girls with twisted pop on her panties

atm-feverray

a suécia não é só os abba. a suécia não é só metal. a suécia é também a terriola dos «the knife», duo constituído em 1999 pelos irmãos karin dreijer andersson e olof dreijer. depois da suave electrónica de «the knife» e «deep cuts» – dispensáveis – «silent shout» 2006 apostava numa evolução bem mais experimental e negra, nos limites da pop electrónica, partindo do princípio que a pop electrónica tem limites, o que é manifestamente falso, como bem se sabe. adiante. karin nasceu em 1975. em 2009 encarnou o projecto fever ray e lançou o seu primeiro album a solo. não deixa de ser curioso que na sua página do myspace se tenha identificado estilisticamente com o «black metal». a ouvir durante anos a fio. só para melómanos. ou. para qualquer nympholeptos a melhor coisa da pop são elas.  simplesmente complicado, como diria o bernard. leia-se:

 

 

Concrete Walls

i live between concrete walls
when i took her up she was so warm
i live between concrete walls
in my arms she was so warm

eyes are open the mouth cries
haven’t slept since summer

oh how i try
i leave the tv on and the radio

fever ray «fever ray» rabid records 2009

a ouvir/ver : fever ray when i grow up

ps: um primeiro «post» sobre algo sueco deveria ser sobre o bergman. todavia, há pouca cultura pop neste antro. cumprimentos. 

A Prisa agora já pode vender ou alguem pode comprar?

Todos sabiam quem era a Prisa, o que fazia, o que representava, de que força política era próxima. E, no entanto, comprou a TVI que começou por ser “entregue à Igreja”, repare-se, “entregue” e quem entrega tambem tira e condiciona e abre portas e fecha portas como se viu com a tentativa PT.

Afastar Moura Guedes era condição para que o negócio se fizesse? E Eduardo Moniz? E a licença para o 5º canal?

A verdade é que já há muita gente interessada em comprar e um negócio destes não se faz sem a benção do governo. Emagrecer e limpar empresas antes de as vender/comprar é normal, faz parte das acções necessárias para que o negócio seja bom para ambas as partes. Mas não faz parte dessas acções esbanjar activos e o jornal da Manuela era o programa com mais audiência da estação. Era um activo, a audiência trazia publicidade e é daí que as televisões vivem.

Tambem é verdade que com esta estratégia o preço da estação baixou, mas isso seria maquiavelico, baixar o valor da TVI para que alguem dê um passo em frente. Esse valor vai ser suportado fifty/fifty? Podem ter sido razões de higiene, calar aquela voz, por ser mais prejudicial do que benéfica no global?

Mas então está em causa a liberdade de expressão, vergada ao poder dos negócios.

E a pergunta mantem-se. Agora, em plena campanha para as eleições? Ingenuidade da administração? Mas alguem acredita nisso? A administração tira do ar a jornalista porque seria pior dar-lhe mais dois fins de semana ? Ou o que ela sabe e pode tornar público é uma bomba relógio?

Lembre-se que no fim de semana anterior tinham saído notícias em vários jornais que indiciavam que o processo Freeport estaria no fim e com Sócrates ilibado.

Hoje o Presidente do Sindicato dos Magistrados vem dizer que o processo Freeport só estará fechado em 2010!

Eu não ponho o meu esbelto pescoço no cepo, mas essa de ser a oposição a armar uma cilada, convencendo a maioria da administração a tomar essa decisão estúpida, nesta altura, só pode ser brincadeira!

Parece que isto do tempo vai dar chuva

Além do estado da nação há o estado de espírito na nação. Eduardo Pitta escutou esta preciosidade na Avenida de Roma, a “duas senhoras (eram mesmo senhoras) com 70 e muitos anos”:

Sabe que mais?», dizia a do TLS, «era bom que ganhasse o Bloco. A NATO intervinha logo.» / «E punha tudo na ordem!», disseram as duas à vez.

Isto é música para os meus ouvidos.

Quando as senhoras que são mesmo senhoras invocam a protecção da santa madre NATO podemos contar de seguida com peregrinações a Fátima, esta gentinha a dar de frosques para o Brasil (e daí não sei, que na Latina América também sopram ventos que já foram de Leste), e o resto deixo à imaginação de cada um, que as repetições na história costumam ser manifestamente exageradas.

Venha ela, chuvinha da boa, para regar a terra e refrescar cabeças.

Debate : Portas – Jerónimo

Juntaram-se à esquina a atirarem-se ao Sócrates, que é o bombo da festa. Todos contra o governo, contra as medidas na Educação, na Saúde, onde chegaram aquela conclusão extraordinária que seria melhor atacar as listas de espera com os privados em Portugal do que com uma ida a Cuba, descobriram as PMEs, quando andaram trinta anos a disputar a meia dúzia de grandes empresas, estão de acordo na Agricultura, isto é, estão de acordo que este Ministro é o pior de sempre, nem sabe sequer distribuir os subsídios .

Afinal os Megainvestimentos tambem tiram o crédito às PMEs pelo que nenhum quer os investimentos públicos, agora não, talvez mais tarde, descobriram agora que as PMEs representam 70% do emprego e 90% do PIB. descem os impostos, perdão, sobem os impostos aos bancos e às empresas monopolistas e baixam às PMEs, há cartel nos combustíveis gritam os dois à uma, não há dúvida, o Sócrates fez o contrário do que devia ter feito.

