o crescimento das crianças-6ªparte-II-indigenismo

ritual Mapuche, praticado pelos Picunche,para a sua defessa dos Huinca Chilenos

Nguillatun – Ceremonia religiosa

Capitalismo agrário, subdesenvolvimento agrário: imdigenismo

Talvez, podia pensar como Jack Goody fez para a Ghana em 1963, quando pertencia ao Partido do Povo que libertou a Ghana do colonialismo inglês. Quando tentou entender a situação do País com os conceitos ocidentais de Feudalismo e escreve o seu texto Feudalism In Africa? que depois passa a ser o livro de l971, Technology, tradition and the State In Africa, onde tenta perceber a continuidade política que for capaz de guardar a continuidade entre gerações que vivem uma diferente experiência. Mas a sua reflexão, que continua em Production and Reproduction, 1976, não ajuda ao País que é iletrado e que tem as suas próprias continuidades e descontinuidades, que faz estalar a guerra., que tem as suas próprias literacias em signos não escritos, entendidos por eles e não multilingues. Essas guerras já vividas pelos Picunche e Espanhóis, pelos Galegos nos séculos dezanove e vinte. Pelos portugueses, nos mesmos séculos, até acabarem Espanha e Portugal em vias pacíficas para a igualdade subsumida ao capital. E o Chile, numa desigualdade esfomeada também pelo capital subdesenvolvido. O crescimento das crianças de hoje, é fundamentalmente diferente ao crescimento de ontem. O de ontem, tinha um objectivo centralizador da actividade familiar, o obter a terra por meios para todos iguais. Os de ontem, são criados no derrube de um sistema da aristocracia, que eles têm que reconstruir outra vez na base da sua própria força. Os de hoje, têm um objectivo igual, mas que dispersa e tira do elo estruturador antigo, a propriedade rural. O capital é o objectivo individual e autónomo. Como diz o Presidente do Sindicato de Agricultores da Extensão Agrária Galega, há muita gente no campo e é preciso limpar e redistribui-los pelas outras tarefas, encher as cidades e as habilitações, as industrias e a poupança. Fazer de cada um, uma força empresarial. Que já existe na sua mentalidade. Embora Victoria, Pilar e Anabela continuem na ideologia ocidental cristã, esta ideologia não é outra que a que se adapta à


