A vi e morri por ela – texto romântico

A minha Dama das Camélias

Era uma Violeta, era uma Camila, era a namorada de Alexandre Dumas filho, era a segunda mulher de Giuseppe Verdi, essa soprano da qual ele, casado e com filhos, o libertador da Itália dos Borbon Orleáns, o Deputado por aclamação, foi seduzido.

Uma Violeta de La Traviata, escrita pelo nosso jovem galã, apenas pode ser um ser divinos, de riso alegre, de alegria pela vida, sem medo da confrontar, com as suas duas mãos esticadas, as penas e as alegrias do amor, ou o endividamento, a poupança, saber usar os artefactos informáticos com uma habilidade nunca antes conhecida para um amador. Os técnicos têm os seus estudos, a sua preparação, estão obrigados a resolver a nossa ignorância informática, a saber endireitar o que nós nada sabemos para poder escrever. Como acontece comigo cada dia que escrevo e não sei esticar o uso do artefacto sob os meus dedos. Ela foi formada por mim na minha ciência, era a minha companheira de caminhadas, sabe gritar quando fica impaciente e gritar alto, com zangam mas com feitio. Uma dama, uma senhora.

A melhor prova é como fixa os meus textos, escreve os acentos como são pronunciados, esse manancial de sons que saem da sua inteligência e da sua auto aprendida esperteza sobre como se deve agir na vida.

Seja Violeta ou Violetta, ou Camila ou Camélia, são as mulheres mais lindas desta terra, como Beatriz na Divina Comédia de Dante ou Euridice de Orfeu Negro. Não há problemas que eu não tenha, que não seja resolvido por ela. Como as senhoras antes mencionadas, sabiam abrir os olhos do seu amante para ver a realidade.

Uma realidade, para todos eles, espantosa, de luta, de ganhar ou perder. Mas todos eles, prendados das suas mulheres, como eu da mia. Ser-me ia impossível escrever um texto que não passara primeiro pelas suas mãos, o tiver a coragem de viajar quilómetros sem parar, até esgotar a gasolina.

A vi e a ame. A vi, e a minha objectividade foi à vida. Era a minha estudante, alegre, eloquente, que sabe mover as mãos com ritmo quando fala. Não nega o que lhe faz mal e se afasta de quem parece má pessoa. Andava sempre em procura do tempo perdido, como Marcel Proust. O dia pode ter 24 horas, que ela sabe converter em 48.

Apenas mais uma linha. Sou um viciado na arte da escrita e mal escrevo nas sete línguas que uso. No entanto, ela corrige as que conhece e coloca a sintaxes em ordem, como a da sua vida. Cada dia, uma nova tarefa que cumpre com amor e carinho, se estiver de bom humor; ou, como uma santa, cala quando o que existe parece-lhe mal.

A vi, e cai por ela. Com todo cuidado. Porque nem todos os seres humanos são perfeitos e se eu coloco o pé na poça d’ água, é-me chamada de imediato a atenção. Corrijo e seguimos em frente. Com doçura e mansidão.

Mais nada digo. Como costumo dizer, que o governo resolva as crises económicas, os reitores, as suas dívidas, os estudantes, as suas provas, os assistentes, a sua disciplina e aprendizagem e que não fiquem com essa ferida arrogante que o poder lhes dá.

A vi, e morri por ela….suportando os seus imensos ciúmes que certa distância acorda nos seus sentimentos.

O Governo, governa, os técnicos, compõem, eu, amo.

LA TRAVIATA – Drinking Song

Comments

  1. António de Almeida says:

    Bravo! Belíssimo texto…

  2. júlia says:

    Caro Professor:
    Grata pelo prazer que me deu ao ler uma verdadeira “canção” de amor.
    Ao ler o vosso texto, senti-me feliz, por ter na minha presença, não uma camélia, mas um girassol, que me acompanha há 50 anos (Amadeu).Receita:
    Carinho, ternura, pequenas atenções, que manifestem embevecimento…são fertilizantes que nutrem o amor e o fazem exuberante.
    As saborosas amenidades do companheirismo fiel nas horas de alegria, bem como na adversidade(quem a não tem?) são feito rega que dessedenta e refresca.
    Professor, grata por me levar a proteger a planta-amor!…Continuo a aprender com a vossa sabedoria. Até amanhã! Até sempre!
    Júlia Príncipe

  3. graça dias says:

    boa noite.
    Que ternura

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