QUADRA DO DIA

Em cima duma azinheira
a virgindade aterrou
O negócio foi tão bom
Que a virgem por cá ficou.

INDUSTRIA FARMACEUTICA

Hoje, ao sair do hospital após uma reunião sobre um novo fármaco ainda não comercializado, fui reflectindo sobre aquilo que nos rodeia dentro da nossa profissão.
Vivi e ainda vivo diariamente em contacto com a Indústria Farmacêutica, tenho pessoas amigas ligadas à IF, e, apesar de procurar manter sempre, em toda a minha vida, os olhos abertos e a consciência limpa e transparente, não consigo libertar-me de tudo aquilo que me envolve e me obriga, por vezes, sobretudo por delicadeza, a fazer parte de coisas que não me agradam, ou que colidem com a minha filosofia e a minha forma de ver o mundo e as coisas.

A IF é, indiscutível e praticamente a nossa maior fonte de investigação médica, infelizmente direccionada para um objectivo prioritário, o objectivo de qualquer indústria, o lucro máximo possível. Claro que não é difícil aceitar pela sociedade que ela se apresente sempre, com um eufemístico interesse pela saúde da humanidade. Mas é difícil ser aceite por mim, ainda que reconhecendo a sua enorme importância no que tem de positivo, precisamente porque sei e muito bem o que ela arrasta de negativo. São questões de natureza ético-política e de organização social, que não são para aqui chamadas neste momento.

No pára e arranca do engarrafamento, veio-me então à memória uma conferência que ouvi há uns tempos atrás, feita por um Senhor chamado Prof. Jerome, na qual ele disse taxativamente o seguinte:
Não há maior influência na medicina do que a do dinheiro. Disse ainda que quase todos nós somos um agente de marketing da indústria farmacêutica e que a influência das indústrias farmacêuticas é oculta e subtil, infiltrativa, ubíqua porque está em toda a parte, disseminada, e eficaz.

E pergunta:
A IF será mesmo parceira dos médicos ou apenas os utiliza? Para responder, diz que os manipula através de ofertas, viagens, honorários para produzirem conferências, bónus para recrutamento de doentes a incluir em estudos, e tudo isto para que os médicos promovam os seus produtos. Publicidade mentirosa nas revistas, enganando os próprios editores e publicidade em tudo o que possa aliciar e influenciar os doentes. Promoção, extrapolação e mesmo invenção de falsas doenças com vista ao consumo massificado de produtos.

As instituições académicas não escapam a este tentáculo, pois os fundos da IF para estas instituições são superiores aos do Estado. Aos médicos universitários são oferecidas bolsas, obrigando-os a escrever artigos e proferir palestras à volta dos seus produtos. Os investigadores também não escapam, através de fundos para a investigação e para os próprios investigadores. Só que nessas investigações os investigadores, nem sempre verticais, podem ser manipuláveis, sendo muitas vezes obrigados a escamotear resultados negativos ou pouco favoráveis ou mesmo a falsificarem os resultados. As organizações profissionais estão fortemente infiltradas pela IF através do apoio a reuniões e congressos, patrocínio de oradores “opinion- makers”, viagens e convites, bolsas e prémios, desenvolvimento de “guidelines”. Muitos dos especialistas envolvidos na elaboração destas têm fortes ligações a empresas farmacêuticas.

Em resumo, disse o Prof Jerome:
Doentes, médicos, enfermeiros, universitários, investigadores, directores de instituições, directores de jornais, toda a sociedade está sob a influência da Indústria Farmacêutica.
É pena, em minha opinião. Seria bem mais saudável que cada um fosse independente, ainda que dependente de uma sã e profunda colaboração, que enobrecesse esta magnífica arte de curar e dar vida.