Aqui para nós, estiveram os dois a comer da mesma farinha, a central, a que é comida há trinta anos e sempre pelos mesmos…

PS: desculpem a pressa mas avisaram-me que a Ana Anes acabou de publicar um texto aqui no Aventar e eu estou ansioso, volto já…

Os homens e o Sofá

Há uns anos, quando ainda era nova, escrevi uma crónica sobre os homens e os minetes que causou uma grande escandaleira. Ora passados uns cinco anos, descubro que há uma nova estirpe de “homens” : os que dormem no sofá. Vão desde Directores Gerais, Directores de produção, Fotógrafos, criativos, economistas mas basicamente é mal que atinge as classes B+ e A. A estirpe do sofá não é para os pobrezinhos. É , sim, para os pobrezinhos de espirito e de “cojones”, por isso, desenganem-se se acham que é mal da linha de Sintra e subúrbios… A “gripe do sofá” atacou muito de fininho homens de todos os estratos sociais, mas sobretudo malta importante e cheia de peso na nossa sociedade. E se pensam que o vosso PDG ( Président Directeur Général) é um tipo muito mau na empresa e trata todos abaixo de cão, podem ter a certeza que em casa… dorme mas é refasteladinho no sofá e sobretudo… caladinho que é assim que se comportam os cobardes atinados. São os novos cobardes. Os underdogs que ,de dia andam disfarçados de gente, e, à noite dormem há um, dois ou três anos no sofá da sala. Piam de fininho a partir das 22h, porque ” o papá adormece a ver tv é por isso que acorda no sofá” e , obviamente, as crianças são estúpidas como se sabe e caiem que nem parvinhos. Pensam os pais, esses iluminados.

Para os novos cobardes, deixo apenas duas palavras: “Chateau D’Ax”. Aqueles sofás caros para caraças onde a Isabel Figueira fazia publicidade antes de pôr o César Peixoto, provavelmente, a dormir no sofá.

Quanto a mim a lição é simples: Para além do “nada é o que parece”, cada vez me agarro mais ao velhinho mas eficaz ” LIVING AND LEARNING”….

E claro, poderia mesmo dedicar esta crónica a alguém em especial. Mas não faço, porque até sou uma rapariga discreta, não é?

O debate Paulo Portas – Jerónimo de Sousa

Sem José Sócrates, os debates são educados e afáveis. As regras são cumpridas. Foi o que aconteceu hoje, apesar das divergências entre os contendores.
Paulo Portas esteve melhor e, infelizmente, venceu o debate, apontando caminhos sociais e parecendo até estar preocupado com os mais necessitados. Até certa altura, até pareciam estar os dois de acordo, mas as nacionalizações vieram marcar as diferenças entre PCP e CDS, entre Esquerda e Direita. Jerónimo de Sousa acabou por dizer umas coisas acertadas acerca dos Bancos, como o escândalo que é continuarem a pagar menos impostos do que as Pequenas e Médias Empresas, mas teria sido mais acertado dizê-las ao primeiro-ministro. O candidato comunista não há meio de arribar, nem com o «Red Bull» que o «5 Dias» lhe ofereceu. Pode ser que arribe no debate que he falta, com uma senhora da sua idade talvez seja arrebatado pelo fogo que até agora lhe faltou.

AINDA O CAPITALISMO

AINDA O CAPITALISMO

Amigo Luís Moreira. A humanidade evolui em tudo, à medida que o tempo avança. É o evoluir permanente do conhecimento. Hoje, dentro das sociedades ditas civilizadas, ninguém se desloca de carro de bois nem ninguém permanece alheio e indiferente ao que o rodeia. A influência exercida pelo crescimento, que não é o mesmo que desenvolvimento, mexe com tudo e muda constantemente as pessoas e as sociedades. Para melhor? Nem sempre.
A ciência deu um salto enorme e continua a desenvolver-se. O pensamento e as funções da sua estrutura neuronal avançaram de forma impressionante. É lógico e fácil aceitar que hoje haja muita gente a viver com mais paz e democracia, entendendo-se por democracia a sua irmã bastarda, com sistemas sociais de apoio que nunca existiram. Mas as desigualdades, mesmo nesta parte privilegiada da humanidade são escandalosas. Tudo isto, o bom e o mau, decorre não apenas do sistema em si mas da evolução natural de uma sociedade algo bem intencionada e algo perversa, em que o ser humano está inserido. Mas a muita gente a que se refere, está longe de ser a parte substancial da humanidade. A maior parte da humanidade está longe da paz, da democracia, da solidariedade e da justiça. Mas pior do que isso, está talvez em retrocesso. A maior parte da humanidade, numa época de grande crescimento e de inimagináveis transformações, está cada dia mais longe do desenvolvimento, isto é, da paz colectiva, da democracia universal, da saúde do planeta, da educação do Homem, do sustento da humanidade global, da solidariedade e da justiça. Assistimos hoje, proporcionalmente e contextualmente, a desequilíbrios e tremendas injustiças, a requintes de crueldade e desprezo pelos outros, talvez bem maiores do que há séculos atrás. E tudo isto, a meu ver, pela sede demencial de domínio e pela voracidade nunca vista dos agentes de criação de uma tão contestável quanto concentrada riqueza, sem qualquer espírito de benfeitoria ou solidariedade humana. O capitalismo é mau por natureza, aberrante na teoria e perverso na sua prática. Sempre beneficiará os ricos e condenará os pobres, por mais voltas que a gente dê. Lembro-me sempre das palavras da empregada doméstica, sem qualquer recurso, sobre-explorada por uma patroa cruel e desumana: – se não fosse ela eu nem sopa tinha para dar aos meus filhos.
O amigo Luís Moreira refere os profundos desequilíbrios e a incapacidade do sistema capitalista para criar igualdade de oportunidades. Mas isto, acrescento eu, é impossível de debelar dentro deste sistema. Este desequilíbrio e este desnível indelével constituem o metabolito essencial à sua sobrevivência. Por isso eu lhe chamo de anquilosado e cristalizado. Pode-se argumentar que o sistema capitalista há-de um dia chegar à eliminação dos desequilíbrios gritantes e à igualdade de oportunidades. Se em tal não se acreditar, é terrível, em termos de esperança e confiança no futuro. Trata-se, com efeito, de uma doença crónica, a qual, sem hipótese de cura, se vai aguentando com tratamentos paliativos ainda que modernizados pela evolução da ciência social e humana. Se, eventualmente, se acreditar, então o resultado, muito improvável, chamar-se-ia pura e simplesmente de socialismo. Mas o socialismo é uma filosofia de vida, uma filosofia de vida colectiva dentro do mais elevado grau de felicidade possível, uma estratégia política de moralização da humanidade, uma tentativa de elevação da dignidade ao cimo dos valores humanos. A antítese de qualquer filosofia capitalista.
Para chegar ao socialismo não há prazos nem linhas rectas nem caminhos milagrosos, embora alguns possam ser previamente pensados e traçados. Eventualmente serão muitos os trilhos do pensamento que até ele um dia nos levarão, apesar da inegável actualidade de Marx que esta deplorável crise, espécie de abcesso purulento, uma das chamadas “bolhas” do sistema, veio demonstrar.
O sistema capitalista tende a curar os seus excessos e delírios através de crises. Quando um dos seus abcessos rebenta, há um terramoto, a riqueza é destruída, as pessoas são dispensadas e despedidas sem contemplações, as instalações de produção são encerradas numa espiral descendente de contracção. A segurança é nula. Os desesperados, os desempregados e todos os desafortunados que do sistema dependem aceitam tudo até que o fim da crise reponha novamente a falácia e o sistema caminhe para a bolha seguinte, repetindo o ciclo, por etapas cada vez mais refinadas de uma grotesca exploração do homem pelo homem.

