religião, confissão do medo – III parte

3.1- Algumas ideias finais. IIIª Parte

Como é natural, há mais confissões espalhadas pelo mundo inteiro. Todo o ser humano tem necessidade de ajuda quando a vida é dura e não há outra alternativa na vida material, excepto acudir a essas outras formas materiais, criadas pelo ser humano, a religião. É esse o motivo da minha grande dúvida no início do texto: confissão de medo ou do medo. Decidi-me pela derradeira para discorrer ideias com a minha análise, que devia ser um livro. Um exemplo específico para mim foi o de uma tese de doutoramento que orientei sobre os Ismaelitas. Enquanto lia os papéis para escrever este texto, encontrei esse nome, a Índia toda caiu sobre mim. O candidato nunca acabou a tese, por preguiça, pelo que lhe solicitei ir embora – e embora foi, até com o seu nome, que entretanto esqueci. Mas, aprendi imenso sobre os Ismaelitas e agradeço: visitei os seus sítios de trabalho, comi nos seus restaurantes, ensinaram-me as suas crenças. Em honra aos seus membros, embora breve, direi apenas esta ideia: Os ismaelitas, por vezes grafado erroneamente Ismailismo, é uma doutrina religiosa considerada como um ramo dos xiistas. Os adeptos dos ismaelitas são também designados como septimámicos em

função de só reconhecerem os sete primeiros imãs do islão xiita. Algumas décadas após a morte do profeta Maomé (em 632) gerou-se um cisma no islão em torno do líder da comunidade islâmica. Para alguns, esta honra deveria ter recaído, desde o primeiro momento, sobre o genro e primo de Muhammad, Ali, porém, Maomé foi sucedido por outros companheiros próximos (que assumiram o título de califa): Abu Bakr, Otman e Oman. Os partidários da sucessão de Ali ficariam conhecidos como xiitas e os outros como sunitas.

Antes da morte de Maomé, Alá revelou-lhe a sua última mensagem. O profeta foi, então, comunicá-la ao povo no local denominado Ghadir-e-Khum (Vale do Lago). Revelada a mensagem, o profeta disse: MAN KUTUM MOWLAHU FA-ALI MOWLA (Para quem eu sou Senhor, Ali será seu Senhor também).

Os xiitas reconheceram os descendentes de Ali como guias espirituais, sendo estes conhecidos como imãs. Eventualmente no seio do islão xiita surgiram conflitos em torno de quem deveria ser reconhecido como imã legítimo.

O sexto imã xiita, Jafar as-Sadiq, teve dois filhos, Ismael e Mussa. De acordo com a visão ismaelita, Sadiq nomeou o seu filho Ismael como seu sucessor. Todavia, Ismael morreu três anos antes do pai, em 762 (ou segundo os ismaelitas escondeu-se por ordem do pai). Uma parte da comunidade xiita entendeu, assim, que o sétimo imã deveria ser Musa, enquanto os outros (mais tarde conhecidos como ismaelitas), consideram Ismael como sétimo imã, apoiando a sucessão através do filho deste, Maomé.

No século seguinte pouco se sabe sobre os partidários de Ismael. No século IX cristalizaram-se num grupo centrado na Síria, que se opunha aos califas abássidas. À semelhança dos outros muçulmanos, os ismaelitas acreditam num único deus e no profeta Maomé como mensageiro divino. Partilham com os outros xiitas a crença que Ali foi nomeado por Maomé para líder da comunidade muçulmana, devido à sua capacidade para interpretar a mensagem de Deus, dom que foi transmitido aos seus descendentes.

Contudo, ao contrário dos outros xiitas, os ismaelitas seguem um imã vivo, denominado por Hazir Imam. Os nizaritas têm como seu imã o Aga Khan.

O pensamento ismaelita apresenta igualmente uma visão cíclica, desenrolando-se a história ao longo de sete eras. Cada uma destas eras é iniciada por um profeta, que traz consigo uma escritura sagrada. Cada profeta é acompanhado por um companheiro silencioso, que revela os aspectos esotéricos da escritura. Os seis primeiros ciclos estiveram associados aos profetas Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé. O companheiro silencioso de Maomé foi Ismael, que regressará no futuro para ser o profeta do sétimo ciclo. Este sétimo ciclo implicará o fim do mundo. Até esse momento o conhecimento oculto deve ser preservado em segredo e revelado apenas a iniciados.

Obtido em “http://pt.wikipedia.org/wiki/Ismaelismo” e nas notas deixadas comigo pelo discípulo rebelde. Para saber mais, é melhor perguntar aos Antropólogos Etnográficos, como Rosa Maria Perez e ao Etnólogo José Carlos Gomes da Silva, especialistas sobre a Índia.

