ETICA E EDUCAÇÃO (13)

ETICA E EDUCAÇÃO (13)
Considerações sobre Ética e Educação pata além da Escola

Uma boa reforma educativa é sinónimo de reinvenção da escola pública, da escola nova, democrática e laica. A escola tem de ser repensada fora das limitações que a tolhem. Tem de ser dotada de todos os meios e capacidades que permitam a integração dos mais fracos e oprimidos. Uma escola-projecto com corpo docente estável e motivado, uma escola autónoma com competência própria, uma escola-motor de uma comunidade educativa, uma escola descentralizada. O verdadeiro catalisador da mudança começa na descentralização das tomadas de decisão, onde intervenham assembleias de professores, alunos, pais, associações locais, museus, centros de saúde, bibliotecas, autarcas, empresários que ouçam e discutam, decidam e actuem. É óbvio que Interesses antagónicos acabarão por emergir, mas aumenta a participação, fundamental para a maturidade do sistema democrático. Educar para a mudança exige um grande e colectivo esforço de transformação, porque para mudar é preciso conhecer, compreender, reflectir, avaliar, tomar decisões, mudar as mentalidades, assumir compromissos, arriscar, recomeçar sempre e não desistir. Por isso o professor, sendo vítima da desistência, é também o grande herói da revolução. Este é o caminho da Educação para o Desenvolvimento, ou seja a educação para a compreensão, para a defesa dos direitos e liberdades fundamentais, para a paz e cooperação. Educar para o desenvolvimento exige a compreensão profunda da situação nacional e internacional e da complexidade de um mundo tecido de inter-relações, interdependências, contradições, desigualdades, desequilíbrios, desordens gritantes e violências inimagináveis. Educar para o desenvolvimento obriga a não desprezar o saber acumulado pela humanidade, nos campos da literatura, da filosofia, da ciência e das artes. A formação intelectual através destas vertentes constitui um alicerce fundamental. O papel pedagógico da literatura e das artes, tantas vezes lançado para segundo e terceiro planos, enriquece o processo de humanização, desenvolvendo o exercício da reflexão, o afinamento das emoções e dos sentimentos, o sentido da estética e da beleza e a percepção da maravilhosa complexidade dos seres e do mundo. Perscrutar a verdade que a obra de arte transporta é um privilégio de pedagogia. A necessidade da arte apela fortemente a uma conjura contra a violência, contra a barbárie, contra a indiferença. A arte tem uma poderosa afinidade com a consciência, criando naquele que a vive a exigência de pertença a um processo de identificação com a verdade. A literatura e as artes são um poderoso instrumento de educação e um riquíssimo equipamento intelectual e afectivo. (Continua)

 

                         (manel cruz)

(manel cruz)

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