A Madeira já não é um jardim

Quem conheceu a Madeira em 1974/5 fica assombrado com o que vê agora. A ilha foi literalmente destruída com betão! Há quem chame a isto “obra feita” mas  a verdade é que “obra” seria melhorar ou fazer desaparecer as bolsas de pobreza que persistem, manter aquele paraíso de verde e cor. Uma realidade que ninguem pode negar, nesta primeira fase o nível das condições de vida melhorou muitíssimo, o turismo cresceu muito e com ele a hotelaria, construi-se um magnifico aeroporto que já não tira o sono a tripulantes e passageiros. A partir desta primeira fase o que se constrói na Madeira é para alimentar a máquina de construção civil que existe e que precisa de obras. Há sempre mais um túnel, mais uma autoestrada, mais uma ponte em construção ou em projecto, assusta perceber que há autoestradas que correm lada a lado.   O Funchal está, literalmente, sem uma nesga de terra, ainda agora se construiram dois centros comerciais em cima das ribeiras e na frente mar, deitam-se abaixo hoteis para se construirem maiores, no mesmo sítio, a máquina não pode parar. Betão em leito das ribeiras como muitos Madeirenses têm vindo a denunciar. O que aconteceu na Madeira há muito que se anunciava, esta tragédia foi prevista por inúmeros estudos de especialistas que chamaram a atenção para o perigo, de nada valendo como se viu.                                                                                              Já visitei a Madeira várias vezes e posso testemunhar as modificações que se deram para o bem e para o mal, mas nos últimos anos é de estarrecer, como não há quem pare para pensar, para perceber que há um limite para tudo. Agora descobriram Porto Santo, ilha para onde vou nas férias  gozar praia, a mais bela praia, a mais comprida, a de melhor areia, a de melhor mar, a de melhor sol (há um dia por semana que escurece…) que está a ser invadida pelo betão dos Hotéis em cima da praia.                                                                                                           A primeira vez que fui à Madeira ainda se admirava a natureza em todo o seu esplendor, a estrada que corria colada ao mar até Porto Moniz, o Pico Arieiro, a água que caía da serra, as flores e o seu cheiro, tudo fazia da Madeira um lugar único! Hoje a Madeira é uma ilha e o Funchal uma cidade iguais a todas as outras, continua no meio do mar … é o que sobra do paraíso!

Comments

  1. Frederico Mendes Paula says:

    Pois é Luis. Como Portugal não produz nada que os outros queiram comprar vai ganhando algum com comissões e outros esquemas parasitários. Por isso é que se diz que a nossa economia baseia-se na especulação _ financeira, imobiliária, etc. A própria construção civil depende em boa parte dos negócios que existem à sua volta, como a venda de terrenos e imóveis, que chegam a ser comprados sucessivamente para voltarem a ser vendidos. A dependência deste país da construção é semelhante à do heroinómano da heroína _ quanto mais consome, mais precisa dela. Por isso temos que construir e construir e construir…

  2. Pedro says:

    Inteiramente de acordo.
    Luís, se soubesses o quanto eu gosto de Porto Santo…
    Percorrer o areal, dar uns mergulhos naquela aguinha, comer (não é que se coma muito bem, mas gosto do sítio) um vinho de alhos numa barraquinha de madeira que há junto ao parque de campismo, debaixo de umas árvores, ou na única tasca de pescadores que existe na Vila Baleira, dar umas voltas à ilha de bicicleta e, à noite, beber umas Coral na esplanada do Café Apolo…
    A última vez que lá estive foi há uns quatro ou cinco anos, mas tenho ouvido relatos terríveis.

  3. Luis Moreira says:

    Pedro, aquilo é um paraíso debaixo da pata do betão.Constroem na praia, do lado de lá da estrada que corre paralela ao mar. O hotel do Inatel está aí a 200 metros da praia estes estão a 20 .É o assalto…

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