Nobel a favor de bancos do estado!

Joseph Stiglitz, prémio Nobel da Economia defende que se os bancos não emprestam à economia real, Pequenas e Médias Empresas e famílias, então os estados deveriam criar os seus próprios bancos. “Nos Estados Unidos entregamos à banca 700 mil milhões de dólares.Se tivéssemos investido na criação de um novo banco teríamos todos os empréstimos necessários”

Isto faz-me lembrar a nossa Caixa Geral de Depósitos que, em vez de andar nos negócios especulativos e nas grandes empresas do regime, deveria ser o motor da economia financiando as empresas que asseguram 80% do emprego e 70% da riqueza , que produzem bens e serviços transaccionáveis e viradas para a exportação.

Na verdade não há razão nenhuma, e ainda menos, depois desta crise e da imensa culpa que os bancos tiveram no seu  desenvolvimento, que os Estados não tenham nas suas mãos instrumentos de “padronização” da actividade bancária ( e para isso é preciso controlar uma parte importante do sistema financeiro) e uma regulação muito eficaz. Aqui em Portugal, o dinheiro que falta na economia foi entregue ao BPP, ao BNP e ao BCP, nada se sabendo quanto ao destino final desse dinheiro.

Serviu para pagar empréstimos ao estrangeiro e salvar amigos de apertos? Convinha esclarecer!

Comments


  1. A ideia não é original nem nova!

    Imaginem só o que se fazia com 4 mil milhões de euros. Este valor transformava-se nas mãos de um banco em mais de 30% do PIB. O suficiente para alimentar a economia real durante anos.

  2. Luís Moreira says:

    É nova e original porque ninguem tem a coragem de a implementar. Os governos estão nas mãos da alta finança.

  3. António Soares says:

    …Ganda Luís ,qualquer dia,tens a cabeça a prémio,por chamares os chulos pelos nomes…e os parvinhos a deixarem isso acontecer!!!


  4. A menos que o significado das palavras tenha sido redefinido por qualquer motivo já em 2008 se pedia a declaração de falência dos bancos, por exemplo: Bankruptcy, not bailout, is the right answer. Isto para mim mata a novidade e serve de precedente. – mas eu sou muito terra a terra, talvez me esteja a escapar alguma coisa.

    É claro que concordo consigo, os políticos não são mais do que fantoches nas mãos dos banqueiros, isso é evidente (e nem é necessário falar de alta finança, não temos disso cá em Portugal e veja-se como os nossos políticos estão bem amestrados). Já agora, só para registo, notar que se passa o mesmo com os meios de comunicação social.

    O interessante nesta discussão é ver a hipocrisia dos “defensores” do mercado livre e da globalização (banqueiros, investidores e afins) que foram os primeiros a estender a mão aos governos para serem salvos da própria arrogância e egoísmo – em vez de deixarem que o mercado auto-corrigisse a situação (que é exactamente o que defendem quando quem sofre não são eles).

    Quanto ao destino do dinheiro – eu creio que se esvaiu pelas rachas do sistema, foi utilizado para manter o balão cheio. Mas o fôlego está a acabar, na minha opinião vamos acabar por ver falências ou então fusões mais ou menos forçadas entre bancos, por forma a pudicamente esconder essas falências…

    • Luís Moreira says:

      A questão é que pela primeira vez o que era uma heresia ( bancos estatais) passa a ser encarado seriamente. A economia, ou melhor, o financiamento da economia não pode estar sujeito aos restritos interesses dos bancos.

  5. Luís Moreira says:

    Que a crise sirva para que a lição não seja esquecida.Há que tomar as medidas que se impõem, não podemos ter a nossa vida à mercê da ganância de uns tantos.


  6. O problema é que o estado que temos é profundamente corrupto (no sentido de estar podre), pelo que os vermes estão em festim permanente. Já temos a CGD que tem exactamente a mesma actuação dos outros bancos. Não sei se teremos uma estrutura estatal com integridade suficiente para nos salvar por essa via.

    É claro que um novo banco do estado, ou um reforço de capital da CGD com os 4 mil milhões já gastos poderia num mundo óptimo resolver muitos dos nossos problemas – só não estou a ver isso acontecer sem purgarmos de alguma forma todo o aparelho do estado e clientelas associadas…

    Penso que nos próximos meses vamos ver muitas coisas impossíveis tornarem-se realidade!

    Estamos sem dúvidas a viver tempos interessantes e sem muitos paralelos.

  7. Luís Moreira says:

    Claro, Helder, temos que acreditar que o estado é uma pessoa de bem, que isto é passageiro, eles vão e o estado fica, que há mais sociedade civil que vigia, que a Justiça se dignifique…a não ser assim resta-nos ir para a rua colocar as coisas nos eixos por mais uns trinta anos.

  8. maria monteiro says:

    Presente. Pronta a ir para a rua
    POVO: LUTA!
    POR TI E POR PORTUGAL!

  9. Pedro says:

    Perguntem ao Passos Coelho o que pensa disto. Se como tudo aponta, o homem for o próximo primeiro ministro, o resultado vai ser o contrário do que aqui se diz.

  10. Luis Moreira says:

    Pedro, no dia seguinte digo o mesmo, sem uma sociedade civil forte não vamos lá. mais do que ideologias (que são necessárias mas que “nos apresionam”) é necessário sermos pragmáticos. esta crise mostrou onde está o mal.Há que combatê-lo!


  11. Luís, dificilmente conseguiremos algum tipo de acção que ponha seja o que for nos eixos durante os próximos 30 anos, até porque nos últimos 30 isto esteve tudo muito longe de estar nos eixos.

    O século XX já mostrou que as ideologias só devem servir como balizas para definir comportamentos – como o ser humano é falível os ideais nunca são seguidos e os piores entre os homens acabam por se aproveitar das ocasiões.

    Concordo que uma sociedade civil forte, que fiscalize o estado e a economia é o que é necessário para assegurarmos sociedades viáveis. Todos os aspectos do funcionamento do estado deveriam ser públicos e muito facilmente acessíveis por todos.

    O segredo deveria ser a excepção.

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