Eleições: Uma premonição

revolução
Em tempos, tivemos feudalismo e burguesia como classes dominantes. Dominantes do quê? Do que mais tarde Karl Heinrich e Jenny Marx, com o apoio de Friedrich denominariam a exploração do povo pela capital, definida por eles em todos os seus textos, especialmente no escrito da Baronesa Prussiana Johanna von Westphelen, na base das ideias de Karl Heirich e Friedrich Engels, por nome O Manifesto Comunista, Que a Baronesa, com título renunciado e mulher de Karl Heinrich desde 1844, surpreendera ao seu marido, a quem secretariava, no dia seguinte ao debate sobe o quê seria o texto, pensaram amanhã o escrevemos e Jenny, mãe de quatro garotas, redigiu essas 21 páginas: Um espectro ronda o mundo…..a burguesia treme….as antigas religiões já não são o que eram…..o cristianismo é a salvação de quem nada tem….
Assaltaram-me estas ideias enquanto o povo português ainda anda nas urnas a escolher quem os governe. De manhã cedo, fui a minha mesa de voto, a amabilidade dos vogais foi avassaladora, gentil, companheira. Nem quem soubessem quem era eu. A seguir, fui falando com pessoas. Os outros maiores como eu, comentavam que Portugal não podia continuar assim, a andar pelas ruas da amargura de crise em crise, de acusação em acusação. Como bom investigador etnopsicólogo, nada comentei: a minha frase habitual: vi, ouvi e calei, como faço com as crianças que analiso. Para que nos governa, somos essas crianças: nada entendemos, nada sabemos, nem de escutas nem de alianças feitas pelos representantes do povo, sem o povo e às costas do povo.
Quando vi ao nosso re-fundador nacional, Mário Soares votar com essa querida mulher, tremi. Esse Mário Soares membro da Assembleia Constituinte de 1976 que redigiu a primeira constituição pós fascista que definia: ARTIGO 2.°
(Estado democrático e transição para o socialismo)
A República Portuguesa é um Estado democrático, baseado na soberania popular, no respeito e na garantia dos direitos e liberdades fundamentais e no pluralismo de expressão e organização política democráticas, que tem por objectivo assegurar a transição para o socialismo mediante a criação de condições para o exercício democrático do poder pelas classes trabalhadoras….frase retirada mais tarde, a Constituição de 2001, que é comentada, assinala na página 37 que a frase tinha sido retirada.
De qual tipo de governo falamos? Qual, o socialismo? A burguesia já não é a classe revolucionária que derrubou a aristocracia na Revolução francesa.
Que não desejo que os meus concidadãos possam realizar as tarefas que a História define para a burguesia? É evidente que não. Antes todos burgueses que luta de classes. Como hoje existe. Antes todos burgueses, antes de ter que pensar para onde votamos em prol de justiça social. Antes todos burgueses, para cumprir as definições bauvesianas de 1785, citadas por mim em outro sítios do nosso Aventar. Definições revisitadas por Jenny Marx e companheiros, no Manifesto Comunista. Nunca cumpridas como podemos ver. Que Portugal é mais poderoso? Que Portugal pela mão de Soares entrou na União Europeia e se fez respeitar pelo Vaticano ao negar-se a assistir ao Vaticano por Wojtila dizer: O Senhor Presidente Jorge Sampaio apenas, sem consorte. Presidente que teve o valor de desdenhar o convite, Wojtila mandou desculpas e esse nosso grande Padre da Pátria e Senhora, foram ao Vaticano. Quando o vi votar hoje de manhã, a admiração crescia por ele e a Senhora Dra. Maria José Rita.
Porque recordações, enquanto o povo anda a votar? Porque o salientar a valentia de quem sabe fundar e defender sem temor os princípios que todos apoiamos? Princípios nascidos de uma revolução que ainda não aconteceu. Os princípios foram lançados em 25 de Abril de 1974, como os de Allende em 4 de Novembro de 1970. Porque tenho uma premonição.
Essa premonição diz-me que o povo vota pelos ricos porque riqueza atrai riqueza. Seja verde ou laranja quem triunfe – vermelho está muito ultrapassado e procura votos, como os antigos socialistas revolucionários, com os que tenho colaborado. A burguesia , é a minha premonição, será quem governe o país: a cultura dos Doutores. Vários colegas da academia, ao dizer-lhes termos perdido investigadores, respondem-me: por quê? Eu gosto da cá estar, posso mandar. O socialismo científico definido por Marx como baseado no cálculo económico, nas definições da mais valia apropriada pelos que têm meios – e quem governa ou tem ou os adquire em detrimento do povo trabalhador que não poupa, não pode, apenas aforra cêntimos. O sonho do 25 de Abril fica em mãos de quem saiba gerir a pobre riqueza da República. Não sou homem de fé, mas haja Deus que se lembrem dos princípios do 25 de Abril, de todos eles.

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