A declaração do Presidente da República (vídeo)

Mais sobre o tema, em Aventar:

As interrogações de Cavaco Silva (com texto na íntegra da declaração do PR)

O ratinho que a Montanha pariu

Finalmente, a declaração de guerra

Mais, jornal Público e DN e Expresso e ionline

O RATINHO QUE A MONTANHA PARIU

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O PRESIDENTE DISSE NADA E POUCO MAIS
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No fundo, no fundo, o sr Presidente só disse que não existe nenhuma declaração sua a falar da existência de escutas. Pouco mais, ou senão vejamos.
O Sr Presidente disse achar normal, e não ser crime, haver alguém que desconfie de outro alguém. Isto é demasiadamente grave, uma vez que vem da Presidência da República.
O sr Presidente não disse se havia ou não, desconfianças de escutas. O sr Presidente não disse se desconfia do nosso Primeiro. E se não disse, deixou implícito que pode haver. E se há, como pode o sr Presidente indigitar para Primeiro ministro uma pessoas sobre a qual ele não tem confiança.
O sr Presidente acabou por acusar o partido socialista de o querer encostar ao partido social democrata, e de quererem acusá-lo de interferir na campanha eleitoral. Ainda acusa altas figuras do partido socialista de terem ultrapassado os limites da decência. Lá teve de explicar que foi obrigado a demitir o amigo Lima por causa de tudo isto. Esta parte é grave, acho.
Tudo foram manipulações, também disse. Há fragilidades na segurança, acabou por dizer também.
E, digo eu, a sua declaração, hoje, se não influiu nas eleições legislativas (ou talvez tenha influído com a demissão do sr Lima), influi nas autárquicas.
Foi um ratinho muito pequenino o que esta montanha pariu. Lá no fundo, tudo uma cabala. Lá ainda mais no fundo, está tudo tonto.
No entanto, as relações entre a Presidência e o sr Sócrates, dificilmente se recomporão.
Não gostei do discurso.

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As interrogações de Cavaco Silva

À hora de jantar, entornou-se o caldo. Não é que a convergência estratégica entre o Presidente e o primeiro-ministro está pelas ruas da amargura? A coisa estava mal, já se sabia, agora pode estar a atingir o limite do suportável.

Todo o texto da declaração no final

Não se espantem se as próximas reuniões entre ambos tiverem de ser mediadas por um qualquer conselheiro especial.

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Hoje, Cavaco Silva ficou a saber de vulnerabilidades na rede informática do Palácio de Belém. Hoje. Só hoje. O sistema de computadores da casa do mais alto magistrado da nação lusa deve gter funcionado had hoc durante muitos anos, calcula-se. Algo que deveria estar devidamente protegido, não está. O Presidente da República interrogou-se e terá visto as suas interrogações confirmadas.

O Presidente acusou elementos “ligados ao partido do Governo” de o tentarem pressionar no caso das escutas. Logo ele, que “nem cede a pressões, nem se deixa condicionar”, como hoje afirmou. Foi, pois, uma tentativa de chover no molhado. Acontece que, apesar de tudo, Cavaco Silva se deixou pressionar. Veio falar em pedir informações sobre segurança, após as legislativas, e dispensou os serviços do seu leal assessor de imprensa. Uma opção que hoje surgiu ainda algo pouco explicada. Se nada havia que comprometesse de forma séria Fernando Lima, este não deveria ter saído.

O certo é que, neste caso, foram, disse, ultrapassados os limites da decência. Não hesitou ainda em pronunciar a palavra “manipulação”, o que configura uma situação demasiado grave num regime como o português.

Cavaco não deixa de ter responsabilidades neste caso e nos contornos que teve mas passou agora a bola a José Sócrates. Num cenário pós eleitoral como o actual, o clima de guerrilha entre Presidente e futuro primeiro-ministro não configura nada de bom. Como é que estes dois homens se vão entender no futuro? Como é que vão, sequer, apertar as mãos?

A declaração de Cavaco Silva:

Declaração do Presidente da República

Presidência da República, 29 de Setembro de 2009

1. Durante a campanha eleitoral foram produzidas dezenas de declarações e notícias sobre escutas, ligando-as ao nome do Presidente da República e, no entanto, não existe em nenhuma declaração ou escrito do Presidente qualquer referência a escutas ou a algo com significado semelhante.

Desafio qualquer um a verificar o que acabo de dizer.

E tudo isto sendo sabido que a Presidência da República é um órgão unipessoal e que só o Presidente da República fala em nome dele ou então os seus chefes da Casa Civil ou da Casa Militar.

