Professores – desde que cheguem todos ao topo…

…aceitamos tudo e toda e qualquer avaliação porque depois na prática, a teoria é outra ( como dizia alguem ). Não aceitar que haja um número limitado de vagas nos níveis superiores é abrir a porta a que todos cheguem lá acima. E, estando aberta essa porta, como se impede, ou como se explica que a seguir não se encontrem as soluções para que todos tenham excelente e muito bom?

Mário “alucinado” está convencido que a sua lógica é muito elaborada e que poucos a percebem. Dá dois passos à rectaguarda para obter o que verdadeiramente está em jogo. E o que está em jogo é que o PCP tenha a influência junto dos professores que sucessivas eleições lhe negam.

Negociar pressupõe boa fé, encontrar uma solução boa que sirva a todos. Ora a posição dos sindicatos é de quem não se move um milímetro,  ainda por cima, numa pretenção que é injusta para os professores que merecem chegar ao topo. E mais, para os professores que merecem o reconhecimento da nação e dos seus pares, por serem melhores, por terem mérito!

Aceitar que todos os professores cheguem ao topo é aclamar o igualitarismo, o nivelar por baixo, o não reconhecer que há gente que se dedica, que tem mérito. Isso é inaceitável! Não só porque é injusto, mas tambem porque as outras classes profissionais vão querer o mesmo, e vamos ter um país pobre, no fundo, com os seus profissionais no topo. Tem piada mas não dá vontade de rir!

A situação a que chegou o país, pobre, injusto, sem confiança, resulta de milhares de políticas incrementadas contra o bom senso, contra o bem geral, que desmotivam e levam à descrença e à falta de mérito nas nossas vidas.

A que título, estes que lutam por políticas desasjustadas,  não compagináveis com a pobreza do país ( e aqui, o país, são todos aqueles que ganham 450 euros) criticam os amigos e familiares de políticos e os próprios que “sacam” à ganância” nada lhes interessando o equilibrio nacional de distribuição  justa de riqueza?

Se estes sindicalistas alguma vez fossem governantes, seguiam a velha  cartilha ” faz o que eu digo, não faças o que eu faço…”

Comments


  1. Negociar de boa-fé seria o governo afirmar que não há condições económicas para que todos cheguem ao topo. Isso seria um início honesto de discussão. Querer relacionar quotas com avaliação rigorosa não é suficiente para que se inicie uma discussão.


  2. E é preciso o governo afirmar tal evidência? mas, para alé disso há aqui uma questão de justiça relativa. Não somos todos iguais.

  3. Fernando Nabais says:

    Em primeiro lugar, não é, para mim, uma evidência que não existam condições económicas para que todos POSSAM chegar ao topo (e não para todos cheguem).
    Em segundo lugar, para que uma discussão comece com boa-fé, há que apresentar os argumentos que verdadeiramente interessam. Se o governo quer usar as quotas para reduzir a despesa, tem de afirmá-lo, pois a discussão passará a ser outra.
    Finalmente, não é através da introdução de quotas administrativas que a avaliação passa a ser justa, muito pelo contrário. Se assim fosse, o mesmo critério devia ser aplicado às notas dos alunos.

  4. Fernando Nabais says:

    Correcção: (e não para que todos cheguem)

  5. Luis Moreira says:

    Não estamos a discutir a mesma coisa. Se o governo tem dinheiro , óptimo, é só uma questão de o distribuir com justiça. Não é isso que está em causa. O que está em causa é que a progressão na carreira deve ser feita segundo o mérito, por avaliação. E se todos podem chegar ao topo, então nã há destinção nenhuma, entre quem merece quem não merece. Ando aqui a dizer desde o ínicio que os professores não querem a avaliação, querem o igualitarismo. É inaceitável!

  6. Fernando Nabais says:

    Não havendo diferença funcional, não há razão para impedir que todos possam (possibilidade) chegar ao topo da carreira. Os professores dão todos aulas, não há aqui generais ou administradores de empresas.
    Nada disto é contrário à ideia de que a avaliação deva valorizar o mérito e ter consequência na progressão, levando a que muitos, alguns ou poucos alcancem o topo.
    O que é inaceitável é – repito – associar quotas geradoras de injustiça a avaliação rigorosa.

  7. Luis Moreira says:

    Os professores não são iguais por serem professores. E podem todos chegar ao topo se forem melhor que os outros.É essa a possibilidade, não de haver vagas para todos chegarem lá. Não confundamos, os professores são profissionais iguais aos outros, têm que responder por objectivos que são previamente determinados. Um professor quando vai para a escola, todos os dias, tem que saber o que a escola espera dele. Meu caro, podem perder o tempo que quizerem, mas os professores vão ser avaliados como todos os outros profissionais e haverá uma parte deles que chega ao topo.Como em todas as profissões.O que vocês querem roça o patético.