Amigo Luís Moreira, também o considero um interlocutor de grande sensibilidade e seriedade. Obrigado por me dar troco.
Um abraço do amigo Adão

ETICA E EDUCAÇÃO (6)

ETICA E EDUCAÇÃO (6)
Considerações sobre Ética

Existe uma ética objectiva, inscrita no nosso código genético, válida só por si, existe uma ética baseada na história da vida e das sociedades humanas ou existem ambas, fundidas e inseparáveis?
Se juntarmos tudo o que está escrito sobre ética encheremos um camião. Portanto, vamos deixar-nos de complicadas iguarias, satisfazendo-nos com a nossa comida mais caseira. O sentido mais antigo da ética residia no conceito de morada ou lugar onde se habita, um lugar exterior ao Homem, conceito que, muito mais tarde, se transformou em morada do Homem no interior da sua cumplicidade, o lugar do Homem dentro de si mesmo. A ética compreende a disposição do Homem na vida, interfere com o seu carácter, os seus costumes, a sua moral, ao fim e ao cabo com o seu modo e a sua forma de vida. O Homem faz-se por si e pelos outros. A ética é a autenticidade deste fazer-se.
Há uns anos atrás, um doente meu, homem já idoso, daqueles para quem a cultura não é um empilhamento de conhecimentos mas a capacidade de entender os fenómenos que nos rodeiam, ensinou-me, por palavras simples, que o Homem para ser Homem tem de ser gente. Pressupunha que o ser gente resultaria da construção de alguma coisa assente em vários pilares:
O primeiro pilar seria constituído pelo pensamento e pela sua inseparável companheira, a razão. A ética é uma consequência da razão. Podemos dizer que as plataformas que permitem a elaboração de um pensamento ético são a liberdade e a responsabilidade. A capacidade do Homem de se auto-determinar e assumir a direcção da sua vida determina-o como homem livre e, por conseguinte, a caminho do sujeito ético. E um sujeito ético é, fundamentalmente, um sujeito que procura a verdade. O referente da liberdade humana é a procura da verdade, porque a verdade orienta a liberdade e encaminha-a para a sua plenitude. O pensamento é o suporte mais poderoso e a mais forte armadura do Homem, a mágica força da sua criatividade. Sem pensamento e sem razão a mente humana não passa de um céu brumoso, sem ponta de sol. Por isso o pensamento e a razão têm tantos inimigos!
O segundo princípio ou pilar fundamental decorre do primeiro e chama-se cultura. Não sei verdadeiramente o que é a cultura. E cada vez sei menos, neste pequeno país e neste pequeno planeta feito de inúmeros serventuários medíocres, de impante provincianismo, incriativos plagiadores de todos os lugares-comuns inseridos nas políticas de retrocesso. Sei, no entanto, que não é a cultura-espectáculo, a cultura enlatada de políticos e cabotinos, a massificação e homogeneização que só geram vícios consumistas, impedindo o homem de pensar, reflectir e encontrar, mas a cultura do dia-a-dia, a cultura estruturante da pessoa, a cultura do percurso, a cultura da ética dialógica que está na base da racionalidade crítica orientada para a procura do significado da realidade humana.
O terceiro princípio seria o respeito pelos outros. Todavia, o respeito pelos outros nunca existirá se não houver respeito por nós próprios. O respeito pelos outros é o espelho de nós próprios.
O quarto pilar desta edificação ética do Homem seria a justiça e a solidariedade. O primeiro passo da solidariedade estaria no entender da justiça social e no seu consciente reconhecimento como prioridade das prioridades. O segundo passo seria a consciência de que viver dos outros implica sempre viver com os outros e para os outros. Ao contrário daqueles que aceitam o individualismo como fatal decorrência da onda globalizante e o desculpabilizam e desnegativizam, eu penso que o Homem é um ser para o encontro, encontro consigo mesmo, com os outros, com o mundo e com o transcendente, a quem abre a interioridade da sua consciência e da sua auto-posição. (Continua)

                        (manel cruz)

(manel cruz)

Como dizem que o clima está a mudar…

2_47

Como o nosso Antero tem andado ausente, aqui fica este excelente cartoon de Handoko Tjung acerca do aquecimento global.

BI-QUADRA DO DIA

Criam cofres bem escondidos

A que chamam off shores

Não te deixes S. João

Embarcar em tais amores.

 

São ratos e ratazanas

Porcos e outros que tais

São tão sujos estes gajos

Mais porcos do que animais.

A verdade, afinal já havia outra

politica de verdade

É a citação do dia, vinda do facebook (quando for grande hei-de aprender a fazer linques para lá): o fantasma de Salazar nas costas da sr. Manuela F. Leite.

Curioso é o facto de alguém bem próximo dela conhecer de certeza absoluta o texto, o seu contexto, e pelos vistos ter achado que era o único. Estou a falar de Pacheco Pereira, claro.

Mário Soares: não vamos ver isso nas eleições?

Mário Soares tem vindo a fazer frequentes declarações nos jornais o que não augura nada de bom. Na base das suas preocupações está o facto de que a maioria das pessoas em Portugal seria de esquerda pelo que não se entende que a direita possa ganhar as eleições do próximo dia 27.

Mas não é isso mesmo que se vai ver com as eleições? Se o país é ou não de esquerda, neste momento? Ou melhor, se a política seguida nestes quatro anos por Sócrates merece a concordância do pais?

