Sondagem

Diz a RTP que o PS descolou. Na sondagem da católica o PS salta para os 38%, ficando o PSD pelos 32%.
O BE aparece com 12% e o CDS aparece empatado com a CDU, ambos com 7%.
Estes números resultam de uma declaração directa de voto com valores muito diferentes:

PS – 23% (20% na sondagem anterior)
PSD- 18% (18%)
BE – 8% (6%)
CDU – 4% (5%)
CDS-PP – 4% (3%)
Outros – 1% (1%)
Não votaria – 11% (13%)
Não sabe – 17% (19%)
Recusa responder – 12% (11%)

Tirando as falhas que as sondagens têm tido nos últimos anos, fica clara uma coisa: com Sócrates no terreno, o PS sobe porque esse é o espaço onde ele é melhor – o campo da propaganda!
Começa a aparecer como cenário um governo minoritário do PS.
Penso que para 27 haverá apenas uma dúvida e o Portas hoje já se referiu a ela: irá ou não o CDS ficar também em condições de condicionar a governação. Escrevo também porque já é um dado adquirido que a votação no BE vai permitir uma maioria (numérica) entre o PS e o BE.

A sumptuosa campanha eleitoral do PS e o sumptuoso TGV

Parece que o TGV anda a ser o principal tema da sumptuosa campanha eleitoral socialista, como muito bem retrata, na edição de hoje, o «Jornal de Notícias» (não encontrei a notícia na edição on-line).
Acho muita piada que aqueles que aplaudem o TGV sejam os primeiros a decretar a morte da Linha do Tua. E acho piada que durante décadas se tenha votado ao ostracismo a linha férrea tradicional, em detrimento de auto-estradas e mais auto-estradas, para agora vir pensar que fazer TGV’s absurdos é que é defender o comboio. Morte ao TGV, viva o comboio!

Esgotado o «stock» de máscaras para a Gripe A

Francisco Louçã no «Gato Fedorento»

Vi pela primeira vez o programa dos «Gato Fedorento» e não achei grande piada. Como alguém temia, parece-me que eles estão prestes a entrar na fase Herman José. Quanto à entrevista de Francisco Louçã, pareceu-me mais uma sessão de propaganda. O líder do Bloco esteve exactamente igual ao que costuma estar e disse exactamente as mesmas coisas. De salientar a nova recusa em fazer coligações e a revelação de que não está chateado com Joana Amaral Dias.
Ao que parece, amanhã é a vez de Paulo Rangel. Pelos vistos, Jerónimo de Sousa só para a semana. Não percebo o critério que leva a que só um líder parlamentar fique para a segunda semana de emissões e que, pelo meio, comecem a meter figuras menores.

POEMAS ESTORICÔNTICOS

O Paquete

O Paquete entrou ontem
no serviço de urgência
inchado como um tonel
tenso como um balão
a que só falta o alfinete para estoirar.
Fígado
pulmões
ventre de pandeiro
tudo está encharcado como uma esponja
por um coração entupido.
Sem ar
como se morresse afogado
ou dentro da linguagem médica
como peixe fora d’água.
Insuficiência cardíaca grave
Insuficiência cardíaca descompensada
anasarca…
os vários termos
para rotular o sofrimento atroz
de um jovem sem culpa
igual a tantos outros que jogam ténis.
Socorrido na primeira fase de compensação
e um tanto aliviado
é internado para estudo.
Hoje de manhã
veio fazer um ecocardiograma.
O Paquete tem vinte e seis anos
e uma cara aciganada
morena de si e roxa da cianose.
Começou a trabalhar como moço de trolha
aos treze anos
vergado ao peso da tábua e do balde.
À força de cachaços
lá se erguia
quando aninhava com o abafa.
Nunca alguém o levara ao médico.
Não tive coragem de colher a sua história
antes desta idade
a história da sua infância.
A meio do exame diz-me o Paquete
a medo e quase em segredo
Sr. Doutor
estou à rasca para mijar
deixe-me ir mijar
pelas almas.
No meio de tais máquinas
perante aquela gente de bata branca
que ele nunca vira mais gorda
o sofrimento da sua vida levava-o a pensar
que pedir para mijar era quase um crime.
O Paquete tem uma gravíssima estenose mitral
com severa insuficiência mitral e tricúspide
e um coração do tamanho de uma melancia.
Está numa fase inoperável
a rebentar pelas costuras.
Se operado fosse
tudo não passaria de remendo
em calças a desfazer-se.
Sem a mínima ideia do que se passa
ele submete-se
humilde
desconfiado
medroso
como sempre aconteceu em toda a sua vida.
Tem medo que lhe ponham a tábua à cabeça
ou o balde na mão.
E com aquela falta de ar!
Ele que sempre pediu
para o deixarem respirar um pouco
antes do peso de outra tábua e de outro balde.
O Paquete nunca fora ao médico
e nunca ninguém lhe dera a mão para se erguer.
Todos lhe esfacelaram o coração e a vida
até rebentar!
Pobre Paquete!
Pobre barco tão frágil!
Com as lágrimas nos olhos
saí do hospital.
e escrevi esta história de hoje
de há séculos.
Escrevo-a em especial para os meninos e jovens
que brincam
que jogam
que sonham
e que vão ao médico.