Para finalizar, direi, parece-me ter ficado provado que acode-se à divindade apenas quando um problema nos acontece – digo, para os que têm sentimentos de fé e cumprem os seus deveres rituais. Entre todos, os mais fracos para ser a sua religião uma ajuda, são, em minha opinião, os cristãos romanos. Houve épocas em que, por se sentirem representantes da divindade na terra, eram louvados, reverenciados, canonizados e, no entanto, entesouravam bens na terra para assim estarem certos de viverem em paz sem terem que acudir à confissão do medo. Aliás, como representantes da divindade, estavam mais do que certos de terem um sítio reservado ao pé da única divindade para eles, Deus. Não sei se é ou não um grande engano, porque não tenho provas para arguir. Mas, o facto de viverem como príncipes enquanto o povo, o seu rebanho, passava miséria e não era assistido, levou, no Século XVI, a uma grande separação entre romanos, luteranos, calvinistas e presbiterianos, originando movimentos como a Teologia da Libertação, Cristãos para o Socialismo (aos quais pertenço e ajudei a criar em vários países), bem como outros movimentos políticos que lutavam para colocar os seus representantes, em pé de igualdade perante eles: pobres e a trabalhar, esta atitude obteve sucesso, do qual falo no início. O centralismo anti-democrático dos romanos, quase os levara à ruína, não tivesse, com prontidão, o Papa Pio VI, agido, reformando por dentro a sua confissão, em 1562. Foi declarado Santo. Como muitos ouros que trabalhavam para ajudar os pobres, os sem trabalho, os sem abrigo.

Parece-me, por ter escrito um livro sobre as reformas das confissões do medo, que quem teve mais razão foi Buda. É verdade que nos faz passar um troço duro do que é a verdade da vida, mas acaba com palavras que me faz lembrar o actor Richard Gear, pianista clássico, excelente actor e budista disciplinado. Buda, após essas verdades nobres de que fala, rebaptizadas por mim como sublimes e majestosas, entrega-nos o segredo para a vida em paz, sem recurso às confissões do medo. Diz Sidarta:

  1. Visão ou Entendimento correcto: (…) O que é o entendimento correcto? Compreensão do sofrimento, compreensão da origem do sofrimento, compreensão da cessação do sofrimento, compreensão do caminho da prática que conduz à cessação do sofrimento. A isto se chama entendimento correcto (…);
  2. Intenção ou Pensamento correcto: (…) O que é o pensamento correcto? O pensamento de renúncia, o pensamento de não má vontade, o pensamento de não crueldade. A isto se chama pensamento correcto (…);
  3. Palavra ou Linguagem correcta: (…) O que é a linguagem correcta? Abster-se da linguagem mentirosa, da linguagem maliciosa, da linguagem grosseira e da linguagem frívola. A isto se chama linguagem correcta (…);
  4. Actividade ou Acção correcta: (…) O que é a acção correcta? Abster-se de destruir a vida, abster-se de tomar aquilo que não for dado, abster-se da conduta sexual imprópria. A isto se chama acção correcta (…);
  5. Modo de vida correcto: (…) O que é o modo de vida correcto? Aqui um nobre discípulo, tendo abandonado o modo de vida incorrecto, obtém o seu sustento através do modo de vida correcto. A isto se chama modo de vida correcto (…);
  6. Esforço correcto: (…) O que é o esforço correcto? Aqui, bhikkhus, um bhikkhu gera desejo para que não surjam estados ruins e prejudiciais (…), estimula a energia, empenha a mente e esforça-se. Ele gera desejo em abandonar estados ruins e prejudiciais que já surgiram, aplica-se, estimula a energia, empenha a mente e esforça-se. Ele gera desejo para que surjam estados benéficos que ainda não surgiram, aplica-se, estimula a energia, empenha a mente e esforça-se. Ele gera desejo para a continuidade, o não desaparecimento, o fortalecimento, o incremento e a realização através do desenvolvimento de estados benéficos que já surgiram, aplica-se, estimula a energia, empenha a mente e esforça-se. A isto denomina-se esforço correcto (…);
  7. Atenção correcta: (…) O que é a atenção plena correcta? Aqui, bhikkhus, um bhikkhu permanece focado no corpo como um corpo – ardente, plenamente consciente e com atenção plena, colocando de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. Ele permanece focado nas sensações como sensações – ardente, plenamente consciente e com atenção plena, colocando de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. Ele permanece focado na mente como mente – ardente, plenamente consciente e com atenção plena, colocando de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. Ele permanece focado nos objectos mentais como objectos mentais – ardente, plenamente consciente e com atenção plena, colocando de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. A isto denomina-se atenção plena correcta (…);
  8. Concentração correcta: (…) O que é a concentração correcta? Aqui, bhikkhus, um bhikkhu afastado dos prazeres sensuais, afastado das qualidades não hábeis, entra e permanece no primeiro jhana, que é caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos do afastamento. Abandonando o pensamento aplicado e sustentado, um bhikkhu entra e permanece no segundo jhana, que é caracterizado pela segurança interna e perfeita unicidade da mente, sem o pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos da concentração. Abandonando o êxtase, um bhikkhu entra e permanece no terceiro jhana que é caracterizado pela felicidade sem o êxtase, acompanhada pela atenção plena, plena consciência e equanimidade ou igualdade constante de ânimo (em qualquer conjuntura da vida), acerca do qual os nobres declaram: Ele permanece numa estada feliz, equânime ou sereno e plenamente atento. Com o completo desaparecimento da felicidade, um bhikkhu entra e permanece no quarto jhana, que possui nem felicidade nem sofrimento, com a atenção plena e a equanimidade ou moderação purificadas. A isto denomina-se concentração correcta (…).