  8. Fernando Nabais says:

    Os professores não são profissionais iguais aos outros, são profissionais iguais aos professores, como os polícias são iguais aos polícias ou os juízes iguais aos juízes ou os trolhas iguais aos trolhas. As comparações dão sempre mau resultado, porque acaba por se comparar o que não é comparável. Já li coisas delirantes como “nem todos podem ser generais”, como se o topo da carreira docente fizesse parte de uma cadeia de comando. Para além disso, nem sequer contesto que possa haver uma diferenciação dentro da carreira (formador, orientador de estágio, etc.) que até possa corresponder a diferenças salariais. Mais: essa diferenciação poderia ocorrer independentemente do tempo de serviço e poderia decorrer do mérito.
    Se for criado um modelo de avaliação rigoroso, pode acontecer que uma maioria ou uma minoria não chegue ao topo da carreira e nada tenho contra isso, desde que esse impedimento não seja criado administrativamente. Vagas ou quotas ou o que lhe queiram chamar são o contrário de uma avaliação séria e derivam de dogmas propagados pela religião neoliberal dominante.
    Se o política socrática vingar, os professores não vão ser avaliados e não há garantia de que sejam os melhores a chegar ao topo. Basta ler a proposta do Ministério (já leu?) e lembrar o historial do governo anterior para saber que nunca houve interesse em premiar o mérito, mas em criar um simulacro de avaliação que permita poupar dinheiro num campo em que nenhum país, ainda mais se ignorante e iliterato, se pode dar ao luxo de poupar.
    Quanto ao último período do seu comentário, deixe-me, antes de mais, esclarecer que “patético” significa ‘comovente’; penso que queria dizer “pateta”. Depois, não percebo o “vocês”, que eu sou só um. Se por “vocês” se refere aos professores, deve estar muito bem informado acerca do que pensa a maioria dos 150000 que constituem a classe. O que eu sei é que nunca apareceu ninguém a contestar a necessidade de uma avaliação.

  9. Luis Moreira says:

    Esta política não tem nada a ver com Sócrates. Se fosse aplicada em Portugal nem sequer o tínhamos como ministro. Não se pode confundir “funções” com “resultados”. Na vida militar, todos os que têm o curso superior da Academia chegam a Coronéis (desde que não tenham tido qualquer incidente grave na carreira). A partir daí só vai para general quem tiver os estudos para Oficial general. Nos hospitais só chegam a director alguns médicos e assim, sucessivamente…
    Que na carreira os professores atinjam um determinado escalão mínimo ao fim de “n” anos, tudo bem. Daí para cima , só quem for excepcional, de outra forma é nivelar pela mediania. Pergunte ao Ricardo, nunca tive dúvidas que era isto que os sindicalistas queriam .Reafirmo, é má fé, negocial! Assim a avaliação é uma fantochada!

  10. Luis Moreira says:

    E não estou a referir-me aos professores, tenho professores na família, não julgue que me move alguma coisa contra os professores. Não podemos é ver entrar pelo quintal aquilo que não aceitamos que entre pela porta. É isso o que os sindicalistas comunistas querem! Eu não quero viver ( e a esmagadora maioria do povo português tambem não, como mostram o resultado das eleições) numa sociedade dominada pelo igualitarismo.

  11. Fernando Nabais says:

    Não me repugna que um professor que seja coordenador de departamento, por exemplo, tenha benesses por esse facto. Não me repugna que um professor que seja avaliado negativamente fique impedido de subir de escalão ou seja expulso do ensino Até admito que só possa aceder a determinado escalão quem se revele excepcional. Repugna-me, em absoluto, que de dois professores excepcionais só um possa subir por razões meramente administrativas ou contabilísticas. Não há nisto nenhuma defesa de igualitarismo. A avaliação deve ser rigorosa e possuir instrumentos que permitam avaliar, coisa muito diferente de classificar ou seriar. Avaliação, sim, e necessariamente construída em conjunto com a classe.
    As várias propostas que tenho lido vindas de vários sindicatos parecem-me perfeitamente razoáveis e constituem um bom ponto de partida, mesmo se não sou um adepto incondicional do sindicalismo docente. Até prova em contrário, não descortino má-fé nos sindicatos, independentemente de poder discordar. A má-fé está em querer instituir quotas como condição necessária para o rigor da avaliação e essa má-fé está no governo.
    De resto, os problemas na Educação são vastíssimos e, independentemente das culpas dos professores, são da responsabilidade de uma sociedade para quem a Educação não é uma prioridade. Dá muito jeito ao governo manter esta fantochada de fazer de conta que quer avaliar os professores, enquanto não resolve todos os outros problemas que afectam e afectarão os jovens portugueses.