2. Porquê toda aquela manipulação?

Transmito-vos, a título excepcional, porque as circunstâncias o exigem, a minha interpretação dos factos.

Outros poderão pensar de forma diferente. Mas os portugueses têm o direito de saber o que pensou e continua a pensar o Presidente da República.

Durante o mês de Agosto, na minha casa no Algarve, quando dedicava boa parte do meu tempo à análise dos diplomas que tinha levado comigo para efeitos de promulgação, fui surpreendido com declarações de destacadas personalidades do partido do Governo exigindo ao Presidente da República que interrompesse as férias e viesse falar sobre a participação de membros da sua casa civil na elaboração do programa do PSD (o que, de acordo com a informação que me foi prestada, era mentira).

E não tenho conhecimento de que no tempo dos presidentes que me antecederam no cargo, os membros das respectivas casas civis tenham sido limitados na sua liberdade cívica, incluindo contactos com os partidos a que pertenciam.

Considerei graves aquelas declarações, um tipo de ultimato dirigido ao Presidente da República.

3. A leitura pessoal que fiz dessas declarações foi a seguinte (normalmente não revelo a leitura pessoal que faço de declarações de políticos, mas, nas presentes circunstâncias, sou forçado a abrir uma excepção).

Pretendia-se, quanto a mim, alcançar dois objectivos com aquelas declarações:

Primeiro: Puxar o Presidente para a luta político-partidária, encostando-o ao PSD, apesar de todos saberem que eu, pela minha maneira de ser, sou particularmente rigoroso na isenção em relação a todas as forças partidárias.

Segundo: Desviar as atenções do debate eleitoral das questões que realmente preocupavam os cidadãos.

Foi esta a minha leitura e, nesse sentido, produzi uma declaração durante uma visita à aldeia de Querença, no concelho de Loulé, no dia 28 de Agosto.

4. Muito do que depois foi dito ou escrito envolvendo o meu nome interpretei-o como visando consolidar aqueles dois objectivos.

Incluindo as interrogações que qualquer cidadão pode fazer sobre como é que aqueles políticos sabiam dos passos dados por membros da Casa Civil da Presidência da República.

Incluindo mesmo as interrogações atribuídas a um membro da minha Casa Civil, de que não tive conhecimento prévio e que tenho algumas dúvidas quanto aos termos exactos em que possam ter sido produzidas.

Mas onde está o crime de alguém, a título pessoal, se interrogar sobre a razão das declarações políticas de outrem?

Repito, para mim, pessoalmente, tudo não passava de tentativas de consolidar os dois objectivos já referidos: colar o Presidente ao PSD e desviar as atenções.

5. E a mesma leitura fiz da publicação num jornal diário de um e-mail, velho de 17 meses, trocado entre jornalistas de um outro diário, sobre um assessor do gabinete do Primeiro-Ministro que esteve presente durante a visita que efectuei à Madeira, em Abril de 2008.

Desconhecia totalmente a existência e o conteúdo do referido e-mail e, pessoalmente, tenho sérias dúvidas quanto à veracidade das afirmações nele contidas.

Não conheço o assessor do Primeiro-Ministro nele referido, não sei com quem falou, não sei o que viu ou ouviu durante a minha visita à Madeira e se disso fez ou não relatos a alguém.

Sobre mim próprio teria pouco a relatar que não fosse de todos conhecido. E por isso não atribuí qualquer importância à sua presença quando soube que tinha acompanhado a minha visita à Madeira.

6. A primeira interrogação que fiz a mim próprio quando tive conhecimento da publicação do e-mail foi a seguinte: “porque é que é publicado agora, a uma semana do acto eleitoral, quando já passaram 17 meses”?

Liguei imediatamente a publicação do e-mail aos objectivos visados pelas declarações produzidas em meados de Agosto.

E, pessoalmente, confesso que não consigo ver bem onde está o crime de um cidadão, mesmo que seja membro do staff da casa civil do Presidente, ter sentimentos de desconfiança ou de outra natureza em relação a atitudes de outras pessoas.