Com as ideias de rectidão e serenidade transmitidas por Buda, fecho a minha escrita.

3.2- Uma pequena coda final.

Tenho debatido ao longo do texto que religião é uma confissão do medo, espalhadas por várias igrejas, rituais e promessas de emendar todo o mal feito ao longo da vida É quando têm medo do mundo material que as pessoas acodem ao mundo espiritual, como defendem Weber e Siddarta. Mas, ia-me esquecendo destas notas em Ré Major. Houve no Reyno[1] do Chile, no começo do Século XVII, 15 de Maio de 1601, o nascimento de uma aristocrata que juntava em si todas as etnias do mundo, Doña Catalina de los Rios y Lisperguer. Filha e neta de Castelhanos nascidos em Espanha, de Castelhanos criollos ou Castelhanos nascidos no Reyno do Chile, neta também de alemães por convenções pré núpciais – o apelido Blumen do Avô paterno tinha sido traduzido para o Castelhano como Flórez – e Cacica de Talagante ou descendente da Rainha Mapuche. Possuidora de bens no centro norte do Chile, a religião para ela não era uma confissão do medo. Bem pelo contrário. Com posses na Europa e em várias colónias do denominado, em esses tempos, o Novo Mundo, proprietária por heranças da maior parte do país, com a sua riqueza comportava-se e agia como entendia. A sua ética era criada por ela e, por ser tão imensamente rica, era a Dona dos bens dos frades Agostinhos, que protegia. Como resposta a tão digno senhorio, os frades Agostinhos enviaram à sua casa de Santiago do Chile, imensa de quarteirões inteiros, um frade que sabia esculpir em madeira. O frade, novo como ela, não quis aceitar as suas solicitações sexuais. Mal acabado o Xristo talhado, o frade foi despachado. Em retaliação, levou para a sua cama outros jovens da sua alta classe, enquanto enviava o marido a tomar conta de terras remotas, vivia com eles, até se cansar, mandando-os, posteriormente, assassinar ou envenenar. Um dia, aquando de um terramoto, a cabeça do Xristo deu de si e assim ficou, até ao dia de hoje, com o queixo apoiado no peito da escultura. Por esses e outros motivos, a Dona disse: No quero homens de ma cara na minha casa. Fora com ele! A imagem, foi enviada à igreja que ela mandar construir em pedra, para os seus diversos frades. Ainda hoje subsiste intacta com um altar especial para o Xristo da Agonia, como era denominado, passeado em procissão penitencial todos os anos do aniversário do terramoto de 1629, por ordem da Quintrala, tal a sua alcunha. Era ruiva como a planta parasita (quintral) do álamo chileno, abundante no país e de uma cor tão linda e delicada para seduzir, como a da Dona Catalina Blumen-Flórez de los Rios e Lisperguer, que assassinara não apenas os seus pais e amantes, bem como os seus escravos. No dia que se fartava deles eram queimados para não contarem histórias, como os outros. A sua religião era uma confissão do sem medo. Ainda é vista a vaguear pela Rua do Rey (designada actualmente Estado), junto da sua mansão de Santiago, acompanhando todas as procissões ao longo dos últimos cinco Século, sempre linda como o Quintral[2].

