E se 'cristo' (i.e. Marcelo Rebelo de Sousa) voltar a descer à terra?

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Hoje Marcelo Rebelo de Sousa é um homem livre. O professor teve ontem o seu último dia de vínculo à RTP. Fez as suas derradeiras escolhas. Que se saiba, apesar de alguns rumores, não está ainda ligado a nenhuma outra estação televisiva, seja para fazer exames, análises, comentários ou escolhas.

É hoje um homem livre e assim deverá continuar até ao dia do congresso nacional do PSD, a 13 e 14 de Março. Há uns meses fez saber que até poderia ser candidato se houvesse um vislumbre de união, numa espécie de vaga de fundo consensual que o transportasse até ao trono de líder. De novo. Como a nobreza do PSD não se entendeu, Marcelo tirou as devidas consequências e não avançou. Há dias fez saber que se calhar nem iria ao congresso. A decisão dependia do que acontecesse neste processo pré conclave ‘laranja’.

Na corrida entraram, entretanto, dois candidatos, somando-se a um primeiro pretendente que há muito tinha ouvido o tiro de partida. Passos Coelho saiu bem na frente, com Rangel e Aguiar-Branco a seguir. Consta que no meio de algumas facadas. Consta ainda que são dois elementos da mesma área do PSD. Talvez não seja assim. Aos apelos de dois em um, ambos recusaram.

Mas, e se, Marcelo decidir avançar? E se, para não deixar Passos Coelho vencer as eleições internas, num esforço de cidadania em prol de Portugal, o professor ex-líder quiser regressar à liderança?

Marcelo é o potencial presidente do PSD que melhores condições reúne de ganhar eleições ao PS, seja ele de Sócrates ou de qualquer outro dirigente. Apesar das trapalhadas, das suspeitas, da crise económica, o PS continua com invejáveis níveis de intenções de voto e ainda há seis meses atrás venceu as legislativas. Quem, pois, no campo ‘laranja’ dispões de mais possibilidades de vencer as eleições que se seguem – que não as presidenciais? Marcelo, claro!

O país não conhece Passos Coelho; simpatizou com a bonomia de Rangel mas o acto eleitoral era para o Parlamento Europeu, não para mandar cá em casa; e muito pouco sabe de Aguiar-Branco. Já Marcelo todos conhecem. Foi aquele que se atirou ao poluído Tejo, o que marcou três conferências de imprensa num só dia, mas é, sobretudo, aquele que entrava em casa das pessoas todos os domingos ao longo de muitos anos. Era a visita que chegava à hora do jantar dominical. Um amigalhaço com quem a maior parte dos portugueses simpatiza.

Moção de estratégia? Escreve em dois dias, se já não estiver pronta. Campanha interna? Para quê, não precisa. Todo o PSD o conhece. E quem vota nas directas são os militantes, não os nobres ou os seus sindicatos de votos arregimentados em redor dos congressistas.

Ora, neste panorama, quem é o homem capaz de dar ao PSD aquilo de que o partido tanto precisa, o poder? Marcelo, claro.

P.S. Nenhuma bola cristal ou nenhum baralho de tarot foi magoado na realização desta previsão.

Comments

  1. Carlos Fonseca says:

    Caro José de Freitas, mas o Prof. Marcelo tem que sentir a tal vaga de fundo e esta ainda não surgiu.


  2. Pois não. Mas pode surgir. E nem precisa ser uma vaga, pode ser apenas uma onda. E nem precisa de ser grande.

  3. Luis Moreira says:

    Pois…

  4. Nuno Soares Franco says:

    Tenho a noção de que Marcelo Rebelo de Sousa sabe que é capaz de agarrar o Poder e arrumar a casa, ou seja, limpar Portugal da má política. Porém, também me parece que ele não estará muito disposto a aturar toda a porcaria humana em que teria de mergulhar – é bem pior do que a poluição do Tejo.
    Mas é pena por que ele seria capaz de levar o barco Portugal a bom porto.

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