7. Mas o e-mail publicado deixava a dúvida na opinião pública sobre se teria sido violada uma regra básica que vigora na Presidência da República: ninguém está autorizado a falar em nome do Presidente da República, a não ser os seus chefes da Casa Civil e da Casa Militar. E embora me tenha sido garantido que tal não aconteceu, eu não podia deixar que a dúvida permanecesse.

Foi por isso, e só por isso, que procedi a alterações na minha Casa Civil.

8. A segunda interrogação que a publicação do referido e-mail me suscitou foi a seguinte: “será possível alguém do exterior entrar no meu computador e conhecer os meus e-mails? Estará a informação confidencial contida nos computadores da Presidência da República suficientemente protegida?”

Foi para esclarecer esta questão que hoje ouvi várias entidades com responsabilidades na área da segurança. Fiquei a saber que existem vulnerabilidades e pedi que se estudasse a forma de as reduzir.

9. Um Presidente da República tem, às vezes, que enfrentar problemas bem difíceis, assistir a graves manipulações, mas tem que ser capaz de resistir, em nome do que considera ser o superior interesse nacional. Mesmo que isso lhe possa causar custos pessoais. Para mim Portugal está primeiro.

O Presidente da República não cede a pressões nem se deixa condicionar, seja por quem for.

Foi por isso que entendi dever manter-me em silêncio durante a campanha eleitoral.

Agora, passada a disputa eleitoral, e porque considero que foram ultrapassados os limites do tolerável e da decência, espero que os portugueses compreendam que fui forçado a fazer algo que não costumo fazer: partilhar convosco, em público, a interpretação que fiz sobre um assunto que inundou a comunicação social durante vários dias sem que alguma vez a ele eu me tenha referido, directa ou indirectamente.

E sabendo todos que a Presidência da República é um órgão unipessoal e que, sobre as suas posições, só o Presidente se pronuncia.

Uma última palavra quero dirigir aos portugueses: podem estar certos de que, por maiores que sejam as dificuldades, estarei aqui para defender os superiores interesses de Portugal.

Mafalda faz 45 anos. Temos saudades dela

Mafalda, a personagem de banda desenhada que o argentino Quino começou por desenhar para um anúncio a electrodomésticos, transformou-se numa das mais divertidas comentadoras políticas da actualidade mundial nos anos 1960 e 70. Hoje, celebra 45 anos.

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Desde 1973 que Quino não desenha, nem dá vida a Mafalda. É extraordinário que ainda hoje continue a acumular admiradores de várias gerações e que, em grande parte, continue a ter uma profunda actualidade.

Concebida com traços simples, cabelo negro farto e muito opinativa, além de não gostar de sopa, Mafalda surgiu pela primeira vez a 29 de Setembro de 1964 nas páginas do semanário argentino Primera Plana. Quino, então com 32 anos, nem imaginava o sucesso daquelas tiras humorísticas, que se prolongaram por nove anos em tiras originais. E por muitos mais em jornais e livros.

O que teria Mafalda para dizer nos dias de hoje…

Os Fins e os Meios Democráticos

Os meus companheiros João J. Cardoso e Adão Cruz não deverão ler este poste, se lhes passar pela cabeça a mais pequena sombra de que eu estou a fazer comparações ou a nivelar pelos exemplos que vou dar, o que pensam sobre a governação dos povos. Se assim for não escrevi este poste!

No Chile de Pinochet foi ensaiada uma das políticas económicas mais eficazes que se conhecem. O liberalismo de Friedman e seus “muchachos”. Consiste em aplicar à economia as equações matemáticas e os princípios de mercado como se não houvesse pessoas atingidas por essas políticas.

Há alguem disposto a receber menos que o salário mínimo? há? Então baixa-se o salário mínimo até ao ponto em que nenhum desgraçado esteja disposto a sair de casa para viver na miséria, trabalhando. A fábrica não tem o nível de encomendas para manter o nível de trabalho? Não? então o trabalhador vai para casa sem trabalho e sem remuneração. São retirados dos mercados os produtos essenciais e o preço sobe a níveis incomportáveis? É a lei da oferta e da procura!

O mercado rege-se por si mesmo, a sua “mão invisivel” trata da justiça nos mercados.