                        (adão cruz)

(adão cruz)

ETICA E EDUCAÇÃO (11)

ETICA E EDUCAÇÃO (11)
Considerações sobre Ética e Educação para além da Escola

Todo o processo de aprendizagem vai interagir com a sociedade logo a partir do começo, pelo que a sociedade e a vida constituem, a par da escola e depois da escola, a terceira grande etapa. O ensino e a aprendizagem não se dão, e muito menos hoje, só nos âmbitos académicos. Aprende-se e ensina-se dentro e fora destes, mas sobretudo dentro da própria vida nos cenários do quotidiano.
Hoje, mais do que nunca, a ética encontra-se ligada a um apelo político e social perante clamorosas situações de injustiça, desigualdade e impunidade, adquirindo uma relevância social sem precedentes, como base de uma redefinição nos modelos das relações humanas. A postura ética da escola da vida obriga a incorporar todos estes anseios sociais e políticos, com vista a uma redobrada atenção à realidade, sem o que, toda a prática educativa se torna estéril. A postura ética universal obriga a condenar a exploração do ser humano, a falsificação e a mentira, o espezinhamento dos fracos e indefesos, a discriminação de raças, sexos, etnias, religiões, culturas e classes, a falsa moral, a injustiça, a corrupção a qualquer nível, o fatalismo ideológico e imobilizante.
Não nos podemos assumir como sujeitos de educação, de procura, de decisão, de transformação, de roturas e de opções, se não nos assumirmos, tal como disse atrás, como sujeitos éticos-sociais. Por isso eu entendi abordar a problemática da ética e da educação nas várias vertentes da vida, sobretudo naquelas mais gritantes. Todavia, aquilo que digo e manifesto é o meu ponto de vista, e o erro não é ter um ponto de vista, mas absolutizá-lo de modo a que outros o não tenham.
A cidadania, consciência de direitos, deveres e exercício da democracia deve tornar-se o eixo de toda a educação, nomeadamente da educação escolar, de modo a que o potencial de conhecimentos, práticas e valores que a envolvem integrem o homem numa plena e saudável participação comunitária. A ética e a educação trabalham a par no processo de auto-realização e auto-determinação do ser humano e na construção de uma sociedade saudável, mais dinâmica, mais verdadeira e eficaz, mais exigente nas suas nobres expressões, configuradas na verdade, na justiça e na beleza. Se o Homem não tem consciência de quem é, se não conhece a sua estatura e o seu lugar na vida globalizante dos dias de hoje, dificilmente poderá criar dentro de si o sentido da autonomia como requisito essencial da contemporaneidade. (Continua)

                        (manel cruz)

(manel cruz)

BI-QUADRA DO DIA

Borrar a cara com merda
Era o menos que faria
Qualquer cidadão honesto
No meio da porcaria.

São tão porcos estes gajos
Tão corruptos e ladrões
Que até a alma cheira mal
Feita de merda e cifrões.