exploração do consumo e da procura. Há que ter bens para vender e dinheiro para comprar. A União Europeia encarrega se de que o gasto, exista. Dívidas como créditos, que, enquanto mais tarde se paguem, é melhor. O crescimento das crianças modifica a aliança reprodutiva. Não é suficiente desejar, não é suficiente a paixão. A pessoa parceira deve ter terra ou industria ou emprego para investir dinheiro no futuro lucro. Lucro que sintetiza o contexto dentro do qual crescem hoje as crianças. Com o prazer de se divertir. Como a Bertita, que enquanto é professora primaria, também faz música. Ou o seu irmão Pedro, que desenha e de esse desenho técnico, tira prazer e vive. Ião querer trabalhar no campo? Quando o campo era esse sitio divertido para andar de cavalo, com a vizinha estrangeira, nos porcos da matança, denominados em esse tempo Juan Carlos e Sofia. Vizinha estrangeira que hoje acumula graus doutorais para analisar seres humanos, longe do sítio do qual falo. Vizinha estrangeira que, como Beatriz, José Gregório, Carlos Varela, Berta, Pedro, António o traste, Pilar, Anabela, Victoria, tem a sua casa própria por eles comprada, para além das herdadas. Em tanto os pais suam e continuam a tentar entender o mundo com a teoria da pós-modernidade. Porque a teoria que nos tem levado a África, a América Latina, a certas Europas de hoje, já não é aplicável. Mesmo que, vários de nos, as vamos adaptando, á Chaplin, a estes tempos modernos. Que são os da expansão do capital, aceite por todos e não apenas pelos que crescem enquanto produzem riqueza. É o que tem levado a Anthony Giddens (1991) a falar de identidade e a defini-la da forma invocada antes, como a pertença a um grupo que é sabido que é o nosso. Porque o grupo largo, é demasiado igual universalmente para poder falar de Nacionalidade. Como defende Ramón Maiz (1997), e não acaba de entender Xosé Manuel Beiras (1984). E que em Portugal, defendem os citados Sousa Santos, Ferreira de Almeida, Madureira Pinto, Steven Stoer, Luiza Cortesão, Fernanda Rodrigues. E que eu tento defender desde a voz meio apagada da Antropologia. Como continua a fazer Jack Goody (1993) e Eric Hobsbawm (1994), adaptados à modernidade nos seus oitenta e muitos anos. O crescimento das crianças e o seu contexto, é o que deve ser compreendido pelos educadores, a epistemologia coordenada que é produzida pelo respeito ao passado cultural e as normas do mercado. A experiência é a base do experimento. O experimento é já conhecido, a experiência, fica para nos observar e dizer e sermos ouvidos. Ouvidos de diferente forma em diferentes tempos do ciclo do tempo de saber das pessoas. Quando as crianças nascem, são fruto da paixão dos progenitores, que as amam por elas e pelo amor que existe entre eles. É o típico caso de Victoria, cujos irmãos foram o resultado da paixão de Clodomiro y Yeyé. Ou o caso de Pilar, quando a filha nasce pelo amor que o pai tem a mãe e que faz a ele casar, emigrar, investir, desenvolver o grupo doméstico. Ou o caso de Anabela, donde o amor de António por Fernanda, convence a Fernanda de ser seduzida, casar e ter filhos. Para todos ele, o matrimónio é parte da procriação. Todos eles casam já com a gravidez das mães ad portae. António O Ferreirinho, é um caso mais, bem como vários dos seus filhos. Em uma primeira etapa, esses filhos são o resultado do desejo do homem pela mulher e ao contrário. Mas, o tempo vai passando, as obrigações aumentando e os cuidados passam a ser mais complexos. Os filhos entram na etapa da inclusão do relacionamento social, da escola, dos livros e materiais de trabalho, dos rituais com os que a sociedade demonstra de que a criançada não é só dos pais que as fazem. Os ancestrais vem o incremento de cuidados ser complexo, indicações, orientações, as roupas, os amigos que vêm de fora de casa, os primeiros segredos da pequenada que os pais querem descobrir e acautelar. Como se o tempo de escolha entre eles, não tiver começado ainda. E, no entanto, há mais do que uma escolha de que a criançada que cresce, faz longe dos pais. Mesmo, a selecção dos namoros, das amizades, do tipo de hobby que desejam, a iniciação na vida adulta. Os adultos, pensam que podem dominar o afazer deles, sempre. E tentam. E a criançada, como diz Roy Lewis (1960), tem que comer ao pai, tem que passar pela etapa em que se liberta das ideias que os pais estão a impingir. Embora não saibam farelo pela sua falta de experiência na vida. O crescimento das crianças é muito feito pelo grupo social mais pequeno, de que eles vão-se rodeando. E que os pais vigiam, ainda que não possam sempre intervir. O mito que Robertson Smith (1885) tem estudado e Freud (1920) analisado para o ocidente, passa muito por matar ao pai, e, a seguir, come-lo. De uma forma metafórica. Mas, socialmente, certa. Até formarem a sua autonomia e