Mas as pessoas estão a morrer à fome, numa primeira fase, revoltam-se e vêm para a rua a seguir ? Manda-se a polícia manter “a turba ululante” e matar os seus líderes!

E, no entanto, esta política defendida por quem manda neste mundo, tendo milhões de seguidores, só pode executar-se com e em ditadura!

Mas o Chile cresceu e desenvolveu-se como nunca na sua história, tem hoje uma economia forte, das mais fortes da América do Sul, mas tem tambem milhares de vítimas.

Dizer que a Venezuela vive melhor com alguem que manda calar a comunicação social, que nacionaliza tudo e todos, que se refugia nos braços de países terroristas como o Irão não, muito obrigado!

Nas Honduras não é um crimezinho sem importância que está em causa, é saber se foi ou não cumprida a Constituição. Porque se não foi cumprida a Constituição então, os militares só cumpriram o seu dever. Não vale a pena falar aqui noutros exemplos, pretensamente à esquerda, onde o Estado de Direito foi espezinhado e de que resultaram milhões de vítimas!

Este tipo de aventuras pagam-se muito caro, especialmente em países como as Honduras!

Eu acredito na Democracia, no Estado de Direito, no sistema social de mercado!

Bloco de Esquerda: Uma vitória amarga

O Bloco de Esquerda conseguiu no Domingo uma grande vitória e pode ser considerado, justamente, um dos grandes vencedores da noite. Duplicou o número de deputados, aumentou em centenas de milhares o número de votos e ultrapassou o Partido Comunista.
No entanto, acaba por ser uma vitória amarga. Porque os objectivos não foram cumpridos na totalidade – ficou abaixo dos 10% que tanto ambicionava; foi ultrapassado pelo CDS como terceira força política; e, mais importante do que tudo, a sua influência na governação vai ser muito relativa. Os seus deputados e os do PS, juntos, não alcançam a maioria absoluta. Passa a ser o CDS a ter o poder de condicionar o Governo. Claro que PS + BE + CDU, juntos, aprovam as leis. Mas os dois Partidos de esquerda, sendo coerentes, não poderão validar a maior parte das propostas de José Sócrates.
Por fim, não gostei do discurso de Francisco Louçã na noite de Domingo. Não deu os Parabéns ao PS pela vitória, proclamou de forma delirante a derrota da Direita (será que o CDS é de Esquerda) e pautou o seu discurso pela agressividade. Gostei da referência à derrota de Maria de Lurdes Rodrigues, isso gostei, mas isso já são coisas minhas.

Freeport 1 – Submarinos 1

 
No Domingo, o PS ganhou as eleições com maioria relativa e passou a depender do CDS de Paulo Portas para a aprovação das suas políticas.
Dois dias depois, o Ministério Público faz buscas em escritórios de advogados que participaram na compra dos submarinos. Uma compra que foi feita, relembre-se, quando Paulo Portas era Ministro da Defesa do Governo de Durão Barroso.
Desses escritórios de advogados, faz parte a «Vieira de Almeida & Associados» que, relembre-se, já foi visitado pelo Ministério Público no âmbito do Freeport. Já estão habituados, os senhores advogados.
Temos aqui um empate. José Sócrates anda a ser investigado por causa do Freeport e Paulo Portas anda a ser investigado por causa dos submarinos. Quando os esqueletos saem dos armários e se mostram ao mundo, as coisas tornam-se muito mais engraçadas. Ou será que o processo dos submarinos servirá de moeda de troca para o apoio do CDS ao PS? Ou ficas caladinho e nos apoias, ou então… Será que é Cândida de Almeida que está a dirigir as operações?
Vocês acreditam em coincidências? Eu não…

cavacoBET

É provável que Sócrates já conheça o conteúdo da mensagem do Presidente, mas todos sabemos que nas cavacoBET’s não podem apostar membros do governo. Sim. Do telejornal da RTP também não!
Estão então abertas as apostas para hoje:
– A declaração é sobre os Açores;
– A declaração é de solidariedade com os resultados de Ferreira Leite;
– A declaração é para informar o país que aceitou o convite da ONU para alto comissário da Democracia nas Honduras e Venezuela – (com autorização para acumular a venda de Magalhães);
– A declaração de hoje é para informar o país que tem menos dinheiro em PPR’s que o Louça;
– A declaração de hoje é para nos dar uma boa notícia: vai demitir-se e partir para boliqueime!