Mundo Financeiro – aprendemos a lição ?

Os grandes estão a preparar-se para chegar a um acordo que há meses parecia fácil de se obter, face ao descalabro, mas que hoje passado o epicentro da tempestade já não é tão pacífico. Como é que os países da UE acordam algo que os USA estejam dispostos a aceitar? É que se não forem todos a coisa não funciona.

Não há economias fortes sem um sector financeiro forte. Uma crise financeira acaba sempre numa crise económica e social. Isto devia tornar mais simples o acordo mas não é assim. Outra questão é a responsabilidade ou a falta dela dos gestores, que na ânsia de ganhar milhões e rapidamente, são imprudentes com os produtos que inventam. Isto leva à necessidade de reforçar a regulamentação e a supervisão.

Mas deixar a regulação nas mãos dos próprios não é boa ideia, a supervisão tem que ser independente e feita pelos Estados e só funciona se for global. Não vale a pena regular na UE se depois o dinheiro foge para os UE e lá não há regulação, ou vice-versa.

As leis do mercado e o papel do Estado têm que ser reforçados mas não podemos cair novamente na tentação de quem não tem limites para a ganância, e como se viu, aqueles dois considerandos não foram suficientes.

É nesta fronteira que UE e USA esgrimem argumentos e por onde passa a possibilidade de um acordo. Oxalá que para chegarem a um acordo não acabem por deixar tudo na mesma. Ou quase!

Cartazes para as Autárquicas (Beja)

beja-Dulce Amaral
Dulce Amaral, candidatura independente.
beja-CDU
Francisco Santos, CDU
(enviado por Maria Monteiro)

Outra vez a história da rodagem do carro

cavaco_manuela

Manuela Ferreira Leite candidatou-se à liderança de um dos dois partidos “de poder” em Portugal. Ganhou as eleições. Ano e meio depois, vem dizer, à TSF, que, quando o fez, foi para ajudar o PSD num momento difícil e não propriamente para ser primeira-ministra. Disse ainda que nunca sonhou “candidatar-se a presidente do PSD para ser primeira-ministra”. Se ganhar não deixará de governar, claro.

Ora aqui está, mais uma vez, a providência a funcionar. O destino tem destas coisas. Lá estava Manuela Ferreira Leite na sua vida tranquila, pacata, e logo haveria alguém de a desencaminhar para tomar conta de um partido partido, com o objectivo de o consertar. Calha que este é um partido de vocação, e fome, de poder. O maldito do destino lá lhe atirou para a frente o incómodo de poder ganhar eleições, aquilo que, como todos sabemos, o PSD não quer. É preciso ter azar. Mas como tem sentido de Estado, Manuela Ferreira Leite aceitará a maçada de governar se os portugueses quiserem.

O azar de Portugal é ter sempre pretendentes a chefes de Governo que na realidade não o queriam ser. Acaba por ser o destino, qual malfadado GPS, a conduzi-los nesse caminho. Há uns 25 anos um ex-ministro das Finanças resolveu fazer a rodagem do automóvel e, sem saber como, ganhou as eleições. Por duas vezes. Anos mais tarde, um ex-ministro do Ambiente, que também não queria ser primeiro-ministro, chegou ao cargo em maioria absoluta depois de várias circunstâncias dentro do seu partido e no país. Agora temos a reedição das circunstâncias. Se não fosse por isto ou por aquilo, nada disto ou daquilo teria acontecido.

A nossa desgraça é mesmo não ter, como candidatos a chefes de Governo, pessoas que queiram realmente ser chefes de Governo. Talvez um dia.

Preto sob campanha negra

Aí estão, às gotinhas, as notícias que interessam e que o PS apelida de negras quando não são eles a assoprar aos ouvidos dos jornalistas. Ficam muito crispados quando se fala dos casos em que Sócrates se tem visto envolvido, mas quando é benéfico para o PS já não se passa nada.

Dois pesos e duas medidas foi sempre o que Sócrates nos quiz oferecer, mas espero que o PSD e os outros partidos não deixem esquecer os casos, bem mais graves.