Mário Soares promete que se a direita ganhar a esquerda deve ir para a rua manifestar-se. Eu também irei se a direita quizer desmantelar o Estado Social mas temo que o alfa e o ómega estão na capacidade de criar riqueza, regular uma economia social de mercado, sem o que, aí sim, o Estado Social não é suportável.

Os socialistas “sentaram-se” no Estado e nas grandes empresas públicas, em meia dúzia de grandes grupos económicos e esqueceram-se que o nosso tecido empresarial é basicamente constituído por 300 000 PMEs que representam 70% do emprego e 90% da riqueza criada.

O desemprego é por aqui que se ataca não é inundando os bancos de dinheiro que depois não chega à economia, como muita gente os avisou. Não se ataca o desemprego e o miserável crescimento económico com empresas em monopólio, ganhando rios de dinheiro que, na falta de concorrência, não são mais que impostos travestidos de lucros, pois pagamos os produtos e os serviços mais caros da Europa.

E, por último, José Sócrates por quem o país tem uma espécie de “comichão” sempre que o vê com as suas mentiras, os seus casos, a sua falta de credibilidade.

Pois é, Dr. Mário Soares , as regras do jogo são estas e não outras. O povo é quem mais ordena!

Kindle surpresa (eu sei, eu e os trocadilhos não… pois)

Não sou um velho do Restelo, acreditem. Até estava disposta a experimentar o famoso Kindle (o novo leitor de livros electrónicos). Não abdicaria por inteiro do livro em papel, não chega a tanto a minha abertura de espírito, mas estava disposta a dar uma oportunidade a este novo mundo do livro electrónico. O nosso aventor Carlos Loures já havia feito uma lúcida análise deste tema no seu texto “No aniversário de Ray Bradbury – livro vs NTI” e eu, com todo o carinho que tenho pelo velho Ray, ia fazer ouvidos moucos das suas advertências. Mas eis que me chegou aos ouvidos que a Amazon, justificando-se com um problema de direitos de autor, apagou dos aparelhos Kindle os exemplares de “1984” e “Animal Farm”, de George Orwell, que haviam sido comprados e descarregados por vários dos seus clientes para o respectivo aparelhito. (notícia da AP disponível aqui.) A empresa oferece-se agora para reembolsar os lesados ou devolver-lhes os livros que haviam sido apagados, mas a sombra negra que este acto gerou é que já dificilmente se dissipa. A Amazon pode apagar um livro do Kindle depois deste ter sido comprado e transferido para o leitor?

Isto significa que pode aceder ao aparelho e saber quais os livros que compramos, que leituras preferimos, e até consultar as notas que tomamos, os sublinhados que fazemos, o que destacamos de cada página que lemos? Pode armazenar dados sobre as nossas preferências? Pode apagar, quando assim o decidir, aquilo que considera que não devemos ler? Pode enviar-nos os livros que entende que devemos ler, introduzindo-os no aparelho sub-repticiamente? Haverá um olho perpetuamente vigilante do outro lado do aparelho, a acompanhar a nossa leitura, a tomar nota dos bocejos ou dos sorrisos cúmplices que cada página nos desperte, a avaliar e a medir o tédio com que encerramos o ficheiro de um livro ou o entusiasmo com que sublinhamos passagens? Não, fiquem lá eles com o Kindle, que eu vou fazer caso ao velho Orwell.

Alberto João, taxista madeirense

Manuela Ferreira Leite usou hoje um carro do Governo Regional da Madeira, pertença do Estado Português, para fazer campanha eleitoral no Funchal. A líder do PSD fez várias deslocações na viatura oficial, ao lado de Alberto João Jardim, numa visita à ilha que foi sempre apresentada com uma acção da campanha eleitoral do PSD.

E ainda diz que a asfixia democrática é só no continente. Eu gosto da expressão asfixia democrática. Não sei porquê recorda-me o falecimento de David Carradine, deve ser por causa da corda no pescoço, e abre caminho para outras expressões: cólica democrática, eructação democrática, fobia democrática, é todo um mundo de figuras de estilo que se abre perante nós, que não andamos no mesmo táxi, nem temos pena.

Actualização:

Este comentário à notícia é fantástico:

Só se esquecem que a maioria dos portugueses não são burros. Percebem bem que a Dra. Manuela Ferreira Leite não procura qualquer proveito a partir daí. Percebem bem, que quase todos os seus governantes, fazem deslocações privadas no seu automóvel de estado. Mais, não é raro ver membros do governo chegarem a “convenções partidárias” nas viaturas oficiais.
A quem aproveita esta tempestade num copo d’água?
Mesquinhez… Pequenez.

Um bom exemplo de eructação democrática, onde ainda se acrescenta que foram só 500 m, com o taxímetro desligado. O que esta gente não conhece é a palavra princípios. Quando olham para ela, a 1 cm, 500 m ou 300 km, ficam com a vista enublada e acham-na de uma pequenez microscópica.

Agarrem as carteiras

Isto está a refinar, bué!

Um concurso para uma autoestrada ganho pela Mota/Engil do Jorge Coelho, que tem que passar por um terreno de Américo Amorim. Este protesta (não sei se pelas vias competentes)e a autoestrada já atribuída por concurso, é desviada do tal terreno (porque pode passar por um terreno e não por outro? pois…)

O novo traçado eleva para quase o dobro o custo da obra, o que seria mais que suficiente para fazer novo concurso. Nem pensar, o concurso está atrabuído e assim fica.

Diz Louçã que o aumento do preço é qualquer coisa como ir buscar ao bolso de cada um de nós 100,00 euros (vezes 5 milhões, é só fazer as contas…)

Tudo lícito, legal, normal, expedito, simplex, coelhone, socrático, xuxialista…

Cartazes das Autárquicas – Castelões (Penafiel)

PSD Castelões

Ricardo Duarte, PSD (Actual Presidente)

POEMAS DO SER E NÃO SER

A razão

 

A razão

tamanho de todos os céus

no silêncio de sonho-menino

os olhos cheios de serenas manhãs

na frouxa luz do fim da tarde.