Só para ajudar

Nestlé compra leite à família Mugabe. Claro, claro! Já toda a gente sabe que é apenas para ajudar os probrezinhos. Até vou já comprar um chocolate para ajudar.

Rescaldo Eleitoral

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Pois é… Portugal foi a votos no passado domingo.

Parece que foi, de certa forma, tempo perdido.

Apesar da contestação, José Sócrates vai manter-se como primeiro-ministro durante os próximos quatro anos.

Mais importante de que isso é perguntar qual a razão ou razões do fracasso da campanha do PSD.

Quanto a mim, penso que a única culpada é a própria presidente do partido, Dra. Manuela Ferreira Leite.

Vamos ver o que vão as Eleições Autárquicas do próximo dia 11 de Outubro.

Se calhar é melhor que os candidatos às presidências da câmaras e juntas de freguesia não contem com a sua presença nas respectivas campanhas. Caso contrário correm o risco de perder os respectivos combates eleitorais.

Parabéns ao CDS/PP pelo aumento de votos… Este foi uma das surpersas da noite.

POEMAS ESTORICÔNTICOS

Les Angles

Deslizar na brancura da neve de Les Angles
é quase um sonho
um sonho cego
mudo
paralítico
sem a cor das pinceladas do céu franjado
de arco-íris
cavalgando os altos cirros velozes e frios
incapaz de desfibrar o complexo estroma
que nos enlaça
e entrelaça
num abraço de fogo e água
amor e raiva e mágoa
voando sobre o abismo serôdio de um beijo alheio
ridículo-lascivo
criptogâmico-adolescente
que torna fria a madrugada e sem sol o acordar.
Alguma coisa eu perdi lá no céu
aqui na terra ou no mar
para não ser capaz de sonhar
com olhos
palavras
e pernas para andar.
Deslizar na brancura da neve de Les Angles
é um sonho morto…
doem muito os sonhos mortos!
Talvez em Villefranche de Conflent
nas margens de La Têt
em Villefranche de Conflent
encontrei-me com Chagall
eu mal o conhecia
ele de mim nem sabia.
Enquanto o Nuno corria atrás do petit train jaune
eu corria atrás do sonho (sonho do Sonho?)
mas Chagall nada me dizia.
Mal o conhecia
gostava dele
da frescura
da audácia
da sua enganosa realidade
mas naquele dia!
Amores flutuando nos ares
silhuetas bizarras
criações poéticas
não me tocavam
soavam a falso.
Apenas uma frase me deixou pensativo
o nosso universo interior é a realidade
talvez mais real que o mundo visível
mais real do que as pedras
do que o frio e a pele arrepiada.
Sempre pensei que a infância marcara a minha vida
(onde vai a infância se bem corresse!).
Nunca dela pensara fugir
ao contrário de Chagall.
Alguma coisa eu perdi lá no céu
aqui na terra ou no mar
alguma coisa eu perdi
que falta ao sonho p’ra sonhar.

                    (adão cruz)

(adão cruz)

Cartazes das Autárquicas (Castro Verde)

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PS, Castro Verde.

