Pedro Passos Coelho político

Pedro Passos Coelho fez hoje, no encerramento do Congresso do PSD, um discurso marcadamente político, com afirmações políticas e propostas políticas. Algumas afirmações soam a falso na sua boca, como a reinvindicação da matriz social-democrata do PSD, mas a verdade é que Passoas Coelho falou de política para dentro do partido e para o país,  definiu urgências -as suas urgências- como a necessidade de revisão constitucional, apontou caminhos, reafirmou a sua oposição à presença do estado nos negócios, advogou a necessidade de definição das áreas estratégicas nas quais a sua presença é necessária (uma evolução ?).

Quanto a Sócrates, a casos avulsos, a política de mercearia, nada, nem uma palavra. Pedro Passos Coelho marcou algumas diferenças e ganhou pontos. O PS e o PP devem preocupar-se, a política pode estar de regresso. Passagens houve, no discurso, em que PPC parecia estar à esquerda do PS, nomeadamente quando pediu maior coesão social e se declarou chocado com os prémios de alguns gestores.  Palavras leva-as o vento, sei-o eu, mas há circunstâncias em que o PS nem palavras tem.

Eu, que não me revejo em nenhum dos partidos da alternância, observando com os olhos do crítico, penso que PPC pode, se gerir bem os dossiês, se não meter os pés pelas mãos como no caso da Caixa GD, se não andar aos avanços e recuos como com o governo sombra, se não quiser derreter tudo e todos com o seu putativo charme, como com Alberto João Jardim, se não oscilar de liberal a social-democrata e de social-democrata a liberal, dia sim dia não, chegar longe no quadro político actual. Pedro Passos já se mostrou incoerente, manipulador e populista, mas pede ao partido paciência, pois sabe que Sócrates há-de cair de podre. Se, entretanto, a política regressar ao centro do debate o país ganha em participação e esclarecimento. No estado em que as coisas estão, ganhar participação e, sobretudo, esclarecimento, seria quase um milagre.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Tirar os casos de falta de caracter do centro da vida política é um avanço tremendo, e colocar no seu lugar a política, como dizes, é o ínicio da mudança. Ter grupos económicos do Estado para pagar vencimentos milionários e fazer baixa política, é ser de esquerda?

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  2. […] do PSD fez um bom discurso e eu, tal como outros, com a actualidade ainda quente, elogiei o regresso da política – que não a politiquice usual e corriqueira, mas a política, temas colocados em cima da […]

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