O discurso ambíguo de Dijsselbloem

O presidente do Eurogrupo, Dijsselbloem, simultaneamente ministro das finanças da Holanda, esteve em Lisboa. Cumpriu o cerimonial da visita a Cavaco Silva e esteve em reunião com Vítor Gaspar.

Na comunicação à imprensa, não assegurou – nem poderia fazê-lo isoladamente, creio – que Portugal venha a beneficiar de nova flexibilização de metas (deficit orçamental mais alto) para 2014. Ficou-se por afirmações de certo modo dúbias:

[…] caso Portugal atinja os objectivos definidos para o défice estrutural, “se for necessário dar mais tempo a Portugal, então esse tema [a flexibilização adicional do objectivo para o défice nominal em 2014] será debatido”.

Ou seja, em vez da dilatação dos limites da meta para 2014 por que o governo – Gaspar e Coelho em especial – luta pela aprovação do Eurogrupo, prometeu o debate do tema…”caso Portugal atinja os objectivos definidos para o défice estrutural”.

O presidente do Eurogrupo, através do condicionalismo proposto para o défice estrutural, introduz uma complexidade na avaliação dos resultados das finanças públicas, uma vez que o SOAC (saldo orçamental ajustado ao ciclo ou saldo estrutural), embora utilizado pela OCDE e FMI, corresponde ao saldo que se registaria caso a economia estivesse em plena capacidade; ou seja, equivale ao uso do PIB potencial. [Read more…]

Angela, chancelerina

Não vou receber-te de negro, porque, sinceramente, mulher, não mereces que eu me ponha de luto, que entristeça os meus dias e lance sobre eles a tua sombra de morcego hamburguês. Receber-te-ia, isso sim, com um punhado de bosta quente, perfumada com os aromas da terra, do trigo e da merda, que haveria de acertar-te em cheio na franja dourada de garnier nº 80, mas já sei que estarás entrincheirada, longe dos gritos e dos arremessos, nos gabinetes de janelas fechadas daqueles a quem não elegemos para que fossem teus serviçais, mas que a isso escolheram reduzir-se.

Angela, chancelerina, se viesses em paz eu podia levar-te à casa de modas Fernandes e Irmão, onde se vendiam saias-casaco dos que a ti te agradam, verde azeitona-de-martini, ombreiras exageradas, cortes quadrados, cintura muito subida, com a intenção falhada de favorecer bustos generosos e disfarçar ancas largas, mas também é certo que a loja fechou há pouco e nem os ciganos quiseram rematar o lote. Não importa, afinal, porque tu também não vieste em paz, a tua visita é parte da cedência que temos de fazer aos nossos amos. [Read more…]

Bandex – A visita

Falta de olho

A visita do Papa Bento XVI a Espanha, ficou desde logo marcada pela conversa da despesa de 25 milhões de Euros.

Esquecem os preocupados da despesa que a visita papal trouxe a Espanha milhares de fiéis de todo o mundo que lá vão gastar dinheiro em restaurantes, museus e hotéis – como os chineses do Futre. Além da projecção mediática usufruída por Espanha que ainda ganhou em tomar de perto as palavras de um Papa universitário e com um pensamento sobre a actualidade digno de ser estudado.

Dos revoltados espanhóis sobre os custos da visita papal, gostaria de saber quantos já não se importam de comprar bilhetes de futebol e sustentar clubes com salários megalómanos para os tempos em que vivemos?

Nestas coisas é preciso ter um pouco mais de visão. Ou de olho, mas com cuidado não vá Mourinho meter o dedo…

Diário da visita

Querido diário,

hoje tive uma visão do inferno. Vi o  Joe Ratz, com aquela cara de fuinha que ele tem, deve ser o único tipo no mundo que nem todo vestido de branco fica com cara de bom, a receber uma camisola do benfica-salvo-seja (tento evitar esse nome, prefiro dizer “clube ruim”) com a inscrição “Bento 16”. O demónio estava distraído, caso contrário tinha posto ali um câmarapereira a cantar “eu cá p’ra mim não há maior prazer do que o selim e a mulher” e levava, de uma assentada, todas as alminhas lusitanas.