A máquina do tempo: a televisão do futuro

Numa intervenção no Festival Internacional de Televisão realizado este mês em Edimburgo, Vint Cerf, com 64 anos, um dos cientistas que há trinta anos criaram a Internet e actual vice-presidente da Google, além de presidente da organização que administra a rede, assegurou que a televisão se aproxima de um momento crítico semelhante ao que a indústria discográfica enfrentou com a chegada do sistema áudio digital MP3. Anunciou que está a trabalhar, com outros especialistas, num sistema para a utilização da rede nas comunicações espaciais. Em determinado ponto da sua intervenção, disse Cerf: «85% de todo o material de vídeo que vemos foi pré-gravado, pelo que cada um pode preparar o próprio sistema para fazer oportunamente as descargas que entenda» (…)«Vamos continuar a necessitar da televisão para certas coisas, tais como para as notícias, para os acontecimentos desportivos e para as emergências, mas cada vez será mais como um iPod, no qual se pode descarregar o conteúdo para o ver mais tarde». Dirigindo-se aos executivos da indústria da televisão, Cerf, incentivou-os a que deixassem de ver a Internet como uma ameaça à sobrevivência do meio, devendo encará-la como uma janela de oportunidade: «No Japão já é normal descarregar o conteúdo de uma hora de vídeo em apenas dezasseis segundos». E concluiu afirmando »Quero mais Internet, quero que cada um dos 6000 milhões de habitantes do planeta possa ligar-se à Rede, pois considero que podem contribuir com saberes que a todos beneficiariam.

Portanto, do ponto de vista tecnológico, a televisão tal como hoje a conhecemos, tem os dias contados. Para além da televisão digital, que já é uma realidade, projectam-se inovações que transformarão radicalmente a «caixa que mudou o mundo» que, logo para começar, deixou de ser uma caixa. Anunciam-se novidades tais como o aumento do visionamento da televisão através da Internet e do telemóvel e o desenvolvimento de uma nova tecnologia, a 4K, que permite ver filmes com uma definição de oito megapixéis (em vez dos dois que os actuais televisores de alta definição proporcionam). Além de muitas outras novidades que, surgindo em catadupa, irão tornando obsoletos equipamentos acabados de comprar iremos, por exemplo, ter ecrãs de visão dupla, verso e reverso.…

http://www.youtube.com/watch?v=3SGU6VZk3kY

Anuncia-se a televisão holográfica e em 3-D. A holografia, que se prevê há muito tempo, é a técnica que permite criar imagens tridimensionais em movimento, com a utilização de raios laser. Desde 1947 que se investiga esta tecnologia. Um professor da Universidade do Texas é da opinião que dentro de 10 anos teremos os primeiros televisores holográficos. Nunca irá parar este tsunami de inovações tecnológicas que, já num futuro próximo, transformarão a televisão num «iPod» gigante. Quem quiser (e souber) poderá construir a sua própria grelha de programas, seleccionando-os no vasto leque de oferta que o cabo já oferece. Quem souber, insisto, poderá (pode já hoje) ver televisão de grande qualidade, incluindo serviços de notícias.
*
Mas pondo de parte todas estas inovações que assim, ou de outra maneira, irão ocorrer, há um aspecto que me interessa mais do que as inovações tecnológicas, as que se vão dar no imediato e aquelas com que a nossa imaginação não consegue sequer sonhar. De algum modo, pela positiva e pela negativa, os três excelentes jornalistas que vimos no vídeo com que iniciei este post, abordaram a questão que me parece central – a dos conteúdos que os novos meios irão servir. Mário Crespo pôs o dedo na ferida ao assinalar a degradação dos conteúdos que a diversidade de canais generalistas trouxe consigo, a «era da tabloidização» a que deu lugar. Judite de Sousa preferiu desculpabilizar essa descontrolada produção de incultura – com o equivalente à celebre frase de Pessoa – primeiro estranha-se, depois entranha-se. (no fundo, Pessoa e Judite falam de lixo – da Coca-Cola o grande poeta e dos programas televisivos campeões de audiências a jornalista). Porque não se trata de emoções aquilo por que grande parte do público anseia. Trata-se de fuga ao quotidiano descolorido ou mesmo negro que a maioria das pessoas vive. Porque não me diga a Judite que as telenovelas, por exemplo, reflectem a realidade. E não se trata de hipocrisia, como ela diz.
Eu conto a minha experiência: vinha no carro para casa e estava sintonizado na TSF para ouvir uma comunicação ao País que o presidente Sampaio ia fazer quando, como quem anuncia um acontecimento de grande importância, o programa que estava a ser transmitido, foi interrompido e o locutor anunciou que o Marco tinha dado um murro na não sei quantas. E aconselhava a ligarmos para a TVI. Quando cheguei a casa, foi a primeira coisa que fiz e passados momentos lá passaram a gravação do murro ou do pontapé. Nunca tinha visto o «Big Brother» e, atónito, lá assisti durante uns minutos àquele espectáculo deprimente de seres humanos a comportarem-se ao nível mais rasteiro que se pode imaginar. Será a isto que Judite de Sousa chama «emoções»?
Mário Zambujal faz uma referência importante ao carácter educativo que a televisão (pelo menos o serviço público) nunca devia perder de vista e Crespo, lucidamente, afirma que a RTP «terá de mudar de formato, pois no actual formato híbrido não tem futuro». É uma realidade, querendo proporcionar ao grande público as tais «emoções» de que fala a Judite de Sousa (e que mais não são do que concessões à estupidez), mas não o fazendo da forma totalmente despudorada com que a TVI actua, perde nas audiências e trai absurdamente o seu dever para com os contribuintes – o de ser um serviço público de televisão – educando, esclarecendo, informando, divertindo. Servindo.