A história, incompleta, diz desta mulher, de confissão sem medo: Poseedora de una belleza inigualable, de cabellos rojizos y una gran estatura, Catalina, o Quintrala, como la llamaban, creció en un entorno controvertido.

Filha de Gonzalo de los Ríos y Encío y Catalina Lisperguer, nasceu em 1601, como já referi. Teve uma irmã, Águeda, e desde a sua infância gozou dos benefícios de pertencer a uma família aristocrata reconhecida pela sociedade da época. Como acontecia com a maior parte das mulheres da altura a sua educação foi pobre.

O seu nome está associado a uma série de horrendos crimes (a fama de criminosa surgiu por volta dos 18 anos), muitos são certos, outros são-lhe atribuídos pela lenda. O primeiro foi a morte de seu pai por envenenamento, em 1622. Mais tarde esteve implicada no assassinato de um cavaleiro da Ordem de Malta, que foi seu amante. Em defesa própria, e para atemorizar, chega a ameaçar o vigário do Bispo de Santiago com uma faca, durante um dos vários processos inquisitoriais. A Quintrala, livrou-se sempre da justiça pela grande influência da sua família junto das autoridades.

Por causa de tantos acontecimentos trágicos, a avó materna decide casá-la. Fez um contrato nupcial com o cavaleiro Alonso Campofrío Carvajal, soldado espanhol de escassa influência e fortuna, que ascendeu socialmente graças ao poder da família da sua mulher. O casamento realizou-se em Setembro de 1626. Após a cerimónia, o casal transladou-se para a fazenda que pertencia à família por parte do pai, De los Rios, sita na província de La Ligua. Ai, a Quintrala tomou o controlo das suas propriedades, organizando todas as actividades inerentes à fazenda; todavia, os seus abusos e actividades criminosas, contavam, agora, com um cúmplice, seu marido, Alonso.

Após a morte do marido, acontecida em1650, Catalina de los Ríos assumiu o controlo total das terras da Ligua. Os abusos continuaram, como o caso da morte, à paulada, de um menino mulato, que não foi sepultado durante quinze dias, ou o cercenamiento da orelha de um dos seus amantes. Tornou-se, assim, numa das mulheres mais temidas da sua época, a quem nem o Bispo conseguia conter.

Em 1660, a Real Audiência abriu os olhos às acusações que eram feitas à famosa Quintrala, a qual foi salva pelas suas influências de aristocrata, manipulando a acusação.

Doente e velha, redigiu o seu testamento em 1662. Estabeleceu que a maior parte da sua fortuna fosse destinada para o descanso da sua alma, para o efeito, deixou, vinte mil pesos, como pagamento de vinte mil missas em seu nome e outro tanto, para que se realizassem, após o seu funeral, mil missas. Fixou, também, 500 missas para descanso das almas dos indígenas vítimas das suas acções. Destinou, concomitantemente, seis mil pesos para a procissão do Cristo da Agonia, que se realiza a cada 13 de Maio, até ao dia de hoje, quer pela fortuna deixada aos Agostinhos, quer por devoção, quer porque o povo pensava que a Quintrala, criminosa nunca punida, era santa, até ao dia em que a democracia chilena acabou, a 11 de Setembro de 1973, e muitos quintrales passaram a ser criminosos. A confissão do medo é forte: da Quintrala ao ditador, há apenas um degrau entre esses anos de diferença, mas com factos criminosos semelhantes. A Quintrala conseguiu morrer (1665) em paz, o ditador morreu réu de crimes provados.

O corpo da Quintrala foi sepultado no templo dos frades Agostinhos, vestido com o hábito do santo da Ordem[3].

Este facto faz duvidar da história que tem sido narrada sobre a Quintrala: lenda ou factos, inventiva popular ou maledicência, ou apenas uma mulher livre da religião como confissão do medo? Um historiador e escritor de mérito do Chile, Gustavo Frias[4], deve, também, ter ficado curioso e foi às fontes da vida de Catalina de Los Rios e Lisperguer e o que escreveu é bem diferente do que narra a lenda na qual o povo acredita e que Magdalena Petit romanceou. O trabalho de Frias tem sido escrito em vários volumes, como consta na nota de rodapé. Tres nombres para Catalina[5], deve passar em breve para filme como esta anunciada. A personagem narrada é a de uma Senhora bem equilibrada e dona de si, gentil com os seus servidores a quem ensinava a ler e a escrever ou mandava a escola. Era uma Cacica[6] que sabia lidar com os seus bens e a sua servidão.

O povo professa a confissão do medo. Ficou sujeito à Quintrala e ao ditador, até que a morte a ambos levou.