independência. Autonomia e independência que os leva a formar o seu lar, a produzir a sua própria descendência. Idade e tempo no qual vão solicitar colaboração outra vez colaboração aos ancestrais que ficaram em casa. Especialmente a família da mulher, que tem mais abertura com a sua própria mãe, que com a mãe do seu homem. E é assim que os filhos voltam a casa. E que o crescimento passa por uma etapa de educação da descendência e acumulação do saber pela experiência que se adquire, e de dinheiro, para resolver os gastos que devem aparecer. E um terceiro período da relação de crescimento, quando os pais já são os avós que, ainda novos, podem receber filhos e netos em casa e visitar netos, ou ficar com eles, quando for preciso. Desde que começa a paixão entre dois, começa um processo de mudanças no detalhe da interacção. Um processo de elo de ligação cíclica de saber a traves do tempo. Que é como as crianças crescem em contextos diferentes, ontem e hoje. Quando as crianças crescem, acaba por haver uma movimentação de seres que estavam habituados a viverem juntos. A pequenada começa a conhecer o mundo, ao pé dos seus progenitores e é a partir de aí, que entendem. Entendem a partir do apoio afectivo que os pequenos têm quando abrem os olhos ao mundo. Na medida que os ciclos referidos avançam, a linguagem afectiva passa a ser uma linguagem social. E palavras que nunca tinham entrado em casa, começam a aparecer. Algumas, corrigidas pelos seus adultos, outras, apreendidas pelos mesmos adultos. O lar original começa a crescer como a lua da qual tenho falado, com um crescimento prolongado. O lar cresce cada vez que aparece um novo ser. Como foi o caso de Pilar, que aparece Cármen e não há lar. Logo, aparece José, e não há lar ainda, logo ameaça a aparição de Olga, e o lar é formado. Mas, para o formar, a mãe com os filhos deve ir morar a casa dos sogros, e o pai, ausentar-se esses cinco anos a Venezuela. E é ao seu regresso, que a casa pequena é feita, alargada quando aparece Pilar como fruto do reencontro, e alargada ainda mais, com o nascimento do Miguel e o matrimónio de José e o nascimento do neto. Mal é possível angariar dinheiro dos trabalhos de todos, Hermínio divide a terra em quatro porções, para os filhos fazerem casa e viverem autónomos. E os netos começam a nascer, Pilar a ausentar-se a casa do marido para aí viver, mas aparecer quando é preciso. E, um dia qualquer, este grupo de três gerações virá a ser um grupo de quatro. Pelos rebentos que os netos adultos estão já prontos a fazer. Expansão que se da com o aparecimento material, mas também com o crescimento em, conhecimento. Não é só Pilar e a música, ou Alfonso seu marido, com a electricidade. É José, ou Pepe e a sua mulher, com a mecânica e o comércio, Olga e Cármen com a sua emigração e aprender outras formas de falar, o neto mais velho, com o seu noivado com uma médica e a sua formação em enfermagem. O saber que tinha sido sempre de cavalos e batatas, passa a ser de assistência social, de medicina, do corpo com Miguel a tratar de corpos e doentes a morrer para a funerária para a qual trabalha. E com as novas formas de falar o galego,
língua oficial com sintaxes e gramática, como é também o castelhano. Tinha dito que há ciclos no crescimento, mas os ciclos são de influência mutua no entendimento do real. A cultura do saber, é guardada, mas o saber social, entra pelo treino que o grupo nacional e estatal, faz. Até da lei. O que introduz uma outra característica do crescimento, a heterogeneidade do entendimento e dos interesses que cada um tem. O que acaba por modificar também o tipo de pessoas que visitam a casa, a qual casas são eles convidados, das quatro que existem junta. E quem é quem deve pagar a atenção. Acaba por ser um conjunto de factos os que organizam a estrutura doméstica da casa. Onde fica uma mãe que persiste no seu entendimento, e um pai na sua sabedoria. O que todo professor deve entender quando ensina uma pessoa: não é o filho de, bem como o membro do grupo de. Crescimento de crianças complexo em todos os três lugares estudados, como complexo sempre foi em contextos históricos diferentes. Como um leque que abre até o crescimento dos mais novos e a partida dos mais velhos, para a Historia. Cumprido como fica o seu papel íntimo e social. Para um crescimento complexo, em interacção pessoal e de tempos históricos, de saberes diferente juntos, de cronologias á distancia, sob o mesmo teto. Um convivo de símbolos entendidos de forma heterogénea, no tempo. Que explicita como os mais velhos eram, a memória social do passado, quando a criançada de hoje não era, o que essa pequenada pode dizer quando definir o que eu sou. Motivo do título do livro de onde retirei estes excertos…sendo este o derradeiro, finalmente!

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