BPN: mais um desvio de 500 milhões de fundos públicos

 

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Há notícias pouco precisas sobre o investimento público na nacionalização do BPN. Umas vezes fala-se de 4,7 mil milhões de euros, outras de 5,2 mil M. Independente do valor ser o primeiro ou o segundo, foi, de facto,  uma operação pesada e desastrosa para as finanças públicas, feita pela CGD com o aval do Estado (Ministério das Finanças). O argumento do governo sustentou-se no objectivo de evitar o abalo do sistema financeiro nacional. Conversa fiada!

A imprensa dita de referência, DN, Expresso e Público, anuncia a hipótese – mais do que certa, obviamente – do Governo investir no BPN mais 500 M de euros, cerca de 0,3% do PIB, para resolver a “insuficiência de capitais e a falta de cumprimento de rácios prudenciais” denunciadas pelo Banco de Portugal.

Digam o que disserem os paladinos do modelo do mercado que se auto-regula, o que não conseguem negar é ser esta mais uma operação de socialização de prejuízos da banca, das muitas realizadas por esse mundo fora; e precisamente na época, em que em nome da sanidade das contas públicas portuguesas, é cometida a extorsão de parcelas das remunerações de trabalho da FP e parte do SEE, eliminação dos abonos de família, congelamento de pensões de reforma e redução de outras pensões sociais. Tudo isto arrematado por agravamento de impostos, IRS e IVA.

Desta arte de “salvar a banca e desancar sobre trabalhadores e desprotegidos”, dia-a-dia, estamos a aprender a sofrer o estilo e a dura expressão, até à altura de uníssimo grito: “Basta!” Vamos-nos ver gregos para lá chegar, mas sobra-nos a esperança que, dizem, é a última a partir.

Outra perspectiva do problema, exterior à área financeira, relaciona-se com o sistema de justiça. E, de facto, neste domínio, perante os poderosos, Portugal faz-se equivaler a uma república das bananas, cujos líderes e ex-governantes constroem fortunas imensas e ilegítimas, sob uma impunidade revoltante. Com efeito, se tivermos em conta que os homens responsáveis pela catástrofe BPN deixaram um buraco de 1,9 M de euros, custa a engolir que, em tribunal, se aceite a recusa de 16 arguidos a prestar declarações; ou saber que o mediático advogado e ex-bastonário Rogério Alves profetize um “julgamento demorado” e que “os arguidos devem ser os últimos a falar”. É a habitual bitola da justiça em Portugal, no caso dos poderosos e influentes. Madoff foi julgado e condenado em seis meses, com um acórdão de 6 páginas de A4 para uma burla estimada à volta de 50 mil milhões de dólares. Que diferença!

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  1. […] compromissos assumidos no passado como as SCUT e as PPP, por causa de irresponsabilidades como o buraco BPN, por causa do despejar de dinheiro a rodos para obras públicas sem a menor preocupação de onde […]

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