Abençoados os pobres

Estes cartazes estão instalados à porta da igreja de Nossa Senhora da Conceição, na Praça do Marquês, no Porto.

Antes destes, outro cartaz, mais discreto, resguardado no interior da igreja, havia informado acerca dos valores conseguidos para as respectivas obras, graças ao apoio de uma instituição bancária, e, sobretudo, à generosidade dos fiéis. Mas afinal esse montante (algumas centenas de milhar de euros) tinham sido escassos e as obras da igreja ainda estão por pagar. Seguramente que não por muito tempo, já que imagino que quem vai à missa não se deve sentir muito cómodo com a ameaça de humilhação pública que pende sobre os caloteiros. Imaginam no que se transformaria a homilia se junto ao sacerdote se viesse colocar um desses cobradores ataviados de fraque?

Se a estratégia vier a funcionar poderá abrir caminho a uma nova forma de viver o endividamento. Por esse país fora, poderemos começar a distinguir na janela de inúmeras habitações um cartaz com os dizeres “”Esta casa ainda não foi paga ao banco”.

Nos lares das famílias que optarem pela compra de bens de consumo em suaves prestações mensais, poderemos deparar, numa cordial visita de amigos, com um cartaz afixado ao ecrã da televisão:  “Ainda faltam 5 prestações para que este plasma seja nosso”.

E quem sabe até o Estado pode embarcar neste espírito de confissão pública, e colocar, em cada uma das sedes dos seus organismos oficiais, uma enorme faixa na qual se possa ler “Ainda nos falta pagar perto de 133 mil milhões de euros”

Talvez por se ter condoído da triste situação da Igreja Católica, condenada à pedinchice despudorada, a Câmara Municipal do Porto prontificou-se a pagar os custos logísticos da visita do Papa à cidade. Sabendo-se a dificuldade desta autarquia em abrir os cordões à bolsa quando se trata de um evento que, ainda que de forma remota, tenha algo a ver com “cultura” (termo que nas imediações do gabinete do presidente é substituído por “aquela cujo nome não se pode dizer”), é um facto extraordinário.

Resta agora saber se a autarquia também exigirá ao Papa que assine uma declaração na qual se comprometa a não falar mal da autarquia, tal como era exigido às associações culturais que recebiam apoios.

Mas também por aí não deverá haver problema, é sabido tratar-se de uma instituição que nunca teve problemas em comer e calar.

Comments


  1. Sem comentários. Brrrrrrrrr! Não escrevo nada, senão começo a descambar e depois é o carago.

  2. Luis Moreira says:

    e não seria mais católico que antes de começarem as obras fizessem um orçamentozinho. É que sem dinheiro não há vícios…

  3. maria monteiro says:

    A morte do Sr.Lima, nosso colega reformado que por sua vez era pai da nossa colega Amélia, levou que muita gente de Lisboa se deslocasse ao Tramagal. O padre vendo casa cheia não esteve de modas … na homilia desenrolou o cardápio de todas as obras que tinham sido feitas na Igreja e que ainda estavam por pagar. Depois dirigindo-se a todos os presentes disse que a verdadeira forma de homenagear o defunto era deixarem uma boa esmola para ajudar a pagar as obras da Igreja. Posso dizer que ninguém deu esmola e fizemos uma carta dirigida à diocese a apresentar queixa pelo despropósito do sacerdote.

  4. ricardo says:

    Querem é mamar dado…
    Sempre se souberam aproveitar dos pobres e dos desesperados. Aproveitam-se da fé dos outros e ameaçam com o inferno…
    Uma corja…, é o que é…


  5. Alguém que pague… menos o povo.

    Saudações Marítimas
    José Modesto

  6. J. Mário Teixeira says:

    Irmãos:
    Vós esqueceis que compete aos fiéis prover as necessidades da Igreja e dos párocos.
    Arredai-vos das heresias, e prestai tributo.
    Valha-vos o Altíssimo!

  7. ricardo says:

    …” Eles detestam o que repreende no tribunal e odeiam o que fala com rectidão. Portanto já que oprimis o pobre e lhe exigis o seu quinhão de trigo, não habitareis nestes palácios de pedra que construistes;….sois opressores do justo e violais o direito dos pobres….Detestai o mal, amai o bem…talvez então o Senhor, Deus do Universo tenha compaixão do resto de José.”

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