A razão

palavra que se prende

por entre as folhas dos álamos

a doce margem de um regato

no sobressalto do pensamento.

A razão

saber se o tempo vai se o tempo vem

no calendário do sonho

não dar contas ao tempo

de um tempo que se não tem.

A razão

semente branca da vida

no fruto maduro da tarde

a esperança dos olhos frios

na quente ilusão de outro dia.

A razão

três lágrimas vertidas

na corrente do alto rio

um redemoinho de pedra e água

brincando à beira do abismo.

A razão

coração bem apertado

nos braços da solidão

a felicidade cantada

sem voz nova na garganta.

A razão

a firmeza do vento

no rio que não volta atrás

…ou a leveza do luar

nas margens da sombra.

A razão

coração cravado na erva

espantalho de emoções

longos braços de palha

entrelaçados de ilusões.

 

                              (adão cruz)

(adão cruz)

A formidável derrota de Maria de Lurdes Rodrigues: Balanço de um mandato (2005)

No final de um longo mandato de 4 anos, é hora de fazer o balanço de Maria de Lurdes Rodrigues como Ministra da Educação.
Dividirei este balanço em cinco «posts», escritos através de uma leitura atenta da Bíblia dos Professores, «A Educação do Meu Umbigo», do Paulo Guinote, e através da minha visão pessoal dos acontecimentos.
Irei procurar caracterizar aquela que foi, na minha opinião, uma formidável derrota da mais duradoura titular da pasta da Educação em Portugal no pós-25 de Abril. Maria de Lurdes Rodrigues deixa uma classe de professores unida como nunca esteve e admiravelmente preparada para lutar pelos seus direitos; e deixa milhares de alunos muitíssimo mal preparados para o futuro que é, afinal, o futuro de Portugal. Mais mal preparados do que alguma vez estiveram, apesar das estatísticas – a única preocupação da Ministra ao longo de quatro anos – dizerem exactamente o contrário.
Uma Ministra que tomou posse em 12 de Março de 2005. Uma antiga professora primária, que fez o curso do Magistério Primário como forma de acesso à função pública. Omitindo estes factos, o «curriculum» oficial revelava-nos uma socióloga formada no ISCTE e cuja experiência profissional nos vinte anos anteriores se resumia a muita teoria – projectos de investigação, representações em grupos do Eurostat e da OCDE, liderança do Observatório das Ciências. Em termos de prática, leccionou no ISCTE e pouco mais.

Referi antes que a preocupação com as Estatísticas comandou o mandato de Maria de Lurdes Rodrigues. Aliás, já em finais de 2005,
Paulo Guinote insurgia-se contra essa verdadeira obsessão que dominava a Educação em Portugal. Ou queremos um sucesso educativo estatístico, mesmo que à custa de uma galopante iliteracia funcional, e então está certo continuar a soterrar em papelada a questão da avaliação dos alunos e a acusar os docentes de serem os culpados de não conseguirem encontrar a solução para o insucesso dos alunos, ou queremos uma sucesso educativo efectivo, só possível com o aumento do rigor, do esforço e do grau de exigência colocado a TODOS os agentes no processo educativo (alunos, docentes, famílias e poder político), recuperando a Escola como um local de trabalho e fruição e o Professor como alguém que não é um mero gatilho da aprendizagem mas um guia dessa aprendizagem, qualificado para o efeito e digno do respeito dos seus alunos, dos seus pares profissionais, das famílias e da sociedade.Mas para isso era necessário reformar a Educação a sério e não limitar a intervenção à cosmética legislativa do costume

As aulas de substituição estavam então na ordem do dia. Aulas de substituição que foram implementadas, relembre-se, a meio do 1.º Período, já com o ano lectivo a funcionar em pleno. De repente, tiveram de ser feitos, em cada escola, novos horários para os professores, mexendo, em consequência, com os horários das próprias turmas. Não foi dado tempo às escolas para se prepararem, não foi anunciado que no ano seguinte iriam começar as aulas de substituição – não, tinha de ser de imediato porque a estratégia junto da opinião púbica era mesmo essa.
Paulo Guinote ainda admitia que tanto pode correr mal como bem, mas desde cedo se notou que tudo não passava de uma encenação e de uma palhaçada que tinha como único objectivo manter os alunos enclausurados dentro de uma sala de aula durante todo o tempo que estavam na escola. Era assim na altura e continua a ser assim agora, mesmo que o assunto tenha deixado de ser notícia. As horas que são gastas de forma estapafúrdia podiam ser aproveitadas em horas de apoio para os alunos com dificuldades, mas a Ministra da Educação pensará que é melhor que os alunos nada façam durante 90 minutos desde que ninguém os veja no recreio.
Como já escrevi aqui, os alunos que se esforçam, mas não conseguem, é que deviam ser apoiados com aulas de recuperação constantes às disciplinas em que têm dificuldades, em vez da fantochada que, hoje em dia, continuam a ser as aulas de substituição.
É tempo perdido para os alunos, que nada aprendem enquanto estão nessas aulas. O que vêem à sua frente é um professor que não conhecem, que não respeitam e que nada percebe daquela disciplina, mesmo que leve uma ficha de trabalho deixada pelo colega em falta. Admito aula de substituição no caso de ser leccionada por um professor da disciplina, nada mais, e apenas para o ensino básico.
Curiosamente, porque o professor tem de estar na escola um número determinado de horas, é colocado em aulas de substituição, ou então na Biblioteca, Sala de Estudo, etc.. Se está em aula de substituição e nenhum colega falta, fica na Sala de Professores, duas horas ou mais, sem fazer nada. Se vai para a Biblioteca, Sala de Estudo, etc.., nada tem para fazer, porque os alunos estão em aula ou em substituição, por isso não podem sair da sala. Não seria difícil aproveitar melhor o trabalho dos professores de forma a beneficiar também os alunos, sobretudo através de aulas de apoio individuais para todos os que precisassem.

(continua)

Francisco Leite Madeira – Mais eleições: O circo vem aí!