Antes disso, vi o Joe Ratz em Belém, a beijar os cavaquinhos. A senhora do prós-e-contras estava babada como se fosse a avozinha deles, e dizia que os cavaquinhos nunca mais se vão esquecer deste dia. A dama nº 1 estava preocupada porque já eram as 3 em Roma e ainda não tinham servido a comida ao Joe Ratz. Nem o papa morre nem a gente almoça, dizia, à socapa, morto de riso, o mais reguila dos cavaquinhos.

E nestes entreténs, passou-se bem o dia.

Vade retro!


E eu, via Aventar, não quero deixar de dar as boas-vindas a Sua Santidade.

Ao comentário de Talvez…

Caro Talvez…parecem, mas não são falácias. No que respeita à “falácia” ad hominem, há que reconhecer que o papa é, na realidade, para mim, o representante de uma instituição verdadeiramente indecorosa. Todos os dias surgem na imprensa, e não me digam que é perseguição, relatos escabrosos atribuídos ao clero (passados em muitos países de que há muito temos conhecimento, agora vem a Irlanda envergonhada, a Alemanha incomodada, a Holanda estupefacta, a Suiça de boca aberta e o que mais se vai ver. Não tenho dúvidas de que as grandes revelações, isto é, revelações de abomináveis crimes de perversão sexual e pedofilia da igreja, praticados não só pelo clero mais subalterno mas também pela alta hierarquia, não tardam. O tempo levantará todos os véus sujos e conspurcados). A “falácia” ex populum também não é verdadeira, até porque as pessoas que se sentem repugnadas com os actos da igreja desde há séculos, mas sobretudo da metade do século passado para cá, gravosos crimes economico-financeiros, tráficos de influência, compadrios, nepotismos, intrigas e intromissão vergonhosa em países soberanos, “assaltos” ao poder e ao domínio, ao ensino, à saúde, às instituições e aos bancos, políticas e intervencionismos camuflados em conflitos bélicos, sempre ao lado dos agressores e dos poderosos, tudo isto caldeado numa monumental hipocrisia sem a mais pequena centelha de humildade cristã, são muitos milhões. São pessoas que, como disse no post, têm uma testa e dois olhos debaixo dela, e não podem deixar de se sentir incomodadas e ofendidas com a visita do papa.

Não quero pagar a visita do papa

Não quero pagar a visita oficial do papa a Portugal. Em nada me interessa a visita oficial do papa. Que faça todas as visitas que quiser, mas a expensas do vaticano. Repugna-me pagar a visita oficial do papa a Portugal. É uma injustiça obrigarem-me a pagar a visita oficial deste senhor. Acho a visita oficial do papa uma ofensa e um atentado contra a laicidade do Estado e contra todos aqueles que encontram no papa o representante de uma instituição degradada, falsa, hipócrita, historicamente criminosa, carregando aos ombros histórias de  crimes, desde crimes de pedofilia e perversões sexuais a crimes economico-financeiros. Sinto-me envergonhado. A igreja apela a que todos vistam roupas alegres para receber o papa. Eu apelo a toda a gente com testa e dois olhos debaixo dela para se vestirem de luto. Eu o farei.

Abençoados os pobres

Estes cartazes estão instalados à porta da igreja de Nossa Senhora da Conceição, na Praça do Marquês, no Porto.

Antes destes, outro cartaz, mais discreto, resguardado no interior da igreja, havia informado acerca dos valores conseguidos para as respectivas obras, graças ao apoio de uma instituição bancária, e, sobretudo, à generosidade dos fiéis. Mas afinal esse montante (algumas centenas de milhar de euros) tinham sido escassos e as obras da igreja ainda estão por pagar. Seguramente que não por muito tempo, já que imagino que quem vai à missa não se deve sentir muito cómodo com a ameaça de humilhação pública que pende sobre os caloteiros. Imaginam no que se transformaria a homilia se junto ao sacerdote se viesse colocar um desses cobradores ataviados de fraque? [Read more…]

Ainda a "santa" visita do papa

Nesta altura em que Portugal e o Sr. Presidente da República se preparam para receber Bento VXI na sua primeira visita oficial ao nosso país, mais algumas notícias de última hora são dignas de figurar no belo cartaz oficial, anunciador da vinda do papa. “Contigo caminhamos na esperança, sabedoria e missão”. Quanto a sabedoria, sabem-na toda. No que respeita à missão, ela é por demais conhecida. [Read more…]