Manuela tambem não merece outa coisa, foi ela que achou que estando em dívida com o Sr. Preto, o carrega às costas quando o devia ter mandado para o diabo que o carregue, juntamente com a Sra D. Helena, que anda sempres de braço dado com o sr. Preto e que de Tróia não tem nada.

Mas que sejam militantes do PSD a darem a cara para dizerem que receberam 25 euros como paga do voto, pode levar-nos a pensar no que terão recebido para darem estas notícias, quem se vende por tão pouco uma vez…

O que parece que não há dúvida é que o sr. Preto, enquanto presidente da distrital de Lisboa esteve encarregue do trabalho sujo, trabalho que muitos já fizeram e vão continuar a fazer em todos os partidos, mas este semeou muitos ódios.

650 000 desempregados em 2011

11% da população vai estar desempregada em 2011 segundo previsões da OCDE, para o nosso país. Como se vem dizendo a economia não cria postos de trabalho, não cresce o suficiente, no mínimo 2% para criar emprego, e mesmo assim a divergir da UE.

É aqui que está o busilis, e é por isso que Sócrates não fala do assunto e quando fala é para dizer que a crise acabou. O combate à crise não foi focada nas PMEs onde está o desemprego, não foram lançadas obras de proximidade que só agora estão a iniciar-se, tudo andou à volta dos bancos e das empresas públicas.

Os próximos dois anos vão ser muito dificeis e é o governo PS que é responsável. Segundo o mesmo relatório a economia vai crescer nos próximos anos entre 1.5 e 1.8, o que não dá para criar postos de trabalho e cresce abaixo de todas  as economias da OCDE

São as políticas que dão estes resultados que o Engº Sócrates quer manter. Como não reconhece nenhumha culpa tambem não pode ver que está errado, todos os outros estão errados ele é que está certo.

Querem a terceira ponte?

No dia 27 vamos saber se a terceira ponte se vai construir!

Querem a ponte? Não ouvi! Outra vez com mais força. Querem a ponte? Gritava Sócrates no Seixal.

E o Loureiro não perguntava às boas gentes de Gondomar. Querem o frigorífico? Então não há que criticar, a proporção está justificada. Um frigorifico para presidente da câmara, uma ponte para presidente do conselho!

Há coisas que não entendo

Acabei de ver na TV um anúncio da Sapo Fibra em que se fala em “Velocidade com qualidade”, mas a seguir mostra uma mulherzinha aos tombos dentro de um carro a grande velocidade… Mas onde é que anda a coerência? Há coisas que não entendo. Por exemplo, na realidade política portuguesa. A incoerência é por demais evidente nas campanhas políticas. Nos debates, os nossos políticos, que (quase) toda a gente já percebeu que são meros testas-de-ferro do poder corporativo, são todos educados, eloquentes e no frente-a-frente é só “Senhor Engenheiro” para cá, “Senhora Doutora” para lá, mas passado um dia, nos comícios, só lhes falta insultarem-se de filhos da £*]@. De manhã, estão sérios, a espumarem-se de raiva e a dar socos na mesa, mas depois à noite estão a fazer programas de humor e a dizer piadinhas. Mas este pessoal tem dupla personalidade, ou quê? Não percebem que há pessoas atentas a isto? E que podem haver criancinhas a ver?