O circo vai continuar por aí, com palhaços além de malabaristas, trapezistas, ilusionistas e vigaristas

Tendo ainda presente o resultado das eleições europeias de há pouco mais de um mês em que, como escrevi, “o eleitorado deixou claro estar farto da ineptocracia socialista, de muitas promessas e de estórias da treta, ansioso por dias melhores”, aí estão à vista as legislativas, primeiro, logo seguidas das autárquicas. Dir-se-ia, termos mais um mês com o “circo” que vai chegando em ritmo de marchinha brasileira

Ai, o circo vem aí!
Quem chora tem que rir
Com tanta palhaçada!
Tem hindu que come fogo,
Faquir que come prego,
Mulher que engole espada.
Tá na hora!
Olha, bota o palhaço p’ra fora!

Que bom seria poder encarar-se com essa ligeireza a situação em que o País mergulhou, agravada que está, sem dúvida, pela crise assaz complexa que o mundo atravessa. O País anseia por uma vida melhor e, desiludido das promessas não cumpridas pela governação socialista, aguarda uma revisão de políticas que sejam adequadas à realidade, assentes na verdade e na sua exequibilidade.

Sem ir muito longe, esquecendo diversos aspectos relacionados com a promessa de consolidar as finanças públicas, incluindo o não aumento da carga fiscal já de si enorme e a contenção da despesa pública do Estado, que falhou, cabe salientar dois aspectos onde a evidência do não cumprimento das promessas eleitorais de 2005 foi dramática sem lugar, para qualquer dúvida:
1. Foi prometido reduzir a taxa de desemprego em Portugal ao longo da legislatura 2005-2009, mercê da criação de 150 mil novos postos de trabalho; ora, foi ao invés, como é do domínio público e a taxa de desemprego subiu para cima dos 9% e existem em Portugal presentemente mais de meio milhão de desempregados, tendo ultrapassado 150.000, os que nos últimos tempos engrossaram as estatísticas do desemprego.
2. Foi prometido aos Portugueses “voltar a aproximar, de forma decidida e sustentada, do nível de desenvolvimento dos países mais avançados da União Europeia”, devendo entender-se que isso significaria uma convergência como a que se verificou em resultado das políticas dos Governos da República de 1985 a 1995; ora, sucede que em 2005, Portugal no ranking dos 27 países da UE, ocupava a 18ª posição, com o PIB per capita equivalente a 76% da média europeia e em 2008 embora mantendo a mesma média, baixou para a 19ª posição, o que significa ter divergido e não convergido.

Para além das limitações de espaço, seria fastidioso fazer uma escalpelização do rol de promessas socialistas de 2005, a nível nacional, de que ninguém já tem qualquer dúvida. Importa no entanto, simplesmente, evocar os reflexos negativos que também as políticas do governo de Sócrates, tiveram para a Região, nomeadamente, os resultantes da famigerada Lei das Finanças Regionais que foram, inclusivamente, objecto de um estudo de docentes da Universidade Católica Portuguesa, já reportados pela media.

Posto tudo isto, é importante ter presente que as eleições de 27 deste mês, são para a Assembleia Legislativa e que, não obstante algumas tentativas de determinados políticos e politiqueiros, quiçá menos bem intencionados, “confundindo”, procurem associar à governação da RAM, o que só acontecerá daqui a dois anos por ocasião das eleições regionais. Na mesma linha, convém não esquecer tampouco que a “sujeição” à disciplina partidária – isto aplica-se a todos os partidos – normalmente condiciona o sentido do voto dos deputados eleitos pela RAM para São Bento, por muito “boas e bem intencionadas pessoas” que possam ser. Daí a importância da reflexão desapaixonada por parte de todo e qualquer eleitor, a ponderação antes de decidir em que partido votar – é Portugal que está em jogo.

Em 11 de Outubro há mais eleições, as autárquicas, que abordarei em próximo artigo – o circo vai continuar por aí, com palhaços além de malabaristas, trapezistas, ilusionistas e vigaristas.

Publicado também no Diário de Notícias da Madeira

Sondagem – o "centrão" a caminho ?

Aqui vai com a convicção que daqui a menos de dois anos vamos novamente a eleições.

PS – 34.5%

PSD – 28.9%

BE – 10.4%

CDS – 8,1%

PCP – 7.8%

O PCP parece baixo do que vale. O BE idem. A diferença entre os dois primeiros alargou-se o que é contraditório.

Esperar para ver.

ETICA E EDUCAÇÃO (5)

ETICA E EDUCAÇÃO (5)

Considerações sobre Educação

Ao apresentar-me, assim, como tecnófilo, fazendo a apologia da ciência e da tecnologia como novos caminhos que permitem coisas novas, não deixo de ter em atenção a posição dos tecnófobos que atribuem à ciência um cunho elitista, considerando-a parte de uma invenção diabólica que apenas serve de instrumento neo-liberal indispensável à melhoria das performances económicas. Neste sentido, a ciência passa a ser uma força de produção mais associada ao desejo de enriquecimento do que à produção do saber. Daqui a grande confusão, ou mesmo contradição, entre a maravilha da ciência e a perversidade das suas aplicações. Não podemos conceber, no entanto, um desenvolvimento sem ciência, a grande luz contra todos os obscurantismos. Podemos e devemos, isso sim, ter sobre ela uma visão crítico-dialéctica, reconhecendo o seu incomensurável papel no desenvolvimento da humanidade e não desprezando os seus grandes perigos. Um campo infinito, apaixonante, conflituoso e imparável, que tanto pode ser usado para a consolidação de um poder dominante, como pode estar ao serviço da democracia e de uma sociedade mais verdadeira mais progressista e igualitária. O mal não está na ciência mas no uso negativo que Homem lhe dá. (Continua)

                             (manel cruz)

(manel cruz)