Escrito no dia do falecimento de Dona Hortensia Bussi Soto, viúva do Presidente do Chile, Sua Excelência Salvador Allende Gossens.

Raúl Iturra

18 de Junho de 2009

CRIA-CEAS; ISCTE-IUL, Membro Activo da Amnistia Internacional, Secções Britânicas e Espanhola.


[1] Não é gralha, é Castelhano antigo

[2] Foram os meus amigos, seus descendentes, da nossa prosápia, até mudarmos de ideologia: eles, Quintrala, eu, Allende. Mas, enquanto éramos amigos, as histórias que eu ouvi, ainda me dão calafrios.

Para os não amigos de religiosidade da confissão do não medo, pode ler Magdalena Petit, (1935) 27ª edição, 1999: La Quintrala, Editora Zig-Zag, Santiago do Chile, esse o meu livro de cabeceira; Benjamin Vicunha Mackena, (1877, El Mercúrio) 2001: Los Lisperguer e La Quintrala. Doña Catalina de los Ríos Editorial Sudamericana, Santiago do Chile; Gustavo Frias: 2001: Tres nombres para Catalina. Catrala.

Alfaguara, Aguilar Chilena de Edições; Gustavo Frias, 2003: Tres nombres para Catalina: La Doña de Campofrio. O terceiro volume está a ser escrito pelo mesmo autor, o historiador chileno, escritor e realizador de cinema antes referido.

[3] Toda a história em: http://www.icarito.cl/medio/articulo/0,0,38035857_172985977_183720648_1,00.html

[4] Gustavo Frias nasceu na Cidade de Los Andes, Província de Aconcagua, Chile, no ano de 1939. Estudou cursos que nunca acabou, entre eles Direito, Teologia, Cosmologia, Filosofia, Literatura, Jornalismo. A sua paixão foi sempre a escrita, ao que dedicara todo o seu tempo, junto com fazer cinema Entre os seus livros, escreveu em 2001, a primeira parte de uma projectada trilogia intitulada: Três nombres para Catalina, tendo já publicado em 2001:Catrala; e em 2003: La Doña de Campofrío, editados por Alfaguara, Barcelona, e no Chile por Aguilar Chilena de Ediciones. A sua biografia resumida pode ser lida em:  http://www.alfaguara.santillana.es/autor/gustavo-frias/344/

[5] Tres nombres para Catalina:

Chile colonial, meados do Século XVII.
Catalina de los Ríos. Esteban de Britto.
Uma paixão que deve mudar o destino de um povo.

O novo Governador de Santiago é recebido na Praça de Armas. O cenário é como a vida: em baixo, os índios e os mestiços; nos balcões, os poderosos europeus. Dois mundos tão opostos, como diferentes são o círculo da cruz. Apenas Catalina parece saber como se pode transformar tanta diversidade num verdadeiro reino. Pequena síntese do livro, baixado de: http://gustavofrias.blogspot.com/2008/06/tres-nombres-para-catalina.html

[6] O cacique (do arauaque do Haiti cachique, “chefe político”, pelo espanhol cacique, idem) é a denominação da suposta chefia indígena difundida por portugueses e espanhóis entre os povos com os quais entraram em contacto. Cada um dos grupos étnicos da América do Sul possui tanto uma denominação quanto uma concepção própria para suas lideranças. mburovixá é a denominação empregada pelos povos Guarani para seus principais. Entre os Tupi as denominações eram murumuxaua, muruxaua, tubixaba e tuxaua. Curaca era a denominação de uma espécie de prefeito entre os Inca das terras da alta América no tempo da invasão e colonização europeia. Os Mapuche do Chile, adoptaram o conceito quechua dos países do Norte, passando a ser quem governava ao povo, um Cacique, caso for homem, e Cacica, caso seja mulher. Fonte: Alonso Ovalle e a sua Hiftorica Relação do Reyno do Chile, de 1646, reeditada pelo Instituto do Livro, Santiago do Chile em 1969: os textos que tenho comigo e as palavras, em parte, de http://pt.wikipedia.org/wiki/Cacique

O povo professa a confissão do medo. Ficou sujeito à Quintrala e ao ditador, até que a morte a ambos levou.

Escrito no dia do falecimento de Dona Hortensia Bussi Soto, viúva do Presidente do Chile, Sua Excelência Salvador Allende Gossens.

Raúl Iturra

24 de Setembro de 2010

CRIA-CEAS; ISCTE-IUL, Membro Activo da Amnistia Internacional, Secções Britânicas e Espanhola.

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