Outra coisa que não entendo é esta questão do TGV. Espero que o slogan não venha também a ser “Velocidade com qualidade”. O TGV cai-nos de repente no colo e aparece em todas as conversas de café, sem que grande parte das pessoas saiba sequer o que a sigla quer dizer, quanto mais a parte técnica da coisa, eu incluído neste segundo grupo. Digo isto, porque hoje de manhã, estavam dois homens no café aqui da esquina a discutirem se o TGV era Comboio de Alta Velocidade ou Comboio de Grande Velocidade. De repente, e se calhar por causa desta divergência, transforma-se em Investimento Público e é o grande salvador do descalabro do País e a alavanca mágica para tirar Portugal da crise, isto apesar da crise ser tão antiga que já deve ter filhos. O preço não interessa para nada, os pormenores são irrelevantes, porque o que interessa é pôr todo o pessoal a trabalhar e a economia a mexer rapidamente. Ainda há pouco tempo, não havia sequer dinheiro para manter todos os centros de saúde a funcionar, mas agora já há. Precisamos de estar ligados à “centralidade europeia”, mas não vai haver dinheiro para os bilhetes, porque assim que acabe a construção fica tudo desempregado outra vez. Mas então, na mesma linha megalómana, porque não fazer o edifício mais alto do Mundo, no meio do Alentejo? Porque não ligar o Metro do Porto ao de Lisboa? Fazer um túnel submarino até à Madeira ou Açores? E depois, o que me preocupa é que o TGV (ou Investimento Público) é a tábua de salvação do País perante o actual estado de crise e, ao que parece como definitivo, não há mesmo outra solução. Mas então, que remédio milagroso vai ser aplicado ao “doente” na próxima crise? Outro TGV?

Cartazes das Autárquicas (Vidigueira)

vidigueira-PS
António Mendes Pinto, PS.

A máquina do tempo: apresentação

«A máquina do tempo» porquê? Porque entrando nela, posso ir até ao passado, regressar ao futuro, revisitar o presente. Porém, antes de mais, é de toda a justiça e gratidão começar por falar no dono do título (surripiado como vai sendo meu hábito). Herbert George Wells, nasceu em 1866 em Bromley, Inglaterra, e morreu em 1946, em Londres. «The Time Machine», publicado em 1895, foi um dos seus primeiros romances e um dos seus maiores êxitos. Mas teve outros, como por exemplo «The Invisible Man» (1897). De 1898 é «The War of the Worlds», a famosa «Guerra dos Mundos» que, pela mão de Orson Welles, que a transformou em peça radiofónica, pôs em 1938, a América em pânico, pensando que os marcianos estavam a invadir a Terra (hei-de contar esta história). Ideia que o Mário-Henrique Leiria, o António José Forte e outros manos do Gelo aproveitaram para a sua «Operação Papagaio». Como muitos sabem, a história original conta como «o viajante no tempo» (the Time Traveller) inventa uma máquina capaz de se mover também na quarta dimensão. E lá vai ele parar, nem mais nem menos, do que ao ano 802 701 a um mundo estranho, uma espécie de Eden, mas com um inconveniente – os Elois, uma raça de gente boa e vegetariana, serve de alimento aos malvados Morlocks, carnívoros o mais possível (que se escondem em subterrâneos). Ora bem. H.G. Wells, se bem que jovem escritor estreante, era tudo menos inocente – a época vitoriana em que o livro é escrito era fértil em «elois», que trabalhavam literalmente como escravos a partir dos cinco anos de idade, para alimentar os «morlocks» que se pavoneavam por Londres e não só, porque a desenfreada exploração a que a Revolução Industrial deu lugar, foi o «caldo de civilização» em que Karl Marx, de colaboração com Engels, escreveu em 1848 o seu «Manifesto Comunista», tal era a densidade da injustiça social vivida na Europa. Mas Wells escusava de ter ido tão longe no tempo – andando pouco mais de um século para a frente, encontraria, sem se mover no espaço, morlocks e elois, ali mesmo em Londres. Se quisesse deslocar-se um pouco para Sul, sobretudo se viesse durante a primeira década do século XXI, encontraria por aqui exemplares bastante interessantes dessas duas espécies de humanóides.
*
A minha máquina funciona a baterias alimentadas pela memória e pela imaginação. Memória de livros lidos, de filmes vistos, de factos vividos; imaginação de conjecturas feita. Muitas vezes, misturando umas coisas com as outras e unindo-as com a argamassa de alguma fantasia. Passado, futuro, presente, tudo misturado. Um exemplo – num dos primeiros posts falarei da evolução da língua galega e da recente criação da Academia Galega da Língua Portuguesa, ou seja de uma projecção do passado no presente. Também especularei sobre o que vai ser da televisão no futuro próximo – como já devem ter reparado, a televisão é uma espécie de obsessão que me ficou desde, quando, há muito tempo, trabalhei na RTP. Falarei também sobre o marketing do livro (outra obsessão), mas desta vez na Roma do século I da nossa era. Dedicarei uma crónica à história da minha rua (mas, desta vez, sem roubar o título ao Mário Zambujal). Viajaremos até ao dia de Outubro de 1936 em que Miguel de Unamuno, reitor da Universidade de Salamanca, proferiu a sua lição magistral e visitaremos Antonio Machado, o autor do verso «o caminho faz-se caminhando». Regressaremos ao drama do Chile, em Setembro de 1973. Daremos os parabéns a Óscar Lopes, um homem do futuro que, felizmente, vive entre nós. Veremos como eram brandos os costumes na PIDE e lembraremos, noutro post, alguns marcos da luta armada, civil e militar, contra o regime salazarista. Enfim, prometo-vos algumas dezenas de viagens. Prometimento que espero poder cumprir (e talvez cumpra mesmo, pois não sou político).
Para finalizar por hoje, ouçam esta descrição de uma ida ao futuro feita por quem a fez: «O Futuro é tão antigo como o Passado. E ao caminharmos para o Futuro é o Passado que conquistamos», disse António Maria Lisboa (1928-1953), o grande poeta surrealista que morreu com 25 anos, louco e tuberculoso. Porém, digo eu, sabendo como gostaria que fosse o Futuro, ignoro totalmente como irá ser. O Presente, salvo excepções raríssimas, é mesquinho. Não me apetece muito falar destas coisas, da gente da política. Serão talvez pessoas, mas não são personalidades e, muito menos, personagens. Falar deles é dar-lhes uma espessura que não têm nem merecem ter. Não sei o que dizer mais sobre isto que estamos a viver. No Passado, que envolve algumas décadas vividas por mim, procurando bem, como quem anda no sótão das arrumações, lá vou encontrando factos, personalidades e personagens, ou seja, gente de que merece a pena falar (coisas que não deitei fora, está a ver Carla?). Por isso talvez viaje mais até ao passado, não por ser passadista, mas pela razão aventada pelo António Maria Lisboa. Pondo-a do avesso, fica assim: – «o Passado é tão novo como o Futuro. E ao caminharmos para o Passado é o Futuro que conquistamos» – ou que, neste caso, compreendemos. De acordo? Não? Não faz mal – porque o mesmo poeta também dizia «que tudo é e não é alternadamente». O que, a ser verdade – e é – pode ser utilizado como saída de emergência para qualquer situação – TUDO É E NÃO É ALTERNADAMENTE! – já viram?. Numa máquina do tempo, esta frase dá muito jeito, pois funciona como uma espécie de assento ejectável.

