrecida população, farta do seu longo isolamento internacional. A ideia, a partir do momento que se sabe que os portugueses querem seguir um destino comum ao dos seuscongéneres europeus, de que quem tinha amigos ricos na Europa era rei! Chegar-
-se-iam mesmo a descrever relações internacionais sem o menor sentido de modéstia e das proporções, tendo o líder socialista afrnnado até ser «evidentemente… amigo pessoal do Schmidt, do Willy Brandt, do Callagham, do Olof Palme, do Yoergensen,
do Kreisky, do Mitterrand, etc. Posso pegar em qualquer momento no telefone e falar com eles». Mesmo que fosse verdade em 1979 e que, com excepção de Mitterrand, Mário Soares conseguisse falar com qualquer desses «amigos pessoais» numa linguagem comum,
esta afirmação visava o mesmo objectivo dos motards de Samora Machel.
A realidade era contudo muito diferente, sobretudo, antes do 25 de Abril de 1974!