CDS: Pobre país, o nosso

Paulo Portas e o CDS foram os maiores vencedores destas Eleições Legislativas. Porque conseguiram tudo o que ambicionavam e ainda mais. Porque se tornaram a terceira força política do país. E porque passaram a condicionar decisivamente a governação do país para os próximos anos. E até já se fala em coligações.
Melhor, realmente, era impossível!
Posto isto, o que me apetece dizer, face a estes resultados, é a frase que está no título: «Pobre país, o nosso». O que dizer de um país que dá tamanha votação a um Partido cuja maior bandeira é o fim do Rendimento Mínimo?
Quando a pobreza e o desemprego atingem em Portugal valores inimagináveis; quando se enterram milhões e milhões nos Bancos, instituições que em 2008 só pagaram 9% de IRC; quando se sabe que o Rendimento Mínimo representa 3 euros (só 3 euros!) por português, vem um Partido e elege este apoio social como o que de mais importante e negativo existe no país. E como prémio, recebe o 3.º lugar, 10% de votação e a possibilidade de condicionar o nosso destino nos próximos anos.
O que dizer de um país destes?

Por falar em Bananas: O major é o maior

É o que diz quem recebe um convite grátis para o concerto do Tony!

A Democracia tem regras mesmo na república das bananas

João Rodrigues, no “i” fala na asfixia democrática que existe hoje nas Honduras. Suspensão das liberdades democráticas, recolher obrigatório, assassinatos políticos e desaparecidos, a mesma política que tem por trás os grandes interesses oligarquicos que se sentem ameaçados. A história da América latina é a história dos golpes de Estado contra governos democráticos e reformistas- da Guatemala de Arbnz na década de cincoenta ao Chile de Allende na década de setenta, passando pelas recentes tentativas falhadas de afastamento de Chavez e Morales na Venezuela.

Teria sido a vontade do presidente deposto de realizar um referendo não vinculativo, para a convocação de uma assembleia constituinte, que reveja uma constituição feita à medida dos interesses de uma pequena elite, num país onde 2/3 da população vive abaixo dos níveis de pobreza.

Esta explicação é tão boa como outras que já vimos escritas, estamos todos de acordo com os considerandos e com a descrição de um país miserável “a chiquita banana” ou a “república das bananas” com as Honduras em mente quando se inventaram aqueles termos.

O que ninguem explica é o que terá levado o Presidente a propor um referendo quando a constituição tem os seus próprios termos de revisão, dando assim um pretexto aos que estão sempre prontos a matar a Democracia.

Fazer juras de amor à Democracia e à Constituição não leva a lado nenhum se não formos os primeiros a cumprir com as regras democráticas.

E o que sempre perguntei e ainda ninguem respondeu é: cumpriram?

PS: interpretar a minha perplexidade como apoio aos golpistas tambem não é democrático.

Cartazes das Autárquicas (Tino de Rans, Valongo)


via Cartazes, de Facto

Tino de Rans (candidato independente), Valongo.

A tristeza de não saber ganhar

Certa(o)s Coisas são o exemplo típico dos socialistas que não sabem ganhar. Achincalham, humilham, rebaixam no momento da vitória. É desta massa que esta gente é feita. E nem sequer têm coragem de permitir comentários