Rendimento mínimo exige trabalho mínimo

Completamente de acordo com Rui Rio. Há muito trabalho social para fazer, desde acompanhar idosos, até fazer limpezas nas ruas, nas florestas, nos jardins, ajudar nas secretarias das escolas, hospitais, museus, creches, juntas de freguesia…

Conforme as habilitações de cada um, perto de casa, de manhã ou de tarde, há toda uma capacidade que deve ser aproveitada e em que todos ganham, incluindo o próprio. Ter uma actividade dá ritmo, torna a pessoa responsável, retira-a dos cafés, do jogo e da sornice…

E, claro, coloca essa pessoa bem posicionada para encontrar trabalho logo que surja uma oportunidade. As ideias simples são as grandes ideias, as que criam soluções para os problemas do dia a dia.

Fui ao cinema – Abraços rotos

Tenho que confessar que fui ver a Penélope! Desta vez o Almodovar enrola a questão, é dificil como habitualmente, mas o golpe de asa não se dá. Há ali vidas paralelas, presentes e passados, emoções, paixões e segredos, mas não ganha asas, patina.

Momentos de bom cinema, concerteza, mas não é um grande filme, longe disso. Actores seguros em registo credível, a maioria “actores Almodovar”, com o humor subtil de quem olha para a vida com uma certa distância, não a pode levar completamente a sério. É pesado demais.

E, claro, a Penélope, linda de morrer!