O mistério de um inocente convite

O mistério de um inocente convite (suspense 5)

 Numa outra mulheral achega para o secreto desenvolvimento da estratégia a adoptar nos subterrâneos neuronais da líder de Custóias, dizia aquela senhora de cigarro sempre na boca, que já teve um cancro do pulmão, ao qual sobreviveu após a cirurgia, que já teve um cancro da laringe ao qual sobreviveu após a cirurgia, mas nunca deixou de fumar:

 -Quando a minha avó era viva dizia-me sempre: ainda que velho, não o deixes pôr o pé em ramo verde. Sei lá se é verde se é maduro, eu penso que é mais pró vermelho esse ramo onde ele vai pôr o pén…, salvo seja, o pé!

 -O irmão do meu cunhado, que é da informática, diz que há um chip quase microscópico, que se aplica, sem ele saber, no relógio de pulso, objecto que nenhum homem tira nessas desavergonhadas funções, cujos movimentos anormais e descoordenados reproduzem um gráfico característico, durante a realização do acto sexual clandestino.

 -Mas tem de ser clandestino, porque com a própria mulher parece que dá uma linha isoeléctrica. Há quem o prenda nas peúgas, dado que é quase imperceptível, peça que o homem também nunca tira, e que dá o mesmo tipo de gráfico, mas invertido.

 -Também resulta a análise do PH da língua, mas é muito difícil convencê-lo a fazer a análise. Já não é tão difícil cortar-lhe as unhas quando ele regressa e tentar obter a partir daí um Papanicolau. No entanto, já corri todas as lojas de informática e dizem-me que o tal chip está esgotado, tem tido muita procura.. Apenas têm chips para a contagem de gases, muito frequentes na subida do Tourmalet, que é como quem diz na subida para o difícil e almejado clímax. Embora muito menos específico, e potencialmente enganador -os gases podem ser da comezaina e não da líbido-, este teste não deixa de ser denunciador. (Continua)