Falando de democracia: A nave dos loucos (caos e democracia)

loucos
Na passagem do século XV para o XVI, um escritor alsaciano de língua alemã, Sebastian Brant (1457-1521), um jurista formado em Basileia, escrevia, em 1494, uma obra, Das Narrenschiff ou Stultifera navis, na versão em latim. Obra que, sem grande mérito literário, teve uma grande repercussão não só na sua época como nos tempos que se seguiram. Chegou o seu eco até aos nossos dias. Para um escritor menor, ser recordado ao longo dos quinhentos anos que se seguiram à sua morte, não está nada mal. Grandes artistas como Hieronymus Bosch e Albrecht Dürer, inspiraram-se nesta obra de Brant. Teve epígonos por todo o mundo. Gil Vicente, por exemplo, pensa-se que a poderá ter lido. A ideia central do livro é muito simples – numa era de navegações, a simbologia náutica era uma constante. Assim, Brant fez embarcar numa nave – a Sultifera navis – diversos tipos de loucos, 112 ao todo – todos os loucos do fantástico país da Cocanha, quer dizer, da abundância, numa nave que atravessa a Narragonien (Mattagonia), ou seja, o «reino da loucura». Os passageiros representam todos as classes – clérigos, nobres, mercadores, poetas, camponeses e artífices.
A cada louco, Brant dedica um capítulo do poema o qual, além do prefácio e do epílogo, tem cento e doze capítulos. Brant não de se esquece de si mesmo, referindo-se aos seus méritos e defeitos no prólogo, no primeiro e nos dois últimos capítulos – «O Louco dos Livros» e «Dos Livros Inúteis», falando dos loucos que, como ele gente que ama a sua biblioteca mais do que o saber que ela lhes pode oferecer, transformando-se em coleccionadores de livros, mas, nem por isso, em pessoas mais sábias. Outros temas interessantes são, por exemplo, «A Apologia do Poeta» e «O Homem Sábio e Prudente», em que faz o elogio de Sócrates (o filósofo grego, claro). Em cada um dos capítulos a obra retrata um vício humano personificado num louco – o louco da moda, o da avareza, o da discórdia, o da luxúria, o da gula, o da inveja, etc. Sobre todos, predomina a tutelar figura de Frau Venere (Vénus). «Das Narrenschyff» é sobretudo um poema moralista e, como tal, nele abundam sentenças bíblicas, aforismos populares alemães portadores da sabedoria conceptual da Idade Média. Por outro lado, representa-se nas suas páginas uma viva angústia pela trágica situação da Igreja, onde sopravam já os ventos de divisão que resultaram na Reforma, e pela iminente desagregação do Sacro-Império, ameaçado naquela época por poderosos inimigos internos e externos. A Nave dos Loucos de Brant era, portanto, uma mística barca representando a «Civitas christiana» à deriva num mar de loucura e de inovações «sacrílegas», filhas do Renascimento, concebidas a partir das cinzas profanas da Grécia e de Roma. Pela mesma época, o grande pintor brabantino Hieronymus Bosch criava o seu Barco ou Nave dos Loucos, também antes do final da era de Quatrocentos, pintura inspirada pelo poema de Sebastian Brant.
*
A narrativa de Brant Inspirou também o romance «Ship of fools» da norte-americana Katherine Anne Porter (1890-1980), publicado em 1962 e, em 1965, baseado no livro e com o mesmo título, um filme do genial Stanley Kramer, com Vivien Leigh, Simone Signoret, José Ferrer, Lee Marvin, entre outros. Num paquete de luxo, no ano de 1933, pessoas de diversos estratos culturais e sociais, numa amostragem de um pequeno universo concentracionário, viajam do México para a Alemanha – No decurso da viagem, na Alemanha a situação muda, Hitler sobe ao poder. Alguns dos passageiros, judeus por exemplo, vão alegremente a caminho do holocausto. E chegamos à terceira parte da minha «homilia» de hoje.
*
. A política partidária portuguesa, tal como actualmente se apresenta, afigura-se-me repugnante. Não compreendo como podem as pessoas preocupar-se com gente como Sócrates (o político português, claro), Manuela Ferreira Leite, Santana Lopes e quejandos. É gente que não pensa existe no sentido nobre da palavra (pois recebe o pensamento já mastigado pelos seus donos de Bruxelas, de Washington, da Sonae, da Galp, do Espírito Santo (o banco, claro)… Max Aub, um grande escritor espanhol (1903-1972) num dos seus deliciosos «Contos Exemplares», diz que as árvores existem, mas não pensam, pondo com esta constatação em causa o princípio de Descartes. Eu diria que estes nossos políticos não pensam e que, a aceitarmos a cartesiana teoria, como não pensam logo não existem. Andam por aí, fala-se muito neles, mas daqui por dez anos ninguém se lembrará deles. De facto, não têm qualquer importância. São meros peões movidos por gente mais ou menos discreta, mas que em todo o caso não goza do protagonismo dos políticos. Por exemplo, alguém, a não ser os americanos, acredita que o wrestling é um desporto honesto? Ou que é sequer um desporto? Com as lutas verbais dos políticos dos partidos do poder tenho o mesmo sentimento de burla descarada. Não é uma luta honesta e muito menos tem a ver com a democracia. Não é uma luta, é mais um ritual. Não lhe chamo palhaçada, pois já aqui expliquei o profundo respeito que nutro pelos palhaços. Vamos chamar-lhe farsa, com os devidos pedidos de desculpa aos farsantes. Quarta e última parte – vamos à moralidade (ou imoralidade?) da história.
*
Numa barca cheia de gente alienada, vamos navegando na irremediável direcção do caos. Não seria inevitável, se soubéssemos exigir aquilo a que temos direito, se soubéssemos escolher entre nós os mais capazes de dirigir a barca e de escolher a rota. Mas não. Masoquistas impenitentes, vamos elegendo como aparentes capitães os criados de poderes ocultos ou discretamente afastados da ribalta. Chegados à ponte de comando, perguntam aos patrões como e para onde devem conduzir a barca, pois nem sequer são eles os timoneiros desta nave que nos conduz ao caos. São simples marionetas. São os rostos e as bocas da corrupção, mas não o seu coração, os seus pulmões. Não nos enganemos com as frases grandiloquentes, mas ocas, com que protestam patriotismo e honra – são coisas que não têm. Se for preciso e der jeito até ajudam a vender a nação a quem der mais. Sempre em nome dos «superiores interesses nacionais». Uma nave de loucos conduzida por crápulas.

ADEUS MINHA FLOR DE LÓTUS DO JORNALISMO: MANUELA MOURA GUEDES, GODDBYE , I LOVE YOU!

