Uma senhora morreu em sua casa e o seu corpo foi encontrado apenas agora, nove anos após o falecimento.
É uma notícia triste, de solidão , abandono e desinteresse, um retrato de certa sociedade que criámos. O meu colega José Freitas deu conta dos factos aqui no Aventar, num estilo curto, seco e objectivo. Dizia que o corpo da senhora e o do seu cão haviam sido encontrados após nove anos, pouco mais.
Bastou para que oito pessoas levantassem o polegar, carregassem no botão e dissessem Gosto. Gostam? Mas gostam de quê, podem dizer-me? Dada a natureza e o tom da notícia, parece que gostam da morte da senhora e do abandono do cadáver.
Eu sei que o botãozinho está lá, mas deve ser utilizado com um mínimo de inteligência. E de pudor, já agora.






Uma das pessoas, aliás a primeira, fui eu. Porque gostei, e muito, do texto, da forma como lidou com a notícia, e sobretudo do título com todas as referências que arrasta.
Se frequentasses mais o facebook percebias o que quem o faz já entendeu: gosta-se do texto, não na notícia.
Mas também não és obrigado a gostar do Facebook, convém é que entendas o código.
Eu também gostei do texto e da forma como o J. Freitas lidou com a notícia. É precisamente por isso que não entendo bem essa coisa de carregar no botão. E estou a ser claro: não entendo.
Também sou claro: carrega-se no botão quando se gosta do que está escrito, seja sobre uma catástrofe, seja sobre uma festa de arromba. O resultado de carregar é partilhar o texto com os nossos contactos no Facebook. Entendes?
Sim, A. Pedro, é como JJC diz, ‘gosta-se’ porque se gosta do texto, da imagem, como sinal de partilha, não necessariamente do que é contado no post. Nos meus primeiros dias de Facebook – e não vão assim tão longe – também achava esse clique um tanto estranho, sobretudo em conteúdos tristes, até perceber essa lógica facebookiana.
Pois, para isso prefiro um botão que se chama partilhar.
Se entendo? Sim, fazendo um esforço. Trata-se de um código e tal e tal. Para mim continua a ser mau gosto. Imagine-se por absurdo que morrem 20.000 pessoas num terramoto. Dá-se a notícia, bem como a deu o J. Freitas, sem interpretações nem sound bites, e 500 pessoas dizem gosto?
Mude-se o código, porra.
Não deveria haver também um botão de Não gosto?
J.Freitas, pelos vistos comentámos em simultâneo e não tinha visto o teu. Entendo que se trata de uma lógica, mas tenho dificuldade em gostar.
Penso que o “Gosto” no facebook adquiriu uma simbologia de sinal verde, Notícia válida a ser disseminada.
Caso contrário seria, p. ex. , fazer passar informação sobre as execuções eminentes no Irão y informação afins.
Estive a ler um art. no público sobre o caso. A Srª teve 1 vizinho/a q se deslocou 13 junto de 1 qq autoridade competente para tentar saber o q se passava, sempre mal sucedida na sua demanda. Contactou 5 familiares … Não falhou aqui a relação de proximidade. Falhou o reconhecer à relação de proximidade legitimidade para requerer tal info. Só o é reconhecido aos familiares, esse direito.
É assunto para pensar. … Até onde legitimamos os nossos próximos, n familiares, a terem o direito de serem informados sobre nós. O Dilema Privacidade/”segurança”
Mas concordo que devia haver 1 botão “N gosto” paralelo ao outro.
Por exemplo. Claro que percebo os vossos argumentos no que diz respeito à disseminação e também percebo que se trata de prática corrente que virou “código”, digamos assim.
Mas tem um lado paradoxal e implica uma contradição de linguagem. É a isso que me refiro.