1. EM MEMÓRIA DA MINHA MAIS QUE ADORADA E ÚNICA E SOBERBA , LOUCA, DESESPERADAMENTE ÓDIO-AMOR, e já com saudade da NOSSA GRANDE E SINGELAMENTE RARA E ÚNICA FLOR DE LÓTUS DO JORNALISMO, MANUELA MOURA GUEDES..E DO INESQUECÍVEL JORNAL DE 6ª ÀS 20H…EU VINHA A CORRER DA PRAIA PARA TE OUVIR E SORRIR…ADEUS MANUELA, I LOVE YOU.
2. TO YOU THE MOST BEAUTIFUL SONG:
dalby com uma lágrimasita ao canto do olho:

Je reviens te chercher
Je savais que tu m’attendais
Je savais que l’on ne pourrait
Se passer l’un de l’autre longtemps
Je reviens te chercher
Ben tu vois, j’ai pas trop changé
Et je vois que de ton coté
Tu as bien traversé le temps
{Refrain:}
Tous les deux on s’est fait la guerre
Tous les deux on s’est pillés, volés, ruinés
Qui a gagné, qui a perdu,
On n’en sait rien, on ne sait plus
On se retrouve les mains nues
Mais après la guerre,
Il nous reste à faire
La paix.
Je reviens te chercher
Tremblant comme un jeune marié
Mais plus riche qu’aux jours passés
De tendresse et de larmes et de temps
Je reviens te chercher
J’ai l’air bete sur ce palier
Aide-moi et viens m’embrasser
Un taxi est en bas qui attend
{au Refrain}

BI-QUADRA DO DIA

Os torres e os loureiros

As fátimas e machados

Isaltinhos e demais

Andam todos consolados.

 

A justiça não lhes toca

E ninguém lhes deita a mão

E o povo diz que sim

Em vez de dizer que não.

O Pintarroxo em «O Progresso de Paredes»- Venda do capacete do ano (III)

(continuação daqui. escrito numa época em que «O Progresso de Paredes» ainda não era usado pelo PS para a eternização do seu poder)

«Organizada pelo valente Sargento do Exército Manuel Coelho de Mendonça e Agostinho Ribeiro da Cruz, muito competente Regedor desta freguesia, foi promovida a venda do Capacete na festa de Santa Luzia, que se venera no lugar do mesmo nome.
Contribuíram graciosamente e requintada fidalguia para tão simpático fim as gentis meninas Maria de S. José Carvalho, Maria Zélia Carvalho e Maria Luisa Carvalho, de Mirandela, mas neste dia eram visitas honrosas do grande industrial local Joaquim Moreira dos Santos e de sua esposa, D. Maria Emília da Costa Pereira, inteligente professora local.
Satisfatoriamente colheram 108$20, cujo produto seguirá o seu bom destino, e nesse dia, as viúvas e órfãos da Grande Guerra, pagarão com lágrimas e sorrisos quem auxiliou e teve tão louvável iniciativa.
Exames do 2.º grau – Realizaram-se nas escolas da Vila de Paredes os exames do 2.º grau dos alunos do sexo masculino, da escola da Lage desta freguesia, cuja direcção está confiada à competente professora D. Maria Emília da Costa Pereira, sendo os resultados satisfatórios, como era de esperar.
Fizeram exame os seguintes meninos: Albino Correia, Américo Moreira Dias, António Joaquim Nunes Moreira dos Santos, Augusto Moreira dos Santos Pinto da Rocha, Carlos Alfredo Pereira dos Santos e Carlos Fernando Nunes dos Santos.
São dignos das mais honrosas referências e lícitos elogios os distintos professores e professoras que faziam parte do júri, pela maneira afável e fino trato como sabiam interrogar as crianças.
Digo-o porque assisti, e gostaria de ser criança para fazer exame outra vez na escola do professor Vasconcelos.»

Pintarroxo, in «O Progresso de Paredes», 20-07-1937.

A Social – Democracia Europeia

Há muita gente na Europa que critica o sistema em que vive, vendo nele um conjunto de erros e injustiças sem cuidar de ver as suas qualidades.

A primeira qualidade é que nunca houve antes um sistema que tenha mantido por tanto tempo, tantos milhões de pessoas a viverem em paz, em democracia e com um modelo de apoio à família, à doença e à velhice.

A primeira causa é que este sistema tem assegurado um nível sustentado de criação de riqueza que mais nenhum outro conseguiu. Ora, este nível de criação de riqueza tem permitido que todos os cidadãos, melhorem o seu nível de vida, embora com profundos desequilibrios. Mas, no essencial, a vida das pessoas tem melhorado mais nos últimos cincoenta anos que nos dois séculos anteriores.

Este sistema conseguiu criar uma rede de segurança social que abarca milhões de pessoas, os mais desprotegidos, uma rede pública universal de escolas que assegura a educação básica para milhões de seres humanos que sem isso se manteriam na ignorância e escuridão do conhecimento e, providenciou, uma rede universal de cuidados médicos que assegura saúde a milhões de pessoas que há cincoenta anos morriam por não terem água tratada.

Imperfeito, injusto e sem conseguir criar igualdade de oportunidades para todos, o sistema capitalista, como forma de criar riqueza, não tem paralelo, pelo que enquanto não aparecer um modelo de sociedade que consiga manter este nível de vida, nunca será substituído. Pode e deve ser aperfeiçoado, mas não pode ser substituído, pelo simples facto que ninguem está disposto a regredir no seu nível de vida. É uma falácia dizer que bastaria uma melhor repartição da riqueza para que a pobreza fosse erradicada. Sendo verdade, em termos puramente teóricos, a verdade é o que se vê, até aqui com os nossos concidadãos a quem são atribuídos subsídios .Não saem da miséria, porque a miséria não é só a falta de condições materiais é tambem, e talvez ainda mais, a falta de educação e de conhecimento que duram séculos a chegar a todos.

Sou reformista, no sentido que quero partir de uma base sólida para um patamar mais elevado, à custa de mais e melhor justiça social, mas dentro de um quadro onde coexistam o Estado de Direito, a economia social de mercado e a democracia de tipo parlamentar.

PS: ao meu caro amigo e aventador Adão Cruz a quem reconheço um elevado sentido solidário e humanista.